Fascismo à beira-mar plantado

Ivo Rafael Silva 16.10.19


A eleição de forças de extrema-direita para o parlamento português foi um balão de oxigénio para muito fascista envergonhado e contido. Para além destes, que agora exibem sem pudor a sua vontade de gasear ciganos e expatriar pretos, há também uma cavalgante onda de propaganda fascista a invadir as redes sociais. Não é apenas uma petição, não é só um meme, não é apenas um ou dois comentários, é uma campanha orquestrada que está em toda a parte.

A infiltração é notória e tem alguns aspectos requintados. São perfis falsos, mas já elaborados com algum cuidado, que misturam actividade que parece «real» com partilha de conteúdo objectiva ou subjectivamente político. Infiltram-se em grupos de carácter regional, ou local, geralmente muito frequentados e populares, onde disseminam notícias falsas, sensacionalistas, posts de páginas reconhecidamente reaccionárias, mas que colhem a atenção de uma enorme e atenta audiência. São cada vez mais, são cada vez mais agressivos.

Esta agressão assume carácter incisivo, permanente, diário. O ar está irrespirável e pela forma que a agressão assume é impossível ripostar. É impossível porque a paciência esgota-se, o sangue frio esvai-se, e a forma da discussão é feita no terreno do adversário. A máquina sabe que o terreno é favorável, que as dúvidas rapidamente dão lugar a certezas, que não é necessário provar nada, que há sempre um testemunho «real» ainda que falso e mentiroso, que há gente do «lado de lá» sempre mais paciente para propagar a mensagem e rebater qualquer tipo de resposta.

Almada Negreiros dizia que Portugal não é um país, é um sítio e ainda por cima, mal frequentado. Se se insiste, vergonhosamente, em afirmar que por cá não há racismo, os últimos anos têm sido pródigos em demonstrar, da forma mais evidente e dolorosa, toda a mentira desta afirmação. Desde cargas policiais sucessivas em bairros maioritariamente habitados por negros, a uma lei da nacionalidade que vota nacionais a lugares de não existência apenas porque os pais são cabo-verdianos, guineenses, etc., a um SEF impregnado de xenofobia, a uma justiça marcadamente de classe e que ainda não sacudiu o pó colonialista das suas vestes.

E se, para muitos, a versão do sítio mal frequentado é um «vai para a tua terra», a nossa versão é que fascistas e racistas aqui não têm lugar. Não obstante, não só são tolerados como promovidos. A direita fascista internacional sentiu-se perfeitamente à vontade para organizar uma conferência em Lisboa e exibir suásticas tatuadas e saudações nazi-fascistas. Conhecidos criminosos nazis enchem televisões e fazem primeiras páginas de jornais com idiotas como Marinho Pinto a epitetá-los de «presos políticos». Os ventos sopram todos, ou quase todos, a seu favor.

Tudo isto num país que não só conheceu a ditadura mais longa da Europa, como tem relatos de muitos que foram assassinados por combater essa ditadura. Alguns dos que lhe sobreviveram, como o José Pedro Soares, contam os seus mais de trinta dias de tortura: queimaram-lhe os testículos, nunca apagavam a luz, obrigaram-no a permanecer de pé dias e dias. Mesmo assim, décadas depois, numa esquadra, agentes da autoridade ainda vociferam «pretos de merda, vão para a vossa terra», pisam seres humanos, partem dentes ao pontapé, arrancam cabelos. Advogadas vão à televisão chamar parasitas aos habitantes da Cova da Moura. O Primeiro-Ministro é tratado por chamuça ou monhé. Um idiota perigoso arroga-se de dizer as «verdades», enquanto mente em todas as frases.

Há um terreno demasiado fértil para o recrudescimento do fascismo, da xenofobia, do ódio. E não existe, em paralelo, uma resposta firme, determinada. Nem sequer o reconhecimento de que já está a acontecer e não é um episódio isolado. Nem cem episódios isolados. São recorrentes e já não há vergonha.

*Texto de Ivo Rafael e Lúcia Gomes
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Andar para a frente é com a luta

Bruno Carvalho 9.10.19

Detroit Industry Murals (1933) / Diego Rivera




É uma evidência, e não uma análise, que a CDU teve o seu pior resultado de sempre em eleições legislativas, depois dos piores resultados de sempre em presidenciais, em autárquicas e em europeias. Estes processos não podem, pois, ser vistos separadamente porque se dão de forma consecutiva e num espaço de quatro anos que representou um quadro substancialmente diferente daquele que houve até hoje no nosso país depois do período revolucionário. Mas esta é uma tarefa que não cabe certamente aos comentadores televisivos ou outros.

