BE ataca Venezuela

Bruno Carvalho 24.5.16
«Não me custa nada condenar a falta de democracia na Venezuela.» afirmou, hoje, no JN, Mariana Mortágua, deputada do BE. Há uma semana, quando o PCP apresentou votos de solidariedade com os povos da Venezuela, Brasil e Colômbia, o deputado bloquista Paulino Ascenção afirmava que o seu partido rejeitava “qualquer abuso da força ao nível interno ou através de ingerência externa" e que condenava "qualquer limitação à liberdade de expressão e à livre determinação do povo da Venezuela". Ou seja, o BE alimentava o peditório de que o governo venezuelano abusa da força e limita a liberdade de expressão.
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A luta é dos trabalhadores e só ela conquista direitos

Lúcia Gomes 6.5.16
A situação na Grécia tem sido elemento noticioso essencialmente por questões humanitárias e pelas condições em que os refugiados têm chegado às suas várias ilhas.

Mas há algo que tem passado ao lado dos meios de comunicação social. Desde a tomada de posse do governo Syriza, a luta dos trabalhadores tem sido intensa, reiterada e tem enchido as ruas gregas com as reivindicações a que se aliam estudantes, reformados, movimentos sociais anti-racistas e antifascistas, numa unidade e solidariedade que tem chegado de vários países e de trabalhadores dos sectores privado e público. E intensa solidariedade também da PAME e dos trabalhadores com os refugiados, que têm estado ao lado destes, com distribuição de alimentos, abrigos e com a exigência de uma política que os respeite e dignifique como seres humanos.
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Ao sabor da brisa mediática

Bruno Carvalho 26.3.16
Até hoje, nas suas relações internacionais, jamais o BE havia tido um governo de um partido que coincidisse com a sua linha política. Timidamente e muito pontualmente, mostrou-se solidário com alguns governos que na América Latina avançavam com políticas progressistas. Nunca vimos este partido organizar actos contra o golpe na Venezuela, Equador ou Bolívia. Com Cuba jamais mostrou o mais pequeno gesto de empatia e não se sabe qual é a sua posição sobre o bloqueio contra a pátria de José Martí.

Nas suas posições sobre questões internacionais, o BE preferiu quase sempre deslizar ao sabor das marés imposta pelo mediatismo. Desde considerar simpática a candidatura de Barack Obama e de François Hollande, a não ter qualquer posição crítica sobre as manifestações em Kiev que levaram o fascismo ao poder com a consequente ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia e a guerra contra a insurreição no Leste do país. Sobre a Líbia, é sobejamente conhecido o papel que tiveram os eurodeputados do BE na resolução que abriu as portas à agressão que conduziu aquele país à Idade Média e à brutalização das mulheres.
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O implacável rugir do motor da História

António Santos 15.7.15
Implacável. Ainda mal arrefeceu o corpo da União Soviética e já o edifício do capitalismo europeu mostra brechas em todas as paredes: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que insiste em empurrar a Grécia para fora do euro à bruta, já choca com a chanceler Angela Merkel, que teima em fazer do povo helénico um engenho de escravos moderno, que por sua vez choca, aliás à guisa de todas as grandes guerras europeias, com a posição francesa, que já teme pelas consequências políticas de desligar a ficha do doente terminal, que não é a mesma da Comissão Europeia, que aposta forte num resgate usurário comparticipado por toda a UE, que choca com os interesses do capital britânico, que não quer o mesmo Euro que o Syriza deseja, que por seu turno foi partido ao meio, como as águas do Mar Vermelho, as esperanças do Bloco de Esquerda ou a coerência do Podemos, que também já veio dizer que não quer renegociar coisíssima nenhuma.
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Este texto não é sobre a Grécia

miguel 14.7.15
Nem sobre Portugal, ou Alemanha. Também não é sobre austeridade, nem sobre resultados de referendos.

Na verdade, ao falar-se de União Europeia, excluem-se os povos que alimentam esse projecto imperialista, entre os quais o Grego, o Português, o Alemão. Porque falar de União Europeia não é falar de Europa, que é um continente, um vasto conjunto de países, que cá continuarão muito após o colapso do projecto de espoliação que é a União Económica e Monetária e a União Política.
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Senão o quê?

