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Fascismo americano: as raízes de uma nação sob deus*

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Ao avesso do tradicional ramerrão eleitoral da direita portuguesa que, de quatro em quatro anos, prega um discurso tacticamente moderado nos mais empedernidos candidatos conservadores, a antecipação do escrutínio presidencial estado-unidense dá azo a uma invulgar competição de reaccionarismo entre os dirigentes do Partido Republicano.

Ao passo que para o PS, PSD ou mesmo CDS-PP, um acesso de frontalidade equivaleria a cometer harakiri político, nos EUA, os homens que se perfilam para a nomeação republicana assumem as mais virulentas declarações de guerra ao progresso como um trunfo mediático.

O implacável rugir do motor da História

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Implacável. Ainda mal arrefeceu o corpo da União Soviética e já o edifício do capitalismo europeu mostra brechas em todas as paredes: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que insiste em empurrar a Grécia para fora do euro à bruta, já choca com a chanceler Angela Merkel, que teima em fazer do povo helénico um engenho de escravos moderno, que por sua vez choca, aliás à guisa de todas as grandes guerras europeias, com a posição francesa, que já teme pelas consequências políticas de desligar a ficha do doente terminal, que não é a mesma da Comissão Europeia, que aposta forte num resgate usurário comparticipado por toda a UE, que choca com os interesses do capital britânico, que não quer o mesmo Euro que o Syriza deseja, que por seu turno foi partido ao meio, como as águas do Mar Vermelho, as esperanças do Bloco de Esquerda ou a coerência do Podemos, que também já veio dizer que não quer renegociar coisíssima nenhuma.

A cultura de Rui Tavares, o barão trepador

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Em O Barão Trepador, de Italo Calvino, um jovem aristocrata trepa a uma árvore e recusa descer novamente à realidade. Rui Tavares, trepador de outras árvores de não inferior baronia, escreveu este artigo no Público, em que explica que a Europa não consegue sair da crise por culpa desta estúpida cultura de divisão, que vira os povos contra a Merkel, o Schaeuble e os seus banqueiros.

Contra o sectarismo

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ao longo do fio ideológico do movimento comunista internacional (MCI), os desvios de esquerda e de direita contra a ciência do marxismo-leninismo correspondem invariavelmente a passos atrás na batalha das ideias que acompanham as convulsões naturais da luta de classes, varando contudo o movimento operário de crespos espinhos, por vezes com a profundidade de vários séculos.

Muito antes de Lénine cunhar o termo «esquerdismos» já se verificava, mais propriamente desde o embate entre Marx, Lassalle, Bakunine e quejandos, que os desvios reformistas, esquerdistas ou sectários eram indestrinçáveis da influência da burguesia. O impacte dessa influência, ora agindo ingenuamente ora sob os desígnios calculados do capital, varia em função da robustez e flexibilidade ideológica do movimento comunista perante os avanços e recuos da guerra de classes. Quer isto dizer que nem todos os desvios revolucionários nascem das maquinações dos capitalistas, muito embora a sua capacidade de afectar o rumo da História dependa sempre da força e preparação política do partido de vanguarda da classe operária.

A importância de se chamar Socialista

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

É verdade que quando alguém se intitula alguma coisa, por princípio devemos respeitar esse título. Cada pessoa pensa como pensa e sobre isso não há discussão. Mas também é verdade que há pessoas que produzem pensamento e pensamentos com base em pressupostos historicamente e factualmente errados. Apesar de um mesmíssimo facto servir, por vezes, para corroborar teses opostas, há factos que não se prestam a interpretações tão abertas e a leituras tão maleáveis. A estas pessoas, talvez tenhamos de chamar à atenção, talvez tenhamos de lhes dizer de forma franca e aberta que elas não são o que pensam que são.

Vem isto a propósito do "pragmático, reformista e republicano" primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Defende Valls que o Partido Socialista Francês talve tenha que mudar de nome. Deixar cair o Socialista. Aplaudo a atitude, escusamos assim de lhe bater à porta e avisá-los que já não são mesmo o que pensam que são.