Ao contrário do retrato pós-eleitoral que se faz do PCP sempre que há uma derrota eleitoral, o comunicado do Comité Central apresenta algumas das possíveis causas externas que terão levado aos resultados negativos, que serão, certamente, submetidas a um balanço colectivo, e aponta que para além das razões enumeradas, “tal não significa a não consideração de insuficiências e debilidades de natureza diversa que importa avaliar, corrigir e superar”. Essa avaliação, correcção e superação cabe agora ao colectivo partidário no seu conjunto.

É dentro do partido que se discute a organização e as suas orientações e é precisamente o que deve acontecer, nos termos apresentados por Álvaro Cunhal no Partido com Paredes de Vidro, um debate fraternal, aberto, incluindo à crítica e à auto-crítica, com espaço para todas as opiniões, no qual se dá o mesmo peso a todos os militantes. Num partido comunista, não é o excesso mas a ausência de debate que enfraquece a força de um formigueiro que se quer unido, coeso e capaz de avançar num caminho escolhido por todos. Esta é, contudo, a realidade dos partidos que alicerçam a política de direita em Portugal e aos quais nunca ninguém ousou questionar a falta de debate interno. Os congressos servem, sobretudo, para consagrar o líder. No caso dos comunistas, o órgão máximo do partido, serve para analisar a realidade, traçar a linha de acção e eleger a direcção. É neste contexto que o congresso do PCP a realizar-se no próximo ano se assume como palco privilegiado da discussão interna com o dever de cada militante de reforçar a reflexão sobre os caminhos a seguir com a sua intervenção própria.

É um facto que a Assembleia da República fica mais pobre sem deputados como a Carla Cruz, o Bruno Dias, a Rita Rato, o Miguel Tiago, a Heloísa Apolónia e o Jorge Machado. Pela experiência e capacidade de trabalho, perdem os comunistas, os trabalhadores e o povo, sem dúvida. Contudo, de nada servem deputados de esquerda se não estiver presente a força dos trabalhadores em luta. É bom não esquecer que, na mais absolutamente clandestinidade, a força do povo conseguiu, em aliança com as forças armadas, com o partido na linha-da-frente, a revolução que derrubou a mais longa ditadura da Europa.

Se a política é decidida nos corredores que ligam partidos como o PS, o PSD e o CDS-PP às sedes dos grandes grupos económicos e políticos, a nossa política tem de ser decidida no confronto com os que enriquecem à custa do nosso trabalho. Com menos deputados comunistas, a voz que que dá eco a essas lutas é obviamente menos forte. As eleições são um importante termómetro social mas não podem ser obstáculo ao avanço da luta de massas, dentro das condições objectivas e subjectivas existentes, porque um partido comunista que se sujeite a agendas eleitoralistas está condenado a definhar e a abandonar os objectivos para os quais foi criado. Que descansem as mãos dos que estão prontos a passar-nos a certidão de óbito pela centésima vez. Continuamos a querer o assalto aos céus.
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Debater a Europa, esse eufemismo

Ivo Rafael Silva 23.5.19
Foto: Versobooks
De repente, do alto sapiencial de quem adora «recentrar» ou «circunscrever» todas as discussões à órbita da sua própria mundividência, ou ego, aparece a afirmação ou acusação de que os candidatos às próximas europeias não estão a «debater a Europa». Mas o que é isso de «debater a Europa» afinal, quando esse apelo vem geralmente da direita, de liberais, de ditos europeístas, ou dos comentadores que se sentem muito confortáveis com o sistema? Vamos por partes, começando por referir aquilo que essa expressão definitivamente «não é».

«Debater a Europa» não é debater as condições de vida da população residente na UE, porque esses que exigem tal debate são os mesmos que fazem vista grossa ao colossal fosso existente entre os países que pertencem à mesma UE, nomeadamente nas brutais diferenças de salários, de pensões, de sistemas de saúde, de educação, nas quotas de produção, etc. São exactamente os mesmos que, sabendo que o papel de Portugal na UE esteve, está e continuará a estar reservado «à cauda» do sistema, mesmo assim acham «muito bem» que sejamos todos muito «europeístas» e muito defensores de uma união económica e financeira.

