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Silêncio

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Calados, caladinhos, cabeça baixa, orelhas que tapem os ouvidos, que vão falar os comunistas. Os velhos e cansados, os que desde 1921 que vão acabar, os retrógrados e contra o progresso, mais o liberalismo que é o futuro, mais o feminismo urbano-burguês. Mudos, calados obedientes, que o pensamento é só um, só pode ser um, que é a natureza humana. Calem-se as ideologias estafadas da igualdade de oportunidades do trabalho com direitos e do direito ao trabalho. São millenials, querem T0 com 2 metros quadrados, querem Uber e Glovo, que se foda quem paga as motas e os carros. Isto salva-se com o Banco Alimentar, desde que não haja bifes, porque temos de deixar que nos roam os ossos. Não há uma app que mastigue por mim? É a vida, só há um caminho, é a natureza humana, que é fodida, porque o ser humano é egoísta quando nasce. Claro que há igualdade desde que não abane o défice, que o défice cai bem em qualquer mesa, não pode é haver muita chatice, diz que é pessoal lá em Bruxelas que diz que somos uns calões; calados e mudos. O quarto poder e tal, que anda um bocado mau, o senhor Presidente da República até falou sobre isso.

Eventualmente, precários - Um abraço de Leixões até Setúbal

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Foto de Carlos Santos - Global Imagens
Hoje foi o dia, mais um dia, em que o Governo do PS alinhou num plano para furar a luta de cerca de 90 trabalhadores, que o são eventualmente, num plano orquestrado em conjunto Operestiva. O pretexto é, como não podia deixar de ser, a Autoeuropa. A empresa que é o alfa e o ómega do que são as nossas exportações e, por isso, tem de valer tudo. Não podemos pôr as pessoas à frente do PIB, não vá o PIB atropelá-las, o PIB que vai subindo a toda a velocidade, rumo nos píncaros de todos os PIB, nos Himalaias dos PIB. A Autoeuropa e os seus trabalhadores, que também são um exemplo de união e luta e eram os melhores do Mundo até dizerem não à administração. A partir daí, passaram a ser uns irresponsáveis que, citando Camilo Lourenço "mereciam salário zero".

A Caravana

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Nas últimas semanas, chegou-nos aos olhos e aos ouvidos a história de uma caravana de milhares de emigrantes partidos das Honduras rumo aos EUA. A forma como a história é tratada deveria fazer pensar todos os que estão envolvidos no jornalismo. A começar pelos próprios. O que fica da informação que é dada é que, de repente, milhares de pessoas decidiram partir das Honduras, a pé, atravessar o México e tentar entrar nos EUA em busca de uma vida melhor. Não me recordo – e a caixa de comentários está aí para quem quiser fazer o favor de me corrigir, o que agradeço – de ver nestas peças os motivos que levam milhares de pessoas a abandonar o seu país, a pé, percorrerem centenas de quilómetros e tentarem entrar num país em que, à partida, sabem que serão barrados.