“Sou eu que vos pago o ordenado!”

André Solha 15.5.19
… e outras tiradas do mesmo calibre. É isto que os trabalhadores do Estado têm de aturar. Nem todos, claro. No país do respeitinho (que é muito bonito!) os polícias estão acima de suspeita ou crítica. Mas são os únicos. Todos os outros são “chulos” e andam a “mamar na teta do Estado”. É mais ou menos esta a opinião publicada, reforçada até à exaustão pelos órgãos de comunicação social e por sucessivos governos que usam a estratégia de semear discórdia entre trabalhadores de diversos sectores como forma de fugir à contestação social.

“Há dois salários mínimos, um no público e outro no privado!”

Não, não há. Salário Mínimo Nacional há um, que é apenas 600€ porque o governo decidiu despachar a discussão desse valor para a Concertação Social, onde se sentam dois representantes dos trabalhadores, dois lacaios e quatro patrões. Na função pública o que há é uma base de tabela salarial de 635,07€ para a carreira de Assistente Operacional. Não há nem tem de haver qualquer relação entre os dois valores: uma coisa é o valor que o Estado burguês deixa que os patrões paguem. Outra é aquilo que através da sua luta os trabalhadores arrancaram ao patrão-estado.

“Também quero ter ADSE!”

Pois. E eu também queria entrar para o pote de Euromilhões daquela malta cheia de sorte. Mas não dá, a ADSE é um subsistema de saúde criado pelos trabalhadores e financiado na totalidade pelo desconto de 3,5% do salário dos trabalhadores do Estado. É um subsistema criado pelos trabalhadores do sector e para os trabalhadores do sector, resultado da forte sindicalização e unidade na luta.

“Trabalham menos horas!”

Verdade. Mas já trabalhámos todos o mesmo tempo. 7 horas de trabalho mais 1 hora de refeição. Entretanto os patrões do privado decidiram fazer o entendimento que o horário de 8h era de 8h de trabalho, e a hora de refeição deixou de contar. Uma vez mais, quem se sente injustiçado deve dirigir a sua indignação não contra os trabalhadores do Estado, mas contra os seus patrões.

“Trabalham pouco e ganham muito!”

A média salarial nas carreiras gerais da função pública é inferior à média nacional. E dentro das carreiras gerais, os mais mal pagos são os assistentes operacionais. O que significa que os trabalhadores que pior recebem no Estado são os gajos que asseguram que toda a gente tem água potável em casa bastando para isso rodar uma torneira. São os trabalhadores da varredura e da recolha de resíduos sólidos urbanos, que constituem a primeira linha de defesa da saúde pública. São os calceteiros, os pedreiros, os serralheiros, etc. Parafraseando o Galeano, são os gajos que fazem o mundo - ou que pelo menos fazem dele um lugar habitável.

“Os professores ganham bem e ainda se queixam!”

É verdade que têm uma remuneração média acima da média nacional. Mas também é verdade que são o sector profissional mais qualificado, levam trabalho para casa – os testes não se preparam nem se corrigem sozinhos – e que têm nas mãos a responsabilidade enorme de formar as gerações futuras.

E assim voltamos ao início: “Sou eu que vos pago o ordenado”

Não, não és. O nosso ordenado quem no-lo paga é o nosso trabalho. E o nosso trabalho é assegurar os serviços públicos e as funções sociais do Estado. De nada.

Esta deformação da opinião pública tem autores e tem objectivos. Semeando a discórdia, a classe dominante consegue que os trabalhadores do Estado percam a solidariedade dos restantes sectores. E sem essa solidariedade, pode ser adiada ad aeternum a regulamentação do subsídio de insalubridade, penosidade e risco. Podem cortar-se subsídios de férias e Natal. Podem congelar-se admissões e progressões. Podem privatizar-se serviços. Podem ser mantidos com baixos salários os trabalhadores de um sector com uma elevada taxa de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

E pôde-se, no passado dia 10 de Maio, mas que mais parecia 24 de Abril, cortar-se a passagem a uma manifestação da Frente Comum com duas carrinhas do corpo de intervenção, “por motivos de segurança”, sem que nada o justificasse. Os representantes eleitos por milhares de trabalhadores foram até impedidos de montar um palanque e discursaram de cima de uma escada. Tudo isto na mesma semana em que o descongelamento dos 9 anos, 4 meses e 2 dias dos professores foi novamente recusado pela direita, em que se perdoaram 116 milhões de euros de dívida a um milionário, em que o pulha do Berardo foi à Assembleia da República por a nu a natureza de classe do Estado burguês.



