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Afinal, quem matou Luna Borges?

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Há uma revolta que ferve nas veias quando vemos que há quem durma placidamente na sua cama indiferente às consequências dos seus actos. Fixem bem este rosto. Não é um número para acrescentar a qualquer estatística. É uma menina e chama-se Luna. Morreu ontem num hospital no interior da Venezuela.

O pai, meu amigo, desesperado, bateu a todas as portas para conseguir os medicamentos necessários para evitar que o coração da menina de um ano e sete meses deixasse de bater. Hoje, a raiva que Gustavo Borges expressa é a de um povo que resiste a uma agressão à que ninguém dá atenção porque jornais, rádios e televisões tratam de tergiversar o que se passa aqui.

A Caravana

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Nas últimas semanas, chegou-nos aos olhos e aos ouvidos a história de uma caravana de milhares de emigrantes partidos das Honduras rumo aos EUA. A forma como a história é tratada deveria fazer pensar todos os que estão envolvidos no jornalismo. A começar pelos próprios. O que fica da informação que é dada é que, de repente, milhares de pessoas decidiram partir das Honduras, a pé, atravessar o México e tentar entrar nos EUA em busca de uma vida melhor. Não me recordo – e a caixa de comentários está aí para quem quiser fazer o favor de me corrigir, o que agradeço – de ver nestas peças os motivos que levam milhares de pessoas a abandonar o seu país, a pé, percorrerem centenas de quilómetros e tentarem entrar num país em que, à partida, sabem que serão barrados.

A grande escolha não está no voto

domingo, 28 de outubro de 2018

Uma hipotética derrota de Bolsonaro não acabará com o fascismo, nem com os fascistas, no Brasil ou noutro país qualquer. Pelo contrário, a amplitude e dinâmica dos acontecimentos dos últimos meses permitiu à extrema-direita um crescimento de adesão e militância como provavelmente nunca tinha acontecido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A manipulação da História pelo fascismo: Uma história antiga

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A ascensão da extrema-direita, seja na sua vertente fascista ou neonazi, acontece um função de circunstâncias sociais e económicas específicas, que o capitalismo alimenta através das suas crises cíclicas. Assim, a História repete-se mesmo. Há 100 anos, mais coisa menos coisa, a Alemanha saía derrotada da I Guerra Mundial. Humilhada com o Tratado de Versalhes, nascia entre os militares e os defensores do Império Germânico uma vontade de vingança. Os aliados, que também aproveitaram para ganhar territórios à Rússia, então já com os sovietes no poder, estavam mais preocupados em conter a ameaça comunista, preferindo e simpatizando com os totalitarismos da extrema-direita que já existiam antes da II Grande Guerra, nomeadamente em Itália, em Espanha e Portugal, com a ditadura imposta em 1926.

Na Alemanha, cria-se o "Mito da Derrota". O general Ludendorff coloca a circular notícias falsas, boatos e mentiras, sem qualquer fundamento ou sustentação, atribuindo a culpa da derrota à falta de nacionalismo do povo alemão, à Revolução de Novembro - aos comunistas alemães, portanto - e a uma conspiração judaica internacional, numa falsificação consciente da História. As fake news de há 100 anos, estão a ver? Está então formado o caldo perfeito para o surgimento do nazismo: notícias falsas que culpam determinadas camadas da população por todos os males, a sua difusão acrítica também pela imprensa e uma crise profunda, política e económica, criada pelo absurdo que foi o Tratado de Versalhes e a insuficiência das teorias liberais de Wilson.

Uma antiga aliança

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O que se passa no Brasil com Bolsonaro, nos EUA com Trump, na Hungria e Itália com governos e governantes fascistas, é tudo reflexo contemporâneo de uma aliança já antiga. Nada de novo. Fascismo e capital, capital e fascismo. Nenhum desses actores subiu ao estrelato sem patrocínio, sem alavancas financeiras colossais. Nenhum deles ganhou prestígio por via de brilhantes curriculums académicos, muito pelo contrário. Ora, acontece que fascismo, capitalismo, imperialismo não se combatem com contra-correntes do género "EleNão". Com essas e outras iniciativas, pode o fascismo bem.

A UE, a Hungria e as duas faces da mesma moeda

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A votação de ontem no Parlamento Europeu, sobre a Hungria, abriu uma nova frente de ataque ao PCP, despoletada pela forma como o voto do PCP é anunciado nas notícias. E, como vícios antigos não se perdem, mesmo apesar do verão passado, dirigentes do Bloco acusam o PCP de estar ao lado dos fascistas. Mas, em boa verdade, o que menos me preocupa são os tiquezinhos dos dirigentes do Bloco. Bem mais grave é a manipulação que fazem e em que embarcam.

