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"douradinhos é bom, mas é pouco."

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Há pouco mais de um ano, na fila do supermercado, o homem à minha frente, acompanhado da sua filha, passou várias embalagens de arroz como compra. Aliás, tanto quanto me recordo, arroz foi tudo quanto comprou, juntamente com um qualquer enlatado de conserva. Era assim que se alimentava.

Hoje, no supermercado da Bela Vista, em Setúbal, uma mãe com duas filhas só comprou quatro embalagens de congelados. Uma de rissóis, uma de croquetes, duas de pastéis. A conta foi 10 euros e uns cêntimos, dois contos e qualquer coisa. A mulher pagou com uma nota e umas moedas. Estavam contadas.

Sobre o glifosato e a Bayer.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Desculpem-me os leitores do manifesto74 por vir usar o vosso espaço com uma clarificação que passa perto de uma defesa pessoal, mas que, como compreenderão, é não só necessária, como colectiva.

O jornal i decidiu, no âmbito da campanha mediática em curso contra a solução governativa para que o Partido Comunista Português contribuiu, fazer uma delirante notícia com direito a meia capa. O correio da manhã, esse produto tóxico em papel que devia constar na categoria 2A da classificação da IARC - International Agency for the Research on Cancer - acompanhou de imediato. A origem da notícia está numa abstrusa manipulação de um artigo que escrevi neste blog levada a cabo por militantes e dirigentes do BE nas suas páginas de Facebook, onde me acusavam de insinuar que o BE teria recebido dinheiro da Bayer para propor a proibição do Glifosato. O i e o CM limitaram-se a aproveitar a boleia.

Glifosato fora de moda

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Agora será má altura para relembrar que a Bayer comprou a Monsanto por 60 mil milhões de euros, depois de ter sido levada a cabo uma campanha de alarme em torno do principal activo da Monsanto - o glifosato e as culturas transgénicas tolerantes a esse herbicida -, mas ainda assim, porque só com as peças todas podemos montar o puzzle, aqui vai:

A Monsanto produziu o roundup (glifosato) e ao mesmo tempo vendeu milhões de sementes tolerantes ao químico, dominando assim uma importante parte da agroindústria e da produção de alimentos. A Monsanto detinha a patente das variedades transgénicas tolerantes ao herbicida e ao mesmo tempo a patente do herbicida. As variedades não eram resistentes a pragas, como muitos tentaram fazer-nos crer, mas sim ao roundup. A patente do glifosato expirou em 2001, e isso permitiu que fosse possível produzir e utilizar glifosato com custos muito menores, continuando a usar variedades vegetais resistentes ao herbicida.

Faltam por aqui 3,9 mil milhões de euros.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

"falta por aqui uma grande razão" dizia Cesariny. E agora falta de facto por aqui "uma grande realmente razão" porque anda por uma aí uma tremenda confusão. Mas o Manifesto74, em linha com a sua tradição, está aqui para ajudar.

Ora, então depois de termos ouvido durante um ano inteiro, PSD e CDS teimarem que o Estado não pagou um tostão da resolução do BES e que foi tudo pago pela banca, eis que vêm agora, um e outro, dizer que se o Estado não vender o Novo Banco não poderá reaver o que gastou. Em que ficamos? Então não tinham sido os bancos a pagar o Novo Banco? Que tem o Estado a reaver se foram os bancos que pagaram o Novo Banco? Ah, afinal o PCP tinha razão e os bancos não pagaram nada. Estamos esclarecidos.

Que seria de nós sem o Marco?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Disseram-te que viveste acima das tuas possibilidades. Que tinham gasto o dinheiro dos teus impostos em investimentos públicos. Que tinhas direitos a mais. Que não trabalhavas o suficiente. Os poderosos deste país, com a ajuda do PS, do PSD e do CDS, fizeram-te uma verdadeira “inception”. Pouco a pouco, conseguiram inculcar-te a ideia de que o Estado é uma entidade estranha nas relações sociais, que os teus direitos são caprichos, que o teu tempo todo – livre ou de trabalho – pertence ao patrão, que as escolas são para quem pode pagar, que os filhos dos pobres nasceram para obedecer e os dos ricos nasceram para mandar. No essencial, pouco a pouco, transformaram o pensamento dos trabalhadores no pensamento de um patrão.

E nada pior para um trabalhador do que pensar pela cabeça do patrão. Porque quanto mais igual for o pensamento, mais diferente será o rendimento.