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Lucas, Abril imigrou com ele

António Santos 1.5.19
Há histórias que contadas no Primeiro de Maio, ninguém acredita que já foi 25 de Abril: um patrão faz um contrato a um imigrante; explora-o da forma mais brutal durante um ano; quando esse trabalhador faz greve, o patrão chama a polícia e denuncia a existência de um «imigrante ilegal» que é lestamente detido. O Manifesto74 conversou com Lucas Nascimento, o protagonista de uma história sobre dignidade e coragem.

Lucas chegou legalmente a Portugal, há quase dois anos, então com um visto de turismo. «Comecei a trabalhar no restaurante Miradouro Ignez em fevereiro de 2018, então eu estava legal», explicou ao Manifesto74. «Só me faltava o número da segurança social para poder fazer descontos, mas para ter esse número é preciso que a empresa passe uma declaração indicando que o funcionário está a trabalhar e tem meios de ficar no país».

Mas a desejada regularização não fazia parte dos planos do patrão que responde pelo nome de Mário Gregório: «Ficou a me enrolar por muitos meses, até que finalmente fiquei ilegal no país. Não existe problema na lei: existem patrões que querem se aproveitar da fragilidade da nossa situação para tirar proveito e fugir a impostos», sentenciou.

O «proveito» a que Lucas se refere é um extenso rol de crimes e imoralidades próprias de um traficante de escravos do século XXI: «assédio moral, abuso de autoridade, negação de direitos básicos como subsídio de refeição, horas extras e nocturnas não pagas, horários sempre a mudar e desrespeito pelos prazos para adaptação».
Práticas e métodos que, garante Lucas, mostram como os trabalhadores portugueses estão mais desprotegidos que os brasileiros. «Eu nunca tinha trabalhado aos domingos e nos feriados sempre recebi a dobrar… Já aqui em Portugal é outra história... horários repartidos, o povo trabalha de domingo a domingo, aos feriados e noite dentro. Muitos trabalhadores não têm horários fixos: vivem à merce da vontade do patrão e das horas que ele quer que sejam feitas».

Durante anos, a estratégia de Mário Gregório para explorar ao máximo os trabalhadores do Miradouro Ignez assentou no medo e na divisão dos trabalhadores. «Quando os trabalhadores estão unidos, um patrão desonesto não tem hipótese. Mas com a casa dividida e brigas entre os funcionários, é fácil fazer a vida negra a quem ou mesmo despedir quem faz frente ao patrão». O medo, porém, provar-se-ia ineficaz com Lucas Nascimento.

«Venho de uma família desestruturada e sempre tive muitos conflitos em casa por conta dos vícios do meu pai. Tive de aprender a protestar e a combater desde pequenino. Como minha mãe e meus irmãos não conseguiam fazer-lhe frente, tinha de ser eu. Aos quinze anos consegui expulsá-lo de casa de uma vez por todas, mas esta postura, de não me render perante a injustiça, ficou para sempre».

Portugueses e imigrantes, unidos

A luta dos trabalhadores começou onde normalmente teria acabado: uma injustiça individual, contra uma trabalhadora que, sozinha nada podia fazer, «uma colega do Monte Ignez, que é muito boa pessoa e uma excelente profissional», faz questão de sublinhar. «No seu primeiro trabalho em toda a vida, se deparou com uma patroa que além de lhe pagar miseravelmente, ficou a dever-lhe meses salário. A colega recorreu a todas as instituições do Estado, mas acabou por não conseguir resolver nada. A coitada, já em desespero, foi parar ao Miradouro Ignez em 2017, mas o novo patrão mostrou-se logo tão ou mais desonesto que a anterior: não lhe pagava subsídios, feriados, horas extras e estava constantemente a mudar o horário de trabalho, não ligando se ela tem vida pessoal ou não… Perante essa falta de consideração por parte da entidade empregadora, fomos atrás dos organismos responsáveis do Estado, mas obtivemos sempre respostas do tipo “não há nada a fazer”. Então embarquei nessa luta, em conjunto com meus colegas para mostrar para ela que temos o direito de ter um trabalho onde somos respeitados pelo patrão, que o patrão só tem autoridade até onde a lei permite, e que deve começar por nós a reivindicação de direitos».