O ABC da desinformação: Alienação, Boçalidade e Conspiração

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tom Pettitt, um académico da Universidade do Sul da Dinamarca, resume a dificuldade de controlar a informação na era das comunicações digitais com a teoria do Parênteses de Gutenberg, que defende que após uma excepção impressa, com a duração de quinhentos anos, no modo tradicional de partilha da informação, estamos a regredir para uma comunicação de natureza oral, narrativa, fluída e em rede, mais semelhante às histórias contadas à volta da fogueira que ao livro impresso.

Com efeito, à medida que o capitalismo recua o mundo à sua fase civilizacional bárbara, a informação parece também regredir em vários sentidos. Sendo que o principal inimigo do jornalismo hodierno é o processo de concentração dos meios de comunicação social nas mãos de meia dúzia de capitalistas, prejudicando simultaneamente a liberdade relativa do jornalista e a qualidade do seu trabalho, outros fenómenos anti-democráticos e igualmente prejudiciais à nossa compreensão do mundo têm merecido menos atenção da esquerda.

A Ocidente nada de novo

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O termo Ocidente está hoje na boca de todos, dos fanáticos salafistas aos imperialistas norte-americanos, passando pela esquerda europeia e pelos burocratas de Bruxelas. Porém, é utilizado quase sempre numa acepção coloquial, como que para descrever alguma coisa tão visível e evidente que dispensa automaticamente perguntas e explicações. Contudo, o Ocidente não é de todo fácil de identificar e definir. O que haverá de mais ocidental que os Direitos Universais do Homem ou o Santo Ofício, os campos de concentração e a liberdade? Ao longo de períodos históricos tão irreconciliáveis como o Renascimento e a Idade Média, o Ocidente foi disperso pelo mundo, elogiado e vilipendiado. O seu significado parece ter-se transformado em tudo e dissolvido em nada.

Quem é Joseph Hamann?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O João Labrincha, do velho 5dias, publicou um excerto de uma entrevista a Karl Marx em que o revolucionário alemão diz isto. Aparentemente, nem o João nem o Karl gostam de sindicatos controlados por partidos. Por mim tudo bem. Até podia responder com outra citação, esta do Álvaro Cunhal, em que o revolucionário português afirma que:

"A natureza de classe, a autonomia e a democracia interna são os factores que melhor podem assegurar a unidade do movimento sindical unitário". e que "segundo alguns, o mal dos males do movimento sindical português é o que chamam "a partidarização dos sindicatos". (...) Para sermos claros (...) a acusação de "partidarização dos sindicatos e "hegemonização partidária" referes-e ao PCP e à grande influência dos comunistas no movimento sindical unitário português. (...) A Influência dos comunistas no movimento sindical não resulta de qualquer imposição ou ingerência partidária. Resulta, em termos históricos, do papel que os comunistas tiveram na organização e dinamização da luta dos trabalhadores e nas organizações e luta luta de carácter sindical nas duras condições de repressão fascista durante dezenas de anos. Resulta do papel (...) dos comunistas (...) na criação e actividade da CGTP-IN. Resulta (não de imposições externas e muito menos da vontade que alguém teria que intervenções de topo impedissem a expressão da vontade das bases) da confiança que os trabalhadores têm continuado a depositar nos seus companheiros comunistas (...)"

Podia também responder ao João Labrincha da minha própria pena e explicar-lhe o que acho sobre a citação de Marx. Mas não o vou fazer, porque Marx nunca disse nada disto e a entrevista é, tudo indica, inventada. O entrevistador, um tal Joseph Hamann, é uma figura mistério da bibliografia marxista: A sua entrevista a Marx, apenas citada em publicações duvidosas, é a única coisa que se sabe sobre a sua vida. De resto, não há quaisquer razões para acreditar que o Sr. Hamann tenha alguma vez existido ou que Marx alguma vez tenha dito tal coisa.

Do sonho à ilusão, do projecto à estagnação

quarta-feira, 19 de março de 2014

O anúncio de um punhado de notáveis que assinou um documento com o nome claramente inspirado no nosso belogue colectivo, principalmente quando é uma espécie de versão desvitaminada da reivindicação do PCP que se converteu em reclamação de massas sobre a renegociação da dívida, suscitou-me alguns pensamentos. Principalmente porque há um contraste fundo entre o que dizem os comunistas e o que dizem os subscritores do dito manifesto das 70 personalidades (como veio a ser referido quase elevado a programa político) e porque esse contraste mereceu reflexo na dimensão mediática de cada fenómeno.

