Vai à merda, Isabel

André Solha 17.7.19
Estávamos em 2017. Lembro-me como se fosse ontem. Provavelmente não te lembras de mim, porque eu era só mais um dos trabalhadores em luta. Era dia 28 de Março e nós, os jovens precários da Randstad, fizemos greve. Tínhamos decidido concentrar-nos à porta do edifício da Meo na Praça do Areeiro, e daí seguimos em marcha até à sede da Randstad em Lisboa, na Avenida da República.

À chegada, ficámos espantados: estava lá uma equipa de reportagem! Uma equipa de reportagem e tu, Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda. Eu desconfio que sei quem te deu a dica, e ficará para a consciência dele essa traição aos trabalhadores que foi eleito para representar.

E portanto, com os trabalhadores a servirem de pano de fundo para a desavergonhada promoção do Bloco e de ti própria, palraste umas generalidades sobre a precariedade e sobre o compromisso do Bloco no combate à mesma. Findos os teus minutos de fama, deste à sola, e a equipa de reportagem fez o mesmo.

Nós, os trabalhadores, não tivemos sequer um segundo para expôr perante aquela câmara de televisão as nossas reivindicações. Entregámos na empresa o nosso caderno reivindicativo e seguimos para os Restauradores, onde engrossámos mais uma manifestação de jovens trabalhadores.

Passaram-se dois anos e três meses e tu abstiveste-te na votação da taxa de precariedade. Uma taxinha de merda, com um máximo de 2%, para as empresas que ultrapassem a média de precariedade do sector a que pertencem. Média essa que sobe de cada vez que uma empresa contrata acima da média, isentando no futuro as empresas que agora ultrapassam a taxa média. Já sei, vais dizer-me que o teu voto pouco conta, que mesmo com os votos do Bloco todos somados não conseguirias ainda assim travar esta proposta. Sabes para quem é que o teu voto teria contado muito? Para os trabalhadores precários. Aqueles com quem te comprometeste, para que te dessem o seu voto. Aqueles a quem roubaste a voz quando, oportunista, te meteste entre eles e uma câmara de televisão.

A precariedade não é para regulamentar nem para taxar, Isabel. A precariedade é para acabar! Os trabalhadores precários asseguram necessidades permanentes, têm um horário de trabalho e um local de trabalho fixos, e do que precisam mesmo é de vínculos de trabalho efectivos com as empresas para as quais efectivamente trabalham. Não é de uma taxinha insignificante paga pela empresa que os explora e que legitima que continuem a receber ordenados de miséria, com vínculos precários e o medo constante de serem despedidos se lutarem pelos seus direitos.

Como já disse, provavelmente não te lembras de mim. Mas eu lembro-me de ti e do teu oportunismo. Oportunismo que não foi coisa da ocasião, é mesmo o teu modus operandi. Passaram-se dois anos e três meses e tu, na semana a seguir a te teres abstido na aprovação da taxa da precariedade, estiveste à porta da Assembleia da República depois da manifestação da CGTP-IN de 10 de Julho, com o teu co-aderente José Soeiro, rodeados por três câmaras de televisão. Ao mesmo tempo o Arménio Carlos falava para duas câmaras. E lá no meio da multidão vi o Jerónimo de Sousa e a Rita Rato, mas esses nem sequer prestaram declarações. Mais uma vez aproveitaste-te de um momento da luta sindical para o qual não deste qualquer contributo para a promoção, tua e do Bloco.

Dir-me-ás que a culpa não é tua, que as câmaras vos procuram. Treta. Mas mesmo que fosse verdade; cabia-te, se soubesses o que é rectidão, dizer aos repórteres que te procuram que não é a ti que devem entrevistar, que não é a tua voz que naquele momento deve ser ouvida. Que os trabalhadores têm estruturas representativas e elegem democraticamente os seus delegados e dirigentes, e que nos momentos de luta sindical são esses os seus porta-vozes.

