«A função social da terra só se cumpre com as mãos de quem a trabalha»*

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Há 40 anos, os trabalhadores agrícolas do Sul do País tomaram a decisão de romper com séculos de opressão baseada na propriedade das terras. Extensas herdades de uma minoria agrária com poder económico e político conviviam com a pobreza e a miséria da maioria do proletariado agrícola. Com Abril, encerraram-se as portas da brutalidade fascista e pôde semear-se nos campos aquilo a que Álvaro Cunhal chamou “a mais bela conquista da Revolução”. À conversa com alguns dos protagonistas da Reforma Agrária, percorremos os caminhos do passado sem perder de vista o presente e o futuro de uma aspiração inscrita na história da luta dos trabalhadores portugueses.

António Gervásio desempenhou como dirigente do PCP e destacada figura da luta agrícola um papel importante. Também Manuel Vicente, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Évora, e Rogério Arraiolos, da Unidade Colectiva de Produção Pedro Soares, de Montemor-o-Novo.


A Reforma Agrária não surgiu apenas com a Revolução de Abril. Qual era a situação dos campos do Alentejo antes da ocupação das terras?

Manuel Vicente (MV) - A Reforma Agrária resulta de uma série de lutas de resistência dos próprios trabalhadores agrícolas. Era a necessidade de acabar com aquela repressão, com o medo e a exploração. Viviam-se tempos difíceis de muito desemprego e trabalhos sazonais. Às vezes, para fazer o mesmo trabalho e os mesmos horários, os patrões baixavam os salários para metade. E aquele que questionasse começava a ser visto como agitador. Era uma exigência anterior à Revolução e não se pode ignorar o papel do PCP junto dos operários agrícolas. Nesse sentido, as lutas foram-se desenvolvendo numa acumulação de forças e consciência de classe.

António Gervásio (AG) - Uma das questões fulcrais era a concentração e posse da propriedade face ao proletariado agrícola que não tinha senão a sua força de trabalho. Muitos nem um quintal tinham. O trabalhador agrícola dos campos do Sul não queria a terra para ser um pequeno agricultor. Queria ser operário. Queria a terra para a trabalhar e não para ficar com ela. Este foi o baluarte da resistência antifascista. Disso foi exemplo a conquista das oito horas de trabalho em pleno fascismo. Era um desafio atrevido e conquistaram-no.

Em que condições se decidiu avançar com a Reforma Agrária?

Rogério Arraiolos (RA) - O abandono das terras e o despedimento dos trabalhadores precipitaram essa necessidade.

AG - Em 1974, os agrários do Sul despediram os trabalhadores depois de rejeitarem os contratos colectivos de trabalho fruto da Revolução. Então, começaram a fazer as ações de sabotagem. Deixaram o gado morrer à fome e à sede, destruíram as culturas e esvaziaram as barragens. Inclusive, fugiram com gado e máquinas para Espanha e para o Norte. Em fevereiro de 1975, em Évora, realizámos, então, a I Conferência dos Trabalhadores Agrícolas com a participação de quatro mil delegados eleitos pelos operários agrícolas. Foi uma experiência muito rica com quatro painéis de debate, com milhares de convidados, militares de Abril, políticos, técnicos, delegações estrangeiras.

Isso foi em Évora.

AG – Sim, ao longo do dia juntaram-se 30 mil pessoas em Évora para saber o que se tinha decidido na Conferência. Foi bonito. As conclusões foram integralmente lidas para esse mar de gente. A principal decisão: ocupar as terras incultas dos latifúndios. A reação foi incrível com gente a saltar, palmas, gritos. E não houve qualquer hesitação porque as conclusões estavam assentes numa discussão muito alargada. “Avante com a Reforma Agrária” era a palavra de ordem e até junho desse ano foram ocupados cerca de 500 mil hectares de terras.

E como levaram essa palavra de ordem à prática?

