Os assassinos do Charlie Hebdo

7.1.15

O que pensarão os sobreviventes civis de um ataque norte-americano no Paquistão? É certo que as bombas vêm de Washington mas se não houvesse talibãs talvez não existisse guerra. Não creio que o vejam assim. Não há lucidez para essas coisas quando estilhaçam a tua família pelos ares. Os culpados são os norte-americanos, ponto. O que pensarão os sobreviventes civis de um atentado islâmico em Paris? É certo que as metralhadoras foram empunhadas por homens que gritavam por Alá mas se a França não tivesse apoiado a guerra contra Kadafi e Bashar al-Assad talvez não houvesse atentados. Neste caso, repetindo o mesmo exercício, os culpados são os muçulmanos, ponto. Não, não há mesmo lucidez para perceber que as vítimas das guerras são sempre os mesmos. Os trabalhadores e os povos que enchem rios de sangue para ilustrar o extremismo religioso que alimenta o fanatismo e abre caminho ao imperialismo. Foi sempre assim.

Nos anos 80, no Afeganistão, as mulheres andavam de mini-saia, conduziam, estudavam e levavam uma vida dentro do que se pode considerar a normalidade dita ocidental. Os Estados Unidos financiaram, treinaram e armaram os talibãs e afogaram o país na Idade Média. A exaltação da religião contra as forças do progresso conduziu à desgraça que se conhece e anos mais tarde milhares de trabalhadores norte-americanos pagavam com a própria vida a tragédia das Torres Gémeas. Na Palestina, Israel - um país inventado pelo extremismo sionista - abriu caminho ao reforço de movimentos religiosos como o Hamas para evitar a direcção laica e progressista da luta pela libertação nacional daquele país.

A mesma receita foi instigada uma e outra vez. Nos últimos anos, os Estados Unidos e a União Europeia financiaram, treinaram e armaram milhares de homens cujo propósito era derrubar regimes laicos ou progressistas. Fizeram-no para acabar com Muammar Kadaffi e fizeram-no, até agora sem sucesso, para derrubar Bashar al-Assad. A Líbia era o país que encabeçava os índices de qualidade de vida de todo o continente africano. Agora, no protectorado europeu e norte-americano, a selvajaria religiosa levada ao extremo enfia imigrantes negros em jaulas do velho jardim zoológico de Tripoli. Na Síria, o que há é um país absolutamente devastado, imerso numa guerra civil. O Iraque tampouco se levanta do caos em que se mantém há mais de uma década. O que acontece hoje naqueles países é responsabilidade directa dos governos norte-americano e europeus, incluindo o de Portugal.

O que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo, em Paris, foi um crime horrendo. Foi um atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa. Nos próximos dias, veremos gente em todas as partes a apontar os dedos aos muçulmanos - principalmente, Marine Le Pen e a Frente Nacional - enquanto nos corredores dos bancos e das grandes empresas se conta o dinheiro do saque roubado através dos recursos naturais do Norte de África e Médio Oriente. No Estado espanhol, quando explodiram bombas nos comboios de Madrid, as vítimas eram trabalhadores. Como em Paris, como em Islamabad, como em Alepo, como em Bengazi, como em Cabul. A fúria dos povos do Estado espanhol rebentou porque perceberam que o governo de Aznar lhes mentira sobre a autoria dos atentados e porque perceberam que aquela era uma resposta a uma guerra contra outro povo.

Falta a lucidez de se clarificar quem, de facto, foram os autores do crime perpetrado em Paris. Quem quer que tenha sido merece ser perseguido, julgado e castigado. Mas para lá das sombras com que comentadores, politólogos, jornalistas queiram esconder a verdade mais crua devemos perceber que o imperialismo vive uma fase agressiva. Instalou o caos na vida dos povos do Norte de África, do Médio Oriente, na Ucrânia e na Venezuela. Apontar o dedo contra o extremismo islâmico sem apontar o dedo contra quem o financiou, treinou e armou é um insulto à memória dos que caem sob a barbárie da guerra.

