Miguel Urbano Rodrigues, o que a terra lhe deve

António Santos 27.5.17
Miguel Urbano Rodrigues morreu hoje, aos 92 anos. Há poucos meses, o revolucionário que entregou toda a vida à causa da libertação dos deserdados do mundo, escrevia em O Diário:

«Recordo que em São Paulo, ao tomar o avião para Lisboa em 2015, disse à minha companheira: esta será a minha última travessia do Atlântico, o oceano que cruzara dezenas de vezes. Era uma decisão e uma certeza.
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O implacável rugir do motor da História

António Santos 15.7.15
Implacável. Ainda mal arrefeceu o corpo da União Soviética e já o edifício do capitalismo europeu mostra brechas em todas as paredes: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que insiste em empurrar a Grécia para fora do euro à bruta, já choca com a chanceler Angela Merkel, que teima em fazer do povo helénico um engenho de escravos moderno, que por sua vez choca, aliás à guisa de todas as grandes guerras europeias, com a posição francesa, que já teme pelas consequências políticas de desligar a ficha do doente terminal, que não é a mesma da Comissão Europeia, que aposta forte num resgate usurário comparticipado por toda a UE, que choca com os interesses do capital britânico, que não quer o mesmo Euro que o Syriza deseja, que por seu turno foi partido ao meio, como as águas do Mar Vermelho, as esperanças do Bloco de Esquerda ou a coerência do Podemos, que também já veio dizer que não quer renegociar coisíssima nenhuma.
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Uma boa semana!

André Albuquerque 18.1.15
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A importância de se chamar Socialista

André Albuquerque 23.10.14
É verdade que quando alguém se intitula alguma coisa, por princípio devemos respeitar esse título. Cada pessoa pensa como pensa e sobre isso não há discussão. Mas também é verdade que há pessoas que produzem pensamento e pensamentos com base em pressupostos historicamente e factualmente errados. Apesar de um mesmíssimo facto servir, por vezes, para corroborar teses opostas, há factos que não se prestam a interpretações tão abertas e a leituras tão maleáveis. A estas pessoas, talvez tenhamos de chamar à atenção, talvez tenhamos de lhes dizer de forma franca e aberta que elas não são o que pensam que são.

Vem isto a propósito do "pragmático, reformista e republicano" primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Defende Valls que o Partido Socialista Francês talve tenha que mudar de nome. Deixar cair o Socialista. Aplaudo a atitude, escusamos assim de lhe bater à porta e avisá-los que já não são mesmo o que pensam que são.
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Que festa é esta, pá?*

António Santos 24.7.14
Olha, desculpa lá que me intrometa… mas não pude deixar de ouvir o que estavas a dizer.

É a tua primeira Festa? Pois, então é compreensível. Sabes que apreciar esta festa, tem muito que se lhe diga, a sua arte, o seu mistério. Mas olha, isto não é nada como o Super Bock Super Rock. Esta é a festa do Partido Comunista e do seu jornal, que dá o nome à festa: o periódico do mundo inteiro que mais tempo sobreviveu na clandestinidade. É qualquer coisa, hein?

Ao contrário dos festivais de Verão, tudo o que aqui vês foi feito por militantes comunistas à força de trabalho voluntário. Consegues imaginar quantas horas foram precisas para montar tanto ferro, para pintar tantos murais, para organizar tudo tão bem? Estás numa cidade inteiramente movida a sonhos e erguida de ideais. É por isso que é tão bonita. É por ser a festa dos comunistas que ela é como é: um lugar onde a toda a hora se ouvem coisas, noutra parte estranhas, como «Fica aqui pá, que eu vou ali a Aveiro perguntar se eles precisam de ajuda» porque é a gente que quer dar e sem receber nada em troca, a não ser a garantia dialéctica de que a causa é justa e a certeza empírica de que quanto mais dermos todos, mais ricos também todos seremos. Não acreditas em mim, não é?
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Amor é Comunismo