À medida que o embrião da luta gestava no restaurante, as velhas «brigas» entre trabalhadores davam lugar à solidariedade. Os portugueses aperceberam-se de que as ilegalidades cometidas contra os imigrantes serviam apenas para pressionar os seus próprios direitos. Estendiam-se pontes entre as exigências de cada um, cada qual descobria no outro a força que sozinho não tinha e, acima de tudo o resto, descobriram que a luta era o único caminho.

«Após ver que nos órgãos responsáveis as chances de mudar algo era quase nula, uma vez que a ACT já tinha autuado o local e nada tinha mudado, tentámos o sindicato, até porque nós não sabíamos quais eram nossos direitos como funcionários da empresa. Nessa altura estávamos muito desgastados e já sem esperança. Lá conhecemos a Albertina que nos recebeu com muita alegria, nos explicou muita coisa, e numa rápida votação, meus colegas me escolheram como delegado do Sindicato da Hotelaria do Norte (SHN).»

Seria o início de uma batalha heroica entre a dignidade e a prepotência, entre a lei e o dinheiro, entre explorados e exploradores.

«Após a chegada da carta do sindicato, a meio de Dezembro, tentaram me comprar. Como eu ignorei, tentaram me ameaçar com despedimento. Então, começaram a mudar o horário dos colegas sem dar prazo de adaptação e a marcar falta às pessoas que não aceitassem o novo horário. Na hora de pagar o salário de Dezembro, o patrão decidiu me pagar apenas o que ele achou que eu deveria receber, mesmo sabendo que eu fiz mais horas que todos na casa, quase todas elas noturnas. A outras duas colegas portuguesas que então estavam de férias, o patrão fez o mesmo e também só pagou o que quis. Quando eu lhe liguei questionando sobre o que tinha acontecido a resposta foi: “Tu não és meu funcionário. És apenas um prestador de serviços e o que recebeste está ótimo. Não entres mais ao serviço que não te quero mais aqui!” Eu respondi-lhe que se ele se quisesse livrar de mim tinha de me fazer chegar uma carta de demissão válida e que no dia seguinte eu estaria ao serviço. Daí para a frente o sindicato decidiu agendar reuniões no Ministério do Trabalho para ver se era possível algum diálogo com o homem».
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Sobre o SHN, que desta forma entrou para a liça, Lucas não poupa elogios: «Tem feito um trabalho incrível, nunca fui tão acolhido e defendido em toda a vida. O Sr. Figueiredo e o Sr. Nuno são homens exepcionais e altruístas», diz dos dirigentes sindicais com que tem contactado, «a luta deles é mesmo a luta de todos que trabalham na restauração».

Perante a absoluta intransigência do patrão, os trabalhadores do Miradouro Ignez avançaram para uma greve de dois dias, a 1 e 2 de Abril, exigindo o cumprimento da lei e o respeito pelos seus direitos. A greve foi um rotundo sucesso, mas a resposta do patrão surgiria depois, quando Mário Gregório despediria ilegalmente Lucas e outros dois trabalhadores imigrantes, chamando a polícia para o deter quando se apresentou ao trabalho.

A PSP confirmou à Lusa a detenção, «após denúncia de que um cidadão estrangeiro podia estar em situação de permanência ilegal no país».

Tanto o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) como a Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) vieram a terreiro desmentir Mário Gregório, que invocara falsamente estas siglas para justificar o despedimento ilegal. Mais ainda, o SEF fez saber que os três trabalhadores imigrantes estão em situação legal a ACT acrescentou que os três estão autorizados a trabalhar em Portugal. E, apesar de tudo isto, borrifando-se para a lei, Mário Gregório mantém o despedimento ilegal.
"Tu não és meu funcionário. És apenas um prestador de serviços e o que recebeste está ótimo. Não entres mais ao serviço que não te quero mais aqui!”