«Debater a Europa» não é debater política económica, porque os que clamam por esse «debate» não são nem nunca foram capazes de apontar o dedo a interferências e ingerências dos «grandes» da UE e dos mandantes do BCE na soberania económica e financeira dos demais países da União. São os mesmos que aceitam tacitamente um sistema que submete os países a jugos apertados, a troikas calculistas, a impostos sem o devido retorno ou a quotas de produção asfixiantes.

«Debater a Europa» não é debater a paz entre as nações, porque quem o exige não se importa nada que a UE pactue ou participe activamente nas acções de guerra e saque dos EUA a nações soberanas, por «mero acaso» ricas em recursos naturais.

«Debater a Europa» não é debater o ambiente ou as políticas ambientais, porque isso não se faz com uma postura ou posição de defesa ou de transigência para com o capitalismo desenfreado que a UE intrinsecamente desenvolve. Sob a capa de federalismos «verdes», falsos e hipócritas, é o capitalismo o inimigo primeiro e mais sério do meio ambiente e dos ecossistemas, que não tem pejo em destruir e submeter às suas «regras», lógicas, interesses e desmandos.

O que é então, para esses «exigentes» senhores, «debater a Europa»?

«Debater a Europa» não é um debate, é desde logo uma assunção. É a assunção de uma lógica de pertença inquestionada e inquestionável a uma federação capitalista que existe e vai sempre existir, sem espaço para perguntar verdadeiramente se é essa ou não a vontade do povo português (que nunca foi consultado ou referendado nessa matéria, por muito que digam o contrário).

«Debater a Europa» não é um debate, é uma abstracção. É fazer de conta que os assuntos que se «debatem» têm impacto nas decisões mais importantes e mais determinantes da UE relativamente à vida dos povos ou à soberania dos Estados, e que elas não são sobretudo impostas pelo directório do grande capital, pelos grandes países dentro e fora da própria UE, como é o caso dos EUA.

«Debater a Europa» não é um debate, é uma manobra de diversão. É retirar importância à luta social e laboral dos trabalhadores e dos povos, iludindo-os de que é apenas e só numa eleição para um parlamento cujo único grande poder é o direito de veto – e mesmo este, partilhado –, que reside a salvação para todos os males que os afligem. Isto não significa que devamos voltar costas à sua realização e à necessidade da eleição de deputados. Aliás, só na perspectiva de que esta eleição é apenas uma pequena parte de uma luta muito maior, é que todos devemos não menosprezá-la nem abandoná-la à sorte e ao arbítrio dos partidos do sistema, mas participar nela marcando a diferença, votando ao lado daqueles que querem verdadeiramente contrariar a sua lógica e obter os ganhos possíveis para quem menos tem e menos pode.
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Depoimento exclusivo de um futuro colete amarelo português

Ivo Rafael Silva 17.12.18
A situação é muito grave e exige uma resposta que “PÁRE PORTUGAL”. É que tem mesmo de PARAR TUDO! Aquilo dos coletes em França foi giro e até “li na net” que o governo de lá “cedeu”. A tudo. Foi uma limpeza. Aqui a situação também é muito grave. Mas é muito grave porquê? Porque vou eu, afinal, levantar este rabinho do sofá e participar numa “manif” pela primeira vez na minha vida? Porque vou eu ser um futuro colete amarelo? Fácil. VAMOS LÁ, Portugal, vamos lá dizer isto a plenos pulmões!

A situação é muito grave porque acabaram de me CONGELAR SALÁRIOS a mim e PENSÕES aos meus “velhos”. A situação é grave porque acabaram de me ROUBAR FERIADOS, civis e religiosos. É grave porque me ROUBARAM O SUBSÍDIO de férias e de natal. É grave porque fizeram um AUMENTO BRUTAL DE IMPOSTOS e a seguir foram cantar a “Nini dos meus 15 anos”, com a família, para o coliseu. É grave porque tiveram a distinta lata de me dizer que eu, com um salário de 600 euros, VIVIA ACIMA DAS MINHAS POSSIBILIDADES. É grave porque tiveram o desplante de me dizer que se os sem-abrigo aguentam, EU TAMBÉM AGUENTO. É grave porque tiveram a desfaçatez de me dizer que perder o emprego é, afinal de contas, uma boa OPORTUNIDADE.
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Esta cidade também é nossa! Os brasileiros em Lisboa e no país.

