Bem-vindos ao «pelotão da frente»

29.6.15

Ano da desgraça de mil novecentos e oitenta e seis. No dia primeiro do mês Janeiro, Portugal é formalmente anexado a uma grande corporação capitalista, que para levar a cabo o seu desejo de domínio e monopólio europeu e mundial, necessita, como é normal neste ciclo, de fiéis serventuários. Atribuem-nos milhões para adoçar a boca e que são gastos como sabemos. Abate-se a produção nacional, sequestra-se a nossa capacidade económica, aniquila-se grande parte da nossa independência financeira, social e também política. Prometem-nos a «modernidade», a «solidariedade» e a oportunidade «imperdível» de entrarmos num «pelotão da frente» que, é preciso recordar a jactância, faria de nós «um grande, moderno e avançado país». Depois de anos de desbragada ilusão, o doloroso definhamento histórico salta à vista. Um retrocesso cujos indicadores sociais e políticos só encontram comparação em períodos de catástrofe, ou de pós-guerra. A realidade, essa teimosa, essa persistente, mostra-nos todos os dias – como o PCP na altura isoladamente afirmava – o grande sarilho, a grande tragédia, a grande farsa em que PS, PSD e CDS nos meteram.

É hoje bem mais nítido que esta União Europeia é tudo menos uma união «dos 27». É apenas uma união «dos 3». Do Deustche Bank, do BCE e do FMI.
A União Europeia presta-se hoje, perante o resto mundo, a um papel que a deveria envergonhar. Todavia, bem sabemos que o capital não tem moral, nem ética, especialmente quando agoniza. Como foi fácil, afinal, que ditames financeiros e económicos pusessem a nu a falsidade da apregoada solidariedade entre estados-membros. Como é fácil descartar um país e um povo inteiro, que, aparentemente, parece estar a cometer um “crime” de desobediência às regras definidas por burocratas da alta finança, só porque a vontade do seu governo difere da vontade de organismos não eleitos. Como é fácil manter os igualmente frágeis (como Portugal) aninhados e submissos, enquanto se espezinham os semelhantes que lutam contra a miséria que lhe querem impor. Difícil, senão impossível, é continuar a propalar a existência de “democracia” no seio desta União, feição ou característica que nunca teve, nem nunca terá.

É hoje bem mais nítido que esta União Europeia é tudo menos uma união «dos 27». É apenas uma união dos «3». Do Deustche Bank, do BCE e do FMI. Nada mais importa para além disso. As decisões, os mandos e desmandos partem da cúpula, sendo que os demais, em submissão, limitam-se a cumprir as ordens e a readaptar, se necessário, o discurso para esconder essa obediência. No meio de tudo isto sofrem os povos, sejam gregos ou portugueses, que com sacrifício continuam, sabe-se lá até quando, a alimentar um sistema que os ignora e maltrata. Uns sempre no topo, outros sempre de rastos. É esta a «modernidade». É este o «progresso». É este o chamado «pelotão da frente».

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  1. Anónimo29/6/15

    Muito bom.

    De

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  2. « Uns sempre no topo, outros sempre de rastos»
    Assim é, para alguns.
    A ideologia entra em cena para
    Ora garantir que os que estão de rastos são consequência dos que estão no topo
    Outros garantem que anda de rastos quem não se levanta.
    Excepções confirmam a regra para uns e outros
    .

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    1. Anónimo30/6/15

      « Uns sempre no topo, outros sempre de rastos»

      Mais uma vez se confirma a luta de classes e a feroz porfia deste burguês, pela sua., detentora dos meios e da capacidade de organizar a produção capitalista.
      Pretende a manutenção dos que "estão no topo" e a continuação deste estado de coisas. Ou melhor, o agravamento deste estado de coisas,porque por trás da apologia do Capital e da sua concentração está a defesa do governo do próprio capital financeiro desta forma tão... germânica

      O "anda de rastos quem não se levanta" ( embora aí pode ser que se lixem) é a forma usada por este para esconder as questões levantadas.
      É esta a «modernidade». É este o «progresso». É este o chamado «pelotão da frente».

      É que o "pelotão da frente" era a expressão usada pelos sujeitos amados deste tipo.
      E para esconder isso , e para esconder quem o disse e porque o disse, e para esconder as suas verdadeiras origens e os seus verdadeiros objectivos...sai mais uma tentativa nacional-cançonetista para ver se passa.

      De

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  3. Infelizmente, ao contrário do que se diz no texto, não estou nada convencido de que esta crise do capitalismo seja insuperável, de agonia.

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  4. Anónimo6/7/15

    "bem-vindos à frente do pelotão" diria eu

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