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Rayo digno [actualizado com um post-scriptum]

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O barulho das luzes, o som dos euros em movimento e a doentia fixação das massas adeptas nos resultados das suas equipas, que lhes garantem periódico consolo para vidas de trabalho trucidadas pela desigualdade e pela exploração capitalista, impedem muitos de compreender que as "SAD" nasceram do seio dos clubes, e que os clubes nasceram no seio de comunidades, representando digníssimas formas de associativismo popular que se foram modificando e, de certa forma, corrompendo ao longo do tempo. É por isso com comoção que de tempos a tempos dou de caras com actos de profunda dignidade e regresso aos valores fundamentais dos emblemas, entretanto transfigurados em "marcas" e, nalguns casos, sociedades cotadas em bolsa.

O Rayo Vallecano é um pequeno clube madrileno, emblema maior do bairro de Vallecas, baluarte durante longos anos da orgulhosa classe operária da capital espanhola. Enfrentando as dificuldades reservadas aos pequenos clubes sediados em cidades onde gigantes comerciais e financeiros absorvem atenções, recursos e favores, o Rayo acabou por ser vendido em 2011 a um empresário que capturou, beneficiando das circunstâncias do emblema de Vallecas, a quase totalidade das suas acções. Acontece que, contrariamente ao que muitos previram, o Rayo não perdeu identidade. O povo de Vallecas tem resistido duramente a sucessivas tentativas de transformação do Rayo - a alteração do emblema do clube foi um dos exemplos mais simbólicos e significativos -, não deixando de manifestar permanentemente as suas posições sobre a vida da equipa de futebol profissional. É o que acontece nos dias que passam relativamente à contratação (por empréstimo) do ucraniano Roman Zozulya.

Banda Bassotti, vozes comprometidas com o internacionalismo

domingo, 31 de agosto de 2014

Cinco anos depois da explosão popular que tingiu de vermelho as ruas e avenidas de Manágua, o grupo punk italiano Banda Bassotti deu um concerto naquele país centro-americano. Em plena guerra entre os combatentes da Frente Sandinista de Liberación Nacional (FSLN) e a Contra (abreviatura de contra-revolucionários) financiada, treinada e armadas pela CIA, os Banda Bassotti seguiram o caminho de muitos grupos que da Europa foram à Nicarágua mostrar que a solidariedade internacional é a ternura dos povos.

https://www.youtube.com/watch?v=hzdH2PQsr50

Em 1994, dez anos depois do espectacular atentado que a resistência salvadorenha executou contra o coronel Domingo Monterrosa Barrios, o grupo punk italiano Banda Bassotti dá um concerto em El Salvador. A mais sanguinária figura militar do regime, obcecada com a destruição da rádio Venceremos, voz oficial da guerrilha Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), foi decepada por um genial plano das forças revolucionárias. Os guerrilheiros haviam conseguido que um comando do exército capturasse uma réplica falsa do aparelho transmissor e fizeram-na explodir quando o helicóptero que o transportava levava também o sinistro coronel. Na principal praça de San Salvador, os Banda Bassoti tocaram para 50 mil pessoas em conjunto com a banda basca Negu Gorriak.

https://www.youtube.com/watch?v=I3y_S9hJMns

Raios de sol em tempo e espaço de trevas

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O texto que agora se transcreve foi a alocução realizada por Mário Sacramento junto ao tumulo de "Licas" Seiça Neves, falecido com apenas 35 anos de idade.
Gostaria de salientar três aspectos. O primeiro, este texto foi lido e proferido em Portugal no ano de 1958(tendo sido publicado pelo República em 15 de Outubro), o que infelizmente importava um conjunto de cuidados políticos, e a natural utilização de diversos recursos estilísticos, sob pena de graves sanções. Segundo aspecto, a imensa qualidade literária que Mário Sacramento apresentava nos seus textos. Terceiro e último aspecto, com este texto faz-se uma pequena homenagem a Licas e a todos os que não chegarem fisicamente a Abril, e que, anonimamente, de Norte a Sul do país, sofreram as agruras, censuras, repressões e discriminações, de diversa índole, social, moral, política, profissional, entre outras, de que o fascismo foi tão bem capaz, .
Obrigado pela atenção.