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A UE, a Hungria e as duas faces da mesma moeda

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A votação de ontem no Parlamento Europeu, sobre a Hungria, abriu uma nova frente de ataque ao PCP, despoletada pela forma como o voto do PCP é anunciado nas notícias. E, como vícios antigos não se perdem, mesmo apesar do verão passado, dirigentes do Bloco acusam o PCP de estar ao lado dos fascistas. Mas, em boa verdade, o que menos me preocupa são os tiquezinhos dos dirigentes do Bloco. Bem mais grave é a manipulação que fazem e em que embarcam.

Ora vejamos: a argumentação falaciosa é que a votação de ontem no PE não impõe sanções económicas ou políticas à Hungria, abre sim os procedimentos do artigo 7.º do Tratado de Lisboa. E é verdade. Só que este artigo abre os procedimentos dos artigos 7.1 e 7.2, onde surgem as possibilidades de imposição de sanções políticas e económicas à Hungria. Recuando no tempo e recuperando outras votações, se pegarmos naquela que dizia respeito à abertura do espaço aéreo da Líbia, recordemos que para Rui Tavares e para o Bloco, esta não significava uma intervenção militar naquele país. Percebemos, mais tarde, a ingenuidade de alguns. É que foi a sua aprovação que levou ao resultado que todos conhecemos naquele país.

O delírio "europeu"

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O parlamento europeu discutiu recentemente uma resolução sobre medidas a adoptar pela "Europa" (leia-se, pela União Europeia) contra alegada propaganda russa contra "os valores europeus" e "a democracia liberal". Num debate feito à sombra do progressivo colapso "da Europa", uma boa parte dos eurodeputados optaram por justificar a desconstrução em curso da União Europeia com um dedo apontado aos inimigos externos, com a Rússia em primeiro plano.

Nos Estados Unidos o discurso é semelhante, com uma parte dos "liberals" do Partido Democrata a acusar a Rússia de ter procurado influenciar e manipular os resultados das eleições que, através de um pervertido e obsoleto sistema eleitoral, colocaram Donald Trump, o segundo candidato mais votado, na presidência federal. Nenhuma prova concreta, para lá dos soundbytes mediáticos, foi até ao momento apresentada relativamente às acusações formuladas.

Uma pipa de chantagem

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Em Julho de 2014 o então presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio a Portugal anunciar 26 mil milhões de euros de fundos comunitários para apoiar Portugal e a sua economia. Nessa altura referiu-se aos "apoios" comunitários como "uma pipa de massa", e prescreveu uma mordaça àqueles que "dizem que UE não é solidária". Acontece que dois anos passaram, Barroso alcançou a reforma dourada no polvo financeiro norte-americano Goldman Sachs, e a "pipa de massa" comunitária passou a ser uma arma de chantagem da burocracia de Bruxelas contra Portugal e o tímido exercício de soberania que inverteu algumas das muitas malfeitorias levadas a cabo pelo governo PSD/CDS entre 2011 e o fim de 2015.

O último episódio desta novela de mau gosto e piores interpretes parece ter como protagonista o vice-presidente da Comissão, de sua graça Valdis Dombrovskis. De acordo com o Expresso online, o senhor Dombrovskis terá afirmado no final da reunião do ECOFIN que "a questão da suspensão parcial de fundos estruturais e de investimento para Portugal e Espanha, que está a ser discutida entre o Parlamento (Europeu) e a Comissão, vai depender, em larga medida, das propostas dos Governos de Portugal e Espanha para os orçamentos do próximo ano", o que na prática significa apenas e tão somente isto: a União Europeia penalizará com suspensão de fundos qualquer decisão soberana de Portugal e das suas instituições que fure o dogma que desde há longa data impera nos corredores e nos gabinetes de ex e futuros banqueiros.