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A poesia que arde

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Agora que a poesia não alimenta escaparates e se esconde nas velhas estantes dos alfarrabistas onde se refugiam também os livros daquelas revoluções de que falam os nossos pais talvez seja tempo de alumiar a madrugada. No tempo em que a verdade se vestia de sombras, Bertolt Brecht disparava sem medo demonstrando que às vezes a poesia é de facto uma arma. O dramaturgo e poeta comunista alemão escreveu que a «arte não é um espelho para reflectir a realidade mas antes um martelo para dar-lhe forma».

Os mesmos que queimaram o Reichstag, em 1933, pegaram fogo aos seus livros numa iniciativa pública. E às vezes os versos acertam no futuro como a melhor das balas. «Então, de que serve dizer a verdade sobre o fascismo que se condena se não se diz nada contra o capitalismo que o origina?», perguntou o autor de A Ópera dos Três Vinténs. Depois da derrota do nazi-fascismo, as autoridades da República Federal da Alemanha trataram de lhe responder proibindo-lhe a entrada no seu próprio país.

As Portas que Abril abriu

sexta-feira, 25 de abril de 2014

"E se esse poder um dia
O quiser roubar alguém
Nao fica na burguesia
Volta a barriga da mãe
Volta a barriga da terra
Que em boa hora o pariu
Agora ninguém mais cerra
As portas que Abril abriu."

José Carlos Ary dos Santos

Este é o nosso Manifesto. Outubro é a nossa forja, Abril a nossa força

30 anos sem Ary - obrigado por tanto!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Ary dos Santos - Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!