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Marca Portugal

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Se há coisa que os nossos meios de comunicação social gostam, é da finura de lábios estrangeiros a pronunciar a palavra "Portugal". Estou em querer que basta um americano articular esse abracadabra para choverem parangonas nas manchetes nacionais sobre a "marca Portugal" e a nossa importância no mundo.

Celebramos qualquer referência: Pode ser o investigador que cá não tinha bolsa mas é uma estrela no MIT; pode ser a Joana Vasconcelos que forrou um cacilheiro a azulejos; pode ser uma actriz que pendurou ao pescoço qualquer coisa feita cá. Não importa, tudo serve. Porque, assim crê alguma imprensa, o nosso problema é falta de auto-estima e isso só se resolve com um adulto que nos dê duas palmadinhas nas costas e nos diga "vês? não és nada foleiro! Até passei uma semana no Oporto!". Sob o pretexto de "valorizar o que fazemos bem", os ineptos que nos governam procuram fomentar uma mentalidade servil e deslumbrada com os arrotos dos estrangeiros. A própria mercantilização do nome "Portugal", como se uma pátria pudesse vender-se, alvitra um futuro para Portugal como nação de criados embevecidos com as loas dos senhores, marca de saloios embasbacados com as proporções.