porque se indignam eles

9.1.15

Na televisão, ontem, numa reportagem sobre a concentração em Lisboa sobre a tragédia de Charlie Ebdo, uma jovem emocionava-se. Porque se emocionaram ontem aquelas pessoas, melhor dizendo, porque é que apenas ontem se mobilizaram aquelas pessoas? Emocionam-se sempre que há notícia de tragédia ou terá sido só mesmo ontem?

Porquê apenas agora a comoção? Descobriram que a morte é sinistra e pode ser injusta? Mas será que só esta semana é que descobriram que há gente massacrada neste planeta, que há vitimas inocentes?

Políticos de direita e editoriais de diversos órgãos de comunicação social burgueses também tomaram posições.

A realidade das sucessivas tragédias neste mundo é sempre mais bruta que as aparências, e não há episódio isolado capaz de esconder a dimensão da bestialidade que grassa. Por mais que se olhe para a árvore evitando uma visão panorâmica sobre a floresta.
A comoção burguesa é selectiva e de classe, não é para todos.

Comove a burguesia o facto do crime ser em Paris. Paris é a Cidade-Luz, fica no centro da Europa, é cidade e capital de Ensino e Ciência, de Arte e Cultura, de acordo com os padrões "ocidentais", é cidade símbolo de prosperidade. É a cidade que a burguesia idealiza e quer, e aqui não se quer crime nem sangue, muito menos massacres. Por isso, no espaço, o massacre foi inesperado e custoso. Isso do crime e do terror, não são para Paris, isso é nos subúrbios da Terra, lá longe, nos sítios distantes, lá longe, entre desertos e lugares exóticos ou poeirentos, nos sítios condenados do costume, nas terras saqueadas pelo crime e indiferença capitalista, nos sítios que o imaginário reporta como tão diferentes da civilização e respectiva tranquilidade.

Comove a burguesia o facto do crime ter como alvo a redacção de um jornal satírico e vitimado os seus cartunistas. Eram homens criativos, viviam do seu intelecto e da sua arte. Eram intelectuais, não eram empregados nem operários. E tinham nacionalidade francesa. Homens que no imaginário burguês provavelmente teriam um padrão de vida não muito diferente do que se espera de um parisiense. Quem é assim não é suposto ser alvo de ameaças, muito menos de massacres.

É esta descontextualização do crime, para os padrões burgueses, que o engradecem no impacto. Que lhe dão ares apocalípticos(qualquer um pode ser alvo, em qualquer altura e lugar), quando até foi bem selectivo no alvo.

Qualquer ser humano se comove com a notícia da barbaridade que aconteceu, mas muitos certamente se sentiram ofendidos com as manifestações de comoção e de juras de humanidade e nobres preocupações com a "liberdade de expressão" e toda a sorte de oportunismos que se foram observando nos últimos dias. Ofendidos, porque sentiram a injustiça do diferente tratamento dado à vida humana.

Quantos destes charlies, se indignaram com os 43 estudantes mexicanos executados nas mais suspeitosas condições, quantos se indignaram com os 46 antifascistas carbonizados às mãos de nazis na Casa Sindical de Odessa, quantos se indignam com a desgraça diária no Mar Mediterrâneo? E desses defensores da "liberdade de expressão" quantos se indignaram quando os EUA bombardearam a televisão jugoslava em Belgrado? E tantos outros exemplos não poderiam ser deixados...

A morte e a violência parecem sempre mais horríveis quando nos são próximas e atingem os que são parecidos connosco. É assim.


Hipocrisia e emoção selectiva

Como espero que o leitor tenha compreendido, este texto não pretende julgar os sentimentos de ninguém. Este é um texto que se pretende arremessar contra a hipocrisia da incoerência do oportunismo da emoção burguesa, selectiva por natureza. Porque a emoção burguesa não chega aos subúrbios e às periferias do seu conceito de Humanidade. A sua comoção não ultrapassa as apertadas barreiras do "ocidente", nem as barreiras de classe.

Por isso emociona o assassinato de um parisiense muito mais que o assassinato de um estudante de guerrero ou de um família de Gaza, Kobane, do Iraque ou da Líbia. Por isso é notícia um massacre em Paris mas já não o é se for em Odessa.

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  1. Anónimo9/1/15

    Antes deste ataque, houve uma explosão (ou ataque terrorista) no Iémen que vitimou cerca de trinta pessoas. Ninguém falou no assunto.

