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Rayo digno [actualizado com um post-scriptum]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O barulho das luzes, o som dos euros em movimento e a doentia fixação das massas adeptas nos resultados das suas equipas, que lhes garantem periódico consolo para vidas de trabalho trucidadas pela desigualdade e pela exploração capitalista, impedem muitos de compreender que as "SAD" nasceram do seio dos clubes, e que os clubes nasceram no seio de comunidades, representando digníssimas formas de associativismo popular que se foram modificando e, de certa forma, corrompendo ao longo do tempo. É por isso com comoção que de tempos a tempos dou de caras com actos de profunda dignidade e regresso aos valores fundamentais dos emblemas, entretanto transfigurados em "marcas" e, nalguns casos, sociedades cotadas em bolsa.

O Rayo Vallecano é um pequeno clube madrileno, emblema maior do bairro de Vallecas, baluarte durante longos anos da orgulhosa classe operária da capital espanhola. Enfrentando as dificuldades reservadas aos pequenos clubes sediados em cidades onde gigantes comerciais e financeiros absorvem atenções, recursos e favores, o Rayo acabou por ser vendido em 2011 a um empresário que capturou, beneficiando das circunstâncias do emblema de Vallecas, a quase totalidade das suas acções. Acontece que, contrariamente ao que muitos previram, o Rayo não perdeu identidade. O povo de Vallecas tem resistido duramente a sucessivas tentativas de transformação do Rayo - a alteração do emblema do clube foi um dos exemplos mais simbólicos e significativos -, não deixando de manifestar permanentemente as suas posições sobre a vida da equipa de futebol profissional. É o que acontece nos dias que passam relativamente à contratação (por empréstimo) do ucraniano Roman Zozulya.

27 de Janeiro, dia Internacional em memória das vítimas do nazi-fascismo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Em "A indústria do Holocausto" (cuja tradução para português se encontra disponível no catálogo da Antígona), Norman Finkelstein, judeu e filho de sobreviventes do tristemente célebre Gueto de Varsóvia, denuncia a forma como a elite sionista se apoderou do holocausto nazi e o transformou no Holocausto Judaíco (o "Shoah")* em benefício dos seus interesses e em prejuízo da memória de todas as vítimas da política genocida do III Reich alemão contra diferentes grupos étnicos, religiosos e políticos. Neste dia 27 de Janeiro de 2017, quando passam 72 anos sobre a entrada do Exército Vermelho no complexo de trabalho escravo e extermínio de Auschwitz-Birkenau, opto por lembrar todos os seres humanos directa e indirectamente vitimados pelo holocausto nazi-fascista, juntando a minha voz à de Finkelstein. O Holocausto nazi não perseguiu e assassinou apenas judeus; e por isso, isolar os judeus de todos os restantes grupos étnicos, políticos, religiosos e sociais não é apenas desonesto: é uma certa forma de segregação desprovida de sentido, a não ser para aqueles que vêem no Holocausto um pretexto para a justificação de políticas de ocupação, agressão e segregação no Médio Oriente. Não, o nazi-fascismo não vitimou "apenas" seis milhões de seres humanos, nem perseguiu apenas judeus dispersos pela Europa. Lembrar apenas uns em detrimento de outros é uma certa forma de esquecimento, indesculpável no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

O SMN, a TSU e a "visão de futuro" dos patrões para um novo século XIX

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Nuno Carvalho, sócio-gerente da marca Padaria Portuguesa, falou à SIC Notícias sobre a questão do aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) e a eventual descida da TSU. Aquilo que disse já foi motivo de grande alvoroço público, coisa que me espanta na medida em que o "empreendedor" entrevistado não refere nada que não tenha sido dito por outros seus compadres antes e seguramente depois da sua muito comentada intervenção pública.

O que me parece particularmente interessante é o facto de Nuno Carvalho não se ter referido à questão do aumento do SMN, preferindo deter-se noutras matérias que quem acompanha os processos de negociação sabe que são aquelas verdadeiramente relevantes para uma fatia importante dos patrões: a flexibilização da legislação laboral, nomeadamente ao nível da precarização das formas de contratação, liberalização dos despedimentos e desregulação dos horários de trabalho. Sempre acenando com a cenoura na ponta da cana: a ideia de que mais "flexibilidade" (leia-se precariedade) promove mais produtividade e "permite aos colaboradores ganharem mais dinheiro à medida que os negócios evoluam". A Padaria Portuguesa, que hoje tem uma loja em cada esquina da cidade de Lisboa, é bem a prova de que as coisas não funcionam assim; e os casos em que relações laborais precárias e melhor distribuição de rendimentos se compatibilizam são quanto muito raríssimas excepções que confirmam a regra oposta.