Lucas mantém a vontade de regressar ao seu local de trabalho, mas com mudanças. «Ele tem de perceber que não pode continuar tratar os trabalhadores desta forma» e espera que essas mudanças podem inspirar outros trabalhadores, «o meu caso e dos meus colegas é o caso da maioria dos portugueses que trabalham na área da restauração. Os trabalhadores precisam acordar e lutar contra as injustiças que esse setor promove», sublinha.

A um oceano de distância, Lucas não esconde «uma tristeza imensa» pela situação política do seu país natal e aponta o dedo à reforma laboral de Bolsonaro que «não está a gerar mais empregos ou riqueza, mas sim mais desigualdades», acusa. «O homem que eu via como uma piada está no Poder e aquele que eu admirava está preso. Não sei se sou eu que estou errado ou se é o mundo que está ao contrário».

Não, Lucas Nascimento nunca esteve ilegal em Portugal. Esta terra e a sua cidadania pertencem a quem nela vive e trabalha todos os dias. Já patrões como o dono do Miradouro Ignez, Mário Gregório, estão, eles sim, ilegais, por violar sistematicamente a lei do trabalho, assediar, ameaçar e aterrorizar os trabalhadores mais vulneráveis e explorar desumanamente os que vivem do seu próprio suor. Podíamos começar por denunciar Mário Gregório ao SEF. Pode ser que o deportem para o séc. XIX.
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O inimigo principal

Anónimo 14.2.19
Quais as razões da descabelada e acintosa ofensiva de deturpações, calúnias, mentiras e meias verdades contra o PCP?

Os deputados do PCP trabalham com afinco e responsabilidade. Sobre eles não há casos de moradas falsas, viagens fantasma, subsídios indevidos, marcações de presença por terceiros.
No entanto, as «investigações», para tentarem encontrar uma falta, sucedem-se.
Há alguns anos atrás chegou a noticiar-se uma viagem de avião em que os deputados iam em primeira e contrapunha-se isto às dificuldades do povo e dos outros utentes do avião. Na notícia era sublinhado que também um deputado do PCP, o deputado António Filipe, fazia parte do grupo. Apesar de ser perfeitamente legal e costume na Assembleia da República, azar dos azares, o único deputado que tinha prescindido da viagem em primeira era o deputado António Filipe.

Em relação ao PCP, volta, meia volta, falam do seu património imobiliário para tentarem lançar a suspeita, embora saibam muito bem que muito desse património o PCP recebeu-o por herança de generosos comunistas, e o restante foi comprado com fundos do PCP e a subscrição dos militantes e de amigos, como é o caso do terreno da Festa do Avante!.

Quanto ao financiamento do PCP os caluniadores também sabem que o PCP segue um princípio para os seus eleitos que é o de nenhum deve ser prejudicado ou beneficiado, e como a larga maioria recebe nas instituições mais do que recebia na sua ocupação anterior a diferença reverte para o PCP. Sabem ainda, basta ver no Tribunal Constitucional que o montante destas verbas é muito significativo. Como é o único que segue este princípio, e como as verbas são substanciais, nunca referem este facto.

Sobre a Festa do Avante!, a sua contestação começou à bomba logo na primeira edição.

Ciclicamente inventam casos. Favores da Câmara de Lisboa, quando se realizava em Lisboa, da Câmara de Loures, quando se realizou em Loures, e agora Câmara do Seixal. O artigo de Miguel Esteves Cardoso sobre a Festa resumiu todas estas ofensivas.: nenhum outro partido seria capaz de fazer uma festa como a do Avante!, designadamente com a sua dimensão de trabalho voluntário, de solidariedade e humanismo.

Voltemos então à questão inicial.

Quais as razões de intensificação desta ofensiva anti comunista, e agora centrada nas questões de pseudo "corrupção e de tráfico de influências"?
O bloco central das negociatas (PSD, PS, CDS) está atolado em casos que o desacreditam. Negociatas, bancos, autarquias com presidentes condenados ou a contas com a justiça...
Na Assembleia da República tivemos recentemente os casos das viagens, moradas falsas, subsídios indevidos.