Se, por um lado, a renegociação da dívida dos comunistas é uma espécie de projecto inaplicável, um delírio esquerdista e radicalista, já a renegociação da dívida nos termos propostos pelos subscritores do dito texto é algo que, nas palavras dos partidos que suportam o Governo, tem vindo a ser feito com naturalidade ao longo das avaliações da troica.

5 razões para ser leninista em 2014

sexta-feira, 7 de março de 2014

Desde a morte de Engels que o leninismo é a mais radical, coerente e incendiária adenda à doutrina marxista. O contributo de Lenine não foi edificativo para que o operariado assimilasse e aplicasse a obra de Marx, foi também o inspirador da primeira revolução desde a Comuna de 1871 a acabar com o capitalismo e a instaurar o socialismo. Nos nossos dias amargos de miséria, quando os tambores da guerra voltam a ribombar em todos os continentes, cabe aos marxistas e a todos os revolucionários prestar especial atenção aos fundamentos do leninismo. Afinal ele é, comprovadamente, o mais eficaz dos guias para destruir o capitalismo que diariamente destrói a humanidade.

Abaixo, ficam cinco conceitos com que os leninistas continuam a ser, em 2014, os revolucionários mais temidos e malqueridos pela grande burguesia de Kiev a Lisboa.

como dois mundos

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Mas não existe só o poder; existe também uma oposição ao poder. Em Itália essa oposição é tão grande e tão forte que ela própria também é um poder: refiro-me naturalmente ao Partido Comunista Italiano(PCI). Não há dúvida de que neste momento a presença na oposição de um grande partido como o PCI é a salvação de Itália e das suas pobres instituições democráticas.

O PCI é um país limpo dentro de um país sujo, um país honesto dentro de um país desonesto, um país inteligente dentro de um país idiota, um país culto dentro de um país ignorante, um país humanista dentro de um país consumista.

Nestes últimos anos entre o PCI -entendido num sentido autenticamente unitário - um compacto "conjunto" de dirigentes, base e votantes - e o resto da Itália, cavou-se um abismo: e é essa a razão pela qual o PCI se tornou precisamente um "país separado", uma ilha. E é por isso mesmo que ele hoje pode manter relações estreitas como nunca com o poder efectivo, corrupto, inepto, degradado: mas trata-se de relações diplomáticas, quase de nação para nação. Na realidade as duas morais são incomensuráveis, entendidas na sua consistência, na sua totalidade."

Pier Paolo Pasolini in Corriere della Sera, 14 de Novembro de 1974

Sobre a pobreza em tempos de caridadezinha

domingo, 8 de dezembro de 2013

Li no mural do facebook de alguém que entre o Orçamento do Estado e as medidas de ataque aos trabalhadores da Administração Pública já o «Guião para a reforma do Estado» vai no adro. E que verdade tão verdadeira.

Entre promessas de alteração da Constituição e a sua alteração diária via medidas orçamentais e leis ordinárias, muitos dos direitos são já subvertidos e a CRP perigada e reconfigurada. Hoje já um em cada quatro portugueses está em situação de carência alimentar.

A luta pela Natureza é a luta pelo Socialismo - 2007

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Não passa um dia que não vejamos umas poucas centenas de jovens ecologistas preocupados. Ultimamente até mesmo as empresas, as grandes companhias, corporações e grupos económicos dinamizam campanhas supostamente ecologistas.

De facto, regista-se uma destruição da Natureza a um ritmo alucinante, provavelmente com impactos diferentes dos que nos querem fazer crer, mas bastante mais visível do que outrora. Mais visível, porque o capital descobriu na publicidade da devastação ambiental um novo filão comercial e porque hoje a informação circula a uma velocidade e permeabilidade significativamente superiores quando comparadas com outras alturas da história do capitalismo.

NerDialecticals

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

No contexto dos paradoxos de Zenão, o caminhante nunca chega ao destino e Aquiles nunca ultrapassa a tartaruga, porque os intervalos de tempo, a continuidade do tempo (independentemente do que a explique) e a independência de referenciais são distorcidos ou desrespeitados para suportar a tese.

Pela mesma lógica, uma bola de chumbo largada do topo de um edifício nunca atingirá o chão.
Mas a realidade diz-nos que o chão, ou o que quer que no final do trajecto da bola em queda esteja, não ficará bem tratado.