Hoje, todos se dizem Charlie. Eu também sou. Mas devemos sê-lo todos os dias denunciando sem ceder à auto-censura quando se refere aos que nos conduzem à miséria, à exploração e à guerra. Há quem hipocritamente se diga hoje Charlie para amanhã esconder quem é que deu armas ao ISIS, à al-Qaeda e a outros grupos. Amanhã, esses, vão guardar silêncio para os crimes do extremismo religioso israelita contra o povo palestiniano. Ou vão inventar novas armas de destruição massiva para justificar matanças pelo mundo fora. Os jornais e os jornalistas que se auto-censuram - ou que manipulam de peito erguido - também são culpados do que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo. Todos, sem excepção, grandes grupos económicos e financeiros, incluindo os governos, partidos, jornais e mercenários em que mandam, merecem a nossa repulsa. São eles os assassinos do Charlie Hebdo. E a nós cabe-nos defender a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa dentro dos limites de uma sociedade laica. Mas, principalmente, cabe-nos defender a paz e um mundo de justiça social. Esses princípios são os verdadeiros inimigos do imperialismo, do fascismo e do extremismo religioso.

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  1. Anónimo7/1/15

    Concordo em absoluto com o que Lello diz:
    Muito bom.
    Um muito excelente post !

    De

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  2. Para que prevaleça a lucidez!

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  3. Anónimo7/1/15

    conversa da treta são vcs q têm as mãos sujas de sangue

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  4. Anónimo7/1/15

    Quando se diz que um atentado é realizado pela Al-Qaeda, vem logo à memória a sigla «CIA».

    Daí que os primeiros investigadores acharam estranho o modo profissional como os jornalistas foram executados.

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  5. «...defender a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa dentro dos limites de uma sociedade laica. Mas, principalmente, cabe-nos defender a paz e um mundo de justiça social.»
    No meio da confusão, sobra sempre o mesmo: tudo é permitido a quem se reclama de visar implantar a Verdade Única; para quem não o faça, todo o mal que lhe advenha disso deriva, e justamente.
    Uma espécie de Jihad laica...

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  6. Anónimo8/1/15

    Há quem diga que «eu sou Charlie»...

    Eu não me esqueço dos massacres da coluna do tenente-coronel Bryan P. McCoy, em Bagdade, durante a ocupação do Iraque.

    Também não me esqueço de ver as imagens de guerrilheiros do chamado «ISIL» a serem tratados e medicados em hospitais israelitas.

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  7. Anónimo8/1/15

    Os culpados deste bárbaro atentado são também aqueles que destruiram os estados arabes laicos do Iraque. Libia e Siria!

    A.Silva

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  8. Quem convive bem com ditaduras e opressão, tem da 'real politik' uma visão bem diferente de quem preza a liberdade e a crê direito universal.
    Junte-se-lhe a jihad laica da Verdade Única e a decorrente definição do Inimigo Principal...e todo o atentado à liberdade e à vida, por mais obsceno, encontra justificação e benção.

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  9. Anónimo8/1/15

    Muito bem, José.
    Agora, pode voltar a reunir-se com os seus amigos ucranianos do partido do Stepan Bandera e gritar um valente «Sieg Heil» pelo seu pai e defunto Salazar.
    E boa sorte na sua «Chispa». Não há nada como fingir ser marxista ali, para depois retirar a máscara aqui. Infelizmente, deixou ficar o bigodinho de Hitler.
    Recomenda-se uma ida ao barbeiro: urgente!

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  10. Anónimo8/1/15

    Nem mais, nem menos. Uma reflexão simples que sabe situar e dar nome às feridas sociais modernas.

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  11. Anónimo8/1/15

    Isto é hipocrisia:

    O que mais me faz confusão no meio disto tudo é que em menos de 24 horas eu já vi mais pessoas a tentarem deflectir a culpa do que a apontar o dedo para os culpados: os três terroristas envolvidos no ataque de ontem. Não só é condescendente para com os islâmicos, é hipocríta para todas as pessoas vitimas do 'imperialismo' (essa bela reificação) que não pega em armas e entra por escritórios adentro aos tiros.