Todos comprometidos, menos o PCP.

Precisavam de encontrar algo que pudesse "entalar" o PCP para poderem dizer que são todos iguais. E mesmo que a questão congeminada fosse de pouca monta, ela seria ampliada pelos seus meios de informação e comentadores de serviço. Depois, mesmo que os casos fossem de "pulgas", seriam óptimos para deixar passar os "elefantes da corrupção". Dava-lhes jeito. Mas nem a inventona de Loures, nem a do Seixal, nem a dos Inválidos do Comércio, nem a da rede vermelha das empresas, designadas por um jornalista ex-UDP como uma "avalanche" de empresas, conseguiram demonstrar a ilegalidade ou a ilegitimidade dos casos propalados.

Dificilmente, nos distritos onde o Partido tem mais influência, não haveriam empresários comunistas. Mas, mesmo nos de menor influência, o PCP conta com pequenos e médios empresários, filiados ou simpatizantes, que inclusivamente têm, também, em tal ou tal autarquia, até do PSD, contratos obtidos por adjudicação directa.

Não faltava mais nada que autarquias em que a CDU tem maioria não contratasse empresas lideradas por comunistas ou simpatizantes , só por serem comunistas...
Por muito que lhes custe, o PCP é diferente, tem princípios, e não abdica deles.

Se os casos são ilegais, como disse uma jornalista cretina, carreirista, em ar inquisitorial e de juíza (ver gravação feita pela Câmara do Seixal), porque razão não é movido aos respectivos presidentes das câmaras um processo, porque razão o Ministério da Administração Interna ou o Ministério Público não intervêm?

Será porque estão nas mãos dos comunistas?

Certamente que uma operação mãos limpas não só atingiria em cheio os partidos do centrão, mas também várias empresas jornalísticas e jornalistas. Bastava até que o saco azul do BES falasse...

Eles sabem que uma mentira várias vezes repetida em grandes meios de informação pode convencer muita gente, designadamente os que já há muito estão tocados pelos preconceitos. Pode confundir e "convencer", mas não deixa de ser mentira.

E quem tem a consciência tranquila, está certo da sua razão e da justiça da sua luta, não se intimida com tais falsificações e provocações.

Diz o nosso povo que a verdade vem sempre ao de cima, como o azeite. E, mais tarde ou mais cedo, é que acontece, para vergonha dos mercenários da informação, que se prestaram a este sujo trabalho, autênticos «cães de guarda do grande capital».

Quanto à particular sanha da TVI, neste momento, ela não está desligada do caso Goucha – entrevista fascista, que o PCP contestou e criticou com veemência e levou o caso à Assembleia da República.
A luta pelas audiências com a SIC e a presença de históricos e fanáticos anti comunistas na Estação desde logo com o casal Moniz, explicam o desvario desta ex-estação da igreja.
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O outro lado da cortiça

Lúcia Gomes 1.2.19
Nasci, cresci e vivi grande parte da minha vida em Santa Maria da Feira. Ainda vivo espartilhada entre cidades, sendo que é ali o meu lar. No meu Partido, toda a vida, estive lado a lado com corticeiros. Era fácil saber quem eram mesmo sem lhes falar porque grande parte deles tinha marcado no corpo o seu saber. Literalmente. Uns tinham perdido um dedo na broca, outros parte de dedos.
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Eventualmente, precários - Um abraço de Leixões até Setúbal

Ricardo M Santos 22.11.18
Foto de Carlos Santos - Global Imagens
Hoje foi o dia, mais um dia, em que o Governo do PS alinhou num plano para furar a luta de cerca de 90 trabalhadores, que o são eventualmente, num plano orquestrado em conjunto Operestiva. O pretexto é, como não podia deixar de ser, a Autoeuropa. A empresa que é o alfa e o ómega do que são as nossas exportações e, por isso, tem de valer tudo. Não podemos pôr as pessoas à frente do PIB, não vá o PIB atropelá-las, o PIB que vai subindo a toda a velocidade, rumo nos píncaros de todos os PIB, nos Himalaias dos PIB. A Autoeuropa e os seus trabalhadores, que também são um exemplo de união e luta e eram os melhores do Mundo até dizerem não à administração. A partir daí, passaram a ser uns irresponsáveis que, citando Camilo Lourenço "mereciam salário zero".
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RSI

