5 mentiras do BE sobre a constituinte venezuelana

António Santos 3.8.17
Apesar do boicote da oposição de extrema-direita, mais de oito milhões de pessoas elegeram a assembleia que irá redigir a próxima constituição da Venezuela. Oito milhões de eleitores é mais do que o total de votantes da MUD opositora, em 2015, ou que o número de votantes de Maduro, em 2013. O BE, no entanto, qual taquígrafo do Observador, faz coro com a campanha da comunicação social portuguesa e repete, histérico, que a Venezuela é uma ditadura.

Mas afinal a constituinte não foi eleita? Maduro mudou as regras das eleições para ganhar de qualquer forma? Não há liberdade de expressão? 30% dos deputados estão reservados automaticamente para o partido de Maduro? Desmonto aqui algumas das principais mentiras do BE sobre as eleições para a assembleia constituinte da Venezuela.
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Terramoto eleitoral na Venezuela

Bruno Carvalho 14.12.15
O pior dos cenários foi confirmado, na Venezuela, pelo Conselho Nacional de Eleições. De forma esmagadora, a direita conquistou mais de dois terços dos lugares disponíveis na Assembleia Nacional. A derrota das forças revolucionárias e progressistas era uma possibilidade assumida entredentes nas fileiras chavistas mas a hecatombe eleitoral que acabou por dar-se surpreendeu a própria Mesa da Unidade Democrática (MUD). A oposição vai ter à disposição 112 deputados com a possibilidade, entre outras coisas, de reformar a própria Constituição, de destituir o vice-presidente e os ministros de Nicolás Maduro. Num acto eleitoral em que a afluência dos venezuelanos às urnas foi superior à de há cinco anos, tudo leva a crer que o resultado, mais do que uma aposta no programa da direita, expressa o protesto contra a degradação das condições de vida, a corrupção e a burocracia. Foi de tal forma surpreendente que a oposição conseguiu, inclusive, ganhar no bastião do chavismo, em Caracas.
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Da Telesur às ruas: A revolução será transmitida?

Bruno Carvalho 7.7.15
Caracas, Bairro 23 de Enero, bastião da revolução bolivariana
No passado mês de Fevereiro, o governo bolivariano da Venezuela denunciou um plano golpista. Na denuncia, o mandatário, Nicolás Maduro, revelou à imprensa os detalhes desta estratégia elaborada pelos “sectores mais fascistas da oposição, vinculados ao imperialismo norte-americano”. O presidente afirmou que queriam bombardear o palácio presidencial de Miraflores, o Ministério da Defesa e a Telesur.

Davide Angelilli
Bruno Carvalho

Informar para transformar.

A Telesur é uma ferramenta mediática que se define como “um canal multimédia de comunicação latino-americana de vocação social orientada para a liderança e a promoção dos processos de união dos povos do SUL. Um espaço e uma voz para a construção de uma nova ordem comunicativa que procure dar um espaço aos que não são ouvidos pelas grandes cadeiras de noticias”.

Somente um antes da criação da Telesur é que o governo da Venezuela e da República de Cuba haviam formalizado a criação da Aliança Bolivariana para os povos da Nossa América: a ALBA, que hoje em dia reúne doze países membros na região latino-americana e caribenha e a três países observadores. Os governos da ALBA – especialmente, a Bolívia, o Equador e a Nicarágua, para além dos que a fundaram – partilham a vontade de alcançar a soberania através da integração regional na América Latina.
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A Venezuela que cheira a Abril

Bruno Carvalho 14.2.14
Sobre a Venezuela, a imprensa portuguesa, em geral, dedica-se a replicar aquilo que compram às agências estrangeiras. Não é por acaso que a TVI anunciava, anteontem, que teriam caído sob as balas do governo três opositores. É mentira. Um deles chamava-se Juan Montoya e era activista na zona onde eu passava uma boa parte do tempo. O Juancho, como era conhecido, pertencia a um dos colectivos bolivarianos do bairro 23 de Enero. Morreu aos 51 anos numa esquina de Caracas quando tentava, ao que parece, defender um edifício público da violência que os protestos da oposição geraram.

A esta hora, escapam, como podem, três dos organizadores das manifestações. O mais destacado é Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular, que está formalmente acusado de instigar a violência. A oposição venezuelana empolgada com a morte de Hugo Chávez repete a fórmula que usou nas semanas posteriores às eleições que deram a vitória a Nicolás Maduro. O resultado, na altura, traduziu-se numa dúzia de assassinados, quase todos do campo chavista. O assédio dos protestos na Ucrânia pode estar a ser visto dentro da equação imperialista como uma receita para a Venezuela, um país em que as forças armadas estão comprometidas com o processo bolivariano e não é expectável um golpe militar.
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Eleições municipais na Venezuela

Bruno Carvalho 5.12.13


O povo venezuelano vai a votos no próximo domingo. Quatro anos depois, dezenas de milhares de candidatos dão a cara pelo projecto bolivariano para as eleições municipais. Como é hábito, a direita apostou na mentira e na destabilização. Copiando a metodologia do golpismo chileno, sucederam-se as sabotagens na distribuição eléctrica e na rede de transportes. O açambarcamento de produtos e a especulação nos preços obrigou Nicolás Maduro a impor a regulação de preços no mercado. A importância do acto eleitoral é maior do que se pensa.

Há menos de um ano, após a morte do comandante Hugo Chávez, a batalha pela presidência era entendida como uma etapa crucial para a sobrevivência da revolução bolivariana. Desta vez, embora não tenha a mesma carga política e as eleições sejam de âmbito local, trata-se de um teste à capacidade dos candidatos bolivarianos e à reacção do povo venezuelano às últimas medidas económicas do governo de Nicolás Maduro. De todas as formas, um eventual mau resultado não tem tradução possível para discursos que espelhem a derrota do projecto bolivariano. Porque no passado já houve resultados menos bons em eleições municipais seguidas de eleições presidenciais com o apoio esmagador do povo venezuelano ao processo encetado por Hugo Chávez.
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