PCPorquê?

miguel 25.2.19
Para lá do campeonato das bandeirinhas entre quem conseguiu o quê nos orçamentos do estado e nos debates parlamentares e outras dimensões da vida institucional e política nacional, há todo um verdadeiro conjunto de motivos para apoiar o PCP e as estruturas eleitorais em que participa, como a CDU.

Mais do que apoiar o PCP por ter a bancada parlamentar mais interventiva, por ter o grupo parlamentar mais jovem, por ser o autor da esmagadora maioria das propostas que vão fazendo furor, desde o fim das taxas moderadoras ao fim das propinas, por ser o autor da exigência de renegociação da dívida, por ter sido o primeiro partido a propor a limitação da utilização de animais selvagens em circos, por ter sido o primeiro e propor o fim do abate de animais errantes e a sua esterilização, por ter sido o primeiro a propor a água pública, a revogação da lei das rendas, o controlo público da banca, mais do que apoiar o PCP por ter sido primeiro a exigir o aumento do orçamento da cultura para 1% do Orçamento do Estado, e o primeiro e único a propor a responsabilização do Estado pelo financiamento da produção cinematográfica, por ter sido o partido que defendeu desde o início o fim das provas globais e exames nacionais, a descriminalização do consumo de drogas, a redução de impostos para trabalhadores e o aumento de impostos para os grandes lucros, o único que ainda defende que a um posto de trabalho permanente deve corresponder um contrato de trabalho efectivo, sobram-me motivos.

É que nesta corrida pelo protagonismo que é o circo da democracia parlamentar, apesar de haver bons e fortes motivos para apoiar o PCP, a verdade é que a batalha está inquinada porque o campo está inclinado. Se nos limitamos à disputa de ver quem chegou primeiro aonde – e devemos travá-la – estamos à partida a travar o combate que nos é mais difícil. Não se trata de desvalorizar as conquistas e as propostas concretas do PCP, mas trata-se essencialmente de destacar esse partido do pântano que é o panorama partidário nacional. O PCP apresenta propostas e combate para a sua aprovação e concretização no actual contexto político, mas não é neste contexto político que propõe que essas propostas se consolidem e sejam verdadeira e plenamente concretizadas.

É verdade que apoio eleitoralmente o PCP porque o PCP não precisa fingir estar presente nas lutas dos trabalhadores, nem ir a correr atrás de uma greve para se apropriar das suas conquistas. O PCP já lá está, não precisa fingir. O PCP tem esse património tremendo, que todos os militantes conhecem, que é o de ser aquele a quem se dirigem os trabalhadores quando são ofendidos nos seus direitos. Quantas vezes, não estamos em tarefas do PCP, mesmo dentro dos centros de trabalho, e trabalhadores que nunca votaram PCP – quem sabe não lhe eram até avessos – vêm pedir informações ou apoio sobre ofensas a que foram sujeitos nos locais de trabalho?

É verdade que apoio o PCP e a CDU porque são titulares desse vasto capital de propostas pontuais e concretas, ao longo da história da democracia portuguesa. São incontáveis as propostas já copiadas e apropriadas por outros. Esse combate será sempre hostil ao PCP. A simpatia da comunicação social com que contam os restantes, jamais nos abençoará. Enquanto BE, PSD, CDS e PS apoiaram a ascensão e tomada do poder pelos nazis na Ucrânia, apoiaram os bombardeamentos na Líbia e mantiveram a postura de agressão à Síria e ninguém lhes pediu contas, fizeram-se constantes acusações ao PCP pelas suas posições sobre esses mesmos países. Acusações essas que nunca geraram um tempo de antena para explicações que representasse um milésimo do tempo de antena que as próprias acusações tiveram.

Isso é igualmente verdade para as diversas questões do dia-a-dia: ainda há bem pouco tempo, o BE propôs o fim das provas nacionais e foi notícia por todo o lado sem referir uma única vez que o PCP já tinha proposto isso há muito. O PS aventou o fim das propinas – apesar de sempre ter sido contra essa medida e de ser autor de grande parte da legislação que as aumenta e faz cobrar – e foi notícia durante dias sem que um único órgão de comunicação social tenha noticiado que essa é uma proposta de há muito do PCP.