RA – Primeiro decidia-se o que se ocupava, juntava-se um grupo de malta e falava-se com os trabalhadores daquela zona. “Estão dispostos ou não?”, perguntava-se. Naquela altura todos estavam dispostos. Informávamos o MFA, avançávamos para o terreno e aquilo passava a ser dos trabalhadores. Então, fazia-se um inventário do que havia e formava-se uma comissão de trabalhadores.

MV – Normalmente, havia sempre a tentativa de reunir as forças com o MFA e um técnico. Fazia-se o levantamento das herdades e ficava tudo registado. Se havia ou não ferramentas, máquinas, etc. Esta foi a concretização da maior aspiração do proletariado agrícola e uma resposta à descapitalização dos campos do Alentejo fruto da sabotagem dos agrários. Acabava o medo do patrão e começava a vida democrática.

RA – Uma noite, fui chamado ao Couço onde se concentravam centenas de pessoas para discutir como avançar para a ocupação de terras. Precisavam de alguém de uma cooperativa e foi por isso que me chamaram. O que dali resultou foi que nessa mesma noite formaram dez grupos para de manhã estarem em dez pontos da freguesia e ocuparem as terras.

Houve solidariedade de outros setores da população e de outras zonas do País?

AG – A solidariedade foi um grande aspecto na Reforma Agrária. Nos primeiros tempos, vinham milhares de pessoas ver e ajudar. Chegavam jovens que traziam as suas ferramentas para trabalhar e dar o seu contributo. Havia solidariedade entre cooperativas. Também de técnicos, músicos e médicos que vinham dar apoio clínico. Havia solidariedade com agricultores do Norte. Vendia-se feno e palha a preços solidários. Empresas da região de Lisboa como a Mague, a Sorefame, a Siderurgia Nacional e o Arsenal forneceram máquinas às cooperativas.

E a solidariedade internacional?

AG – Em parte, a Reforma Agrária mecanizou-se rapidamente graças ao esforço solidário de países então socialistas. A União Soviética ofereceu 250 máquinas. A RDA, a Bulgária, a Checoslováquia e a Roménia também cederam tratores e alfaias. Vinham técnicos desses países conhecer o nosso processo. A mecanização da Reforma Agrária significou, de facto, a modernização da agricultura e resultou em grandes avanços.

Na prática, o que significou a Reforma Agrária para o proletariado agrícola?

AG – Só aqui em Montemor-o-Novo foram criadas 25 Unidades Colectivas de Produção (UCP). No total eram 550 que reuniam cerca de 75 mil hectares, quatro mil trabalhadores, 253 propriedades expropriadas. Na prática, a Reforma Agrária acabou com a maioria dos latifúndios. Em Avis, por exemplo, a estrela do processo era a UCP 1.º de Maio que tinha 11 mil hectares, centenas de trabalhadores e era a mais modernizada e avançada. Nos começos de 1976, fizeram um balanço e estavam ocupados um milhão e 145 mil hectares. Ou seja, correspondia a 50 mil postos de trabalho. O flagelo do desemprego tinha acabado. Quando se realizou a I Conferência da Reforma Agrária, em outubro de 1976, a área semeada chegava a 139%, o gado tinha aumentado 112%, as máquinas e alfaias 169% e a área de regadio 126%.

RA – Passámos a ter trabalho assegurado, alimentação como não tínhamos nas nossas casas, passámos a ter casas de banho, por exemplo.

AG – A Reforma Agrária teve uma adesão grande e melhorou consideravelmente a vida dos trabalhadores, muitos começaram a ter televisões, frigoríficos, máquinas de lavar a roupa, automóveis. As férias, os salários, os transportes entre a casa e o trabalho e, claro, as estruturas sociais como as padarias, os lagares, as hortas coletivas. Tudo isso foram conquistas da Revolução e da Reforma Agrária.

Como escolhiam os nomes das UCP?

AG - Ao princípio falava-se de herdade colectiva e não soava bem. Surgiu o nome Unidade Coletiva de Produção que foi bem aceite. Depois o Governo só aceitava UCP/Cooperativa Agrícola. Então, para se distinguirem, cada UCP começou a adotar um nome diferente. Grito da Revolução, Muralha de Aço, Vitória do Povo, Coração da Revolução, Catarina Eufémia, Álvaro Cunhal, Custou Mas Foi, Fidel Castro, foram alguns dos nomes escolhidos.