Mas deixa lá, estás bem entregue; o oportunismo político está no ADN do Bloco e assenta-te que nem uma luva.

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Para não ter protestos vãos

André Solha 9.7.19
Assistimos nos últimos anos (leia-se: desde a entrada em funções do actual governo) ao surgimento de movimentos civis que, mais do que organizar o descontentamento popular, têm todo o apoio da comunicação social para gerar o descontentamento que depois cavalgam. Estamos todos recordados da forma como foi empolada a opção do governo de cortar no financiamento aos colégios privados com contratos de associação. Se não estiverem, podem recordar o drama aqui.

Depois desta idiotice pegada, obviamente, a direita tomou-lhe o gosto e, achando que andamos aqui todos a comer gelados com a testa, pegou em Ana Rita Cavaco, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros que antes disso foi Conselheira Nacional do PSD e passou por dois governos PSD (o de Durão e o de Passos), e incumbiu-a de criar dois sindicatos-fantoche que só têm servido para colocar em causa o já débil funcionamento do SNS.

A partir daqui a fantochada só piora; mais recentemente, um patrão da camionagem e um advogado trafulha lembraram-se de criar um sindicato de camionagem, apesar do primeiro ser objectivamente quem explora os trabalhadores da sua empresa e o segundo nunca ter pegado num camião na vida. O trafulha, não contente com o feito, já anunciou que vai pertencer aos organismos de gestão de mais uns quantos sindicatos de sectores onde nunca trabalhou.

A pergunta da praxe é, obviamente, “Onde é que andaram nos anos da troika?”. Mas nem é essa a pergunta que importa fazer. Os anos da troika foram maus, mas o que eu gostava mesmo de saber é onde é que andaram nos últimos 45 anos de política de direita, e mesmo assim estou a dar de barato a ausência desta gente no sindicalismo de classe que havia mesmo antes de Abril e que levou muitos camaradas meus, alguns ainda vivos, a bater com os costados na cadeia.

E tal como o meu partido é silenciado na comunicação social – algo tão óbvio que quem quiser debatê-lo pode fazê-lo com a parede mais próxima, porque para esse peditório eu não dou – o sindicalismo de classe, o sindicalismo dos sindicatos da CGTP-IN, é também ele silenciado. São décadas de lutas sem qualquer espaço nos media para os nossos activistas, mas temos directos atrás de directos em protestos de enfermeiros em que os dirigentes dos sindicatos-fantoche cedem a palavra à Bastonária. Despedem-se 51 trabalhadores da autarquia em Almada, e nem uma palavra. O SINTAP faz uma acção e tem lá a comunicação social em peso.

A ver se torno isto claro: o capital não tem medo nenhum de discursos inflamados ou de revolta. Aquilo que assusta o patronato é a luta organizada. E a luta organiza-se com consciência de classe e unidade na acção. E esta unidade tem de ser promovida por local de trabalho, por empresa, por sector. Pode parecer aglutinador um Sindicato dos Trabalhadores do Concelho de Almada (fundado por ex-dirigentes da UGT e do SINTAP), que “integra todas as mulheres e homens trabalhadores que nele se inscrevam, livremente e que exerçam funções de serviços em todos os sectores de actividade, publico, privado ou cooperativo”1, mas que unidade é que isto permite? De que forma é que este sindicato pretende representar ao mesmo tempo os 51 cantoneiros de limpeza despedidos pelo actual executivo PS/PSD na câmara e os trabalhadores do Minipreço em luta pela actualização de tabelas salariais?