Lumumba, 56 anos depois

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Passam hoje 56 anos sobre a data da execução de Patrice Lumumba às mãos dos golpistas de Mobutu e Moïse Tshombe, apoiados pelos Estados Unidos da América e pela ex-potência colonial, a Bélgica. A sua captura e humilhação pública, seguida de execução às escondidas do povo congolês, são acontecimentos profundamente marcantes na história universal do século XX, com consequências que ainda hoje se fazem sentir num continente onde o neocolonialismo se mantém como a forma de governo de uma parte das ex-potênciais ocupantes sobre os povos africanos. Para a história ficou a brutalidade cobarde das forças golpistas e a cumplicidade de norte-americanos e belgas, contrastando com a imensa dignidade de Lumumba, de apenas 35 anos, que às mãos dos seus carrascos nunca mostrou qualquer sinal de medo.

O SMN e o PS a ser PS

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Ao chegar a acordo com as organizações patronais (CEP, CCP e UGT) relativamente a um aumento do SMN pago pelos próprios trabalhadores através do orçamento da Segurança Social, o governo do PS não se limita a concretizar um acordo insuficiente no valor e errado na forma; o acordo viola igualmente, de forma explícita e inequívoca, as chamadas posições conjuntas que o PS assinou com o PCP, o PEV e o BE. ("Não constará do Programa de Governo qualquer redução da TSU das entidades  empregadoras"). É bom que fique anotado para não haver equívocos no futuro sobre quem começou a dinamitar por dentro do suposto "governo de esquerda".

"White Helmets"

domingo, 27 de novembro de 2016

Um manequim logo no início da gravação, deitado no chão, à direita (quase passando por um ser humano vitimado pela guerra). Vários manequins empilhados na traseira de uma carrinha de caixa aberta, na parte final da gravação. É esta, a credibilidade dos "White Helmets".

Fidel e eu
[texto originalmente publicado a 22.03.2016]

sábado, 26 de novembro de 2016

A visita oficial do presidente dos Estados Unidos da América a Cuba é um momento particularmente sensível no debate político e ideológico no plano nacional e internacional. Contra os comunistas portugueses, por exemplo, são arremessadas as velhas e gastas acusações de sempre, todas elas enganosas e aldrabadas, todas elas desmascaradas pela realidade.

Este post não tem como objectivo rebater nenhuma das fantasias alucinadas dos e das aprendizes de Márcia Rodrigues que ao longe vêem uma realidade desfocada pela desinformação ou por reaccionária miopia. Que fiquem com a opção aplicável, ou com as duas, que bens desta natureza têm valor de mercado neste decrépito capitalismo de início de milénio. O propósito é outro e declaro-o sem rodeios: lembrar Fidel e a sua importância na minha vida.

O delírio "europeu"

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O parlamento europeu discutiu recentemente uma resolução sobre medidas a adoptar pela "Europa" (leia-se, pela União Europeia) contra alegada propaganda russa contra "os valores europeus" e "a democracia liberal". Num debate feito à sombra do progressivo colapso "da Europa", uma boa parte dos eurodeputados optaram por justificar a desconstrução em curso da União Europeia com um dedo apontado aos inimigos externos, com a Rússia em primeiro plano.

Nos Estados Unidos o discurso é semelhante, com uma parte dos "liberals" do Partido Democrata a acusar a Rússia de ter procurado influenciar e manipular os resultados das eleições que, através de um pervertido e obsoleto sistema eleitoral, colocaram Donald Trump, o segundo candidato mais votado, na presidência federal. Nenhuma prova concreta, para lá dos soundbytes mediáticos, foi até ao momento apresentada relativamente às acusações formuladas.