Ora vejamos: a argumentação falaciosa é que a votação de ontem no PE não impõe sanções económicas ou políticas à Hungria, abre sim os procedimentos do artigo 7.º do Tratado de Lisboa. E é verdade. Só que este artigo abre os procedimentos dos artigos 7.1 e 7.2, onde surgem as possibilidades de imposição de sanções políticas e económicas à Hungria. Recuando no tempo e recuperando outras votações, se pegarmos naquela que dizia respeito à abertura do espaço aéreo da Líbia, recordemos que para Rui Tavares e para o Bloco, esta não significava uma intervenção militar naquele país. Percebemos, mais tarde, a ingenuidade de alguns. É que foi a sua aprovação que levou ao resultado que todos conhecemos naquele país.

Obrigado

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Marielle vive! Lula livre! E os avanços da besta fascista no Brasil.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Em que difere a morte de Marielle Franco de todas as outras mortes de dirigentes de esquerda este ano e em anos passados?
No ano de 2017 foram assassinados 66 activistas no Brasil (por exemplo, lideranças de movimentos sociais, dirigentes políticos de esquerda, ambientalistas, pessoas do movimento indígena e quilombola, enfim, exemplos não faltam).

A Síria aqui tão perto

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Foto de bombardeamento saudita no Iémen, já partilhado
nas redes sociais como sendo em Goutha, na Síria
Woodrow Wilson, depois do final da I Grande Guerra, considerava que os Estados deviam ter em conta a Opinião Pública nas tomadas de decisão. Aliás, deveria ser a Opinião Pública a definir o caminho dos Estados. À parte de outros contributos para uma tentativa de reorganização do Sistema Internacional, o então presidente dos EUA esqueceu uma parte essencial sobre o que é a Opinião Pública, como se forma, quem a forma e com que meios.

A escassez de Economia

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Há um livro de Paul Sweezy, de 1973, que tem uma abordagem interessante ao momento que então se vivia no meio académico e que se agravou desde então e, creio, ajuda a explicar a dificuldade sentida, academicamente, no aprofundamento da economia marxista. Economia que, para ser uma ciência social, não pode actuar desgarrada de todas as outras. A economia não é uma ciência exacta, tem matemática mas não é matemática. É por isso que, se num mercado desregulado a oferta e a procura ajustam preços, no mundo real fazem-no à custa do factor do trabalho. É que até o factor capital só existe quando é produzido pelo factor trabalho, e é este princípio que parece ser esquecido ou, não raras vezes, omitido.

O eterno retorno aos Balcãs

sábado, 30 de dezembro de 2017

Quando no ano de 1999 as forças norte-americanas agiram, sob a capa da NATO, nos Balcãs e em particular na República Jugoslava - ou no que dela restava - fechava-se um ciclo de desmembramento do chamado "bloco de Leste" iniciado em meados dos anos 80 e irreversivelmente consumado a partir de 1989 com a chamada "reunificação alemã", a dissolução da União Soviética e a integração, progressiva, de países do extinto Tratado de Varsóvia na triunfante "Aliança Atlântica".

A "guerra humanitária" de Clinton e Blair cumpriu diversos objectivos simultâneos e relacionados, de entre os quais destaco a continuação e consolidação da "balcanização" da ex-Jugoslávia, a criação naquela zona do planeta de territórios neocoloniais (possibilitando a fixação de bases militares, zonas de influência e controlo de rotas fundamentais do comércio de matérias primas e energia), o esvaziamento da influência soviética/russa junto das zonas eslavas do mediterrâneo e, claro está, a institucionalização da NATO já não como suposta "aliança defensiva" de natureza limitada mas antes como super-estrutura de âmbito planetário, com legitimidade de actuação para lá dos mecanismos diplomáticos e de defesa internacionais, incluindo a própria ONU.

Catalunha: ou o Povo ou Nada!

sábado, 4 de novembro de 2017

O escândalo de corrupção conhecido como “caso Gürtel”, envolvendo directamente o Partido Popular espanhol e alguns dos seus mais destacados membros, começou em Novembro de 2007 e, volvidos dez longos anos, ainda não se acha concluído pela justiça espanhola. Em Julho deste ano, o chefe de governo, Mariano Rajoy, o ultimamente tido como arauto da justiça e da legalidade, foi ouvido pelas autoridades para dizer que “desconhecia” as questões económicas e financeiras do seu partido, até porque, à altura dos factos, se ocupava apenas de “questões políticas”. Outro dos casos de corrupção no mesmo país, desta feita envolvendo membros da família real – o caso Nóos ou Urdangarín – levou sete anos a ser concluído. Terminou com a sentença de prisão para Iñaki e uma ténue multa à infanta Cristina, que, coitada, “não sabia de nada”. Ou seja, eis a duplicidade da justiça que alguns alegam existir no seio da “pura” e “democrática” Espanha “constitucional”: anos e anos a julgar casos de complexa mas comprovada corrupção; escassos dias para meter na cadeia todo um governo catalão democraticamente eleito pelo povo!