Manifesto 74 12.9.18

Conheço um gajo que chumbou na condução antes mesmo de provar quanto valia. Sentado no lugar do condutor, nariz ufano e sorriso enfatuado, meteu logo a caixa na primeira, pôs o boné em marcha atrás, prendeu forte as mãos ao volante, e atirando à direita um olhar de matador, anunciou grave e avisado ao pasmo examinador ao lado: «Agarre-se que esta merda vai voar».

texto e concepção: António Santos | ilustração: Julitos Koba | voz: André Levy | música: Ciças Beats
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Maio é um país que quer ser gente

António Santos 1.5.18
É Maio, maduro Maio, dia primeiro de todas as lutas que nos tornam gente: por salários de gente, porque neste país uma pessoa não tem direitos de pessoa com menos de 800 euros; por contratos de gente, daqueles que vêm com direitos de pessoas, como um futuro, uma família e, já agora, sonhos próprios; e horários de gente, e não de bestas mudas de carga alheia que só prestam para albardar. É dia de não trabalharem aqueles que trabalham os outros dias todos. É dia de vir aprender com os trabalhadores do Lidl a não sermos mais tomados por parvos e exigirmos o que por direito é nosso.
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Os lugares onde Marcelo não vai

António Santos 15.1.18
O dom de Marcelo é ir a todo o lado sem nunca estar em lado nenhum. Omnipresente na comunicação social, falta à chamada sempre que o interesse nacional coincide com os interesses da classe trabalhadora. Onde está Marcelo quando as populações se batem pelos correios do povo? Porque não dá os seus «afectos» às quase 500 trabalhadoras da Gramax? Meio milhar de operárias com meses de salário em atraso defendem a dignidade e os postos de trabalho de um processo fraudulento de insolvência. Quando, em piquetes de 24 horas, à chuva e ao frio, desafiando a fome, a incerteza e muitos dramas familiares, as operárias da antiga Triumph impedem o roubo da maquinaria estão também a impedir a destruição do aparelho produtivo português. Porque será que Marcelo, sempre tão palavroso sobre moda, jogos de futebol, restaurantes e exercício físico, nada tem a dizer sobre esta matéria? Porque será que o Presidente, incansável na sua digressão afectiva, não vai a Sacavém?
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O detalhe

Ricardo M Santos 29.11.17
Figura essencial do Portugal democrático. Génio. Implacável. Exigente. Visão de futuro. Estratega. Império. Riqueza. Começou do nada. Marcante. Determinação. Trabalho. Empenhamento social. Gerador de milhares de empregos. Têm sido estas as palavras ouvidas e lidas durante todo o dia sobre Belmiro de Azevedo. Uma pessoa maravilhosa, um dos 1.200 mais ricos do mundo. Independentemente de tudo, dizem, conseguiu criar uma enorme empresa.
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Maio130: A História do 1º de Maio

André Albuquerque 8.5.17

Vídeo feito para o espectáculo "Maio 130", apresentado na Festa do Avante (Café-Concerto de Lisboa) a 4 de Setembro de 2016.

O espectáculo feito "a partir dos acontecimentos de 1886 em Chicago, que marcaram a luta dos trabalhadores e definiram o 1.º de Maio como o seu dia internacional de celebração e de luta", cruzou "componentes documentais, poéticas e artísticas de diferentes geografias e momentos históricos.

Vídeo de Ana Nicolau, texto de Joana Manuel.
Locução de Joana Manuel e André Albuquerque.
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No horizonte de 2017 só a luta

Ivo Rafael Silva 21.12.16
Fim de ano e aparecem os costumeiros balanços nos quais aparece alguém nas televisões e jornais a decidir por nós o que foi "bom" e o que foi "mau" nestes 366 dias. À excepção das tragédias e mortes, que por norma reúnem unanimidade, sempre aparecem os “mais” e os “menos” do ano, os “factos assinaláveis” e as “figuras marcantes”, exercícios subjectivos mas sempre orientados no sentido de transmitir determinada mensagem, de valorizar esta ou aquela ideia, esta ou aquela personalidade. É o produto desse “balanço”, tal como o que entra em todas as casas durante todo o ano, que conta e que marca. Chegará o dia de uma maior equidade e de uma maior justiça. Chegarão tempos de maior liberdade de consciência individual e colectiva. Chegarão tempos de menor formatação e maior dialética. Contudo, é praticamente certo que esses tempos não serão os de 2017.
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A maior e a mais bonita festa!