Almirante Kuznetsov na Síria

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Quando em 1989 as últimas tropas soviéticas abandonaram o Afeganistão, após uma década de operações de apoio à República laica e progressista que resistia como podia ao jihadismo feudal que pariu os Taliban, deu-se o início do fim da relativa paz em que vivia o povo daquele país martirizado por sucessivas invasões e guerras. O exército afegão foi ainda capaz de resistir até 1992, quando a substituição de Mohammad Najibullah e a tomada de posse por parte de um governo de transição constituiu o momento de transição de uma tragédia que teria mais desenvolvimento alguns anos mais tarde, quando em 1996 os Taliban tomaram Cabul e, num gesto de consumação da sua vitória total sobre os últimos vestígios da sua antiga República Democrática, capturaram, torturaram e executaram Najibullah e o seu irmão, que se encontravam sob protecção das Nações Unidas.

Para muitos, o envolvimento da URSS na guerra afegã - participação que, tal como hoje com a Rússia na Síria, aconteceu a pedido das autoridades afegãs - continua a ser percepcionada como uma "invasão" reactiva face ao fortalecimento de grupos armados islamitas, à época designados como "Mujahideen". A retirada de 1988-1989 foi em larga medida a consequência de uma imensa campanha política e mediática, que apresentava o "urso" russo estrangulando o frágil vizinho afegão, cujo povo se limitava a resistir e combater pela sua liberdade...

"Rebeldes"

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Com o "Estado Islâmico" a desaparecer a alucinante velocidade das notícias que por cá passam sobre a Síria, a expressão "rebeldes" (durante algum tempo caída em desuso e outrora usada no contexto da agressão contra a Líbia, que deixou o país à mercê do jihadismo transnacional) regressou em força às páginas dos jornais, noticiários radiofónicos e comentários televisivos sobre os mais de cinco anos de destruição absoluta daquele que foi um dos mais desenvolvidos e estáveis países da mais instável região do globo terrestre.

"Rebeldes" é uma designação propositadamente vaga, ainda que enquadrada numa narrativa mediática e política que visa apresentar aqueles que lutam "contra o regime de Assad" de forma inequivocamente benevolente. E no entanto, o que nunca nos é dito é quem são afinal os "rebeldes".

A última viagem de Lénine

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A Associação Cultural Não Matem o Mensageiro representa neste Portugal dominado por visões niilistas e mercantilistas da arte uma lufada de ar fresco, um regresso renovado a um teatro feito por gente comum para pessoas comuns, sem medo de assumir o comprometimento político e social que o contexto exige. Assim foi com a peça "Marx na Baixa" e depois com "Homem morto não chora". Agora o teatro politicamente comprometido volta à cidade com "A última viagem de Lénine", peça encenada por Mafalda Santos, com base no texto original de António Santos e interpretação de André Levy.

"A última viagem de Lénine" sugere-nos um cenário hipotético baseado numa última viagem do homem que liderou os bolcheviques russos naqueles dias de Outubro de 1917, com destino à cidade de Lisboa. Lénine desembarca de um comboio que circula com um atraso de 90 anos e 63 dias, e é na cidade que viu florescer a Revolução de Abril que procurará abordar aqueles com quem se vai encontrando.

Uma pipa de chantagem

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Em Julho de 2014 o então presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, veio a Portugal anunciar 26 mil milhões de euros de fundos comunitários para apoiar Portugal e a sua economia. Nessa altura referiu-se aos "apoios" comunitários como "uma pipa de massa", e prescreveu uma mordaça àqueles que "dizem que UE não é solidária". Acontece que dois anos passaram, Barroso alcançou a reforma dourada no polvo financeiro norte-americano Goldman Sachs, e a "pipa de massa" comunitária passou a ser uma arma de chantagem da burocracia de Bruxelas contra Portugal e o tímido exercício de soberania que inverteu algumas das muitas malfeitorias levadas a cabo pelo governo PSD/CDS entre 2011 e o fim de 2015.

O último episódio desta novela de mau gosto e piores interpretes parece ter como protagonista o vice-presidente da Comissão, de sua graça Valdis Dombrovskis. De acordo com o Expresso online, o senhor Dombrovskis terá afirmado no final da reunião do ECOFIN que "a questão da suspensão parcial de fundos estruturais e de investimento para Portugal e Espanha, que está a ser discutida entre o Parlamento (Europeu) e a Comissão, vai depender, em larga medida, das propostas dos Governos de Portugal e Espanha para os orçamentos do próximo ano", o que na prática significa apenas e tão somente isto: a União Europeia penalizará com suspensão de fundos qualquer decisão soberana de Portugal e das suas instituições que fure o dogma que desde há longa data impera nos corredores e nos gabinetes de ex e futuros banqueiros.

