O jogo das cadeiras

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Há poucos dias o alvorecer começou com a notícia de que um dos meus amigos mais queridos e que eu acho mais brilhantes ia emigrar. Não tem 30 anos, não está sem emprego. Simplesmente o dinheiro não chega para sobreviver e sustentar a sua família. Esta história podia ter sido escrita há 60 anos. Os vínculos laborais são precários, as dívidas à segurança social acumulam-se, o IVA é dos mais altos da Europa.

Os amigos partem todos os dias. As amigas perdem o emprego. A família não tem pensões dignas. As pessoas próximas trabalham para o Estado há anos com bolsas de 800 euros e sem direitos.

Ao mesmo tempo, esta semana choveram notícias de como vai a corrupção em Portugal. Uma imensa teia que envolve PS e PSD e os favores que nunca acabam aos amigos. A dança das cadeiras que envolve milhares de milhões de euros entre autarcas, deputados, membros do governo, directores de empresas, directores de instituições públicas sempre na mesma roda que não pára de girar.
5 condenações. Foi o número de um ano de processos por corrupção. Mas o pobre que rouba um pacote de leite não se safa.

Um PS, PSD e CDS que, sempre que o assunto surge, impedem as leis que criminalizam o enriquecimento ilícito. Que arranjam sempre uma saída «limpa» aos amigos. Que defendem Sócrates até que as elites digam que já não pode ser e invertem todo o discurso, crucificando seja quem for como se não soubessem o que se passava.

Perdoam-se dívidas a clubes de futebol e injecta-se dinheiro nos bancos enquanto a Segurança Social patrocina despedimentos colectivos com despachos do Vieira da Silva a permitir a inexistência de quotas para os despedimentos (aos milhares).

Apoia-se um Tomás Correia com suspeitas de corrupção e a Santa Casa da Misericórdia (que é financiada pelo Orçamento do Estado) embala o berço.

As mãos deles estão sujas, o sistema corrupto e podre, e todos nós pagamos o preço mais alto que se pode pagar: continuamos sem forma de (sobre)viver, saímos do país, saímos das cidades porque não podemos lá viver, «escolhemos» não ter filhos porque não podemos pagar. Ei-los que partem, novamente, enquanto os mesmos de sempre continuam o jogo das cadeiras.

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