Lucas 18:24,25

17.8.19


Temos assistido, nas últimas horas, e sem surpresa, a uma vasta procissão de carpideiras direitistas e liberais. A coberto de uma comunicação social predominantemente alinhada, lá vão derramando lágrimas e loas sobre o féretro de Soares dos Santos, o “herói nacional” e também “cristão”. Há as que o fazem porque têm o “empresário” nos altares da sua ideologia; há as que fazem habitualmente de qualquer morte a purificação de vidas pouco santas; e há, por vezes, também as que são um misto das duas. Nenhuma destas carpideiras há-de, porém, verter uma lágrima que seja pelos milhares de explorados que efectivamente edificaram o império. Nenhum direitista chorará pelos milhares de precários que, por quererem «sobreviver», construíram com o lombo a “grandiloquente” Jerónimo Martins. Aliás, é para isso que essa «massa» serve; para fazer impérios e dotar de “alma” esses imperialistas a quem possam “beijar os pés” na vida e na hora da morte. Opções. De classe, naturalmente.

Não podemos ficar admirados com os títulos da imprensa. Sucedeu o mesmo com Belmiro de Azevedo ou Américo Amorim. A bajulação a Soares dos Santos não permitirá que neste ou nos próximos dias se fale nas sombras de uma vida, afinal, tão “reluzente”. Salvo honrosas excepções, ninguém falará de Soares dos Santos como um dos grandes fomentadores da precariedade nacional das últimas décadas; ninguém falará da “meritória” estratégia assente nos contratos a prazo e nos baixos salários – preferindo-se, aliás, citá-lo em frases contraditórias e sonsas –; ninguém falará da exploração dos pequenos fornecedores, dos preços ridiculamente pagos aos agricultores nacionais, que sob pena do “nada” se vêem forçados a vender “algum”; ninguém falará da descarada fuga aos impostos com a deslocação da sede do grupo Jerónimo Martins para a Holanda; ninguém falará das provocações insanas do 1.º de Maio, dos atropelos, empurrões e do consumismo terceiro-mundista explorado por campanhas abjectas e selváticas.

O branqueamento entrou em escalada e chegou até ao quase ponto da santidade, lembrando-se “ao mundo”, nesta alvura do momento, que Soares dos Santos era, afinal, “um cristão”. Nós não sabemos muito acerca do seu “pensamento” – que nunca ficou expresso em nenhum parágrafo seu digno de ser lido – mas seria curioso saber o que pensaria ele, no âmago do seu ser “cristão”, da passagem do Evangelho de Lucas que dá título a este artigo: «Disse Jesus: Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus».

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  1. Quando eu vir a esquerdalhada a juntarem-se num esforço colectivo a constituir cooperativas , unidades colectivas de produção, ou tão só a exigirem que o Estado crie empresas que produza algo que concorra no mercado e se prove que com eficiência comparável, AÍ, eu vou hesitar em avaliar o texto acima como uma vergonhosa manifestação de mesquinhez, pequenez e pinderiquez.

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    1. Afinal de contas, o que é que tu tens para avaliar, «Jose Mim» ou «Joe prostituto», senão a tua própria mesquinhez, pequenez e pinderiquez?

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    2. Nota-se que jose está de luto, assumindo-se como uma carpideira oficiosa.

      Já noutros tempos vertera poemazinhos de pé quebrado ao ilustre falecido. E elogiara-lhe a fuga aos impostos e a instalação na Holanda

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    3. O excelente desenho que acompanha o texto faz também lembrar os josés desta vida. Até na exibição do lencinho usado para levar aos olhos durante a encenação lacrimosa.