António Santos 13.7.15
Não está tempo para sermos ingénuos: o governo grego traiu o seu povo e mostrou cabalmente que os únicos referendos vinculativos que o Syriza reconhece votam-se nas reuniões do Eurogrupo.

Pouco interessa quais eram as intenções de Tsipras ou dos seus seguidores. Não se trata de escamotear as pressões, ingerências e chantagens de que foi alvo o governo e o povo helénicos, mas de enfrentar a realidade como ela é: este governo assumiu promessas que não cumpriu, convocou um referendo que não respeitou e acaba de assinar o maior retrocesso social das últimas décadas.
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Bem-vindos ao «pelotão da frente»

Ivo Rafael Silva 29.6.15
Ano da desgraça de mil novecentos e oitenta e seis. No dia primeiro do mês Janeiro, Portugal é formalmente anexado a uma grande corporação capitalista, que para levar a cabo o seu desejo de domínio e monopólio europeu e mundial, necessita, como é normal neste ciclo, de fiéis serventuários. Atribuem-nos milhões para adoçar a boca e que são gastos como sabemos. Abate-se a produção nacional, sequestra-se a nossa capacidade económica, aniquila-se grande parte da nossa independência financeira, social e também política. Prometem-nos a «modernidade», a «solidariedade» e a oportunidade «imperdível» de entrarmos num «pelotão da frente» que, é preciso recordar a jactância, faria de nós «um grande, moderno e avançado país». Depois de anos de desbragada ilusão, o doloroso definhamento histórico salta à vista. Um retrocesso cujos indicadores sociais e políticos só encontram comparação em períodos de catástrofe, ou de pós-guerra. A realidade, essa teimosa, essa persistente, mostra-nos todos os dias – como o PCP na altura isoladamente afirmava – o grande sarilho, a grande tragédia, a grande farsa em que PS, PSD e CDS nos meteram.
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O Bloco de Esquerda mente: o KKE não apelou à abstenção

António Santos 28.6.15
Numa notícia publicada no Esquerda.net, o Bloco de Esquerda acusa o Partido Comunista Grego de apelar à abstenção no referendo convocado para dia 5 no país helénico.

Trata-se de uma mentira ignóbil que não nasce de qualquer problema de tradução mas de uma contradição política inultrapassável: o que o Bloco de Esquerda defende para a Grécia é o compromisso com aquilo que diz combater em Portugal - a austeridade.

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A «boa imagem externa» que é ser-se um servil rastejante

Ivo Rafael Silva 21.2.15
Há cem anos, a subserviência a uma potência externa (no caso, a Inglaterra) atirou-nos para a frente de combate da maior das guerras até então travadas no tabuleiro europeu e mundial. Um século decorrido, o mesmo sentimento de bajulação e servilismo de quem nos governa face a uma outra grande potência externa (neste caso, a Alemanha), atira-nos em sacrifício, rotos e famintos, para as trincheiras da batalha pela defesa da ideologia da austeridade. Num caso como noutro partimos impreparados, com uma mão à frente outra atrás, sem vontade de exigir o que quer que fosse ou o que quer que seja, mas em ambos os contextos com a mesma predisposição e o mesmo objectivo: ser um cão-de-fila exemplar, elogiado “pela dona” enquanto serventuário fiel, bem domesticado e obediente.
Em boa verdade, a imagem que Portugal tem hoje na Europa e no mundo não é a de um país "cumpridor" e "responsável", nem a de "um caso de sucesso" das políticas europeias; a imagem de Portugal é hoje apenas a de um mero e rastejante lambe-botas da Alemanha.
Na vergonhosa e humilhante qualidade de voz do dono, este país vergado ao vexame do domínio financeiro alemão na União Europeia esteve ontem na reunião do Eurogrupo com uma única missão: defender a todo o custo as posições de Berlim. Maria Luís Albuquerque, a senhora dos «swaps», tratou de tudo fazer para que a austeridade não tivesse qualquer tipo de atenuante ou interrupção na congénere Grécia, ao ponto de o ministro das finanças grego que, contrariamente a ela, foi eleito e não nomeado (e mesmo assim contra a vontade de Portas, o irrevogável), tivesse que vir a público dizer que «por uma questão de boas maneiras» não iria comentar as notícias que davam conta do «bloqueio ibérico» ao acordo firmado.
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Tragédia grega, agora em HD

