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80 500 euros ano/turma

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Comissão Europeia, uma cúpula não eleita que dirige a União Europeia, tem um organismo composto por gente não eleita que é dotado de poderes que se sobrepõem aos dos estados, aos dos governos de cada país, aos das assembleias democraticamente eleitas em cada estado. A juntar a isso, cada país tem também um banco central, como o Banco de Portugal, igualmente não eleito nem controlado por ninguém. A não ser pelos Bancos privados, claro.

Esse tal organismo da Comissão Europeia, a Direcção-Geral da Concorrência (DGComp), também se lhes sobrepõe.

Avaliação à moda antiga

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

P: Explique, utilizando no máximo 427 palavras, por que motivos são necessários exames nacionais como instrumento de classificação escolar.

R: Em primeiro lugar, os exames nacionais são a única forma de assegurar uma bitola igual para todos, independentemente das condições em que realizam o seu percurso escolar.

Significa isto que serão colocadas a um estudante de uma escola empobrecida, sem meios, sem ginásio, com falta de professores, psicólogos e auxiliares, filho de uma família pobre e destroçada pelo desemprego e pela exclusão, sem dinheiro para pagar explicações ou sequer acesso permanente à internet, exactamente as mesmas perguntas e condições de tempo e de exigência que a um estudante que estuda num colégio privado ou numa escola pública da elite, onde existem todos os meios materiais e humanos, que faz parte de uma família com recursos, capaz de pagar computador portátil, internet, livros e manuais escolares, explicações, e ainda as aulas de rugby. Portanto, só com exames nacionais podemos garantir que a cassificação substitui a avaliação, assegurando consequentemente que os mais elevados níveis de escolaridade e do conhecimento ficam reservados aos segundos. Todos sabemos que a ideia de que devemos tratar de forma diferente o que é diferente só se aplica a direitos e não a deveres.

De pequenino se torce o bastão extensível

terça-feira, 2 de junho de 2015

A esmagadora maioria dos fenómenos sociais, económicos, culturais e até pessoais, são mais claros e mais bem explicados quando analisados à luz da luta de classes. Mas há alguns que saem desta esfera de análise e pertencem a algo milenar: a estupidez humana.

Isto a propósito da celebração do Dia Mundial da Criança em Portalegre. Achou por bem a câmara municipal, presidida por Adelaide Teixeira, independente do movimento CLIP - os independentes, esse milagre da evolução democrática -, e a PSP local integrar a simulação de uma manifestação nas comemorações da data. Um mini-corpo de intervenção contra um mini-grupo de manifestantes. Crianças armadas com pequenos escudos e bastões a serem atingidas por bolas de papel que simulam pedras da calçada arremessadas por outras crianças.

O velho exame da velha escola

terça-feira, 19 de maio de 2015

A criança tem 9 anos e vai de rosto fechado pela rua fora, como todos os dias. Mas hoje, ao contrário do que é habitual, não me disse bom dia. A princípio, não percebi muito bem porquê. Os pequenos também têm as suas “consumições”, dizia a minha avó, foi o que pensei. Depois despertei. É dia de exame. A criança está absorvida por preocupações. Dia de martírio. De ser encostada à parede. Dia em que, pela primeira vez, aquela criança será sujeita à solenidade terrível de uma espécie de julgamento precoce em que todo o ambiente, todo o contexto à sua volta não propicia senão o nervosismo, a ansiedade, o medo e a insegurança. Os exames finais não são pedagogia em parte nenhuma do mundo. São apenas tormento.

OTHON e o direito à habitação

quinta-feira, 30 de abril de 2015

OTHON é uma curta metragem que mostra uma grande realidade. Filmado com a distância do documentário de observação, os realizadores passam um mês no antigo e luxuoso Othon Palace Hotel, em São Paulo, captando o quotidiano de um microcosmos de famílias que ocuparam o edifício há muito abandonado.