O trabalhador de contact center da Randstad colocado ao serviço da Meo tem reivindicações mais próximas do administrativo dos quadros da Meo do que o seu colega de empresa, também trabalhador de contact center da Randstad, mas colocado em Évora ao serviço da Fidelidade. E ainda estamos só a falar de operadores de contact center da mesma empresa. Imagine-se querer agrupar debaixo da mesma bitola todos os operadores de contact center independentemente da empresa para a qual prestam serviço. Tentar fazê-lo, ainda que isto permita algumas conquistas locais, promove a desagregação de laços entre profissionais de áreas diferentes dentro da mesma empresa, quando o objectivo dum movimento sindical unitário, democrático e de classe seria trazê-los à mesma luta.

Merecem a este propósito menção honrosa alguns sindicatos “independentes” de tudo menos de certos grupelhos trotskistas e que, apesar de todo o seu discurso revolucionário, servem um único propósito que é de dividir a classe, acusando toda a CGTP de ser um instrumento do PCP. Se tivessem um pingo de vergonha na cara calavam a boca em vez de repetir a lengalenga que a direita usa há décadas. Seguem a cartilha do capital, que pela mão dos lacaios Maldonado Gonelha e Torres Couto, entre outros, pretendem desde sempre “partir a espinha à intersindical”.

Sim, há muitos comunistas nos sindicatos da CGTP. Há muitos comunistas em comissões sindicais, tal como há muitos comunistas nas comissões de higiene, segurança e saúde no trabalho. Mas só lá estão com o voto daqueles que com eles trabalham. Falar é fácil, mas só mesmo os comunistas para, com prejuízo do seu tempo livre e arriscando o posto de trabalho, ter este espírito de missão que nos faz lutar não por nós, mas por todos.

Não para fugir à exploração, mas para lhe pôr um fim.

P.S. - Um texto sobre o movimento sindical de classe não ficaria completo sem um apelo à participação na Manifestação de 10 de Julho.

Pela revogação das normas gravosas da legislação laboral, contra as propostas de alteração do governo PS que a agrava, pela valorização do trabalho e dos trabalhadores! Dia 10 de Julho, 14h30, na Praça da Figueira.


Notas:

1 - Ex-Dirigentes da UGT e SINTAP fundam Sindicato em Almada
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As críticas ao Ventura

André Solha 20.5.19
André Ventura falta a um debate entre cabeças de lista às eleições europeias para participar num programa da bola e rimo-nos dele. André Ventura diz “Eu digo em voz alta o que as pessoas dizem nos cafés” e rimo-nos dele. De certeza que houve uns gajos na Alemanha dos anos 20 que também se riram daquele tipo enfezado e histriónico que liderava o NSDAP. Calculo que tenham perdido a vontade de rir quando bateram com os costados em Buchenwald.

Devia servir-nos de exemplo que limitarmo-nos a rir dos fascistas não é a melhor estratégia para os vencer. E atenção: eu também me rio do Ventura, mas tenho consciência de que isso pode ser contraproducente.

Mas adiante: o Ventura faltou ao debate das Europeias porque sabe que não ia lá ganhar votos. Mais; sabe que se lá fosse arriscava-se a que o seu discurso populista fosse exposto como um apanhado de ideias feitas sem programa ou projecto que o sustente. Mas no programa da bola ele expõe-se à vontade, sem o contraditório de um debate formal. Publicita-se. E para um populista isso basta; para um populista as eleições são um concurso de popularidade, e portanto basta que gostem dele, seja por dizer que é muito católico, que quer fazer a América grande de novo ou que quer acabar com a corrupção. Além de que comparecer ao programa da bola em que aparece regularmente lhe permite dizer que é uma pessoa que honra os seus compromissos e valoriza o seu ganha-pão. E isto dá-lhe crédito popular.

O Ventura diz que diz em voz alta o que é dito nos cafés porque isso lhe dá votos. Há anos que a cultura dominante incute no povo que a política é uma coisa de cúpulas, em que uns senhores com estudos decidem lá do alto o que é melhor para nós todos. E às tantas aparece um gajo (ou seja, a comunicação social decide que é hora desse gajo aparecer) que lhes diz que a sua opinião, aquela que até aqui estava circunscrita à mesa de café, é válida. E de novo: isto dá-lhe crédito social.