Henrique Chaves 21.8.18
No dia 6 de Julho, o Brasil era derrotado pela Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo e era assim eliminado desta competição. Mas para os brasileiros, a festa não ia parar pelas falhas dos outros. Na Praça do Comércio, a festa continuou pós-jogo e mesmo com algumas lágrimas nos olhos, a batida do funk animou a noite para uns milhares de brasileiros ali presentes.
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Bem-vindos ao «pelotão da frente»

Ivo Rafael Silva 29.6.15
Ano da desgraça de mil novecentos e oitenta e seis. No dia primeiro do mês Janeiro, Portugal é formalmente anexado a uma grande corporação capitalista, que para levar a cabo o seu desejo de domínio e monopólio europeu e mundial, necessita, como é normal neste ciclo, de fiéis serventuários. Atribuem-nos milhões para adoçar a boca e que são gastos como sabemos. Abate-se a produção nacional, sequestra-se a nossa capacidade económica, aniquila-se grande parte da nossa independência financeira, social e também política. Prometem-nos a «modernidade», a «solidariedade» e a oportunidade «imperdível» de entrarmos num «pelotão da frente» que, é preciso recordar a jactância, faria de nós «um grande, moderno e avançado país». Depois de anos de desbragada ilusão, o doloroso definhamento histórico salta à vista. Um retrocesso cujos indicadores sociais e políticos só encontram comparação em períodos de catástrofe, ou de pós-guerra. A realidade, essa teimosa, essa persistente, mostra-nos todos os dias – como o PCP na altura isoladamente afirmava – o grande sarilho, a grande tragédia, a grande farsa em que PS, PSD e CDS nos meteram.
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A «boa imagem externa» que é ser-se um servil rastejante

Ivo Rafael Silva 21.2.15
Há cem anos, a subserviência a uma potência externa (no caso, a Inglaterra) atirou-nos para a frente de combate da maior das guerras até então travadas no tabuleiro europeu e mundial. Um século decorrido, o mesmo sentimento de bajulação e servilismo de quem nos governa face a uma outra grande potência externa (neste caso, a Alemanha), atira-nos em sacrifício, rotos e famintos, para as trincheiras da batalha pela defesa da ideologia da austeridade. Num caso como noutro partimos impreparados, com uma mão à frente outra atrás, sem vontade de exigir o que quer que fosse ou o que quer que seja, mas em ambos os contextos com a mesma predisposição e o mesmo objectivo: ser um cão-de-fila exemplar, elogiado “pela dona” enquanto serventuário fiel, bem domesticado e obediente.
Em boa verdade, a imagem que Portugal tem hoje na Europa e no mundo não é a de um país "cumpridor" e "responsável", nem a de "um caso de sucesso" das políticas europeias; a imagem de Portugal é hoje apenas a de um mero e rastejante lambe-botas da Alemanha.
Na vergonhosa e humilhante qualidade de voz do dono, este país vergado ao vexame do domínio financeiro alemão na União Europeia esteve ontem na reunião do Eurogrupo com uma única missão: defender a todo o custo as posições de Berlim. Maria Luís Albuquerque, a senhora dos «swaps», tratou de tudo fazer para que a austeridade não tivesse qualquer tipo de atenuante ou interrupção na congénere Grécia, ao ponto de o ministro das finanças grego que, contrariamente a ela, foi eleito e não nomeado (e mesmo assim contra a vontade de Portas, o irrevogável), tivesse que vir a público dizer que «por uma questão de boas maneiras» não iria comentar as notícias que davam conta do «bloqueio ibérico» ao acordo firmado.
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Amar em tempos de guerra

Bruno Carvalho 3.11.14
«Vós, que surgireis do marasmo em que perecemos, lembrai-vos também, quando falardes das nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar. Íamos, com efeito, mudando mais frequentemente de país do que de sapatos, através das lutas de classes, desesperados, quando havia só injustiça e nenhuma indignação. E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz. Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons. Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência.»

O ódio que nos impõem

Não sei quanta dor terá suportado Bertolt Brecht para arrancar da sementeira poética este apelo à compreensão das gerações futuras. Entre a engenharia memorialista, a cultura burguesa entretém-se a ocultar mensagens ou objectos para que num tempo que eles querem que não seja muito diferente deste sejam exaltados os valores do capitalismo. Se, entretanto, o céu for tomado de assalto, quando destaparem a miséria em que nos mergulharam durante séculos, toda a quinquilharia desenterrada ajudará a compreender o desabafo do poeta.