Como “morre” o processo da Reforma Agrária?

AG – O I Governo Constitucional do PS, dirigido por Mário Soares, e António Barreto, ministro da Agricultura foram os que iniciaram a ofensiva contra a Reforma Agrária. Contavam acabar com isto em poucos meses mas aguentámos 14 anos. Esta ofensiva arrastou-se dia e noite numa luta heroica e corajosa dos trabalhadores rurais. Oito anos depois dos ataques, tinham roubado 700 mil hectares de terra, descaracterizaram as terras, roubaram a cortiça e 122 mil máquinas e alfaias agrícolas, destruíram 220 UCP, arruinaram edifícios e acabaram com albufeiras, espancaram dois mil trabalhadores e assassinaram o Casquinha e o Caravela.

Qual é a herança da Reforma Agrária?

MV – As terras foram ocupadas não para substituir agrários por outros agrários. A terra tem uma função social e só a cumpre com as mãos de quem a trabalha. Esse ensinamento é uma das heranças da Reforma Agrária. Devemos defender uma nova Reforma Agrária porque a terra deve ser de quem trabalha. Há terras abandonadas, mato, animais que morrem à fome e nós a comer o que vem do estrangeiro. Se nos fecharem as fronteiras, só podemos comer mato e silvas. Destruíram, espancaram e mataram mas a Reforma Agrária nunca mais perderá a sua voz.

AG – Foi uma experiência muito rica. Não conseguiríamos pôr o Alentejo a produzir nem repovoá-lo sem uma Reforma Agrária. A nossa foi um produto da realidade que tínhamos. A Reforma Agrária avançou com a força dos trabalhadores e com o apoio do MFA. Quando a correlação de forças mudou, a Reforma Agrária estancou. Foram avanços rápidos, organizados e serenos que assustaram a reação que estava contra a Revolução e que desejava a integração capitalista europeia.

MV – Não nos esqueçamos que a Reforma Agrária modificou radicalmente a propriedade da terra no Sul de Portugal que tinha séculos de existência.

AG – A destruição da Reforma Agrária foi a destruição da agricultura e dos campos do Sul. A população é maioritariamente idosa, a juventude desapareceu quando o trabalho acabou. O nosso Alentejo sofreu uma transformação brutal. A Reforma Agrária do futuro não vai ser igual à do passado e há-de ser produto dos que a fizerem. Mas isso só pode acontecer com a derrota da direita e das suas políticas.

*Entrevista publicada na edição de Maio do jornal A Voz do Operário

25 comentários:

  1. Viva a Reforma Agrária :)

    A.Silva

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  2. E vai daí é a direita que faz uma lei sobre as terras abandonadas...

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    1. As afinidades entre "jose" e cristas são evidentes. Ideológicas mas também de negócios. Uma serviu os interesses do outro. Uma permitiu "satisfazer os grandes interesses imobiliários e financeiros, que há muito não escondem o seu apetite pelos «bairros históricos das nossas cidades, em especial de Lisboa e Porto, a troco de umas miseráveis indemnizações atribuídas aos arrendatários, que assim serão expulsos para periferias desqualificadas». O outro continuou a viver ainda mais das rendas. E doutras coisas mais.

      O porfiado esforço de jose para a defesa das políticas governamentais de extrema-direita vão ao ponto de se chegar a "isto". . Agradecido à ministra, agradecido a portas, "jose" para cumprir a sua função manipula de forma descarada.

      "a direita que faz uma lei sobre as terras abandonadas...".

      "Terras abandonadas"?
      O que diz a lei?
      "Terras abandonadas que não sejam alvo de reclamação por parte dos seus proprietários entram ao final de três meses na Bolsa de Terras e passam de vez para a esfera do Estado".

      A diferença é óbvia. Os donos, os grandes donos continuam a ser protegidos. São protegidos. A necessidade de propagandear as pulhices governamentais obriga a estas figuras de serventuário sem escrúpulos.