Como dizia o Ricardo M Santos há uns dias: quando falamos de André Ventura é bom recordar que foi o candidato apoiado por PSD e PP à Câmara Municipal de Loures, apoiado por Pedro Passos Coelho mesmo depois das declarações que fez sobre a comunidade cigana. Que foi candidato à liderança do PSD. Que além de comentador desportivo é (ou foi) professor auxiliar na Universidade Autónoma de Lisboa e professor convidado na Faculdade de Direito, que é doutorado, etc. A sua formação académica e os cargos que assume na academia não são negativos por si. Mas a sua consciência de classe acompanha a sua natureza, e ele fez uma opção clara pela burguesia. Pelo que o seu discurso populista é apenas um engodo e não uma adesão à defesa do interesses do povo e do país.

André Ventura diz que teve uma origem humilde, diz-se muito cristão, muito benfiquista e muito do povo. E dirá seja o que for desde que isso lhe traga votos.

E traz. Ouço com frequência pessoas a reagir ao Ventura como reagiram há uns anos ao Marinho e Pinto. Que é um gajo que “diz as coisas como elas são”, “umas boas verdades”. Em suma, que “é um gajo à séria, vou votar nele”. E se continuarmos a rir do Ventura, vão mesmo. Quando nos rimos da fachada popular do Ventura, há uma quantidade enorme de gente que se identifica com ele e sente que também é de si que nos estamos a rir.

O que o Ventura precisa de saber, e precisamos de ser nós a dizer-lho, é que nas mesas dos cafés há muito mais dignidade do que a que ele tem, e que as conversas são muito mais sérias do que o seu populismo de merda. Que se fala da bola, mas também se ouve aquela velhota a lamentar a pensão de miséria que recebe e que a obriga, no balcão da farmácia, a escolher quais os medicamentos que pode aviar. Que se queixa o pai que, cigano ou não, recebe o RSI e tem três filhos para alimentar, mas já ninguém dá emprego a um analfabeto. O trabalhador, indignado porque os seus impostos servem para salvar bancos e financiar os Berardos desta vida, mas não servem para meter mais dois ou três médicos no centro de saúde.

O que é urgente é dizer a toda a gente que o Ventura não passa de um balão de ar quente; que o seu discurso popular é uma farsa; que o fato que traz no pêlo custa mais do que um salário médio; que nos anos da troika ele esteve de pedra e cal com quem nos apertou o cinto; que ele só saiu do PSD porque, tal como Santana Lopes, não ganhou a corrida à liderança.

Mas que se tivesse ganho, o PSD continuaria, como sempre, ao serviço dos interesses do capital, e que agora com o seu BASTA/CHEGA, continua ao serviço dos mesmos interesses. É urgente dizer a toda a gente que vê no Ventura uma saída do mais-do-mesmo na política é que essa saída, a única saída, é aquela que é construída activamente pelos trabalhadores, pelo povo, pelos explorados; e que essa saída é o PCP e a CDU.

E é urgente que o façamos agora, antes que o Ventura – ou o cavalo em que o capital apostará caso o Ventura falhe – tenha o seu Buchenwald à nossa espera.
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“Sou eu que vos pago o ordenado!”

André Solha 15.5.19
… e outras tiradas do mesmo calibre. É isto que os trabalhadores do Estado têm de aturar. Nem todos, claro. No país do respeitinho (que é muito bonito!) os polícias estão acima de suspeita ou crítica. Mas são os únicos. Todos os outros são “chulos” e andam a “mamar na teta do Estado”. É mais ou menos esta a opinião publicada, reforçada até à exaustão pelos órgãos de comunicação social e por sucessivos governos que usam a estratégia de semear discórdia entre trabalhadores de diversos sectores como forma de fugir à contestação social.

“Há dois salários mínimos, um no público e outro no privado!”

