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Rayo digno [actualizado com um post-scriptum]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O barulho das luzes, o som dos euros em movimento e a doentia fixação das massas adeptas nos resultados das suas equipas, que lhes garantem periódico consolo para vidas de trabalho trucidadas pela desigualdade e pela exploração capitalista, impedem muitos de compreender que as "SAD" nasceram do seio dos clubes, e que os clubes nasceram no seio de comunidades, representando digníssimas formas de associativismo popular que se foram modificando e, de certa forma, corrompendo ao longo do tempo. É por isso com comoção que de tempos a tempos dou de caras com actos de profunda dignidade e regresso aos valores fundamentais dos emblemas, entretanto transfigurados em "marcas" e, nalguns casos, sociedades cotadas em bolsa.

O Rayo Vallecano é um pequeno clube madrileno, emblema maior do bairro de Vallecas, baluarte durante longos anos da orgulhosa classe operária da capital espanhola. Enfrentando as dificuldades reservadas aos pequenos clubes sediados em cidades onde gigantes comerciais e financeiros absorvem atenções, recursos e favores, o Rayo acabou por ser vendido em 2011 a um empresário que capturou, beneficiando das circunstâncias do emblema de Vallecas, a quase totalidade das suas acções. Acontece que, contrariamente ao que muitos previram, o Rayo não perdeu identidade. O povo de Vallecas tem resistido duramente a sucessivas tentativas de transformação do Rayo - a alteração do emblema do clube foi um dos exemplos mais simbólicos e significativos -, não deixando de manifestar permanentemente as suas posições sobre a vida da equipa de futebol profissional. É o que acontece nos dias que passam relativamente à contratação (por empréstimo) do ucraniano Roman Zozulya.

Um onze inicial de classe redobrada

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Além de um entretenimento de massas, que por esta altura ganha contornos absolutamente desproporcionados e muito saturantes, o futebol pode ser também um meio de expressão, de luta e protesto. Assim e aproveitando a época, hoje apresenta-se um onze, de jogadores de futebol, de notoriedade diversa, com mais ou menos razão, de vários pontos do mundo, que em certa altura das suas carreiras decidiram fazer mais do que apenas jogar futebol.

1. Metin Kurt

Extremo do Galatasaray e internacional pelo seu país, a Turquia. Ficou conhecido pela sua militância comunista e pelo seu esforço pela criação de um sindicato de classe para os desportistas profissionais.

Pelo seu activismo foi penalizado quando o Galatasaray não lhe pagou o bónus pela vitória na taça turca, no que teve a solidariedade de quatro colegas que acabariam expulsos da equipa, até que foram reintegrados pela pressão dos adeptos. kurt mesmo assim acabaria por sair do clube pouco depois. Esteve ligado à formação da Associação dos atletas Amadores(1970) e da União Revolucionária dos Trabalhadores Desportivos(2010).Para Kurt "havia necessidade de uma luta democrática nos desportos porque a relação entre os desportistas e os executivos é similar à relação entre escravo e amo". Em 2011, ainda antes de falecer, foi candidato por Istambul pelo Partido Comunista da Turquia.

Alerta! Alerta antifascista. Não passarão.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Em Março deste ano, por altura de um jogo da "Liga dos Campeões" entre o Atlético madrileno e os holandeses do PSV, foram divulgadas imagens de adeptos holandeses que em pleno centro da capital espanhola atiravam moedas a um grupo de "mendigos" (que algumas fontes identificaram como refugiados). Semelhantes imagens repetiram-se hoje, em Lille, tendo adeptos ingleses como protagonistas e um grupo de crianças como vítimas. Em Lille, como aliás em Madrid, habitantes da cidade sentiram-se indignados e protestaram perante as gargalhadas, a indiferença e gozo alarve da mole embriagada pelo álcool e pela sensação de superioridade face a todos aqueles diferentes de si. O Euro2016 assume-se cada vez mais como a indesmentível montra da pobreza moral da Europa.

Lille foi de resto o palco de novos confrontos, que se somam a escaramuças e situações de maior gravidade ocorridas um pouco por todo o território gaulês. Na origem de todas elas estão, mais do que países ou nacionalidades, grupos fascistas organizados, compostos não raras vezes por criminosos bem treinados para espancar com a máxima brutalidade. França é hoje o parque de diversões de neonazis húngaros, ingleses, alemães, polacos, russos, albaneses, ucranianos, unionistas da parte ainda ocupada da Irlanda. O nazi-fascismo troglodita mostra nas cidades francesas as suas habilidades criminosas, demonstrando a sua capacidade para gerar terror, intimidação, violência gratuita e, noutros casos, direccionada.