Vão vocês que eu vou lá ter

terça-feira, 13 de março de 2018

A história demonstra que há greves que se realizam por motivos políticos que vão para lá de reivindicações laborais. Aconteceu há pouco tempo na Palestina a propósito do reconhecimento dos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel, aconteceu na Catalunha quando se reivindicava a legitimidade do resultado do referendo, aconteceu inúmeras vezes no País Basco quando eram assassinados militantes independentistas e aconteceu em muitos outros lugares do mundo por diferentes motivos. Mas em todos esses casos, as paralisações foram convocadas por estruturas sindicais. Ou seja, independentemente do que diga qualquer um de nós, quem decide em última instância sobre a oportunidade de uma greve geral é a CGTP. Ou seja, os seus membros. Podemos espernear, dizer que a Regina Marques isto, que a Fernanda Câncio aquilo, mas as greves não se decretam, fazem-se.

E há gente que adora decretar. São os decretistas. Independentemente do que se ache da posição veiculada pela dirigente do MDM, ela não é decretista. Esta organização que acaba de fazer meio século foi fundada por mulheres que desafiaram o fascismo. Coisa que a maioria dos decretistas nunca teve de fazer. Geralmente, os decretistas gostam que outros façam por eles. E também geralmente, quando até calha as organizações coincidirem com os decretistas, mudam imediatamente de opinião. Se é um debate devia ser uma concentração, se é uma concentração devia ser uma manifestação, se é uma manifestação devia ser uma greve e se é uma greve devia ser uma greve indefinida. Indefinida como os interesses de quem acha que o simples facto de se decretar algo concretiza esse desejo. Podem decretar o que quiserem, até o socialismo. Mas nos bastidores da realidade, por trás do palco onde se divertem a desenhar planos para outros fazerem, há gente que trabalha para construir um país diferente. Com seriedade. Para podermos mais cedo que tarde convocar greves de trabalhadores com deficiência, de imigrantes, de mulheres que trabalham ou mesmo de jornalistas.

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