«Comemos com um resgate»? Quem?

18.9.15

Esta frase soaria de forma estranha na boca de qualquer primeiro-ministro, não fosse esse primeiro-ministro chamar-se Pedro Passos Coelho. Assim, a acrescentar ao insistente e reiterado uso do “dourar a pílula” e a outras tiradas no mínimo desajustadas, tratando-se do minguado Pedro Passos Coelho que nunca nos habituou a proferir grandes inteligências, antes pelo contrário, o inusitado “comemos com um resgate” foi só e apenas mais do mesmo. Mas eliminando a estética institucional da coisa, e que a direita por norma tanto preza e tanto critica nos outros, e passando à substância, que é o que realmente aqui nos importa, talvez seja bom usar a expressão do primeiro-ministro para reflectir sobre quem é que de facto “comeu com o resgate” e, sobretudo, quem é que “comeu dele”.


Uma coisa é certa: quem “comeu com ele”, no sentido de “sofrer com ele” não foi Pedro Passos Coelho, nem os seus amigos banqueiros
Esta semana foi notícia algo que constituiu novidade para muita gente, mas certamente não para o PCP, que já o vem denunciando há anos nas suas múltiplas intervenções. Entre 2008 e 2014, o estado português – por via das políticas dos governos PS e PSD/CDS – injectou 19,5 mil milhões de euros na banca, valor correspondente a 11,3% do PIB. Como bem sabemos, como consta do argumentário do governo e até do próprio PS, foi necessário recorrer ao dito “resgate” porque “não havia dinheiro” – nunca há… – “para salários e pensões”, porque os cofres “estavam vazios”, e portanto havia que “salvar o país”, entenda-se, a banca, recorrendo a duros e pesados “sacrifícios” impostos aos do costume. Ora, está bom de ver quem é que, feitas as contas, “comeu com o resgate” e quem é que “comeu dele”. Uma coisa é certa: quem “comeu com ele”, no sentido de “sofrer com ele” não foi Pedro Passos Coelho, nem os seus amigos banqueiros. Mas quem “comeu dele”, quem se aproveitou dele e hoje aparece com ar ufano a gabar-se de “recuperação”, “crescimento” e “regresso aos lucros” na ordem dos muitos milhões de euros não deve ser, com toda a certeza, o comum dos contribuintes.

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  1. Anónimo18/9/15

    A não ser pelos indecisos, já sabemos que o PS se situa um pouco à frente dos fascistas da coligação.
    Em relação aos meios de comunicação social, novamente se vê o «apaparicar» do Bloco de Esquerda. Tem muito mais tempo de antena que a CDU. Catarina Martins e Mariana Mortágua estão a ser muito «apaparicadas» pela televisão, na eventualidade de retirarem votos ao PS.
    Da CDU, pouco de diz e até parece que não existiu a marcha do povo. O que existe, de facto, é o Bloco de Esquerda.

    No debate, entre Catarina Martins e António Costa, esta propôs que o BE se juntasse ao PS num governo de coligação. Fantástico!

    O BE está igual ou pior que no tempo de Francisco Louçã.

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  2. Sem interesse...
    Porque alguém comeu com ele é a questão.

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    1. Anónimo18/9/15

      JOSE, AMIGO DE PASSOS COELHO: IDE PARA O...

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