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Arrume a sua inteligência: o Observador tem um artigo para si

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Por que razão nos espanta ainda o Observador? Por que motivo nos abalançamos ainda, cheios de pasmo ou indignação, sobre “conteúdos” que nem sabemos muito bem se na verdade são escritos se vomitados? Lamento, mas não tenho resposta. Sei que me senti hoje particularmente “brindado” com a partilha ostensiva de um artigo que é meio textual e meio fotográfico e cujo título efectivamente promete: «Arrume os livros de História. Há 20 factos históricos que não nos ensinam na escola».

Lá prometer, promete, mas como diria um famoso sketch «vai-se a ver e aquilo é só estupidez». Ou pior. Ora, que factos históricos tão relevantes serão afinal esses que, na óptica do Observador, ou de quem escreveu tão reluzente pérola, nos obrigarão a «arrumar os livros de História»? Que nos terão escondido os professores e historiadores até hoje? Que novas descobertas científicas terão ocorrido entretanto? Que novos e reveladores documentos, inéditas teses, revolucionários ensaios nos estarão aqui escapar? Podemos desconfiar, podemos pensar até no crivo censório do antigo regime – causa maior da ignorância histórica actual – ou podemos mesmo não saber o que faltará de tão relevante ao nosso conhecimento sobre o passado e ao ponto de termos que deitar ao lixo, ou «arrumar», todos os nossos “livros de História”. Podemos não saber, mas o Observador sabe.

Liberdade editorial versus liberdade de expressão

sábado, 14 de maio de 2016

"Mas não é por acaso que se vê, de cada vez que se avançam perspectivas para uma beneficiação e elevação dos programas televisivos, que os remédios válidos mostram ser sempre e só remédios de ordem política; só a ideologização do meio técnico pode mudar o seu cunho e a sua direcção. Mas a ideologização não significa "partidarização"; significa apenas imprimir na administração do meio uma visão democrática do país; bastaria dizer: usar o meio no espírito da Constituição e à luz da inteligência. Todos os casos em que a nossa televisão tem dado boa prova de si, no fundo, não foram mais do que deduções correctas deste teorema." (Umberto Eco em Apocalípticos e Integrados, 1964).
Foi esta semana conhecido o Barómetro de Comentário Político Televisivo Maio 2016, um trabalho do Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL. E vale a pena a sua leitura e análise.

A propósito de um certo "Avante!"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Imagina que passavas a tua vida inteira num quarto isolado sem qualquer contacto com o exterior. Imagina que a esse quarto, chegava um só jornal e tinhas acesso a um só canal de televisão. Imagina que se quisesses ver cinema só podias escolher entre 5 filmes. Livros também eram só 5. E a realidade? Melhor, e a tua percepção da realidade?

Não vives num quarto isolado das outras pessoas. Conversas, deslocas-te consoante as tuas possibilidades, até és capaz de atravessar oceanos, por mar ou por ar, lês os livros que te apetece ler, vais ao cinema ou pelo menos vês filmes em casa, vais ao teatro (vais?), tens acesso a cada vez mais canais de televisão e passas horas a ser bombardeado com informação nesses canais, nas bancas de jornais, na internet, na internet e na internet. Mesmo quando não te apercebes ela está lá, bem à frente dos olhos, de forma mais ou menos explícita.