Toda a violência foi-nos imposta pelos que desde sempre nos esmagaram. A que usaram para nos oprimir e a que usámos para nos libertar. A desigualdade é a parteira da violência. É tão simples que, em 1965, um padre colombiano dirigiu-se ao povo através dos ecrãs e simplificou a questão: «Devemos perguntar à oligarquia como é que vai ceder o poder. Se o vai ceder de forma pacífica, tomamo-lo de forma pacífica. Mas se ela o fizer de forma violenta então vamos tomá-lo de forma violenta». E se há país onde se aprende rapidamente que os direitos não se mendigam é na Colômbia.
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What every tourist should know before visiting Portugal

António Santos 30.10.14
Although Manifesto74’s rightfully writing language is Portuguese, chances are that if you are planning to visit Portugal you most likely won’t speak a word of Portuguese. That’s why you should read this before setting foot on that airplane. With the recent boom in tourism (more than 40% in the past ten years) there’s been an increasing amount of deceitful information distorting what Portugal and Portuguese people are really about.

The Portuguese government as well as tourism companies will try to sell you a picture of a sunny, warm country where people are always happy and welcoming, excited  to wait your table in perfectly understandable, but still rustically accented, English. They will force-feed you bullshit 40’s imagery and aesthetics, charge you sky-rocketed prices for tourist food that real Portuguese people would laugh at, and drive you around from tourist line to tourist line to see monuments, listen to Amália Rodrigues and eat “custard pies”, nicely translated so that the unpronounceable Portuguese words don't hurt your ears.
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O imperialismo também usa silenciador

Bruno Carvalho 2.10.14
Esta tarde, o deputado venezuelano Robert Serra, eleito pela zona de Caracas que inclui o bairro 23 de Enero, baluarte da revolução bolivariana, ia participar numa conferência consignada ao tema «Fascismo, vanguarda extrema da burguesia». Mas já não vai. Caiu assassinado mais a sua companheira na noite passada. Para lá da especulação, há boas razões para suspeitar do imperialismo, essa mão invisível que se abate sobre os povos mas que só se confirma décadas depois quando se desclassificam documentos.

Um desses guerrilheiros que se levantou em armas durante décadas contra a oligarquia venezuelana confessava-me há dias que já havia tropeçado em gente que duvidava da intervenção imperialista no país de Bolívar e Chávez. Suponho que a ingenuidade floresça através da sementeira ideológica que impõem os meios de comunicação para ofuscar a realidade. A contra-revolução em Portugal não começou a 11 de Março ou a 25 de Novembro. Desde o primeiro dia, as potências capitalistas distribuíram armas, deram preparação militar, montaram uma ampla rede mediática, deram assessoria política e investiram milhões em organizações e partidos que sendo de direita eram obrigados a dizer-se de esquerda. Não é novidade e tudo isso era amplamente denunciado pelos comunistas e aliados durante o processo revolucionário. Contudo, tudo o que hoje se pode confirmar através de documentos dos próprios pontas-de-lança do imperialismo - que antes eram confidenciais e que, entretanto, foram tornados públicos - comprova aquilo que para alguns era tão pouco credível.
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Marca Portugal

António Santos 12.2.14
Se há coisa que os nossos meios de comunicação social gostam, é da finura de lábios estrangeiros a pronunciar a palavra "Portugal". Estou em querer que basta um americano articular esse abracadabra para choverem parangonas nas manchetes nacionais sobre a "marca Portugal" e a nossa importância no mundo.

Celebramos qualquer referência: Pode ser o investigador que cá não tinha bolsa mas é uma estrela no MIT; pode ser a Joana Vasconcelos que forrou um cacilheiro a azulejos; pode ser uma actriz que pendurou ao pescoço qualquer coisa feita cá. Não importa, tudo serve. Porque, assim crê alguma imprensa, o nosso problema é falta de auto-estima e isso só se resolve com um adulto que nos dê duas palmadinhas nas costas e nos diga "vês? não és nada foleiro! Até passei uma semana no Oporto!". Sob o pretexto de "valorizar o que fazemos bem", os ineptos que nos governam procuram fomentar uma mentalidade servil e deslumbrada com os arrotos dos estrangeiros. A própria mercantilização do nome "Portugal", como se uma pátria pudesse vender-se, alvitra um futuro para Portugal como nação de criados embevecidos com as loas dos senhores, marca de saloios embasbacados com as proporções.
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