Essa injecção de ideologia burguesa afecta-nos a todos, rodeia-nos, cerca-nos e infecta-nos. É o pensamento dominante, a lógica dominante e a cultura dominante, a hegemonia. E nenhum de nós lhe é imune. Os ídolos, os exemplos, os elementos de diversão, a educação, o funcionamento das empresas privadas e a cultura do indivíduo, o culto do consumo e a igreja da exploração entram-nos pela vida adentro, mesmo sem pedir licença e sem convite.

Impostos Ideológicos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Paulo Portas descobriu a sua nova campanha populista. Com medo de voltar às feiras, envereda agora pelo seu chavão favorito; os partidos que criticam a acção do seu governo e propõem alternativas são ideológicos.

A honra de um banqueiro não serve como garantia.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Exercício:

o Estado português pede 10 milhões emprestados aos bancos portugueses, com juros de 2%. Ao mesmo tempo, e para que a economia tenha financiamento num contexto em que o país não emite moeda, o Estado português assume-se como fiador dos bancos portugueses em mais 10 milhões. Os bancos portugueses conseguem assim, junto da banca alemã e francesa, obter 20 milhões de euros com juros abaixo dos 1%.

Desses, 10 milhões são para comprar dívida pública portuguesa e os restantes 10 milhões são para empréstimos a privados. Ora, desses 10 milhões, a banca empresta aos seus accionistas e empresas associadas cerca de 7. Esses accionistas e essas empresas consomem o capital e não pagam. Contudo, os juros cobrados pelos 10 emprestados ao Estado e às famílias e PME a quem emprestaram os 3 milhões restantes são suficientes para gerar um fluxo de liquidez que assegura o pagamento.

Isto passou-se assim anos a fio até que o crédito vencido na banca portuguesa atingiu mais de 30 mil milhões de euros. Nesse contexto, os bancos estrangeiros aumentaram brutalmente os juros da dívida pública. Aqui é que a operação não é compreendida por muitos.

Da Economia ao Crescimento

Estando o crescimento económico do país na boca dos eleitos para aparecer na TV, vomitado em números e estatísticas, bem escolhidas e bem apresentadas, fica oculto para quem e para quê esse crescimento.

Sob o comando de vários governos passados e do agora vigente, os vários modelos de desenvolvimento adoptados não servem a um país justo e desenvolvido, mas sim a uma elite que tem sido a fiel depositária da riqueza gerada pela força de trabalho e recursos nacionais.

Com a pompa da modernidade saloia e a ritmo de galope pseudoreformista, nas esferas do poder, assiste-se a uma vaga de desregulamentação da vida económica que não tem precedentes, a coberto de uma máquina propagandista eficaz que altiva o processo encobrindo a destruição imposta ao tecido social e económico. Em medidas e leis pretensamente avulsas o plano desenha-se de forma geral arquitectado numa ideologia neoliberal que grassa desde o poder central ao local destruindo os interesses e ambições colectivos em contraponto com os de uma minoria.

A fraude da austeridade

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ainda não teve resposta por parte do Governo a Pergunta apresentada pelo PCP sobre os destinos das verbas obtidas através do "empréstimo" da troika estrangeira que foi apresentada há 25 dias atrás. Essa pergunta pode ser consultada aqui.

A resposta não é fácil e sem a ajuda do Governo será muito difícil compreender para onde terão ido os 78 mil milhões de euros que o Estado Português, com a assinatura do PS, PSD e CDS, contraiu como dívida e sobre a qual todos pagaremos os juros e as consequências políticas. Sim, os juros e as consequências políticas. Que o credor, neste caso, não se limitou a emprestar o dinheiro e exigir o pagamento do capital e dos juros. Foi muito além disso e exigiu o cumprimento de um programa político anti-democrático, anti-popular e anti-nacional, baseado naquilo a que chamam "austeridade".

O Estado da Nação

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O país recuou mais de uma década. O poder de compra dos portugueses regrediu a níveis comparáveis com o dos anos 90. Os direitos laborais degradaram-se e mais de um milhão e duzentos mil portugueses estão no desemprego, mesmo após o êxodo forçado de cerca de meio milhão, principalmente de jovens qualificados.

A produção cultural contraiu-se num fechado núcleo de estruturas que tiveram condições para fazer frente à asfixia financeira ou que ainda conseguem obter uma das migalhas que sai do bolso da DGArtes. O apoio do Estado à produção cultural nunca foi tão baixo em democracia.

