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Ao sabor da brisa mediática

sábado, 26 de março de 2016

Até hoje, nas suas relações internacionais, jamais o BE havia tido um governo de um partido que coincidisse com a sua linha política. Timidamente e muito pontualmente, mostrou-se solidário com alguns governos que na América Latina avançavam com políticas progressistas. Nunca vimos este partido organizar actos contra o golpe na Venezuela, Equador ou Bolívia. Com Cuba jamais mostrou o mais pequeno gesto de empatia e não se sabe qual é a sua posição sobre o bloqueio contra a pátria de José Martí.

Nas suas posições sobre questões internacionais, o BE preferiu quase sempre deslizar ao sabor das marés imposta pelo mediatismo. Desde considerar simpática a candidatura de Barack Obama e de François Hollande, a não ter qualquer posição crítica sobre as manifestações em Kiev que levaram o fascismo ao poder com a consequente ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia e a guerra contra a insurreição no Leste do país. Sobre a Líbia, é sobejamente conhecido o papel que tiveram os eurodeputados do BE na resolução que abriu as portas à agressão que conduziu aquele país à Idade Média e à brutalização das mulheres.

Obrigado camarada, até sempre!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Foi uma breve, mas intensa semana em que tive ocasião de conversar com ministros e operários, com escritores incrédulos e comerciantes assustados, com dirigentes inseguros e com militares seguros do seu poder e com nenhum bispo (...) Nos restaurantes caros, onde os mariscos são exibidos como jóias nas montras, os burgueses em retrocesso desancam verbalmente os comunistas. (...) Nos restaurantes populares, os empregados perguntam se deve receber gorjeta"

Gabriel Garcia Marquez in Portugal, território livre da Europa

Com o desaparecimento físico de Gabriel Garcia Marquez a Humanidade perde um dos seus grandes escritores, uma figura maior do chamado realismo mágico, um homem de um compromisso enorme com a qualidade literária. Para além da perda do intelectual, há a perda que os povos do mundo(em especial da América Latina) sofrem no desaparecimento de alguém que os entendeu, que os viu sofrer, e que nas suas narrativas nunca deixou de ilustrar as suas dores e as suas lutas.

O bisneto de Maisanta

terça-feira, 4 de março de 2014

As imagens repetiam-se uma e outra vez. Onde quer que ele estivesse, transbordava a terra de mulheres e homens com fome de justiça. Numa das vezes, recordo a velha que trazia consigo o incomensurável sofrimento a que toda aquela gente havia sido submetida durante décadas. E se não falo de séculos é porque felizmente ninguém é capaz de suportar a miséria mais do que aquilo que a genética nos permite. Mas eles não esquecem. Nunca esqueceram quem é que aos antepassados encheu as costas de vergastadas. Desde os espanhóis que pisaram as praias venezuelanas, há mais de quinhentos anos, aos heróis que arrastaram multidões e esmagaram a tirania, sabem-lhes os nomes na ponta da língua.

Aquela mulher levava consigo Guaicaipuro, o índio que liderou uma das primeiras revoltas contra os invasores, e resistiu durante horas ao inferno tão próprio daquelas latitudes. Ali bem perto, as tropas de Francisco Rodríguez del Toro haviam derrotado, em 1810, o exército espanhol. O homem que fora marquês e renunciara ao título para aderir às forças independentistas planeou a entrada na cidade de Coro para as nove da manhã. Os dirigentes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) não tiveram a mesma amabilidade mas o gentio que se juntou num dos bairros mais pobres da capital do Estado de Falcón deu para constatar que nem as temperaturas mais agrestes fariam afastar os que sempre haviam sido marginalizados. De tal forma que os organizadores foram obrigados a retirar as grades que dividiam a multidão do palco.