O direito internacional também é luta de massas

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quando o traidor Boris Yeltsin usurpou o poder, dando-se a um golpe promovido pelo estrangeiro e por alguns sectores reaccionários internos, na sequência da paulatina degeneração que a União Soviética já vinha sofrendo, principalmente desde a metade dos anos 50, o Soviete Supremo – o parlamento – opôs-se a Yeltsin e não lhe reconheceu legitimidade para governar.

O resultado da falta de apoio parlamentar foi a dissolução do Parlamento.

Apesar de Yelstin não deter, constitucionalmente, esse poder.

O parlamento não reconheceu a sua dissolução. Durante dias, o povo manifestou o seu apoio ao parlamento em inúmeras manifestações contra Yeltsin.

Yeltsin determina o cerco do parlamento russo, usando o apoio das patentes mais altas dos militares. O cerco termina com um ataque. Durante o assalto ao parlamento, em 1993, morreram mais de 180 pessoas e foram feridas largas centenas.

Os Estados Unidos da América e praticamente todos os países capitalistas do ocidente, apressaram-se a apoiar e reconhecer Yeltsin, pesem as ilegalidades cometidas durante a sua usurpação do poder. Em 1993, a vontade popular e a “Assembleia Nacional” russa de nada valeram. Pelo contrário.

Vinte e seis anos volvidos sobre esse vil e sangrento episódio, a história mostra como o que conta para o imperialismo jamais será a legalidade ou a vontade popular. Eis Marcelo, Santos Silva e toda a corja do servilismo do costume vir na senda de Trump e Bolsonaro, reconhecer agora um golpe por parte de um organismo que, não tendo sido dissolvido, está esvaziado de poderes, não por um presidente, mas por uma assembleia constituinte.

Ao contrário do que Yeltsin fez em 1993, Maduro não dissolveu a Assembleia Nacional da Venezuela. Antes, convocou como previsto na Constituição da República Bolivariana da Venezuela as eleições para uma assembleia constituinte. Eleições que contaram com a participação de quase 9 milhões de pessoas, apesar de a oposição as ter boicotado.

Enquanto Yeltsin usurpa o poder ao serviço de estrangeiros e dissolve ilegalmente uma assembleia, Maduro convoca legalmente eleições.

Enquanto Yeltsin cerca o parlamento e ordena um assalto a um órgão de soberania, Maduro não ordena que se carregue sobre os vários grupos terroristas que atentam contra a unidade nacional da Venezuela e até permite que a assembleia nacional continue e reunir, ao ponto de um dos seus deputados se autoproclamar Presidente da Venezuela.

Enquanto em 1993, os líderes do capitalismo ocidental apoiava o cerco, assalto e destruição violenta de um parlamento; em 2019, os líderes do capitalismo ocidental apoiam um parlamento ilegítimo.

A constante pressão a que o processo progressista da Venezuela tem sido sujeito confronta o poder bolivariano com uma inevitável verdade: a de que não existe compromisso com a grande burguesia, ou se liquida o seu poder, ou se lhe cede. Não existe triunfo do progressismo enquanto o modo de produção dominante for o capitalista e o poder não estiver integralmente nas mãos do povo.

A Venezuela está na encruzilhada: socialismo ou morte.

Os povos da América Latina que se deixaram seduzir pelo conto da conciliação já estão a conhecer a morte. Que a Revolução Bolivariana se torne numa Revolução Socialista e a América Latina ressuscite!

11 comentários:

  1. Nós ou aqueles que se informam e se esclarecem, vimos as comunidades autónomas (as autarquias) venezuelanas acordar no dia 24 de Janeiro e começar a limpeza dos estragos proporcionados por mais uma «guarimba» desencadeada por uma declaração irresponsável de Mike Pence e um ataque do Parlamento venezuelano, constituído maioritariamente por deputados que não querem seguir as regras da nova democracia venezuelana. Quiseram eleger um presidente interino, contra a linha da constituição do seu país (que dizem defender). O próprio Juan Guaidó evocou o libertador Simon Bolívar, para cativar ainda mais os ignorantes (como fez Henrique Capriles).

    O que vemos na comunicação social podre deste nosso país? As páginas dos jornais dizem: «Maduro reprime revolução na Venezuela» (Correio da Manhã); «Está tudo mal na Venezuela» (JN); «Deputados europeus pressionam UE para derrubar Maduro» (Público); «Salário mínimo dá para comprar uma caixa de ovos e um pedaço de carne» (i); «Venezuelanos contra venezuelanos nas ruas» (DN). A desinformação e a mentira sistemática desta comunicação social podre e venenosa continua a nada esclarecer. Os seus anúncios sobre a Venezuela misturam-se entre imagens de sorrisos de Cristina Ferreira, Ronaldo, Marcelo Rebelo de Sousa e futebol. O ciclo de mentiras continua...

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  2. « um organismo que, não tendo sido dissolvido, está esvaziado de poderes, não por um presidente, mas por uma assembleia constituinte»

    Acidentalmente trata-se da Assembleia da República lá do sítio, eleita pelo voto popular, coisa pouca!

    Só a ENORME LATA da comunada é que pode chamar democracia à palhaçada venezuelana liderada pelo palhaço Maduro.

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    1. Opinião gratuita de um grande amigo de Mário Machado e André Ventura.

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  3. « na sequência da paulatina degeneração que a União Soviética já vinha sofrendo, principalmente desde a metade dos anos 50» ou seja, uns trinta anos a matar menos gente.

    Acontece que na Venezuela o 'paulatino' é substituído pelo ridículo da criptomoeda e uma inflação uma inflação que só não envergonha a LATA ENORME da comunada!

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    1. Assim fala um convicto simpatizante dos nazis.

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    2. Não passas disso, Nunes: quem não tem que dizer da mensagem vai-se ao mensageiro; princípio base do treteiro.

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    3. Jose, a grande Puta que te pariu!

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    4. Sempre acabas no teu natural de grunho!

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    5. Obrigado, Jose e cumprimentos à santa da tua mãe.

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  4. Crise de abril de 1993. Referendo. 64,2% de votantes. Resultados: confiança em Yeltsin (sim 59,9%). apoio à politica seguida por Yeltsin e governo (sim 54,3%). eleições antecipadas para presidente (não 51.2%). eleições para o parlamento (sim 69,1%). só para enquadrar melhor.

    Desde meados de 50, ou mais precisamente, após 1 março de 1953, o que se pode entender por traidor? Nikolai Rukhádze ataca Béria em 1951, Béria prende Rukhádze com inimigo do povo e coloca Dekanozov como ministro da Segurança do Estado. Béria é preso e fuzilado em dezembro de 53, assim como Rukzháde e Dekazonov. Riumine, preso por Béria em abril de 1953 é preso por Kruchov e depois fuzilado. (isto é apenas um extrato do "Um outro olhar sobre Stáline" - estou à espera do NUNES dizer umas patacoadas antes de verificar que o livro é de Ludo Martens (sabes que é?) e com prefácio de Carlos Costa (sabes quem é?) e afinal uma apologia a Stáline)

    Nem a Guerra dos Tronos é tão complexa!!!

    E tudo, claro, tudo pela revolução, tudo por ... , nada contra ...
    os verdadeiros, os únicos, tudo o resto é inimigo.

    Em resumo, argumentos de legitimidade, é à pazada e dá para todos.

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