Marcelo, o moralista selectivo

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Marcelo, o político pós-político, tem dedicado boa parte da sua asfixiante presidência à proclamação de princípios gerais de uma ética redonda, com a qual todos (ou quase todos) estarão de acordo. Nas recentes comemorações do 5 de Outubro, retomadas depois de alguns anos de interrupção reaccionária, Marcelo optou por enviar recados à chamada "classe política", expressão mediática que procura meter no mesmo saco pessoas e organizações que na prática quotidiana não apenas representam ideias e comportamentos distintos, como o fazem em defesa de projectos políticos muito diferentes. Ora, o que Marcelo disse não levanta grandes objecções em praticamente nenhum sector da sociedade portuguesa. E por isso, o problema não é o que disse, mas antes o que fez e faz.

Colômbia

sábado, 24 de setembro de 2016

A concretização do acordo de paz entre o estado colombiano e as FARC-EP é um acontecimento de ímpar importância na história da Colômbia, da América Latina e do continente Americano.

Se a paz se concretizar efectivamente, se as palavras escritas em papéis corresponderem à efectiva acção das partes, o conflito colombiano - que teve início em meados dos anos 60 - poderá reorientar-se para formas de luta não armada, o que de forma alguma significará a rendição popular perante o narco-Estado colombiano, assente sobre três pilares fundamentais: as oligarquias pós-feudais, em parte ligadas ao narcotráfico; os grupos armados paramilitares, responsáveis pela perseguição, tortura e execução de milhares de militantes de partidos de esquerda e estruturas sindicais e de camponeses; a fortíssima ligação ao imperialismo norte-americano, que encontra nas elites colombianas um dos mais fiéis aliados na região.

Culsete

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A censura do lápis azul, da apreensão de livros e da perseguição de autores (e leitores) deixou de fazer sentido neste início de milénio, pelo menos nesta geografia que é a nossa. O cheiro a queimado das pilhas de livros ardendo na praça pública é um anacronismo neste momento histórico; as pilhas de livros em chamas seriam mais perigosas para o sistema - funcionando como golpe de marketing, atraindo atenções para títulos, autores e editoras obscuras - do que o destino de morte lenta a que parecem condenados os títulos mais subversivos. O desaparecimento das livrarias independentes - e a sua substituição por um assustador nada, apenas aparentemente ocupado pelas grandes marcas livreiras, nacionais e multinacionais - joga neste processo um papel central. A Culsete, livraria setubalense com 40 anos de história, ponto de encontro de livreiros, escritores, editores e leitores, encerrará brevemente as suas portas. A cidade fica mais pobre. Portugal fica um pouco mais à mercê da orweliana novilíngua do regime.

Os índios da Pradaria

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Os Lakota, também conhecidos como índios da pradaria, são um povo indígena da América do Norte, cujas terras originais se estendiam pelos actuais estados norte-americanos do Dacota do Sul e do Norte. Formados por sete tribos vizinhas, entre as quais se encontram os Sioux, os Lakota imigraram para o Norte, oriundos do baixo Mississipi, e ali se fixaram vivendo da agricultura e da caça do búfalo, actividade iniciada após a introdução do cavalo na vida das comunidades, no século XVIII. É em parte da vida dos Lakota que falam grandes produções de Hollywood, como "Dances with wolves" ("Danças com lobos"), filme realizado a partir do romance homónimo, de Michael Blake.

É sabido que as tribos Lakota resistiram ao processo de violenta invasão e colonização branca dos seus territórios, e que essa resistências lhes valeu uma sucessão de massacres, guerras e outros actos de violência brutal por parte do exército norte-americano, que no final do século XIX dizimou populações inteiras de búfalos, de forma a vergar os Lakota, obrigando-os a aceitar a vida em reservas e a dependência de rações alimentares fornecidas pelo governo federal.

Rio2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Tenho grande dificuldade em reflectir de forma racional sobre os JO. Por razões de natureza pessoal, que não vou detalhar neste espaço, e por razões ideológicas, que afastam a minha visão dos Jogos daquela que é dominante no conjunto não apenas da sociedade portuguesa mas também, temo bem, por esse mundo fora.