Não, não há. Salário Mínimo Nacional há um, que é apenas 600€ porque o governo decidiu despachar a discussão desse valor para a Concertação Social, onde se sentam dois representantes dos trabalhadores, dois lacaios e quatro patrões. Na função pública o que há é uma base de tabela salarial de 635,07€ para a carreira de Assistente Operacional. Não há nem tem de haver qualquer relação entre os dois valores: uma coisa é o valor que o Estado burguês deixa que os patrões paguem. Outra é aquilo que através da sua luta os trabalhadores arrancaram ao patrão-estado.

“Também quero ter ADSE!”

Pois. E eu também queria entrar para o pote de Euromilhões daquela malta cheia de sorte. Mas não dá, a ADSE é um subsistema de saúde criado pelos trabalhadores e financiado na totalidade pelo desconto de 3,5% do salário dos trabalhadores do Estado. É um subsistema criado pelos trabalhadores do sector e para os trabalhadores do sector, resultado da forte sindicalização e unidade na luta.

“Trabalham menos horas!”

Verdade. Mas já trabalhámos todos o mesmo tempo. 7 horas de trabalho mais 1 hora de refeição. Entretanto os patrões do privado decidiram fazer o entendimento que o horário de 8h era de 8h de trabalho, e a hora de refeição deixou de contar. Uma vez mais, quem se sente injustiçado deve dirigir a sua indignação não contra os trabalhadores do Estado, mas contra os seus patrões.

“Trabalham pouco e ganham muito!”

A média salarial nas carreiras gerais da função pública é inferior à média nacional. E dentro das carreiras gerais, os mais mal pagos são os assistentes operacionais. O que significa que os trabalhadores que pior recebem no Estado são os gajos que asseguram que toda a gente tem água potável em casa bastando para isso rodar uma torneira. São os trabalhadores da varredura e da recolha de resíduos sólidos urbanos, que constituem a primeira linha de defesa da saúde pública. São os calceteiros, os pedreiros, os serralheiros, etc. Parafraseando o Galeano, são os gajos que fazem o mundo - ou que pelo menos fazem dele um lugar habitável.

“Os professores ganham bem e ainda se queixam!”

É verdade que têm uma remuneração média acima da média nacional. Mas também é verdade que são o sector profissional mais qualificado, levam trabalho para casa – os testes não se preparam nem se corrigem sozinhos – e que têm nas mãos a responsabilidade enorme de formar as gerações futuras.

E assim voltamos ao início: “Sou eu que vos pago o ordenado”

Não, não és. O nosso ordenado quem no-lo paga é o nosso trabalho. E o nosso trabalho é assegurar os serviços públicos e as funções sociais do Estado. De nada.

Esta deformação da opinião pública tem autores e tem objectivos. Semeando a discórdia, a classe dominante consegue que os trabalhadores do Estado percam a solidariedade dos restantes sectores. E sem essa solidariedade, pode ser adiada ad aeternum a regulamentação do subsídio de insalubridade, penosidade e risco. Podem cortar-se subsídios de férias e Natal. Podem congelar-se admissões e progressões. Podem privatizar-se serviços. Podem ser mantidos com baixos salários os trabalhadores de um sector com uma elevada taxa de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

E pôde-se, no passado dia 10 de Maio, mas que mais parecia 24 de Abril, cortar-se a passagem a uma manifestação da Frente Comum com duas carrinhas do corpo de intervenção, “por motivos de segurança”, sem que nada o justificasse. Os representantes eleitos por milhares de trabalhadores foram até impedidos de montar um palanque e discursaram de cima de uma escada. Tudo isto na mesma semana em que o descongelamento dos 9 anos, 4 meses e 2 dias dos professores foi novamente recusado pela direita, em que se perdoaram 116 milhões de euros de dívida a um milionário, em que o pulha do Berardo foi à Assembleia da República por a nu a natureza de classe do Estado burguês.



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