Nessa disputa da afirmação das diferenças, não podemos descansar. Mas atermo-nos a ela é entrar na dança que nos condena. É que se a diferença do PCP para os restantes partidos é apenas ser autor moral de muitas propostas que hoje são moda, e ser pioneiro e ter razão antes do tempo, então essa diferença talvez não compense que se abdique de votar numa coisa da moda, bonitinha e simpática como o BE e o PS, cuja imagem é constantemente limpa e melhorada pelos próprios órgãos de comunicação social, detidos pelos mesmos interesses que controlam esses partidos. Se o BE acaba por propor o mesmo que o PCP, para quê votar num partido que é vendido como um partido envelhecido, retido na URSS, amigo da oligarquia angolana, próximo da dinastia norte-coreana, companheiro de ditadores latino-americanos?

É evidente que nada disso é verdade, mas isso que importa para uma comunicação social que inventou as notícias falsas mas que agora se escandaliza com as “fake news”? É evidente que nada disso é verdade, mas isso que importa para o bando de imbecis que discute comunismo apenas com um argumento chamado “gulag” mas que é o mesmo que discute Salazar como o homem “que morreu pobre” e que fala de nazismo para dizer “que nem tudo foi mau”?

Podemos enlear-nos nesse debate sem fim e disputar a autoria das propostas mais avançadas. E devemos. Mas não é por ganhar essa batalha que eu voto na CDU, para votar PCP.

É porque o PCP é o único que não sucumbe à ditadura do marketing televisivo (que para esse partido seria suicídio), que não define as suas posições em função da simpatia que receberão da comunicação social dos grandes grupos económicos, que não hesita em defender o que considera justo independentemente do acolhimento mediático e das redes sociais. Aquele que prefere empenhar-se em explicações atrás de explicações, para justificar um voto ou uma posição menos demagógica porque prefere perder votos a falar verdade do que ganhar votos a dizer mentiras. É o único partido que existe além das suas bancadas institucionais, que tem células, organizações de base, que não serve apenas para debates mas também para dinamizar, organizar e dirigir as lutas colectivas e não para satisfazer ambições políticas de indivíduos.

É o único partido que realiza reuniões pela noite adentro para debater as condições em que vivem os portugueses e como é possível ultrapassar as dificuldades e resolver os problemas em vez de passar reuniões a debater quem será o líder da concelhia, o presidente da distrital e o candidato a deputado, ou pior, a fazer jogos de bastidores para promover este ou aquele militante a chefe, falsificando eleições, pagando quotas em barda, ou prometendo favores.

Mas também é por mais do que isso. É porque o PCP é o único que apresenta as suas propostas com um fito de transformação, um projecto vasto e maior, que coloca o interesse dos trabalhadores acima do interesse dos grandes grupos económicos nacionais ou internacionais. É porque é o único que, independentemente de apresentar propostas que já são copiadas por outros, o faz integrando essas propostas num projecto de ruptura com a política actual, de degradação e afundamento nacional. É o único partido que é capaz de combater PSD e CDS e ao mesmo tempo afirmar que o rumo actual é um rumo de continuidade com a linha política desses partidos, que é capaz de afirmar sem medo que este rumo, do Governo minoritário do PS, é um rumo de desastre e de subordinação do interesse nacional. É o único partido capaz de afirmar, distante de deslumbramentos como os de todos os restantes federalistas convictos (apesar de se autodenominarem “europeístas”) que o próprio projecto da União Europeia é um projecto de estímulo à ascensão dos nacionalismos de extrema-direita e de concentração do poder político e económico. É o único capaz de continuar a afirmar que é urgente a recuperação da soberania monetária como instrumento para a recuperação de outras dimensões da soberania e é o único que coloca o confronto entre o trabalho e o capital no centro de todas as restantes questões políticas.

Apoiar o PCP não é apenas defender um partido que é pioneiro nas propostas que consideramos justos, porque isso, outros, mesmo que tardiamente, podem mostrar-se interessados em fazer e copiar, mas é apoiar e defender um partido que afirma orgulhosamente as suas marcas distintivas, que valoriza o trabalho colectivo, a solidariedade, a cooperação, que desmonta os fundamentos da ideologia dominante e das suas imposições e que se candidata a eleições para o parlamento europeu e para a assembleia da república, não apenas com a intenção de fazer uns brilharetes com propostas nas capas dos jornais (que mesmo quando merece, não tem), mas com a muito mais funda intenção de utilizar esses espaços para denunciar o esgotamento do modelo capitalista de democracia, para denunciar os interesses que se movem por detrás de cada grupo parlamentar, refém dos grupos económicos, contaminado pelas corrupções sistémicas, legais e ilegais. O PCP dignifica os parlamentos em que participa porque demonstra que não são do povo, mas sim dos grupos económicos. É por ser a excepção, contra todas as forças mais obscuras ou declaradas, que conto com o PCP.