André Albuquerque 19.2.15
Grécia. Renegociação. Haircut. Não pagamos. Já pagamos alguma coisa. Estamos a negociar. Temos esperança num acordo. Para já não há acordo. Estamos muito perto de um acordo. Nunca obrigámos os gregos a nada. Cachecol. Cedências. Compromisso. Povo grego. Recuo. Avanço. Pode parecer estúpido o que estou a dizer. Eurogrupo. Comissão Europeia. Varoufakis. Schauble. Tsipras. Lagarde. Maria Luís. Declaração conjunta. Salário mínimo sobe. Salário mínimo não sobe. Juncker. Dijsselbloem. E por aí fora...

E quem é que se entende no meio disto tudo? E é suposto alguém entender-se no meio disto tudo? Há várias formas de manter o que existe: simplesmente manter o que existe; mudar pequenas coisas e propagandear que se estão a fazer alterações de fundo no que existe; mudar uma grande coisa mas que permite que a maioria do que existe fique exactamente como está; mudar os nomes que se dão às coisas para que o que existe fique exactamente onde e como está.
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Somos todos ...

miguel 26.1.15
A frase, sem dúvida bela, do sub-comandante Marcos - pesem as dúvidas sobre a personagem e quem é e o que foi - que se espalhou por tantos cantos do mundo, tem tido hoje um novo fulgor.

"Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestino em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, roqueiro na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México. Enfim, Marcos é um ser humano qualquer nesse mundo. Marcos é todas as minorias não toleradas, oprimidas, que resistem, exploradas, dizendo Já Basta! Todas as minorias na hora de falarem e as maiorias na hora de se calarem e aguentarem. Todos os não tolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."
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Seis notas sobre as eleições gregas

Rui Silva 26.1.15
Estou como o André: não sou grego, não conheço de forma profunda a realidade grega e, na melhor das hipóteses, serei um observador mais ou menos atento, sem pretensões a autoridade na matéria. Dito isto gostaria de deixar seis breves notas sobre as eleições gregas de ontem: a primeira para lamentar que os gregos residentes em Portugal não tenham a possibilidade de exprimir a sua vontade eleitoral sem ter de se deslocar a território espanhol; a segunda para referir algo que tem passado ao lado de muitas análises de gente que não hesita em apontar "sectarismo" aos outros: o KKE - o heróico Partido Comunista da Grécia - ganhou mais de 60 mil votos relativamente a 2012, aumentou a sua percentagem e o reforçou o seu grupo parlamentar (na verdade foi o único partido com representação parlamentar a conseguir reforçar-se, descontada a coligação Syriza; o tal ANEL - de direita, nacionalista, perdeu 129 mil votos, coisa que pelos vistos não o impediu de ser considerado parceiro viável no governo da coligação vencedora); a terceira para reforçar a ideia, claramente expressa na apreciação do KKE face aos resultados eleitorais, relativa ao peso significativo que o partido nazi Aurora Dourada mantém no panorama eleitoral grego (não obstenta a perda de mais de 35 mil votos), facto que merece a reflexão, a acção e o combate das forças anti-fascistas (lembrar que são o KKE e a frente laboral PAME os principais alvos da actividade criminosa-violenta dos nazi-fascistas gregos); a quarta para notar a elevada abstenção verificada (cerca de 35%), que vem refrear o discurso muito em voga da "falência" dos "partidos tradicionais" como motivo fundamental da vitória do Syriza; a quinta para reiterar a minha convicção de que nem a UE é reformável, nem existe uma solução de "esquerda" dentro de um bloco político-económico-militar que capturou a definição de "Europa" e insiste na ideia de que só é "europeu" quem verga aos interesses nada obscuros que determinam o fundamental de um projecto federal diametralmente oposto aos interesses aos trabalhadores; a sexta e última para referir que não me causa estranheza alguma - nem lamento - que nem a coligação Syriza deseje o KKE como parceiro de governo, nem o KKE esteja disposto a assumir renúncia oportunista aos seus princípios e ao seu projecto (não obstenta estar naturalmente disposto a votar favoravelmente todas as iniciativas do novo governo que sirvam os interesses dos trabalhadores e o povo grego).
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O ANEL do SYRIZA