A cultura cada vez mais se resume ao papel de adorno social e estético de uma pequena-burguesia que, apesar de tudo, está em decadência.

Desemprego hipnótico

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Agora vais esquecer-te da realidade e deixar-te embalar pela minha voz. A cada palavra e a cada número, vais sentir-te descer, cada vez mais relaxado e sonolento até chegares a uma versão de Portugal em que o desemprego está a baixar. Agora vou contar de um a cinco. Quando chegar ao número cinco, vais entrar na realidade virtual do governo PSD-CDS-PP.

E assim eu digo: Um.

A privatização da TAP dá-me vómitos

terça-feira, 16 de junho de 2015


Dezenas de passageiros protestam contra privatização da TAP em voo da companhia entre Bruxelas e o Porto. Nos sacos de enjoo, escreveram "A privatização da TAP dá-me vómitos".

Em terra ou no ar, defende o que é nosso. Corre com este governo!

"A TAP vale o que derem por ela!"

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Tal afirmação pertence a Sérgio Silva Monteiro e poderia passar despercebida na alarvidade discursiva da cartilha neoliberal dominante na nossa sociedade (juntamente com afirmações idênticas sobre a “venda” do Novo Banco por Stock da Cunha) não fosse este senhor o Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações. Não entrando na eficácia desta maravilhosa técnica de vendas (só imagino os compradores a esfregarem as mãos de contentes!) assunto sobre o qual pouco me interesso, não deixo de ler na afirmação o lema da economia política vigente do actual governo.

Uma empresa como a TAP demora anos a construir. Representa milhões de horas de trabalho de milhares de trabalhadores que diariamente empregaram o seu tempo na criação de valor. Representa conhecimento expresso na qualificação e especialização destes trabalhadores que se contam entre os melhores do mundo na sua área. Por sua vez é constituída por um conjunto de edificações e maquinaria de elevada complexidade onde a história se repete, fruto do trabalho de outros tantos trabalhadores. Representa anos de uma política pública de investimento no transporte aéreo, onde se pensou nas vantagens geográficas e onde se procurou combater as desvantagens. Representa o sistema sanguíneo de uma comunidade já unida pela língua e um povo que não quer estar isolado.

Houve quem tivesse votado contra o relatório. Alguém deu por isso?

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Um senhor que desconheço, de nome João Vieira Pereira, escreve no expresso diário um texto em que direcciona à Comissão de Inquérito do BES/GES um rol de queixas de ataques, usando, como é tão habitual no rebanho de comentadores que nos (en)forma, da táctica "meter tudo no mesmo saco".

Não podendo, por não terem sido dadas as bases, continuar o bluff em torno do BE, decidiu João Vieira Pereira atacar todos por igual.

Escreve JVP: "O papel de treinador de bancada é sempre o mais confortável. E esse papel foi assumido na perfeição pelos deputados que se sentaram na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)."

Ocultou, por certo voluntariamente - não posso crer que uma pessoa que seja suficientemente informada sobre a Comissão de Inquérito para se dar ao luxo de sobre os seus resultados tecer considerações não saiba do resultado das votações - o facto de o PCP ter votado contra o relatório.

Eles vivem acima das nossas possibilidades

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Em 2008 era assim. Por incrível que pareça, e apesar da campanha ideológica de apologia da distribuição de rendimentos do Ocidente, a verdade é que cada um dos 100 mil portugueses mais ricos têm um rendimento superior a cada um dos 13 500 milhões mais ricos da República Popular da China ou do que cada um dos 12 milhões de indianos mais ricos.


Apesar de os Estados Unidos terem um PIB 60 vezes maior que o de Portugal, e apesar de os 1% americanos corresponderem a 3.200.000 pessoas (32 vezes que os 1% portugueses)  cada um dos 1% mais ricos de Portugal conseguem obter praticamente o mesmo que cada um dos 1% mais ricos americanos. Quem é que anda a viver acima das nossas possibilidades?

Um conglomerado que abre brechas

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Em Geologia, um conglomerado é uma tipologia de rocha sedimentar, que se caracteriza por ser o resultado da consolidação de sedimentos de origem e granulometria variada, geralmente rolados, unidos por um cimento. Uma brecha é uma rocha sedimentar semelhante, sendo que os clastos são, ao invés de rolados, angulosos. Pois, estão todos a pensar o mesmo que eu: a brecha da Arrábida é um conglomerado!

Sim, é.