O discreto Caracazo haitiano*

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Dois meses. A revolta do povo haitiano estalou há dois meses e na comunicação social da classe dominante nem uma notícia. Talvez o critério editorial seja uma escala tanatológica de um para mil em que, para o Haiti ser notícia, é necessário mil haitianos mortos por cada morto estado-unidense. Mas hoje não há terramotos no Haiti e os rodapés dos telejornais voltarão a desfilar fait divers sobre celebridades, futebol, curiosidades avulsas, a grande questão nacional Santana versus Rio e um restaurante em Manchester que dá os restos aos pobres.

Entretanto, por todo o Haiti, o povo desafia nas ruas a proibição de manifestações contra o regime cleptocrata de Jovenel Moïse. O movimento que começou, em Setembro, quando foi apresentado o orçamento do Estado, como um protesto contra o aumento dos impostos e taxas sobre o trabalho transformou-se em mobilização nacional contra a doutrina neo-liberal, clamor pela soberania e exigência de demissão do governo de Moïse.

Os filhos do Condor

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Quantos urubus sobrevoam hoje a República Bolivariana da Venezuela?

Enquanto que o processo bolivariano levou educação, cultura, alimentação, trabalho, habitação a milhões de venezuelanos, a grande burguesia nacional viu ameaçados os seus privilégios como nunca antes. Estava habituada a conviver lado-a-lado com os maiores barrios do mundo (favela), mas sempre protegida pelos seus para-militares e sempre dominando os sistemas de produção e distribuição. A opulência nunca foi ameaçada durante todos os anos em que a aliança entre a grande burguesia venezuelana governava o território venezuelano como capataz dos grandes grupos económicos e da administração norte-americana.

Antes de 1999, o exército venezuelano tinha entre as suas patentes, oficiais dos Estados Unidos, a CIA tinha um gabinete no parlamento nacional e o barril de petróleo era vendido a 1 dólar para as companhias norte-americanas. Manter esse estado de coisas era tarefa dos governos a mando do norte, recompensado pela bondade dos EUA, fazendo dos capatazes e corruptos os ricos mais ricos da Venezuela. É verdade que essas camadas da burguesia não perderam grande parte dos seus privilégios, mas não é menos verdade que o processo bolivariano lhes retirou uma parte importante da sua influência na capacidade de decisão política e também uma boa parte da sua influência na economia.

Espanha é uma estaca

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Conta o rei Juan Carlos que, dias antes de morrer, Franco o mandou chamar e lhe disse: «majestade, peço-lhe apenas que preserve a unidade de Espanha». Eis os dois nós que aguentavam todas as cordas da promessa de que deixava «tudo atado e bem atado». Desde a guerra de 36, as cordas da unidade de Espanha e da monarquia seguram o fascismo e o capitalismo.

Não surpreende portanto que quando democratas e fascistas se sentaram a mesa para negociar como seria a «transição», a unidade de Espanha e a monarquia tenham ficado constitucionalmente blindadas contra a democracia. A Constituição de 1978 não admite nenhum caminho democrático para a auto-determinação nem para a república.

Em catalão, diz-se llibertat

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"A polícia espanhola chegou". Imediatamente, uma muralha de mulheres e homens dispõe-se para impedir que levem as urnas. Depois de uma violenta carga policial, as forças da repressão conseguem invadir a assembleia de voto de Sant Iscle. Quando entram no Casal de la Gent Gran deparam-se com um cenário que não esperavam. Dezenas de pessoas jogam dominó como se fosse um dia normal e continuam a fazê-lo entre cassetetes, escudos e capacetes. Não há urnas. Não as encontram em parte alguma e decidem partir. Os jogadores de dominó abraçam-se. Os habitantes de Sant Iscle abraçam-se. Meia hora antes, alguns deles haviam fugido com as urnas e os votos por uma porta secreta e esconderam-nos num nicho do cemitério. Depois, trouxeram todo o material de volta e o resto da população pôde votar. Pois é. Nenhuma brutalidade policial e nenhum Estado repressivo podem esmagar a vontade de um povo que decidiu o seu caminho.