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    2. "Fala-se de terra abandonada e nós perguntamos: quais terras abandonadas? As do emigrante, que teve de sair do País, para ganhar o seu pão, como, aliás, lhe recomenda este Governo e, por isso, as deixa por amanhar? Ou as dos grandes proprietários, que recebem centenas de milhares de euros de apoios comunitários, sem terem a obrigação de cultivar um metro quadrado de terra?
      Não deixa também de ser criticável o critério unidirecional das propostas. O princípio implícito é sempre o de aumento da dimensão da exploração e, se é verdade que as explorações têm de apresentar uma dimensão mínima de viabilidade, dependente da produção que realiza, também é verdade que a realidade e a experiência nos demonstram que a dimensão excessiva da exploração é, muitas vezes, estímulo ao absentismo ou à redução do aproveitamento de todo o potencial.
      Mas, sobre limitar a dimensão da propriedade, até como instrumento de compensação das áreas mínimas necessárias, nem uma palavra. Mais ainda: a preocupação com a salvaguarda da propriedade.
      Por bastantes vezes se afirma e reafirma a participação voluntária dos privados no mais escrupuloso respeito pela propriedade privada, ou seja, pelos direitos adquiridos. Os direitos adquiridos só são maus, inibidores do desenvolvimento ou da modernidade, se relacionados com o rendimento do trabalho. Se estiverem fundados no mais medieval dos princípios, então, são intocáveis.
      Mas, quanto às pequenas parcelas, que homens e mulheres, particularmente do centro e do norte do País, levaram anos a adquirir, para esses já parece estar aberta a porta, se estiverem distraídos, para ficarem sem o pouco que têm".
      João Ramos

      (De)

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    3. É de facto um insulto aos trabalhadores que levaram por diante a mais bela conquista de revolução de Abril esta manobra do jose, que,para cumprir o favor que a ministra lhe fez (ele sabe do que falo), resolve manter o nível da propaganda abjecta da dita e dos ditos.


      "Ao longo dos últimos três anos, com o pretexto e a justificação da sacrossanta competitividade, o Governo e a maioria na Assembleia da República fizeram sair um conjunto de diplomas [no seguimento, aliás, da aprovação, ainda no Governo PS, do novo regime jurídico do Arrendamento Rural (Decreto-lei 294/2009)] que, se isoladamente considerados são já altamente negativos nas matérias que legislam, no seu conjunto dão a dimensão das ofensiva, e a exigência, e a actualidade, da luta para lhe dar combate. Foram assim aprovados e publicados, sucessivamente, a Lei de criação da Bolsa Nacional de Terras (Lei 62/2012); o novo regime de arborização e rearborização, mais conhecido pela lei da eucaliptização (Decreto-lei 96/2013); a Portaria que define as novas regras fiscais para os pequenos agricultores; as novas regras da Política Agrícola Comum; a alteração da Lei dos Baldios (Lei 72/2014); a lei que extingue a Casa do Douro (Lei 74/2014). ( e agora este pequeno acrescento legislativo referido pelo jose/JgMenos/)

      A síntese das justificações anunciadas para cada uma destas medidas poderá ser encontrada no preâmbulo do diploma sobre a Casa do Douro: «... A melhoria da competitividade do sector depende da capacidade de resposta dos seus agentes às novas dinâmicas do mercado».

      Cá estão a competitividade e o mercado a ser o alfa e o ómega de toda a política agrícola, patentes nas múltiplas declarações do Governo que estabelecem as exportações como grande desígnio para o sector, tendo como objectivo assegurar o equilíbrio da balança comercial em valor, acentuando o desprezo pela produção para garantir a alimentação do nosso país e do nosso povo.