A ocupação é protagonizada por um movimento de ocupas denominado por Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto que pretende organizar várias famílias a reclamarem um espaço para habitar. De diversas zonas do Brasil, as famílias que encontram um quarto no Othon são todas da classe trabalhadora. Pouco qualificados, queixam-se do salário ser apenas uma escolha entre um tecto ou a fome. Muitos conhecem a rua onde habitaram vários anos, outros de melhor sorte encontraram no desemprego o fim da sobrevivência precária que levavam antes.

O eclipse da sociedade

quarta-feira, 18 de março de 2015

Onze de Agosto de 1999, o advento de um eclipse total solar, porventura o último do milénio, e com observação parcial em Portugal (62%-77%, Faro-Bragança) é motivo de grande euforia para a população em geral. Oportunidades destas, embora não tão raras como se possa pensar, representam a altura ideal para a divulgação da ciência, aqui em particular da astronomia. Esta ciência natural que estuda os corpos celestes encontra-se entre as mais famosas para um público leigo, ainda que seja muito mais provável (leia-se muito x10^13) encontrar tretas inventadas sobre astrologia do que um bom texto sobre astronomia em qualquer jornal ou programa de televisão. Tal interesse é patente na antiguidade que a astronomia tem, pela força da observação no grande observatório que é a Terra e a sua influência directa sobre as nossas vidas (falo das marés, estações do ano, etc. e não do destino traçado para um desgraçado caranguejo com ascendente em Marte!), não fosse mesmo culturas pré-históricas terem deixado inúmeros artefactos e construções (Stonehenge por exemplo) relacionados com a observação da movimentação dos corpos celestes, mostrando como é antiga a vontade de perceber o que se passa na esfera celeste.

A hepatite dos mercados

segunda-feira, 16 de março de 2015

A actual polémica sobre um medicamento recente para o tratamento das patologias crónicas associadas à hepatite C deixa de lado uma discussão que julgo ser oportuna dadas as escolhas políticas que se têm tomado na configuração do sistema científico e tecnológico.

Deixando de lado os argumentos de quem se apressou a contabilizar o valor de uma vida humana, sobre a égide de que, existindo recursos limitados, nos devemos debruçar sobre a contabilidade de quem salvar, tentemos regressar à origem do problema. A investigação científica tem sido um dos mais fortes motores de desenvolvimento dos povos, da sua produção surge conhecimento, com maior ou menor visibilidade no nosso quotidiano, que impactam, quase sempre, de forma directa ou indirecta, nas nossas vidas. Sem Fleming, em 1928, não teríamos salvo os milhões de pessoas que salvámos desde então com o recurso a antibióticos, recuando ainda um pouco mais, sem Pasteur não saberíamos sequer que precisávamos de antibióticos para as salvar. Sem Maxwell é bem provável que não tivéssemos TV nem Rádio e, antes deste, sem Newton (para os matemáticos sem Leibniz!) não teríamos o cálculo usado por Maxwell nas suas famosas equações. Os exemplos possíveis de apresentar são uma lista de cabimento enciclopédico e ficaríamos muito surpreendidos de saber do que dependeram inúmeras descobertas e invenções hoje vulgarizadas quer pela sua difusão ou utilização.

Macbeth e Anna Karenina

terça-feira, 3 de março de 2015

Recentemente tive a oportunidade de assistir ao drama lírico Macbeth, de Giuseppe Verdi, no Teatro Nacional de São Carlos. São momentos de rara beleza e encanto proporcionados pela junção tão elegante que a arte da música e a arte performativa atingem enquanto nos transmitem uma história. O problema de tal afirmação prende-se mesmo pela raridade dos mesmo. Penso que mesmo para os menos melómanos, é difícil ficar indiferente a tal espectáculo e, no entanto, contam-se pelos dedos as pessoas que conheço que já assistiram a um.

"Discriminar é o mote da actual política educativa" por Ana Sezudo

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Associação Portuguesa de Deficientes, face à gravidade da situação na educação dos alunos com Necessidades Educativas Especiais - NEE, entende que urge tomar medidas drásticas que ponham cobro ao descalabro em que se tornou a educação destes alunos no ensino regular.