    Ao deflectir a culpa das pessoas que FIZERAM A ESCOLHA de ir à Charlie Hebdo matar pessoas, você está a admitir que pessoas islâmicas não têm escolha, que não têm agencia no fundo, que eles são filhos de pressões sociais, de pressões económicas, e de pressões políticas. Mas isso somos todos, incluindo milhões de chineses, africanos, indianos, muçulmanos, europeus, americanos, etc. que ESCOLHEM não matar ninguêm.

    Para além disso, faz-me ainda mais confusão porqué é que nós, os ocidentais, adoramos arranjar desculpas para os Islâmicos, como se eles não soubessem defender-se a si próprios. Imagina só se usássemos as mesmas desculpas para defender os ocidentais; "a culpa não é do milionário Donald Sterling, ele não é racista, no fundo é um problema social"; "nem todos os padres católicos são pedófilos, não vamos espalhar essas ideias uma vez que não queremos mais catolifobia", "os políticos são corruptos? é a maneira de ser deles, a cultura deles leveram-lhes a portar-se dessa maneira".

    Lamento mas não - há aqui culpados e sabemos muito bem quem são - os três terroristas de ontem.

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  12. Anónimo8/1/15

    A culpa é do cartonista mesmo! o cara insultava os muçulmanos e todo mundo com sátira, tirando onda, deboche! no seu ultimo desenho pediu e pagou o preço!

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  13. Anónimo8/1/15

    Concordo 200%, muito muito bom artigo!

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  14. Tanta trapalhada e ligeireza. A França apoiou a guerra contra Gaddafi e Al-Assad pondo-se exactamente do lado dos que agora a atacam. Esse nunca poderia, portanto, ser o motivo.
    Todos os outros disparates e deturpações decorrem daí.

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  15. Anónimo8/1/15

    Nada de novo... apenas uns loucos que desataram aos tiros, e uns infelizes que morreram, siga a vidinha normal, amanhã vamos todos (europa) continuar a dar o cu aos grandes capitalistas , a comer fastfood e votar e contribuir para que todo o sistema se mantenha como está. No fundo toda a população se está a cagar para casos como estes. É só mais uma noticia que amanhã será diluída pelos resultados do futebol e dos finais das novelas. A sociedade em q vivemos está podre meus amigos. Quem sofre é quem interioriza.

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  16. Anónimo8/1/15

    Por mais que alguns o tentem ( nomeadamente um "jose" que se mostra particularmente excitado) este é um post excelente.Tal como o de Rui Silva, aliás

    Post(s) que fala(m) por si e que responde(m) por si. De tal forma que é quase redundante dizer muito mais.

    Ponto final parágrafo.

    O que não podemos deixar passar é a baba raivosa que se esconde atrás da floresta de aparentes lugares-comuns:
    "tudo é permitido a quem se reclama de visar implantar a Verdade Única; para quem não o faça, todo o mal que lhe advenha disso deriva, e justamente.
    Uma espécie de Jihad laica..".

    A verdade única ( deixemos as iniciais maiúsculas,típicas dum certo provincianismo bacoco) é a verdade que jose ( ou JgMenos de acordo com o sítio onde pousa) sistematicamente defende a todo o transe.A verdade de acordo com a troika e com os princípios austeritários.A verdade de acordo com santa merkel e o espírito santo do Capital. E tudo ainda se torna mais risível, mais abjecto, mais emporcalhado, quando exactamente a mesma pessoa que todos os dias clama pelas vias únicas,assumindo aquele comportamento rasteiro dos migueís de vasconelos tão típicos entre as ditas "elites",agora venha falar em " atentado à liberdade e à vida,"

    Exactamente a mesma pessoa que aqui há dias exclamava com todo o ódio a sair-lhe do fundo do ventre estas palavras:
    "Às bestas serve-se a força bruta se forem insensíveis a outros meios."

