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A pós-verdade da Venezuela

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Quando se vive – isto é, quando se forma opinião – sobretudo a partir de artigos do Observador, do Expresso ou do Público – quando não apenas dos títulos – é-se “apanhado” muito facilmente naquilo a que tecnicamente se chama “fazer figura de parvo”. É o que muito tem acontecido a quem, por estes dias, tem levantado especiais brados pelo “caos” na Venezuela e se enche dos sentimentos de “pena” e "piedosa comoção" pelo povo do país. É aquele travozinho burguês, chique, enjoativo, quando não de nojo, que tão bem conhecemos, de gente que “acha mal” que a oligarquia corrupta da Venezuela não possa voltar ao seu glorioso passado de muito “progresso” e “prosperidade”, na sempre eterna “esperança” de um belo dia do horizonte “criar muitos empregos” para aqueles “pobrezinhos descalços”.

Colômbia

sábado, 24 de setembro de 2016

A concretização do acordo de paz entre o estado colombiano e as FARC-EP é um acontecimento de ímpar importância na história da Colômbia, da América Latina e do continente Americano.

Se a paz se concretizar efectivamente, se as palavras escritas em papéis corresponderem à efectiva acção das partes, o conflito colombiano - que teve início em meados dos anos 60 - poderá reorientar-se para formas de luta não armada, o que de forma alguma significará a rendição popular perante o narco-Estado colombiano, assente sobre três pilares fundamentais: as oligarquias pós-feudais, em parte ligadas ao narcotráfico; os grupos armados paramilitares, responsáveis pela perseguição, tortura e execução de milhares de militantes de partidos de esquerda e estruturas sindicais e de camponeses; a fortíssima ligação ao imperialismo norte-americano, que encontra nas elites colombianas um dos mais fiéis aliados na região.

Luta contra a Direita na América Latina

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A luta entre a reacção e as forças do progresso social vive momentos intensos na América Latina.

Amanhã Dilma Rousseff será provavelmente afastada formalmente do cargo de Presidente do Brasil por Senadores (esses sim) corruptos, oportunistas e irresponsáveis, ao serviço da burguesia nacional e estrangeira. A frontalidade exemplar de Dilma perante os acusadores contrastou com o medo do presidente interino, Michel Temer, em ser apresentado durante a cerimónia de apresentação dos Jogos Olímpicos. A acusação de golpe de estado não é mera retórica: a direita brasileira não tendo conseguido derrotar o PT nas urnas, usa acusações juridicamente insuficientes para um processo de impeachment – com o apoio dos media e manifestações reaccionárias – para afastar Dilma, e imprimir um processo acelerado de retrocesso social.