    Há mesmo muita hipocrisia à volta deste ataque ao Charlie Hebdo. Isto faz lembrar as manifestações contra o terrorismo, logo a seguir ao 11 de Março em Espanha que até uniu Aznar e Zapatero.

    As fotografias que mostras aqui só provam que até nestas coisas, somos logos os primeiros a querer copiar o que fazem lá fora. Somos pioneiros no «copianço» mais imbecil e piroso que se pode imaginar.

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  2. Caro anónimo,
    Agradece o seu contributo. As fotos foram retiradas, pois merecem uma reflexão própria.
    Tudo bom!

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  3. Se morre o vizinho, porque emocionar-se se todos os dias morrem tantos da classe dos vizinhos por esse mundo?
    Quando o disparate é pontuado de notas 'científicas' de comportamento classista e outras adornos que tais!

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  4. Anónimo10/1/15

    Eis a confirmação, involuntária é certo, da justeza do post do Filipe.

    É o "vizinho" pois então. É apenas só o "vizinho". De classe.

    ( uma nota um pouco à margem. Uma das vitimas, Georges Wolinski passou metade da sua vida a caricaturar coisas assim como este jose...

    Eis um croquis que fez a propósito dos joses deste mundo:
    http://scorpiocollections.com/ebay/upload/352173.jpg )

    De

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  5. Caro José,
    Creio que não entendeu o meu texto. Leia com um pouco mais de atenção.

    Obrigado De!

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  6. Anónimo10/1/15

    http://youtu.be/8KMHCn6z20E

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  7. Anónimo10/1/15

    A liquidação dos suspeitos ...Não há aqui qualquer coisa de réplica do caso Oswald vs. Ruby (assassinato de Kennedy) ?

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  8. Anónimo10/1/15

    Caro Filipe Guerra,
    Tenho pena que não pudesses deixar as fotografias, porque quando as vi esta manhã, fiquei horrorizado, com a patetice que vai nas cabeças dos nossos políticos, ditos do «arco da governação». Pior ainda fiquei, quando ouvi a mulher do director falecido do Charlie Hebdo a falar num telejornal... a chorar... e a comparar o seu falecido marido ao realizador de cinema (de direita) holandês, também ele morto por um radical «dito islâmico».
    Tenho pena que não possas publicar essas fotos. No fundo, são a verdadeira razão pela qual eu sinto um profundo asco pelos partidos que nos têm (des)governado desde o 25 de Novembro de 75.
    Abraço

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  9. Anónimo11/1/15

    E quantos Charlies se emocionaram com os milhares de mortos palestinianos assassinados discrimidamente na sua propria terra, pela mãos dos ivasores isrealitas?? Por isso hoje e sempre: Je suis Palestiniean!!

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  10. Anónimo11/1/15

    este lixo bolchevic é absolutamente lamentavel, transformar isto em comunismo vs capitalismo... e estupido

    esta merda comuna nao tem mesmo nocao ... que tristeza.

    claro que nas gulags se fez muito pior ... mas ha algo que destingue animais de pessoas .algo que animais como o queescreve este texto jamais entende

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  11. Caro anónimo das 22:05,
    As imagens que publiquei eram apenas exemplos de incoerência, uma até está no FB do M74. Apenas retirei essas imagens deste texto e as respectivas legendas porque me pareceu não acrescentarem nada ao texto.

    Caro anónimo das 1:26,
    Também pensei no mesmo. Saiba que o PM de Israel hoje também está em Paris, e creio que isso diz muito sobre o branqueamento e o oportunismo.

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  12. Anónimo11/1/15

    Sim, o anónimo (e cobarde) das 11:33 lá entende as suas razões que aprendeu em «Mein Kampf» de Hitler e nos diários de Goebbels.

    Infelizmente, não entenderá a razão para o silêncio sobre a morte de 3 civis, hoje, no Afeganistão, por um «drone» americano.

    Como também não entenderá a razão deste artigo: http://www.presstv.ir/Detail/2015/01/10/392443/CIA-carried-out-Paris-attack-Roberts

    Na manifestação desta tarde, em Paris, vai estar um terrorista e criminoso, chamado Benjamin Netanyahu, responsável pelas mortes de civis palestinianos e pelo bombardeamento feroz imposto a Gaza em Julho de 2014.

    Os palestinianos têm agendada a sua entrada no Tribunal de Haia, em Abril próximo, mas a maioria dos senadores fascistas americanos já votaram para que essa entrada seja vetada.

    Por estas e mais razões, «Je ne suis pas Charlie».