André Albuquerque 26.1.15
Não sou grego nem vivo na Grécia, logo não consigo analisar a realidade grega como um grego ou alguém que viva na Grécia. Não fico contente com vitórias de partidos políticos, nem em Portugal, nem na Grécia, nem em lado nenhum, fico contente quando vejo políticas progressistas a serem aplicadas. O SYRIZA ganhou, ainda bem, no seu programa apresenta um grande número de políticas progressistas, umas mais avançadas, outras mais recuadas, todas baseadas na realidade de uma Grécia inserida na União Europeia e na realidade interna da organização social e política grega. Ficarei então contente quando e se a vida de quem trabalha na Grécia melhorar.

O SYRIZA não obteve maioria absoluta, parece estar quase a assinar um acordo com o ANEL - Gregos Independentes -, partido conservador, nacionalista, eurocéptico e anti-austeridade. Por agora ainda não é certo que este seja um acordo de governo ou apenas um acordo parlamentar. Tudo aponta para que seja mesmo de governo e para que o ANEL fique com as pastas da Defesa e da Administração Interna, pior. O ANEL não é amigo da multiculturalidade e a sua matriz ideológica tende a privilegiar políticas securitárias. Espero que não tenhamos um SYRIZA forçado a rever o Tratado de Schengen por pressão da coligação.

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SYRIZA, porque tens os olhos tão grandes?

André Albuquerque 29.12.14
É como no basebol, à terceira falha o lançador é eliminado. Neste caso foi o governo grego de coligação - Nova Democracia, PASOK - que saiu de cena. As eleições estão marcadas já para o próximo dia 25 de Janeiro e desta vez quem parte na frente é o SYRIZA, partido que promete o fim da austeridade e que recusa cumprir o pagamento da dívida tal como ele foi imposto pela Troika e aceite pelo actual governo grego.

Ainda o defunto tem o corpo quente e já a comunidade financeira internacional estrebucha por todos os lados. Os mercados suam, as mais importantes Bolsas entraram em queda, os juros da dívida sobem e o FMI, depois de consultar o BCE e a Comissão Europeia, já sentenciou que está suspensa a ajuda monetária até novo governo formado. Mais uma vez, e de uma só vez, o lobo mau, desta vez vestido de SYRIZA, consegue assustar todos os capuchinhos vermelhos só ao dizer "presente". Imaginem se este lobo mau mostrar mesmo os dentes e desatar à dentada...
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Entretanto, na Grécia...

André Albuquerque 16.12.13
E de repente a Grécia desapareceu do nosso quotidiano. É por ter desaparecido o espectáculo - porrada - das manifestações? Será que a TVI gastou todo o dinheiro destinado a assuntos gregos a transmitir o Olympiakos - Benfica? Vá lá que quem transmite os jogos da Liga Europa é a SIC, senão PAOK - Benfica, nicles. Veio um gigante enorme que comeu a Grécia com azeite, azeitonas e pão pita? Ou será que é porque o governo grego bateu o pé à troika - devagarinho, mas bateu - ao aprovar um Orçamento do Estado que não corresponde à totalidade do que FMI, UE e BCE exigem de Atenas e isso incomoda um bocadinho?

O OE grego para 2014 foi aprovado e, ordena a troika, coloca em risco uma tranche de mil milhões de euros que chegariam a Atenas e que está a ser discutido há cerca de 3 meses, e também futuras tranches. Claro que a austeridade continua, claro que o governo da Nova Democracia e do PASOK prossegue o trabalho sujo que lhe mandam e que quer fazer, claro que a Grécia está longe de ser um exemplo a seguir. A verdade é que o nosso governo não fez o mínimo esforço para combater as imposições externas - indo além delas - e ainda, na Grécia, nos envergonhou enquanto povo, através do querido Bruno Maçães e os seus óculos de hipster que legisla.

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