Populismo: o problema do receptor

5.7.19

O problema maior da disseminação de conteúdos falsos e de extrema-direita por páginas populistas nas redes sociais não reside propriamente no facto de essas páginas existirem. O maior dos problemas está no receptor, mais do que no emissor. O maior dos problemas é haver quem partilhe os seus conteúdos não porque ache genuinamente que sejam verdadeiros, mas porque, no fundo, quer e deseja de facto que tudo aquilo seja verdade.

Quem partilha falsas publicações de supostos privilégios de ciganos a viver em Portugal, não o faz por estar convencido de que isso seja verdade. Fá-lo porque é racista, tenha disso consciência ou não. Quem partilha publicações sobre alegadas agressões a polícias e empolamentos de violência contra as autoridades, não o faz porque tenha conhecimento de causa. Fá-lo porque é apologista do militarismo e autoritarismo tão em voga nos regimes fascistas. E outro grande problema é este: temos dado demasiada borla à alegada "ingenuidade". Não é.

Fico sempre de sobrolho franzido quando leio ou oiço dizer que Portugal “ainda não cedeu a populismos”. Mesmo quando sabemos que temos um presidente da República cuja carreira político-partidária oscilou entre o mau e o medíocre, mas que, fruto da sua habilidade comunicacional, gozou de palanque privilegiado nas televisões para exercer todo o seu populismo demagogo e simplista, naturalmente oportunista, zigue-zagueante, contraditório e hipócrita.

Os tempos são exigentes e difíceis para quem se opõe a este “estado de coisas”. Os meios e as ferramentas do populismo são hoje muito mais eficazes e céleres. Mas isso não implica necessariamente que haja “novidade” na substância, muito menos no objectivo. A forma muda mas o rumo é o mesmo. Pior que um país seduzido por fascistas, é um país que quer mesmo – com todo o voluntarismo – ser seduzido e engolido por eles. Façamos-lhes frente.

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  1. Por outras palavras: Sigam a Cartilha!

    Não fique por dizer que os ciganos (coitadinhos) são uma minoria cultural com suas tradições e crenças (quem lhas pode negar?) que nunca quiseram criar uma nação própria (diferentemente dos execráveis sionistas) e que são vitimados (coitadinhos) pelas transformações nas sociedades em que se integram e em que justamente (coitadinhos) não se querem integrar pelo risco de perderem a sua própria cultura (quem lhes pode levar a mal?).
    Pelos malefícios dessas transformações, - algumas tão radicais como passar do burro ao automóvel - devem muito justamente ser subsidiados.
    Digo eu, que não sou populista.

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