      Manifestações de mesquinhez, pequenez e pinderiquez. Enquanto se arrota,assim deste modo, farto e obeso, pelos mercados e pelo Capital

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  2. Quando a direitalha canalha conseguir não destruir as cooperativas e unidades coletivas de produção que em 1974-75 criaram verdadeira riqueza no alentejo, quando a direitalha canalha acabar com um bloqueio de 50 anos ao único país que tem médicos e saúde como principal exportação, quando a canalhadireitalha gananciosa parar de extorquir o trabalho e privatizar a pt - única empresa que em portugal produziu conhecimento, engenharia e tecnologia de ponta - quando o empresarial gananciosismo da saúde privada deixar de arrumar doentes em casas de banho, falsificar fichas e recusar consultas de seguimento, e com isso, se acabarem os soares e os santos, Aí, talvez aí, seja possível deixar passar sem contraditório o alarve papaguear do senso comum neoliberal ;-)

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  3. Ó tristes e frustradas criaturas!
    Onde pára a vossa gloriosa iniciativa?
    Falta-vos um exército como o que vos abriu as portas de um Alentejo abandonado para que essa iniciativa se revele?
    Falta-vos um governo que vos assegure os salários, ainda que à força de imprimir notas?
    Tanta camaradagem, tanta unidade, só para o assalto aos que empreenderam e criaram obra?
    E são esses outros os inimigos da revolução de que não dais um único exemplo vivo, um sinal do possível, a evidência de um colectivo partilhado em harmonia?

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    1. "Tristes e frustradas criaturas"?

      Isso será uma referência a quem?

      Aos frustrados e tristes que não se contiveram e fizeram aquelas tristes e frustradas figuras a 25 de Abril de 1974?

      Este jose sabe do que falo

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    2. A cena pungente continua:

      "Onde pára a vossa gloriosa iniciativa?"

      A quem se referirá agora com essa da "glória"? Iniciará uma Ave Maria e um Padre Nosso? Àquele por quem andou a espalhar as glórias e as iniciativas? Aqui e na Holanda, mais a fuga ao fisco e o hino nauseabundo?

      Invectivará o espelho?

      Ou a papada já não lhe permite ver a quem se dirige?

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    3. E continua:

      "Falta-vos um exército como o que vos abriu as portas de um Alentejo abandonado para que essa iniciativa se revele?"

      Passamos dos produtos orgânicos incontinentemente vertidos a 25 de Abril para o Alentejo.

      Adivinham-se outros ódios. E outras choraminguices. Parece que o Alentejo também lhe está entranhado no corpo e na raiva surda como aborda o tema.

      Há cada forma de exorcizar o luto...

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    4. E continua:

      "Falta-vos um governo que vos assegure os salários, ainda que à força de imprimir notas?"

      O governo assegura salários?

      Adivinha-se aqui o ódio às funções sociais do Estado. Mas adivinham-se outras coisas.

      Adivinha-se uma ignorância de primata primário sobre a economia e o Estado. E sobre a natureza do trabalho

      (Quando este jose elogiava a pide e cito ipsis verbis "agentes da PIDE prestaram grandes serviços à Pátria" rejubilava pelo facto do governo fascista pagar aos seus torcionários com o dinheiro obtido de quem trabalhava?)

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    5. E continua:

      "Tanta camaradagem, tanta unidade, só para o assalto aos que empreenderam e criaram obra?"


      Porque motivo trespassa aqui o medo?

      Da unidade que faz a força? Da camaradagem entre os explorados?


      E agora a fuga aos impostos e a exploração desenfreada e desavergonhada dos trabalhadores é "obra"? Ainda por cima criada?

      Um intermediário sem vergonha e sem escrúpulos agora surge como novo herói para estes "patrões coirões", no dizer medíocre de um deles?

      Tal como quando jose idolatrava os banqueiros terratenentes e outras idiotices por junto?

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    6. E continua:

      "E são esses outros os inimigos da revolução de que não dais um único exemplo vivo, um sinal do possível, a evidência de um colectivo partilhado em harmonia?"

      O que quer este tipo dizer com a procura de sinais, da harmonia, de exemplos vivos?

      Estamos já na missa? No requiem?