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  13. Anónimo11/1/15

    O comissário da polícia envolvido na investigação das mortes de Charlie Hebdo acaba de se suicidar. Total silêncio da comunicação social sobre este assunto. Para mais, ler aqui:
    http://www.globalresearch.ca/police-commissioner-involved-in-charlie-hebdo-investigation-commits-suicide-total-news-blackout/5424149

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  14. Anónimo11/1/15

    Sou da mesma opinião de Thierry Meyssan quando conclui no seguinte artigo, http://www.voltairenet.org/article186441.html:

    «Não sabemos quem patrocinou esta operação profissional contra Charlie Hebdo, mas não nos devemos permitir ser arrastados. Devemos considerar todas as hipóteses e admitir que, nesta fase, o seu objectivo mais provável é a de nos dividir; e os seus patrocinadores mais provavelmente estarão ​​em Washington.»

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  15. Anónimo12/1/15

    Os atuais lideres Europeus com o apetite voraz em mobilizar a opinião publica em seu favor com este tipo de manifestações estão a abrir um precedente perigosíssimo.

    Parece que já esqueceram que da mesma forma e precisamente com os mesmos pretextos e objetivos os nazis e os fascistas também reuniram voluntariamente grandes multidões.

    Tenham muito cuidado porque os fascistas já fervilha por todo o continente Europeu, falta apenas dominarem um grande país.

    Não ouviram o que foi dizer a Berlim há poucos dias o fascista Ucraniano promovido a primeiro ministro por os "democratas" da NATO/UE/ EUA ?

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  16. Anónimo12/1/15

    Anonimo das 21:52.

    Sim; concordo plenamente com tudo o que escreve Thierry Meyssan.

    A operação foi executada ao pormenor sem quaisquer falhas, os seus autores sabiam os nomes das pessoas a abater, onde estavam a que horas se reuniam, o itinerário da fuga e não pensaram também num esconderijo para se refugiarem depois de terminada a operação?

    É muito estranha a falta de planeamento deste pormenor (um refugio seguro). Não será que aqueles que lhes forneceram as informações e planearam a operação a rigor estivessem mesmo interessados na morte dos executantes? E seriam apenas dois? Quem conduziu o carro? Quem seria que os estava a esperar no outro carro?

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  17. Anónimo12/1/15

    SALDO NEGATIVO

    Dói muito mais arrancar um cabelo a um europeu
    que amputar uma perna, a frio, a um africano.
    Passa mais fome um francês com três refeições por dia
    que um sudanês com um rato por semana.
    É muito mais doente um alemão com gripe
    que um indiano com lepra.
    Sofre muito mais uma americana com caspa
    que uma iraquiana sem leite para os filhos.
    É mais perverso cancelar o cartão de crédito a um belga
    que roubar o pão da boca a um tailandês.
    É muito mais grave deitar um papel para o chão na Suíça
    que queimar uma floresta inteira no Brasil.
    É muito mais intolerável o chador de uma muçulmana
    que o drama de mil desempregados em Espanha.
    É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco
    que a de água potável em dez aldeias do Sudão.
    É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda
    que a de insulina nas Honduras.
    É mais revoltante um português sem telemóvel
    que um moçambicano sem livros para estudar.
    É mais triste uma laranjeira seca num colonato hebreu
    que a demolição de um lar na Palestina.
    Traumatiza mais a falta de uma Barbie uma menina inglesa
    que a visão do assassínio dos pais a um menino ugandês
    e isto não são versos; isto são débitos
    numa conta sem provisão do ocidente.

    De Fernando Correia Pina,

    A.Silva

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  18. Artigo que admiro e subscrevo..
    Só não concordo 100% que se trate de comoção "burguesa" ... mais uma massa instrumentalizada pelo relevo que a comunicação social deu ao acontecimento .. Assim uma coisa tipo "Maria vai com as outras", ou a atração pela pertença a um grupo que se agiganta ..

