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As tranças de Maria

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Serra do Larouco // Fernando Ribeiro
"Se passeares no adro no dia do meu enterro diz à terra que não coma as tranças ao meu cabelo", cantam por vezes as mulheres da região de Lafões. Com uma das mais bonitas tranças que vi até hoje, dias antes de morrer, a irmã quase nonagenária da minha avó contou-me a história da deserção do meu bisavô. Acamada e ensombrada pela cegueira num lar transmontano, desdobrou a memória e falou do rapaz que andou clandestino durante meses pelas montanhas do Larouco. Não fazia ideia de quem era Lénine e do que havia sido a Conferência de Zimmerwald mas o pastor e contrabandista, que acabaria por morrer sem nunca ter visto o mar, decidia há cem anos adiar a morte evitando uma guerra que não lhe dizia nada.

No tempo em que viajar a Lisboa era quase mudar de país, uma geração de transmontanos atravessada pela pobreza acabou por se lançar pela aventura da migração. De Fiães do Rio, com 15 anos, saiu Bento Gonçalves para Lisboa onde acabaria como torneiro mecânico no Arsenal da Marinha. Não muito diferente foi a história de Militão Ribeiro que, com apenas 13 anos, começou a trabalhar como operário têxtil no Brasil. O jovem de Murça acabaria por ser expulso daquele país por militar no Partido Comunista Brasileiro e não teve dúvidas em desafiar o fascismo português ingressando no PCP precisamente depois de Bento Gonçalves assumir a direcção do partido. Oito anos depois da morte do então secretário-geral no campo de concentração do Tarrafal, Militão Ribeiro era também conduzido à morte na prisão pelos esbirros. Antes conseguiu escrever com o próprio sangue uma carta em que jurava fidelidade aos ideais por que lutava.

O meu primo disse que...

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Emigrante barricado com arma ameaçou matar a mulher, diz a TVI. Às vezes, nem tudo o que os portugueses fazem lá fora é bom. E nem precisamos de dar o exemplo do colonialismo, do Durão Barroso e do Duarte Lima.

Por estes dias, a propósito da Venezuela, volta a tendência para se dizer que alguém só pode falar de um acontecimento político em determinado sítio se lá se tiver estado ou se se conhecer alguém desse lugar. Se não se viveu na Venezuela nem se tem um primo na Venezuela parece que não se tem direito a opinar. Isso tem sido usado como argumento para defender que ali há uma ditadura. Porque um primo qualquer disse, claro.

Vamos então a esse exercício.

O medo não passará

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O nazi Mário Machado, acabado de sair da prisão por discriminação racial, coacção agravada, danos e ofensa à integridade física qualificada, difamação, ameaça e coacção a uma procuradora da República e posse ilegal de arma de fogo, acaba de acusar um dos activistas da Cova da Moura de ser criminoso. A organização fascista Nova Ordem Social com membros acusados de tráfico de droga e participação em homicídios como o do Alcindo Monteiro publicou fotografias de Jakilson Pereira e pormenores da sua vida pessoal expondo-o como eventual alvo da violência da extrema-direita e da polícia. O seu trabalho na Cova da Moura no Moinho da Juventude, a sua actividade enquanto activista anti-racista, o seu papel como rapper no combate à exclusão e a sua militância comunista não são crime. Criminosos são aqueles que querem impor em Portugal um regime que foi derrotado pelos povos através da revolução de Abril e das lutas de libertação nacional nas ex-colónias.