      A idiotice tem limites. Nem sequer vale a pena ir por aí

      RIP como soe dizer-se

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    7. Desde que se tornou homossexual, o Jose ficou mais azedo. Pobre diabo.

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  4. Parabéns pelo texto. Precisamos de nos livrar da lógica dos lideres, messias e empreendedores vigaristas. É decisivo desmascarar os oportunistas e emocionados iludidos que nunca sentiram o peso da escuridão e da escravidão que estes "empreendedores" causam nos "ombros" de quem trabalha horas sem fim em troca de 600 euros. Estes momentos tem servido também para alimentar a chama do ridículo e afetivo apelo à ilusão da democracia de cooptação, de empreendedores, e de bem falantes dos direitos laborais, que encarceram e exploram uns, e faz outros lucrarem como nunca antes não se viu. Precisamos de nos livrar da lógica dos lideres, messias e empreendedores vigaristas.

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    1. A lógica é sempre a mesma: trabalhadores coitadinhos, patrões coirões.

      Mas subjaz o pressuposto de que os coitadinhos o são para sempre e que só lhes compete dar o peito à balas para trocar patrões por 'queridos' líderes que substituam os patrões.

      Empreender para sair do patamar dos 600 euros nunca é apelo, sempre a miséria é pressuposta, sempre o esforço individual é minimizado para tudo o que não seja criar nova ordem, novos exploradores.

      E dizem com o cinismo dos treteiros « Precisamos de nos livrar da lógica dos lideres». Nada mais certo de sempre existir.

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    2. "Patrões coirões"?

      Pessoalmente acho o qualificativo medíocre e boçal. Assim parido nos currais onde os capatazes cumpriam as ordens dos ditos

      Mas se é um que assim se auto-qualifica...

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    3. Veja-se como o termo " coitadinhos", tão em voga no consulado de Passos e Portas, usado e abusado pela coorte fiel e pesporrenta, continua em uso e abuso por alguns dessa mesma coorte

      Era o tempo da invocação da saída da zona de conforto e do convite forçado À emigração. Passos gostava do termo. E usou-o em público e em privado

      Jose gosta da palavra.Mantém-na no seu reduzido léxico e nos seus abundantes comentários

      O que ele não repara é que ele apresenta aqui um choradinho medíocre e cabotino em torno dum patronato pesporrento e chico-esperto.

      O empreendedorismo e o esforço individual e mais as hossanas e as pulhices que jose trauteia. De forma verdadeiramente empreendedora

      Como quando, nos tempos em que pensava que o ajuste de contas era chegado, ameaçava quem não cumprisse as ordens troikistas:

      "Às bestas serve-se a força bruta se forem insensíveis a outros meios"

      Uma forma bastante peculiar de defender o empreendedorismo e o esforço individual dos sacanas sem lei

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    4. O prostituto Jose ainda leva algum sémen na boca, de algum patrão mal conformado com os seus serviços de cabotino.

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    5. O teu natural esterco sobe-te à boca!

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    6. Arrota, Jose cabrão!

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  5. "Antónia, mãe solteira, duplamente explorada, trabalhava para um fornecedor de mão-de-obra que vendia a sua força de trabalho ao Pingo Doce do Alexandre dos Santos. Antónia não sabia se o contrato lhe seria renovado. Antónia saia de casa às sete da manhã, deixava o filho à porta da escola e percorria cerca de cinco quilómetros até ao armazém onde trabalhava em regime de banco de horas. Naquela tarde libertou-se muito tarde, o filho esperava-a, olhos marejados saiu a correr, ao atravessar a estrada foi colhida por um camião da empresa.

    O multimilionário para quem trabalhava, contribuindo para lhe consolidar a fortuna, morreu no mesmo dia.

    Antónia não foi notícia, lágrimas sentidas e de aflição foram as do seu filho.


    Alexandre explorou Antónia, os filhos de Alexandre guardam a fortuna, o filho de Antónia guarda saudade, ambos viveram a prazo.


    CID SIMOES ( As palavras são armas)

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