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  19. Filipe, percebo a sua opinião e até a subscrevo no fundamental. Só não o faço em pleno por achar que a hipocrisia não está no cidadão que se emociona mas sim nas lágrimas de crocodilo dos dirigentes ocidentais, no fundamental causadores do melting pot que origina estes fenômenos de violência extrema. É verdade que determinadas tragédias nos falam mais alto que outras. Desde logo pela proximidade, seja ela ideológica, cultural ou geográfica. Isso não me parece claro que sej uma característica pequeno-burguesa. Deriva da nossa condição humana, por muito universalistas que sejamos. Existem milhões de presos injustamente pelo mundo fora, no entanto tenho tido um muito maior engajamento nas acções pela libertaçãoo dos 5 patriotas cubanos ou de Múmia Abu Jamal. isso não faz de mim defensor do sistema.
    A comoção das multidões é positiva. Significa que existem condições para a unidade em volta de objectivos comuns. Cabe agora a quem tem uma perspectiva de transformação revolucionária da sociedade, mobilizar essas vontades para evidenciar que, mais do que ver a tragédia, é necessário apontar os responsáveis por ela. E esses não são quem puxou o gatilho. Foram aqueles que se fizeram fotografar alegadamente à frente da manifestação de ontem. São eles que, se continuarem o seu desgoverno do mundo, nos vão conduzir à barbárie. É a eles e ao sistema capitalista, explorador e opressor que é preciso derrubar e instaurar o socialismo, em nome do futuro da humanidade.
    Muitos dos que perderam a vida no ataque ao Charlie Hebdo partilhavam esta visão.

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  20. Caros AL e RJ,
    Tive muito gosto em ler as vossas opiniões e estou agradecido por as terem partilhado.
    Este texto era para mim difícil de escrever. Eu tinha noção que não seria fácil exprimir o que queria sem que não se gerassem algumas eventuais incompreensões sobre o que eu queria transmitir, provavelmente por dificuldades de expressão minhas.
    Saibam que as vossas opiniões não são contrarias ao que penso. Pelo contrário subscrevo-as.
    A minha critica centra-se não na comoção de massas(justa em face da barbaridade da tragédia) mas na hipócrita e na comoção selectiva que a burguesia teve ao caso. Como se confirmou na Manif de ontem em Paris.
    Abraços

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  21. Caro Filipe,
    Percebi perfeitamente.
    Estamos do mesmo lado da barricada,
    Grande abraço

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  22. Anónimo13/1/15

    Caro Filipe Guerra,
    Não podemos abrandar nesta luta. Por vezes, o vosso Manifesto avança, para depois parar um pouco ou muito.
    Por favor, não pare de escrever e de investigar sobre esta acção estranha que motivou o suicídio do comissário que investigava a morte dos jornalistas.
    Não pare de escrever sobre esse terrorista, chamado Benjamin Netanyahu que se fez convidar ele próprio para a manifestação que calou a opinião pública e livre acerca deste autêntico «inside job» realizado em França.
    É preciso não esquecer tudo aquilo que está a ocorrer neste Mundo, desde os tumultos em Port-au-Prince, ao desaparecimento dos estudantes mexicanos, até chegar às vitórias dos soldados do exército sírio contra os bandos armados e financiados pela Arábia Saudita e ajudados por Israel.
    Por favor, escreva mais e não pare, porque a nossa concepção nesta luta é avançada e progressista.
    Um abraço
    Jorge

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  23. Caro Jorge,
    Obrigado pelo seu incentivo, o qual retribuo. Escreva, denuncie e não pare. É também esse um dever nosso.
    Creio que o tempo irá trazer novos dados e factos por enquanto desconhecidos poderão aparecer, veremos. Creio que para já, já está em curso um conjunto de medidas 'securitarias' e algumas ameças vão pairando no ar.
    Abraço

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  24. Anónimo14/1/15

    Transcrevo a parte inicial e final dum interessante artigo de Jorge Beinstein:

    "Como era de prever, o ataque contra o Charlie Hebdó desencadeou uma onda mediática global de condenação ao "terrorismo islâmico". Sente-se um certo fedor de "11 de Setembro à francesa" . Como também era de prever, a direita ocidental capitaliza essa onda procurando orientá-la para uma combinação de islamofobia e autoritarismo, de justificação da cruzada colonial contra a periferia muçulmana e ao mesmo tempo de impulso no ocidente à discriminação interna contra as minorias de imigrantes árabes, turcos e outras"

    O mínimo que se pode dizer é que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente no pântano da confusão. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias depois dos ataque, ainda não se sabe bem como foram tão facilmente identificados numas poucas horas – salvo se aceitarmos a incrível versão policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, assinala ( com ironia)que "a polícia encontrou o cartão de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (próximo da sede do Charlie Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses) afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gémeas.
    Não haverá julgamento, os irmãos Kouachi não desmentirão nem confessarão nada. Por outro lado, em diferentes meios jornalísticos surge a informação de que estes irmãos franceses filhos de imigrantes argelinos teriam sido recrutados há algum tempo pelo aparelho de inteligência francês que os encaminhou para o jihadismo na sua luta contra o governo sírio. Surge inclusive o nome do agente recrutador, um tal David Drugeon, assinalado desde há tempos como um personagem de alto nível do aparelho de inteligência francês – que naturalmente desmentiu a referida informação, reiterada antes e depois do desmentido por meios de comunicação estado-unidenses e europeus .