Mas não é disso que vamos falar hoje. O conglomerado a que me refiro hoje é empresarial e a brecha que menciono no título do post é a do vocabulário comum, que é como quem diz “fenda”.

A EGF e a Camorra.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Nesta altura de crise de valores - daqueles que se transaccionam na bolsa - tudo serve de pretexto para mais umas privatizaçõezinhas. Há pouco dinheiro nos cofres do Estado e ao que parece, vender empresas lucrativas por umas bagatelas pode injectar nas contas públicas o suficiente para equilibrar o défice pelo menos por três meses e assim apresentar boa contabilidade ao patrão alemão que agora até salsichas educativas nos impõe.

As privatizações são, na verdade, e talvez contrariamente ao que muito por aí se pensa, um dos principais problemas da economia nacional. Não só porque a gestão privada é privada de interesse comum e se revela sempre muito virtuosa enquanto se distribuem lucros muitas vezes obtidos pelo financiamento público; não só porque os preços de venda das empresas privatizadas não chega na maior parte dos casos à soma dos lucros que essas mesmas empresas geram em poucos anos; mas acima de tudo porque, ao alienar essas empresas, os governos nos expropriam da sua posse e nos afastam da sua gestão. A posse pública dos meios de produção, da infra-estrutura de transportes, e da infra-estrutura dos serviços que materializam direitos não é a única característica de uma empresa nacional: também a sua gestão condicionada e subordinada à política e, em última instância, à democracia determinam a natureza da missão e do funcionamento das empresas.

O massacre português da sanguinária política capitalista. Mais de 5 milhões de mortos às mãos de PS, PSD e CDS.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Goebbels e Hearst utilizaram uma fórmula absurda para calcular os mortos provocados pela fome imposta pelo sanguinário regime estalinista ao povo da Ucrânia. A Ucrânia, após a derrota do socialismo, entregue de novo às mãos dos herdeiros de Hitler, Goebbels e Hearst, vem a contemplar essa manipulação como facto histórico. Apesar de não existirem quaisquer indícios de terem sido sepultados ou sequer pulverizados os milhões de mortos atribuídos a uma fome prolongada imposta por opção e castigo vindo da União Soviética.

Na altura, chegaram os propagandistas de Hitler, com recurso a falsificações de fotografias e à manipulação dos factos verificados na Ucrânia, a dizer que a União Soviética havia massacrado 12 milhões de Ucranianos. Mais tarde, tamanha era a estupidez dos primeiros números inventados, diminuíram para qualquer coisa como 7 milhões, para parecer mais realista.

Europeias: ou vai ou racha

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A CDU apresentou ontem o cabeça de lista para as eleições europeias. O João Ferreira, já deputado europeu neste último mandato, tem todas as condições para continuar a mostrar porque é daqueles que faz mesmo falta ao projecto democrático e progressista que a CDU tem vindo a construir ao longo de anos, quer no plano interno, quer no plano externo. O trabalho dos deputados e deputadas da CDU que passam pelo Parlamento Europeu, é não só elogiado pelos seus pares, como merece o nosso maior respeito pelas difíceis condições em que se desenrola.

As europeias são cada vez mais decisivas para o nosso futuro como pequeno grão de uma engrenagem continental bastante engasgada. O ataque liberal aos direitos dos trabalhadores e aos rendimentos do trabalho continuam sem dar tréguas, é fundamental que o Partido Popular Europeu perca a sua influência, de preferência com um reforço do GUE/NGL, que não sendo um grupo perfeito, longe disso, é o único que pode forçar uma alteração visível de políticas na União Europeia. Do grupo dos socialistas, já nada se espera, principalmente depois do seu último príncipe, François Hollande, ter espatifado todas as suas promessas eleitorais, como habitual naquela família política.

Big Brother dos pequeninos

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sempre que se fala no Rendimento Social de Inserção (RSI) - antigo Rendimento Mínimo Garantido - há alguém que conhece, que vê, que ouve outro alguém que vive à custa de subsídios, que passa os dias nos cafés, que tem grandes carros à porta, que, que, que.

Se é um facto que as generalizações são sempre um erro, faz-me confusão esta mania tão portuguesa de apontar o dedo ao vizinho, sabendo nós tudo sobre a casa do outro, o que se come, o que se bebe, o que se fuma, o que se gasta e como se gasta.

Se calhar, antes de mais, ajudava perceber quais as condições para receber o RSI e quais os valores atribuídos, bem como quem dele usufrui.