António Santos 9.6.14
Amor é comunismo (Já está. Agora vá, faz lá esse sorriso cínico. Pronto. Já passou? Então respira fundo, deixa-te de merdas e lê-me lá até ao fim, se faz favor).
Quando em 2006 Chávez foi reeleito, o parque de Miraflores trocou o verde tropical pelo vermelho sanguíneo. Era a imensa multidão dos pobres de Caracas, pobres de uma pobreza antiga, que tinha vindo ouvir o Presidente, o seu Presidente. E por segundos, quando Chávez falou, a praça pareceu tomada de um silêncio imperscrutável – misterioso. Como se quinhentos anos de servidão tivessem por fim findado ou um velho encantamento se levantasse ao som das suas palavras: “Que ninguém tenha medo do socialismo, porque o socialismo é fundamentalmente humano: socialismo é amor, é solidariedade (…) e o meu coração declara-vos o meu amor infinito”. Não é difícil sentir a franqueza de Chávez, mas mais que genuíno, recuperava uma ideia problemática e inexplicavelmente esquecida pela esquerda: a ideia de que o comunismo é o nome político do amor.
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Do sonho à ilusão, do projecto à estagnação

miguel 19.3.14
O anúncio de um punhado de notáveis que assinou um documento com o nome claramente inspirado no nosso belogue colectivo, principalmente quando é uma espécie de versão desvitaminada da reivindicação do PCP que se converteu em reclamação de massas sobre a renegociação da dívida, suscitou-me alguns pensamentos. Principalmente porque há um contraste fundo entre o que dizem os comunistas e o que dizem os subscritores do dito manifesto das 70 personalidades (como veio a ser referido quase elevado a programa político) e porque esse contraste mereceu reflexo na dimensão mediática de cada fenómeno.

Se, por um lado, a renegociação da dívida dos comunistas é uma espécie de projecto inaplicável, um delírio esquerdista e radicalista, já a renegociação da dívida nos termos propostos pelos subscritores do dito texto é algo que, nas palavras dos partidos que suportam o Governo, tem vindo a ser feito com naturalidade ao longo das avaliações da troica.
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O massacre português da sanguinária política capitalista. Mais de 5 milhões de mortos às mãos de PS, PSD e CDS.

miguel 27.2.14
Goebbels e Hearst utilizaram uma fórmula absurda para calcular os mortos provocados pela fome imposta pelo sanguinário regime estalinista ao povo da Ucrânia. A Ucrânia, após a derrota do socialismo, entregue de novo às mãos dos herdeiros de Hitler, Goebbels e Hearst, vem a contemplar essa manipulação como facto histórico. Apesar de não existirem quaisquer indícios de terem sido sepultados ou sequer pulverizados os milhões de mortos atribuídos a uma fome prolongada imposta por opção e castigo vindo da União Soviética.

Na altura, chegaram os propagandistas de Hitler, com recurso a falsificações de fotografias e à manipulação dos factos verificados na Ucrânia, a dizer que a União Soviética havia massacrado 12 milhões de Ucranianos. Mais tarde, tamanha era a estupidez dos primeiros números inventados, diminuíram para qualquer coisa como 7 milhões, para parecer mais realista.
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Albert Einstein

filipe guerra 7.2.14
(...) O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos.
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Os 50 Melhores Filmes da Esquerda

António Santos 30.12.13
Cinema e socialismo foram colegas de escola no princípio do século XX. Às vezes juntos, cresceram, apaixonaram-se, magoaram-se, desiludiram-se e continuaram a aprender. Após uma primeira experiência com 35 títulos, aqui fica o catálogo a 50, alargado pelas críticas e sugestões de largas dezenas de leitores. Esta lista, inevitavelmente incompleta e truncada de injustiças, resgata da História do Cinema as melhores e mais belas encarnações dos ideais da (e não de) esquerda. Convidados, ficam os leitores a sugerir na caixa de comentários as obras que aqui faltam e a propor a alteração deste ordenamento.
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