    E não.As bestas não eram nem os "terroristas" nem os "bombistas".As bestas eram todos os que ousavam contestar a "dívida pública" e o caminho seguido pela governança europeia

    (Para quem não acredite:
    http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/12/se-te-mexes-morres.html )

    De

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  17. Anónimo8/1/15

    Infelizmente há mais.

    Porque quem clama contra "todo o atentado à liberdade e à vida,... obsceno" é exactamente o mesmo que vi defender com todas as letras a tortura e os torturadores, os métodos dos carrascos e os carrascos.Por apelar à ida ainda mais além na tortura e na degradação da condição humana.Por defender o "dever do torturador".
    Entrando naquele espaço estreito e sufocante da defesa de quem é carrasco, seja um agente da CIA, um reles pide,um talibã, um decapitador de cabeças ,um fascista islâmico tout court.

    De

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  18. Anónimo8/1/15

    Sem dúvida, embora haja alguma confusão nas últimas notícias vindas da comunicação social. Afinal, quantos terroristas atacaram o local chamado «Charlie Hebdo»? Só três? Teriam de estar muito bem preparados para uma intervenção tão rápida.
    Depois, há três homens a fugir para um automóvel, um deles dispara um tiro de misericórdia contra um polícia ferido. Os três entram dentro de um carro. Logo a seguir, a polícia informa que procura dois terroristas(?) Estranho? Onde está o outro? Foi morto? Entregou-se à polícia?
    As últimas informações dão conta que os dois procurados (e não três, como vimos naquelas imagens do polícia a ser abatido), fugiram de Paris, mas depois voltaram.
    Julgo que todos aqueles que se esclarecem podem começar a pensar que tudo isto não é um filme, nem a fantochada que nos tentaram vender no 11 de Setembro de 2001, ao dizer que os passaportes dos terroristas envolvidos tinham sido encontrados entre os escombros das torres gémeas.

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  19. Anónimo8/1/15

    Infelizmente há muito mais.

    A ligeireza como um anónimo fala na falta do dedo a apontar para os "verdadeiros culpados" é demonstrativa do "deflectir " não só da essência do post num sentido mais amplo, como também dos "factos" conhecidos até aqui.

    Ipsis verbis:"os culpados: os três terroristas envolvidos no ataque de ontem"

    Três? Como sabe ele tal número se tal número é posto em causa por fontes da investigação?

    Lembro-me do ataque daquele breivik de tãio má memória.Lembro-me dos comentários iniciais sobre o ataque. A tentativa de incriminação dos "muçulmanos " , as palavras de ódio contra os muçulmanos ,a histeria contra a "condescendência" (essa palavra aparentada com outra usada pelo referido anónimo) para com os islâmicos.

    O horror para tais xenófobos surgiu um pouco mais tarde. E foi o que se viu.Sem querer dizer que estamos de novo na presença do mesmo cenário ( longe disso) , verificou-se que breivik era branco, burguês, "católico" crente, de extrema-direita e nazi. Tudo junto e ao que parece com fé em deus

    De

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  20. Anónimo8/1/15

    Todos os que foram assassinados desta forma cobarde merecem o nosso respeito

    "O que se passou hoje na redacção do Charlie Hebdo, em Paris, foi um crime horrendo. Foi um atentado contra a liberdade de expressão e de imprensa."

    Cito um jornal generaista:
    "De acordo com o Le Monde, "todos estavam lá, ou quase", começando pelo diretor, Charb, ou Stéphane Charbonnier, que os dois homens armados chamaram pelo nome. "Charb, onde está Charb?" Depois dispararam sobre ele.
    Sabiam quem procuravam e foram chamando pelos nomes de outros presentes, abrindo fogo sobre eles. Os cartoonistas Cabu, Wolinski e Honoré morreram, assim como o economista Bernard Maris, a psicanalista Elsa Cayat, o corretor Mustapha Ourrad, e Michel Renaud, que era convidado da redação. Nessa rajada, morreu também o polícia Franck Brinsolaro, que assegurava a segurança de Charb desde o atentado nas antigas instalações do jornal, em 2011."