As tranças de Maria

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Serra do Larouco // Fernando Ribeiro
"Se passeares no adro no dia do meu enterro diz à terra que não coma as tranças ao meu cabelo", cantam por vezes as mulheres da região de Lafões. Com uma das mais bonitas tranças que vi até hoje, dias antes de morrer, a irmã quase nonagenária da minha avó contou-me a história da deserção do meu bisavô. Acamada e ensombrada pela cegueira num lar transmontano, desdobrou a memória e falou do rapaz que andou clandestino durante meses pelas montanhas do Larouco. Não fazia ideia de quem era Lénine e do que havia sido a Conferência de Zimmerwald mas o pastor e contrabandista, que acabaria por morrer sem nunca ter visto o mar, decidia há cem anos adiar a morte evitando uma guerra que não lhe dizia nada.

No tempo em que viajar a Lisboa era quase mudar de país, uma geração de transmontanos atravessada pela pobreza acabou por se lançar pela aventura da migração. De Fiães do Rio, com 15 anos, saiu Bento Gonçalves para Lisboa onde acabaria como torneiro mecânico no Arsenal da Marinha. Não muito diferente foi a história de Militão Ribeiro que, com apenas 13 anos, começou a trabalhar como operário têxtil no Brasil. O jovem de Murça acabaria por ser expulso daquele país por militar no Partido Comunista Brasileiro e não teve dúvidas em desafiar o fascismo português ingressando no PCP precisamente depois de Bento Gonçalves assumir a direcção do partido. Oito anos depois da morte do então secretário-geral no campo de concentração do Tarrafal, Militão Ribeiro era também conduzido à morte na prisão pelos esbirros. Antes conseguiu escrever com o próprio sangue uma carta em que jurava fidelidade aos ideais por que lutava.

O meu primo disse que...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Emigrante barricado com arma ameaçou matar a mulher, diz a TVI. Às vezes, nem tudo o que os portugueses fazem lá fora é bom. E nem precisamos de dar o exemplo do colonialismo, do Durão Barroso e do Duarte Lima.

Por estes dias, a propósito da Venezuela, volta a tendência para se dizer que alguém só pode falar de um acontecimento político em determinado sítio se lá se tiver estado ou se se conhecer alguém desse lugar. Se não se viveu na Venezuela nem se tem um primo na Venezuela parece que não se tem direito a opinar. Isso tem sido usado como argumento para defender que ali há uma ditadura. Porque um primo qualquer disse, claro.

Vamos então a esse exercício.

5 mentiras do BE sobre a constituinte venezuelana

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Apesar do boicote da oposição de extrema-direita, mais de oito milhões de pessoas elegeram a assembleia que irá redigir a próxima constituição da Venezuela. Oito milhões de eleitores é mais do que o total de votantes da MUD opositora, em 2015, ou que o número de votantes de Maduro, em 2013. O BE, no entanto, qual taquígrafo do Observador, faz coro com a campanha da comunicação social portuguesa e repete, histérico, que a Venezuela é uma ditadura.

Mas afinal a constituinte não foi eleita? Maduro mudou as regras das eleições para ganhar de qualquer forma? Não há liberdade de expressão? 30% dos deputados estão reservados automaticamente para o partido de Maduro? Desmonto aqui algumas das principais mentiras do BE sobre as eleições para a assembleia constituinte da Venezuela.

Direita ponto net

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Por estes dias temos lido uma curiosa, impressionante - mas não pouco adivinhável - sintonia a respeito da situação social e política na Venezuela. Confesso que cheguei a confundir textos do Expresso ou do Observador com os que ultimamente têm aparecido no portal Esquerda.net. A determinada altura, já não sabia se estava a ler Henrique Raposo ou Duarte Marques no Esquerda.net, se estava a ler Mariana Mortágua ou Luís Leiria no Expresso ou no Observador. Só não confundi os últimos artigos do portal do Bloco com os publicados por articulistas de “Povo Livre” ou de “O Diabo”, porque é muito pouco provável que tenha lido ultimamente o que quer que seja destes últimos, nem de passagem ou por distracção. Que o Esquerda.net se tenha tornado, por exemplo, num multifacetado arraial de arrependidos, às piruetas em assuntos internacionais e com vergonha de escrever Syriza ou Tspiras, até se admite. Que chegue ao ponto de se confundir com o argumentário mais rançoso e anti-democrático da direita mais mesquinha e reaccionária, até para o Bloco já me parece um exagero.