      Senão, veja-se. Invocando imposições europeias, o Governo avançou com um conjunto de novas obrigações fiscais para os pequenos agricultores, em que avulta a obrigação de inscrição nas Finanças para poderem transaccionar o que produzem, independentemente do seu volume e valor, com novas exigências de pagamento de impostos e de contribuições e a obrigatoriedade de emitir facturas para qualquer venda, seja uma tonelada de milho à indústria, sejam duas alfaces no mercado. Tal decisão, que mereceu uma fortíssima contestação por parte dos agricultores e das suas associações, designadamente da CNA, e que tem implicações em reformas e apoios públicos que os agricultores recebiam, provocou, de imediato, a redução do número de pequenos agricultores que se candidataram aos apoios do regime de pagamento único, na ordem dos 6%. Milhares de agricultores que abandonam a actividade e que alimentavam pequenos mercados e circuitos comerciais!"

      João Frazão

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    4. "Para as terras que venham a ficar ao abandono, o Governo avançou com a lei que cria a Bolsa de Terras, que, a pretexto da dinamização do mercado de terras, visava voos mais altos. Ao prever a disponibilização, na Bolsa de Terras, de terras sem dono conhecido e sem utilização agrícola, florestal ou silvo-pastoril, o Governo quer ir criando o ambiente para a aceitação da ideia de expropriar, ao sabor dos grandes interesses, as terras ditas abandonadas. Primeiro obrigaram muitos pequenos proprietários a abandonar as suas terras para irem procurar sustento, quantas vezes fora do país, para agora lhes assaltarem as courelas que custaram vidas a amealhar.

      Mas note-se que a Bolsa de Terras se articula ainda com a nova Lei dos Baldios. A possibilidade da sua integração nos terrenos negociáveis na Bolsa (que, numa primeira fase, admitia mesmo a sua alienação), que antes seria completamente ilegal, veio agora ser legitimada com as alterações à Lei dos Baldios.

      Alterações que visam o propósito de privatizar as vastas extensões que o povo tem defendido, mesmo durante o fascismo, admitindo-se a extinção de baldios e a sua passagem para o domínio privado de autarquias, permitindo depois a sua alienação. Para tanto, não hesitou o Governo em recorrer a formulações que contrariam de forma flagrante a letra e o espírito da Constituição da República Portuguesa, seja no que ao conceito de comparte diz respeito, seja na possibilidade dos baldios entrarem no comércio jurídico. Procura-se ainda afastar actuais dirigentes das suas funções voluntárias, com a ameaça de penalização individual por actos cometidos ao serviço do baldio.

      Por via de lei pretende a direita alcançar o que o fascismo, em muitos casos, não conseguiu pela força da GNR – roubar os baldios aos povos tirando aos compartes o complemento de rendimento que os baldios vêm representando há séculos."

      João Frazão

      É a direita é. A procurar recuperar o que perdeu em Abril de 1974 e se possível ir mais além

      Estas "coisas" fedem

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  3. Verdade seja que o Alentejo foi abandonado pelos proprietários que em boa medida eram absentistas. O que chamam de Grande Luta não foi em muitos casos mais do que ocupar o vazio sob a protecção de um exército anarquizado e aparvalhado.
    E do nada nasceu uma nova elite de adninistradores agrícolas!
    Com eles se deram muito bem os Amorim da cortiça. A eles se deve o lançamento de uma grande fortuna.

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    1. Mudou de rumo.
      É perigoso para o negocio estabelecer as pontes directas entre a Cristas e os que se amesendam em torno das múltiplas rendas com o beneplácito governamental.Como é o caso deste tipo.

      Que se volta já abertamente contra a mais bela conquista de Abril. Tenta retirar-lhe a dimensão heróica. Tenta amesquinhá-la a partir do bafo sinistro da direita pesporrenta. Fala em " exército anarquizado e aparvalhado", sinal do descontrolo que a burguesia teve nesses tempos memoráveis, com o colorido raivoso que ainda se mantem 40 anos depois.Ele, logo ele, apanhado acagaçado no fundo da caserna a 25 de Abril, com o respectivo controlo sanitário em torno dum que queria uma prenda de aniversário à kaulza.