    Todos são credores da nossa solidariedade e escrevo isto e sabe-me a pouco.Por exemplo Wolinski foi, durante décadas, um dos raros desenhistas a combater o anticomunismo, o anti-sovietismo e a defender com coragem Cuba socialista . O seu nome, segundo as notícias, foi um dos "nomeados"

    De

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  21. Anónimo9/1/15

    «Todos são credores da nossa solidariedade e escrevo isto e sabe-me a pouco.Por exemplo Wolinski foi, durante décadas, um dos raros desenhistas a combater o anticomunismo, o anti-sovietismo e a defender com coragem Cuba socialista . O seu nome, segundo as notícias, foi um dos "nomeados"»

    Não percebo esta frase, no contexto em que este ataque aconteceu. Pode explicar melhor?

    Será que o «De» está a perder a qualidade nos seus comentários?

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  22. Anónimo9/1/15

    a censura a<os comentários já começou

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  23. Do melhor que li acerca do assunto

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  24. "Nos anos 80, no Afeganistão, as mulheres andavam de mini-saia, conduziam, estudavam e levavam uma vida dentro do que se pode considerar a normalidade dita ocidental. Os Estados Unidos financiaram, treinaram e armaram os talibãs e afogaram o país na Idade Média" . Entre um e outro facto não se passou nada de importante, claro . Homem , diga alto e de uma vez por todas que a culpa é dos Americanos.

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  25. Anónimo9/1/15

    Caro anónimo das 8 e 42:

    Provavelmente exprimi-me mal.

    Citei onze dos doze executados no Charlie Hebdo. Faltou nomear Ahmed Marabet, de 42 anos,polícia,que foi a 12.ª vítima mortal, já fora do edifício.

    E nomeei em particular Georges Wolinski, o único de resto de que conhecia alguma coisa do seu trabalho, já desde os tempos da Hara-Kiri.

    Wolisnki que "durante décadas, foi um dos raros desenhistas a combater o anticomunismo, o anti-sovietismo e a defender com coragem Cuba socialista:"

    Um Homem de resto que era o presidente honorário de Cuba Si France.,um Homem assumidamente de esquerda.

    "As vítimas das guerras são sempre os mesmos. Os trabalhadores e os povos que enchem rios de sangue para ilustrar o extremismo religioso que alimenta o fanatismo e abre caminho ao imperialismo. Foi sempre assim".

    O resto é (re)ler o resto do post do Bruno

    De

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  26. Anónimo9/1/15

    Errata - "Esses princípios são os verdadeiros inimigos do imperialismo, do fascismo, do comunismo e do extremismo religioso."

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  27. Anónimo10/1/15

    A errata do anónimo está errada?
    Ou a insistência do anónimo é que está?
    Talvez seja o anónimo que o esteja, mesmo sem errata?

    Oh cruel dilema... que dizer quando um desvalido qualquer teima em fazer equivaler o que é diametralmente oposto?

    É uma chatice quando a idiotia atinge uma ignorância tal que nem sequer permita que se saiba o que é o imperialismo, o fascismo, ou mesmo o extremismo religioso.
    Do comunismo é natural porque o raciocínio está embotado. De tal forma que não se importa de alardear a ignorância tosca perante tamanha ignorância das ideologias.
    Ou será outro o motivo?

    O tentar replicar uma velha equivalência nascida em vários antros, entre eles os das caves dos hayeks de ocasião, é uma marca de água. O que verdadeiramente chateia tais tipos é que a realidade desmente a ficção que querem impor

    A reprodução do quadro maniqueísta proposto ou imposto pela ideologia dominante. não corresponde de forma alguma à verdade histórica, mas apenas à necessidade política e ideológica das classes dominantes e exploradoras de fazer calar toda a oposição de peso.
    Eis porque repetem estes estribilhos.