Há «camisas verdes» nas redacções

Ivo Rafael Silva 19.2.19
O que determinados órgãos de comunicação social estão a fazer ao PCP é miserável, mas ninguém pode achar que seja propriamente «incompreensível». E isso compreende-se da seguinte forma: todos sabem o que é que o PCP combate. O PCP é um partido histórico, fundador da democracia, com provas dadas, com quase um século de existência. O PCP levou com os estalos dessa Primeira República acossada e turbulenta. Essa República onde a direita liberal (essa dita tradicional, do «centro», institucional, moderada) foi a primeira a ser olímpica e tristemente seduzida, engolida, passivamente possuída – dando todo o consentimento – à aparição e efectivação do fascismo. Essa mesma «direita centrona» e «liberal», «modernaça», «futurista», que existe, mas que está hoje num outro patamar. Perante a passividade quase geral, está a ser não seduzida, mas ela própria a seduzir voluntariamente xenófobos, neo-nazis, fascistas, «populóides», fanáticos do capital, imperialistas.

Toda a gente sabe, pois, qual é a luta do PCP, quem faz a luta do PCP, quais são os rostos do PCP, onde e quando o PCP está para atingir os seus bem definidos e transparentes objectivos! E se o PCP luta com democratas, se luta com anti-fascistas, se os seus rostos não têm cara tapada, e se aponta a objectivos assumidos às claras, quem o ataca coloca-se diametralmente do lado oposto. E essa é a escolha que alguns meios de comunicação e seus jornalistas estão a fazer. Os que atacam o PCP são os que promovem anti-democratas destruindo a democracia, os que omitem e truncam intervenções do PCP mas entrevistam fascistas branqueando o fascismo, os que se movem ou são movidos pelos interesses instalados, os que apontam a finalidades obscuras, com processos obscuros e tudo sob a guarda do “Espírito Santo” (Ou será do Banif?).

Da mesma forma que todos são capazes de conhecer e reconhecer o que o PCP quer e o que o PCP faz, ainda que disso possam discordar, todos são capazes de perceber de igual forma o que é que combatem, na realidade, aqueles que dizem que «nunca combatem ninguém», que são sempre «muito neutros», que só querem «informar», mas que cerram dentes e punhos com mentiras, insinuações e falsidades que acabam por ser desmentidas ponto por ponto. Aqueles que acham que o perigoso mundo das “fake news” – fenómeno tão antigo quanto o da própria imprensa - se resume ou se confina à abstracção das redes sociais, estando os meios ditos “tradicionais” (televisão, rádio, jornais) isentos de controlo por parte de quem quer, por sua vez, também “controlar” a opinião pública e subjugar as massas, vive ingenuamente e já é, em si mesmo, vítima da armadilha dos grandes interesses.

Ainda que no seu processo normal a História não se repita, a verdade é que não falta quem a queira repetir. E tudo a coberto dos partidos institucionais, como palco ou como rampa. É vê-los aí nas parangonas: ontem «liberais», «centrões», «moderados» candidatos a Câmaras, hoje fundadores de partidos xenófobos, homofóbicos, racistas, nazis. E se essa direita partidária já não engole porque foi há muito engolida, os que hoje são, apesar de algumas heróicas excepções, seduzidos e engolidos pela nova emergência da extrema-direita já institucionalizada e sob patrocínio «liberal», são precisamente aqueles que um dia juraram «informar» e «esclarecer» com «neutralidade» e de forma «imparcial» a opinião pública. Depois do 25 de Abril de 1974, nunca como agora o fascismo esteve tão perto de controlar a comunicação social portuguesa. Nunca.

O inimigo principal

Álvaro Figueiredo 14.2.19
Quais as razões da descabelada e acintosa ofensiva de deturpações, calúnias, mentiras e meias verdades contra o PCP?

Os deputados do PCP trabalham com afinco e responsabilidade. Sobre eles não há casos de moradas falsas, viagens fantasma, subsídios indevidos, marcações de presença por terceiros.
No entanto, as «investigações», para tentarem encontrar uma falta, sucedem-se.
Há alguns anos atrás chegou a noticiar-se uma viagem de avião em que os deputados iam em primeira e contrapunha-se isto às dificuldades do povo e dos outros utentes do avião. Na notícia era sublinhado que também um deputado do PCP, o deputado António Filipe, fazia parte do grupo. Apesar de ser perfeitamente legal e costume na Assembleia da República, azar dos azares, o único deputado que tinha prescindido da viagem em primeira era o deputado António Filipe.