    E como se isto fosse pouco, um dia depois do "atentado", de modo muito marginal, deu-se a conhecer o estranho suicídio de Helric Fredou, comissão subdirector da Polícia Judiciária de Limoges que trabalhava no caso Charlie Hebdo"
    (Cont)

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  25. Anónimo14/1/15

    "Para além da questão de saber se o ataque contra o Charlie Hebdo foi uma operação montada pelo aparelho de inteligência francês, só ou em cooperação com a CIA ou outra estrutura, ou então uma acção de um grupo islâmico manipulado pelo aparelho francês ou inclusive independente e hostil ao ocidente, o certo é que uns ou outros consideraram-no um objectivo concreto da guerra globalizada em curso.

    Seguindo a "hipótese 11 de Setembro" (auto-atentado), tratar-se-ia de mobilizar na cruzada imperial uma Europa esmagada pela recessão. Poderíamos fazer coincidir o acontecimento o anúncio de que a União Europeia vai entrando numa etapa de deflação que ameaça ser prolongada e está completamente submetida à estratégia global dos Estados Unidos. Isso significa que as elites dominantes precisam criar rapidamente factores de coesão social funcionais a suas aventuras militares e financeiras. O demónio islâmico pode bem justificá-lo, para fazer aceitar ou obrigar a aceitar guerras externas combinadas com repressões e empobrecimentos internos.

    A quota de barbárie introduzida com o golpe de estado na Ucrânia e a tentativa posterior de depuração étnica no Sudeste desse país acompanharia a ascensão generalizada do fascismo na Europa, desde a Ucrânia e os países bálticos, até chegar à Frente Nacional em França e ao movimento Pegida na Alemanha, passando pelo Amanhecer Dourado da Grécia. O que prefigura a conformação de um fascismo muito extenso no espaço europeu a coincidir com a previsível ascensão do Partido Republicano nos Estados Unidos. Neste cenário a intensificação de actos de barbárie imperial na periferia estaria a convergir com a internalização de formas significativas de barbárie no centro imperial.

    Seguindo a hipótese oposta ( o do movimento islâmico hostil ao ocidente) estaríamos na presença do início da caotização do centro imperial do mundo. O desenvolvimento da sua "Guerra de quarta geração" contra a periferia começaria a ter um efeito boomerang sobre o protagonista ocidental. O provocador ocidental do caos começa por sua vez a ser caotizado por um desenvolvimento que começa a escapar ao seu controle e que gera deslocações na sua retaguarda. A crise económica, suas derivações financeiras, ecológicas, sociais e militares iriam submergindo o espaço euro-norteamericano numa espiral descendente irreversível.

    Em ambos os casos, a imponente civilização ocidental, seus pretensos "valores universais", estariam a evaporar-se – deixando a descoberto a sua barbárie profunda."

    O original está aqui:
    http://anncol.eu/index.php/opinion/jorge-beinstein-argentina/9067-el-regreso-del-fascismo-a-proposito-de-charlie-hebdo

    E a sua tradução no Resistir

    (De)

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  26. Anónimo14/1/15

    Sim, uma das medidas do parlamento francês a seguir ao atentado, é decretar a continuação dos bombardeamentos no Iraque (contra os chamados alvos do ISIL), tal como Washington deseja.
    O secretário John Kerry vai se encontrar com o presidente Holland já esta semana.
    O jornal «Charlie Hebdo» vende 3 milhões de cópias e na capa aparece novamente o profeta, numa clara e nova provocação aos chamados radicais islâmicos.

    Thierry Meyssan fala numa divisão na administração americana, entre os expansionistas e aqueles que não se importam com um Mundo dividido.
    Meyssan acusa os expansionistas de estarem por detrás destas operações, onde aparece também a NATO (e o seu comando secreto e especial, dado a este tipo de operações).

    Qual o motivo? Preparar o Mundo para uma guerra. Com quem? Com os países islâmicos não alinhados com Washington.

    Se este atentado contra o Charlie Hebdo não surtir efeito, outro atentado com islâmicos irá aparecer.

    Por último, um dos artigos publicados no Global Research duvida do video apresentado, onde um dos comandos especiais dispara contra o polícia combalido. De facto, um tiro tão próximo é suposto deixar sangue e a cabeça muito ferida. No video, vemos o tiro, mas não vemos sangue.

    Estranho...

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