    Não é tempo nem lugar para discutir um pouco mais profundamente a provocação postada pelo anónimo em género do toca e foge.

    Mas citemos só um exemplo perfeitamente actual dando a palavra a Domenico Losurdo:

    "Assiste-se a um ataque contra o Estado social e ao seu desmantelamento: toda a gente percebe isso. Pelo contrário, é menos evidente um fato para o qual gostaria de chamar a atenção: o ataque contra o Estado social não é determinado em primeira mão pelas compatibilidades econômicas, pela necessidade da economia, porque falta o dinheiro (entenda-se). Recordemos que um dos patriarcas do neoliberalismo (que chegou a ser coroado com o prêmio Nobel de economia), Friedrich August Von Hayek, declarava, por altura dos anos 70 do século passado, que os direitos socioeconômicos (exatamente os que são protegidos pelo Estado social), eram uma invenção que ele considerava catastrófica: eram resultado da influência exercida pela “revolução marxista russa”. E apelava, pois, para a libertação dessa herança maléfica. Percebe-se assim que, o desaparecimento do desafio que a União Soviética e um campo socialista forte representavam, correspondeu e continua a corresponder cada vez mais ao desmantelamento do Estado social."

    Eis um breve exemplo da necessidade de desinformação constante por parte de.
    Sabe-se onde está o inimigo e este é o alvo a abater. Por exemplo a tentativa de apagar da memória histórica o gigantesco e múltiplo processo de emancipação saído da Revolução de Outubro também faz adivinhar que têm receio. Receio que a História não tenha acabado onde eles esperavam que acabasse

    A História não aceita erratas feitas a partir de tais antros

    De

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  28. Anónimo10/1/15

    Fico lisonjeado com tantas palavras escritas em minha honra, no entanto, por me encontrar em época de exames da faculdade e com muita pena minha não poderei ler. Mais uma vez obrigado e bom fim de semana :)

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  29. É sempre aliciante passar por estas bandas. Aqui presta-se informação de muito boa qualidade.

    Isso desagrada as hienas sociais na medida em que preferem “alimentos” putrefactos.

    Obrigado Bruno.

    Continue.

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  30. É verdade Bruno aquilo que escreve sobre o Afeganistão.

    O Afeganistão progressista era um país laico, não estava submetido ao fanatismo religioso como atualmente.

    Houve uma mudança radical com a emancipação da mulher, situação que aconteceu pela primeira vez na sua história milenar.

    Era-lhes permitido exercer o mesmo tipo de atividades dos homens. Durante esse curto período dos governos de orientação progressista foi abolida oficialmente a descriminação no trabalho e em todas as atividades sociais.

    O pais conseguiu dar um grande salto em frente com as medidas sociais e politicas implementadas, mesmo vivendo num clima de guerra e terror.

    Às raparigas era-lhes permito frequentar as mesmas escolas as mesmas universidades dos rapazes, conviviam lado a lado sem qualquer tipo de exclusão , centenas senão milhares de jovens saíram do país para frequentar centros de ensino noutros países (em particular nos países Socialistas).

    O imperialismo na ansia do domínio global destruiu criminosamente todas essas conquistas, transformando esse país no maior campo de concentração de mulheres.

    Por todas essas negras realidades hoje o Afeganistão como o Bruno diz e muito bem regrediu aos tempos medievais a ponto de ser considerado o país mais inseguro e atrasado do mundo, no Indice de Maplecroft o Afeganistão encontrasse em primeiro lugar no risco de carências alimentares.

    No entanto o cultivo de papoilas e por conseguinte a produção de ópio aumentou milhares de vezes debaixo do olhar dos ocupantes da NATO.


    Perante tudo isto houve um provocador que ainda teve o atrevimento de dizer que os Soviéticos tentaram colonizar o Afeganistão. Fossem capazes os imperialistas de levar esse tipo de colonização aos países Africanos , de certeza absoluta que não aconteciam as tragedias do Mediterrâneo.

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