Anónimo 14.9.16
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A importância de ser Ernesto

Lúcia Gomes 2.8.16
Oscar Wilde retratou (o uso da palavra é intencional, claro) na perfeição a importância da aparência em muitas das suas obras. Ernesto, o pobre e Ernesto, o rico, simbolizam a decadência da burguesia, competindo pelo amor de uma dama, para quem a imagem era tudo, independentemente do infortúnio que a esperava por detrás das máscaras de opulência e prestígio.
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Ei-los de garras afiadas

Ivo Rafael Silva 8.6.16
É mais um episódio a cair como "chicote feudal" no lombo do trauteio direitista da suposta iniquidade e suposto arcaísmo da luta de classes. De facto, está mais que provado, a negação e oposição organizada, corporativa e orquestrada à luta de classes como motor das sociedades e caminho da emancipação e libertação da humanidade, não é nem nunca foi feita por considerandos económica, histórica, ideológica e filosoficamente sustentados; quem a nega não o faz por ciência; fá-lo por medo. E quando a necessidade da sua efectivação se afigura minimamente provável, ou plausível, aos olhos de quem explora, como manda a necessidade natural de auto-defesa, nada lhes resta senão cerrar dentes e afiar garras. E é assim que, de tempos a tempos, lá vemos os Saraivas desta vida soltar aqui e ali indisfarçados laivos de incontrolável raiva, face àqueles que pretendem dominados e explorados para todo o sempre.
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Até quando?

Rui Silva 7.3.16
O presidente da confederação dos patrões deu uma entrevista ao Diário Económico, jornal que tem uma greve de 24 horas decidida pelos seus trabalhadores para o próximo dia 10 - por motivo de degradação das condições de trabalho e de salários em atraso -, e nela afirmou a dado momento aquela já velhinha ideia, sempre renovada pelo constante uso, de que mais vale trabalho precário do que desemprego. O tema foi aberto e encerrado numa única pergunta e os jornalistas que conduziram a entrevista não sentiram necessidade de perguntar ao patrão dos patrões se a realidade se resume a uma das duas opções apresentadas (trabalho precário ou desemprego). Também não lhes ocorreu perguntar a António Saraiva se trabalhar sem vínculo decente, ou com horários desregulados, com salário reduzido ao osso e sistemas de prémios construídos à medida do empregador, não é uma certa forma de desemprego, na medida em que não estamos verdadeiramente a falar de um emprego.
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De precários a flexíveis

Tiago Domingues 1.3.16
Manda o beneficio da dúvida esperar de um novo executivo a vontade de resolver os problemas da sociedade. Sem por isso cair na ingenuidade é bom ouvir que a missão do novo ministro da Ciência é unir para reforçar em vez de dividir para reinar. Mesmo que só palavras é uma atitude bem diferente de uma comunidade que nos últimos quatro anos se habituou, sem se conformar, a ouvir que estava de má fé cada vez que se insurgia contra políticas públicas de destruição do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN).

O actual sistema científico assenta numa lógica de precariedade alargada que atinge a maioria dos seus recursos humanos. Os seus principais integrantes são um exército de investigadores que trabalham sob uma lei única e original denominada de Estatuto do Bolseiro de Investigação (EBI). Contabilizados como trabalhadores para todas as estatísticas e indicadores de potencial e avaliação da ciência em Portugal são mantidos por um contrato de bolsa que não salvaguarda a maioria dos direitos de qualquer outro trabalhador. O uso das bolsas deflagrou de tal forma que existem já inúmeros casos de necessidades permanentes nas instituições resolvidas com recurso a estes contratos. Entre os mais famosos a contratação de jardineiros, pedreiros e electricistas.
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