4 de Fevereiro

4.2.14

Assinalam-se hoje, 4 de Fevereiro, os 53 anos do início da luta armada em Angola e, consequentemente, o início da guerra colonial ou guerra de libertação.

Em boa verdade, a resistência à ocupação terá começado no dia em que os portugueses pisaram o território que hoje é Angola, em 1484. Foram quase 5 séculos de conflitos permanentes: quando os portugueses perceberam que não encontravam ouro no curso do rio Cuanza resolveram explorar uma outra riqueza, a força de trabalho. Calcula-se em cerca de 3 milhões os homens e mulheres arrancados à sua terra e transportados à força para o outro lado do Atlântico. Muitos morreram nos porões do barcos. Só depois da abolição da escravatura é que os portugueses iniciaram a exploração para o interior de uma terra que diziam sua. Em 1890, a Inglaterra faz um ultimatum a Portugal. Em causa estava a disputa de um vasto território que nenhum dos estados conhecia. Só em 1905 é que os portugueses conseguem pisar as fronteiras orientais de Angola. A partir daqui intensifica-se exploração de novos recursos, sobretudo do petróleo e dos diamantes.

Esta é a história de Angola, mas pode bem ser a história de todos os povos que viram as suas terras ocupadas e exploradas, a sua dignidade violada e as suas energias sugadas até à exaustão. Esta história continua infelizmente a repetir-se, sempre mascarada de intenções libertadoras: desde a libertação do pecado com o trabalho escravo até às modernas libertações de ditadores à lei da bomba, o inferno são sempre os outros, a insídia nunca é assumida.

Independentemente do caminho feito pelos angolanos desde o 4 de Fevereiro de 1961, independentemente da nova forma de colonialismo que impera naquele país, independentemente do curso político que foi traçado, a luta pela independência vale sempre a pena.

Deixo-vos aqui um texto do meu livro da 2ª classe, um livro publicado 3 anos depois da independência.



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  1. Desde 1484 que o povo angolano - tão unidos que eles eram! - ficaram sob a dominação portuguesa.
    A ocupação militar só ocorre passados 400 anos, e quando se libertaram quanto sofrimento até ficarem sob o domínio da plutocracia de Luanda!
    Nada como invocar anacronismos para fazer brilhar o que é opaco e sujo!

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  2. Recordei também a data, porque me fizeste lembrar que a tinha citado, num livro de memórias de factos, afectos e medos... obrigado

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  3. Anónimo5/2/14

    "Tão unidos que eles eram?"
    O que significará rigorosamente esta frase?
    Ainda sobram colonialistas que têm por bem a superioridade rácica para justificar a supremacia colonial?Ou agora a treta passa entre a agulha da "putativa "desunião"?
    Mas a sujidade que o José apregoa continua de facto a reflectir-se no que este escreve.O "anacronismo " parece ser uma bacoca tentativa de "esquecer" a escravidão, o sofrimento, a morte que os colonos infligiram aos que habitavam aquele território.
    Tal como essa espécie de lástima do José perante a libertação do jugo colonial. Parece que a pata do colonialista quer-se estender ainda para lá da independência.É um anquilosamento notável.e uma intromissão contínua nos assuntos internos de outros povos.Uma pecha herdada de conceitos xenófobos.Uma prática com raízes imperiais.Um mundo que devia ter desaparecido e que surge na mitomania de saudosistas do império.
    Apodrecem sem qualquer brilho e com a sujidade própria dos exploradores dos povos.
    De

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  4. Subscrevo inteiramente o comentário anterior. E acrescento:
    1- Não me refiro em lado nenhum que em 1484 se poderia falar de um povo angolano. Eram vários os povos que se estabeleceram ao longo dos séculos naquele território. Era, no entanto, maioritário o povo Ndongo, cujo rei era Ngola Kiluanje (título que os portugueses confundiram com a própria terra). E também é um facto que os vários povos do território uniram-se, por diversas vezes, contra o colonialismo português;
    2- É falso que a ocupação militar só tenha ocorrido 400 anos depois. Os conflitos militares ao longo das povoações mais a litoral, as guerras de kuata-kuata (para captura de escravos) e o estabelecimento de presídios, estão bastante documentados;
    3- A própria guerra civil foi profundamente alimentada pelos interesses estrangeiros na exploração dos recursos naturais. o regime do Apartheid procurou por diversas vezes ocupar Angola (tal como tinha feito com a Namíbia) e os EUA armaram os terroristas "cipaios" de Savimbi;
    4- Anacrónico é defender o colonialismo numa época em que a nossa própria soberania se esvai como areia entre o dedos. Anacrónica é a visão anti-histórica do José;
    5- O que é opaco e sujo (e que existe) jamais suplantará o que brilha (esta luta dos povos pela emancipação).



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