Neste, como no anterior ano lectivo, são tantos os atropelos cometidos contra a Lei e contra o bom senso que se torna difícil dar um panorama completo do caos que assolou as escolas deste País.

Começa, desde logo, e com o beneplácito do Ministério da Educação, pelo incumprimento na constituição de turmas definida pelas disposições do Despacho n.º 5048-B/2013, de 12 de Abril assinado pelos Secretários de Estado do Ensino e da Administração Escolar e do Ensino Básico e Secundário. Este Diploma, como V. Exa. bem sabe, determina que as turmas do ensino pré-escolar, básico e secundário que integrem alunos com NEE são constituídas por 20 alunos, não podendo incluir mais de 2 nestas condições.

A insinuação

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Foi por mero acaso que apanhei o final do programa "Este sábado" transmitido pela Antena1 no passado fim-de-semana. Quando liguei o rádio iniciava-se a intervenção de Raul Vaz, personagem do comentário político que a Antena1 insiste em apresentar como especialista em questões de política nacional.

Raul Vaz iniciou a sua intervenção comentando o tema da colocação dos professores e insinuando que o "erro administrativo" do Ministério da Educação (MEC), que resultou neste início de ano lectivo calamitoso para alunos, professores, directores de escola e encarregados de educação, tem a mão do PCP e dos Sindicatos. Dizia Raul - e passo a citar - que "ao longo dos anos, pós 25 de Abril, houve partidos, nomeadamente o PCP e os sindicatos, que têm uma influência muito grande no interior da máquina administrativa do Ministério da Educação. E este chefe de governo sempre foi avesso a substituir algumas chefias. (...) os resultados muitas vezes não são os melhores. Neste caso são péssimos". A insinuação fica no ar e a única coisa que Vaz não explica é se acredita que "comunistas e sindicalistas" sabotaram o processo, ou se apenas considera que nele influíram por mera incompetência. Seja qual for a conclusão de Vaz, a tese é em si mesmo um insulto ao PCP e aos sindicatos. Ou então uma peça de mau humor, que deveria envergonhar a rádio pública.

Caos? Qual caos?

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não há caos absolutamente nenhum. Na Justiça está tudo normal. Tirando o facto de o sistema estar paralisado, o curso dos processos suspenso, a confiança dos cidadãos na justiça contaminada e os juízes falarem de uma situação “gravíssima” e “preocupante”, tirando isso, está tudo bem.

Na Educação também não há caos absolutamente nenhum. Tirando o facto de o concurso ter sido anulado, de haver milhares de professores sem colocação, de haver turmas sem professores há semanas, de o ministério se descartar atirando responsabilidades para cima das escolas, tirando isso, está tudo bem.

A Bolsa ou a Vida?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os bolseiros encontram-se blindados por um pedaço de lei, magnifico pela sua originalidade, chamado de Estatuto do Bolseiro de Investigação (vulgarmente EBI!). Em vez de uma relação jurídica laboral esta lei regula pela subsidiação o trabalho que envolve uma boa parte dos recursos melhor qualificados, a nível académico, do país, da forma mais precária possível. Estes trabalhadores, não reconhecidos como tal, responsáveis por grande parte do que é produzido pelo Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN) não têm assegurados os mais elementares direitos laborais incluindo a integração no regime geral da Segurança Social.
Esta singularidade tem um impacto enorme na forma como o trabalho do bolseiro é conotado pela própria sociedade. Não só é um instrumento de precarização do trabalho, usado sem qualquer pejo para a contratação de pessoas que de outra forma teriam um contrato de trabalho, como também lhe dá um cariz caritativo, como pode ser sublinhado pelo nome da rubrica da remuneração principal - “subsídio de manutenção”! Que se desengane quem acha que isto está relacionado com o facto de alguns bolseiros estarem a trabalhar no sentido de também lhes ser conferido um grau académico, uma vez que há inúmeros investigadores de pós-doutoramento em que isto não se aplica e que são remunerados a bolsa, podendo esta ter durações de 6 anos.