Cresci a ver os Jogos, a treinar ao lado de atletas olímpicos, a ambicionar participar nos Jogos e a beber tudo aquilo que, há vinte anos, a televisão, os jornais e as revistas davam a conhecer sobre o mais importante evento desportivo-competitivo do calendário da maior parte das modalidades que foram até há alguns anos atrás predominantemente amadoras.

E porque vivi por dentro, de certa forma, a obsessão olímpica sinto-me sempre bastante dividido na hora de olhar os vários Jogos que existem dentro dos Jogos. Tenho uma opinião sobre os JO enquanto evento, hoje totalmente desligado do chamado "espírito olímpico", e outra bem diferente sobre a generalidade dos torneios olímpicos, que são a essência daquilo que resta do movimento olímpico acarinhado por atletas, treinadores e comunidades desportivas nacionais.

Passos e a Caixa

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Já poucos se lembram de declarações de Passos Coelho sobre a privatização da Caixa Geral de Depósito, propósito que o ex-primeiro ministro deixou cair pela simples razão de não ter relativamente a essa medida um mínimo de apoio ou sustentação capaz de o segurar. Passos não gosta da Caixa e a razão deste desamor é simples: a Caixa é pública.

É por isso irónico que venha agora apontar o dedo a Costa acusando-o de promover "uma destruição de valor sem perdão" (da CGD) quando há precisamente um ano atrás lançou contra o banco sob tutela directa do Estado um ataque que não terá ajudado grande coisa à sua situação, que de acordo com o jornal "i" já conhecia: em Julho de 2015 o então primeiro-ministro prestou declarações públicas nas quais se manifestava "preocupado por a Caixa ainda não ter feito reembolsos da ajuda pública".

Alerta! Alerta antifascista. Não passarão.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Em Março deste ano, por altura de um jogo da "Liga dos Campeões" entre o Atlético madrileno e os holandeses do PSV, foram divulgadas imagens de adeptos holandeses que em pleno centro da capital espanhola atiravam moedas a um grupo de "mendigos" (que algumas fontes identificaram como refugiados). Semelhantes imagens repetiram-se hoje, em Lille, tendo adeptos ingleses como protagonistas e um grupo de crianças como vítimas. Em Lille, como aliás em Madrid, habitantes da cidade sentiram-se indignados e protestaram perante as gargalhadas, a indiferença e gozo alarve da mole embriagada pelo álcool e pela sensação de superioridade face a todos aqueles diferentes de si. O Euro2016 assume-se cada vez mais como a indesmentível montra da pobreza moral da Europa.

Lille foi de resto o palco de novos confrontos, que se somam a escaramuças e situações de maior gravidade ocorridas um pouco por todo o território gaulês. Na origem de todas elas estão, mais do que países ou nacionalidades, grupos fascistas organizados, compostos não raras vezes por criminosos bem treinados para espancar com a máxima brutalidade. França é hoje o parque de diversões de neonazis húngaros, ingleses, alemães, polacos, russos, albaneses, ucranianos, unionistas da parte ainda ocupada da Irlanda. O nazi-fascismo troglodita mostra nas cidades francesas as suas habilidades criminosas, demonstrando a sua capacidade para gerar terror, intimidação, violência gratuita e, noutros casos, direccionada.

O discurso "pós-político" da direita

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Desde que foi apeada do poder, onde se propunha continuar a infernizar a vida aos portugueses que vivem do seu trabalho (ou que sobrevivem por não ter trabalho), a direita tem-se servido do argumento da politização da política para atacar aspectos particulares da acção do actual governo, em especial aqueles que têm sido concretizados com o voto favorável dos partidos à esquerda do PS. Não se trata de coisa nova: basta recordar a célebre tirada de Victor Gaspar na AR, quando em resposta a uma deputada fez questão de recordar que, apesar de ser o mais influente membro do governo de Pedro Passos Coelho, não havia sido eleito "coisíssima nenhuma".

Seja como for, o argumento é fácil e gera ruído potencialmente absorvível por muitos daqueles que, desatentos ao que têm sido estes meses pós-"PUF", tomam como bom o argumento de que é ilegítimo politizar questões como as políticas em torno do sector do turismo, a tentativa de moralizar os contratos de associação ou o (aparente) ponto final colocado sobre a farsa dos exames nacionais nos ciclos mais precoces do sistema de ensino.