Carta Aberta em defesa da Ciência em Portugal

quarta-feira, 23 de julho de 2014

 No dia 17 de Julho a ABIC lançou esta Carta Aberta em defesa da Ciência em Portugal. A carta pode ser lida e assinada aqui.

Entretanto, a ABIC lança o seguinte convite:

O bullying não acaba na Escola

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Nélson tinha 15 anos e era vítima de bullying na escola. Este fim-de-semana o Nélson não aguentou mais e decidiu deixar de ser humilhado, matou-se. Apesar de já ter acompanhamento psicológico no próprio estabelecimento de ensino, o director da mesma consegue afirmar que na quinta e na sexta o Nélson esteve na escola e não estava a viver uma situação diferente do normal. Só que o normal do Nélson era sair de casa com medo. O director diz que realmente tinha havido uma "brincadeira". É assim que o bullying continua a ser encarado por alguns, como uma "brincadeira".

O Ministro da Educação, Nuno Crato, já reagiu: é necessário ser inflexível com o bullying. A Confederação das Associações de Pais também já disse ao Ministro que se ele continua a cortar na Educação, é muito natural que a vigilância destes casos e o apoio às vítimas sofra consequências sérias. E este mesmo Ministro que se mostra intransigente com o bullying, é o mesmo que desde que ocupa o lugar não faz outra coisa que não seja coagir os trabalhadores que tutela. O bullying não acaba na Escola. Este governo e o capital sabem disso, e praticam-no a cada dia, sem olhar a danos colaterais.

Palavras do ano

sábado, 14 de dezembro de 2013

o André Albuquerque, neste mesmo blogue, chamava à atenção para a recriação da linguagem como forma de mascaramento do sistema e respectivas práticas políticas. Exemplificava com alguns conceitos. E é verdade. É uma terrível verdade. A utilização das palavras está no centro da batalha ideológica, ou, melhor dizendo, no centro da construção e da desconstrução das concepções do mundo, da humanidade, da sociedade, da história, da política. Os exemplos do André são, para muitos de nós, facilmente decifráveis (uns mais do que outros). O que não será tão facilmente entendível, e o André de certo modo abordava-o, é a desdramatização ou desvalorização do uso das palavras também como forma de manipulação das mentalidades.
Ainda há poucos dias

A crónica semanal de Ricardo Araújo Pereira de anteontem, ia, no seu habitual humor crítico, também no sentido de apontar esta desvalorização ideológica, e não me refiro à adulteração de significados como o óbvio “irrevogável” de Paulo Portas de que ele também fala, até porque, neste caso, trata-se da falta à palavra e não da palavra em falta, isto é; a palavra não foi proferida num sentido diminuído, o cumprimento dela é que foi adulterado. Nada de novo, estamos a falar de um invertebrado (não querendo ofender os invertebrados). Refiro-me à nomeação condicionada dos linguistas da Porto Editora para a “palavra do ano”. Diz ele:

O regresso da Escola Dual

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Com particular intensidade desde a reforma curricular de Manuela Ferreira Leite, Ministra da Educação de Cavaco Silva, realizada em 1993 e aplicada a partir de 1994, a Escola Pública tem vindo a ser alvo de um ataque permanente, orientado para a sua desfiguração.

Depois de Abril de 1974, com a estruturação formal e informal da democracia, o país corrigiu um erro estrutural que o fascismo vinha aprofundando e consolidando: ultrapassou a Escola Dual, o apartheid social que o fascismo impunha na Escola, encaminhando os filhos das camadas operárias para a chamada Escola Técnica, Comercial ou Industrial e os filhos das camadas privilegiadas para o Liceu. As necessidades impostas para a elevação do nível cultural do povo português, a urgência de qualificação científica e humanística concorreram para a concretização da democracia assumida além da sua dimensão meramente política/partidária.