      Ninguém chama de "grande luta".
      É outra coisa, mais profunda e mais bela. Que provoca o rancor aí patente. Mais o afocinhar do referido sujeito em torno dos ditos "administradores agrícolas" "esquecendo" que foi um esforço de todo um colectivo . O que só lhe provoca mais urticária

      Na ausência dos casos de enriquecimento entre os trabalhadores da Reforma Agrária ( ao contrário daqueles canalhas endeusados pelo referido sujeito que recebiam o "retorno justo" na terminologia de néscio e obeso burguês), volta-se para o amorim, na vã tentativa de esconder os factos, lançar a lama da ordem e deturpar a realidade.

      "Lançamento de uma grande fortuna" repete o estribilho dos bas fond abjectos que frequenta. "Em abril de 1974 amorim já é um homem muito rico" escreve um dos jornais de "referência", afirmando aquilo que este tipo quer esconder. Cito : "Amorim que vai voltar a comprar herdades no Alentejo a partir de 1976 - numa altura em que os preços são esmagados pela pressão da reforma agrária e da ocupação de terras - e, coisa que alguns nunca lhe perdoaram, compra cortiça às cooperativas agrícolas"( Fim de citação). Como é o exemplo deste cavernícola que usa vários nicks para cumprir a sua missão. Amorim, esse mesmo que duplicou em 2012 a sua fortuna,à sombra do terreno fértil neoliberal, avaliada hoje em 4 400 milhões de dólares.

      E há quem diga que não existe luta de classes

      De

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    2. "Com eles se deram muito bem os Amorim da cortiça. A eles se deve o lançamento de uma grande fortuna."

      Você é mentiroso, um canalha .

      Não sabe que a cortiça nunca pertenceu aos trabalhadores?

      Quem comercializava a cortiça era o Estado, no entanto os trabalhadores é que tinham que pagar a extração (tiragem) carregar e empilhar.

      Com o devido respeito por os outros participantes do fórum, mas não resisto a ter que lhe chamar um GRANDE FILHO DA PUTA. Está a acusar os trabalhadores de coisas que não aconteceram.

      Não sabe que durante a tiragem da cortiça (paga por os próprios trabalhadores) andava sempre um funcionário do Ministério da Agricultura a controlar a jolda, o carrego e o empilhamento ?


      Vc prova que é um porco autentico (com todo o respeito por o animal).

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    3. Tanto mimo em meia dúzia de linhas. Bravo.

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    4. "Tanto mimo em meia dúzia de linhas. Bravo."

      ??????????/??????????.

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  4. "“1.ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas, em Évora. Aí, os mais de trinta mil trabalhadores presentes assumem de forma colectiva que «a resposta aos problemas do emprego e da produção é a reforma Agrária, que liquidará os latifúndios e dará a terra a quem a trabalha». A partir daí, mais de 1 milhão e 100 mil hectares de terra foram ocupadas. Milhares de hectares abandonados ou incultos foram desbravados, com o consequente aumento da área cultivada. A área cultivada de trigo passou de 407 mil para 517 mil ha, a de aveia aumentou 12%, a de cevada 34%. Aumentou a produtividade, em 20% no caso do trigo, 40% no caso da aveia e 39% na cevada. Alargou-se a produção de azeite, de arroz, de tomate e de outras culturas. Cresceu o efectivo pecuário com um significativo incremento do número de cabeças de gado. Adquiriram-se equipamentos e fizeram-se investimentos e melhoramentos nas infraestruturas. Alargou-se o emprego, com mais de 50 mil postos de trabalho criados, melhorando significativamente as condições de vida dos trabalhadores e das populações. A Reforma Agrária respondeu aos desafios colocados à agricultura, mas respondeu também ao desenvolvimento daquela região. Abriram-se caminhos, construíram-se habitações, criaram-se creches e jardins de infância, centros de dia e outros equipamentos.A Reforma Agrária deu, além do mais, depois de muitos séculos, a dignidade àquele povo. Fez de operários agrícolas dirigentes do seu presente e construtores do seu futuro. Deu às mulheres o espaço e os direitos que lhes eram devidos.Como em nenhum outro momento da nossa história colectiva, falaram os explorados e acabaram com a exploração…."

    João Frazão


    Eis alguns dados que justificam o imenso ódio de classe aí tão bem espelhado em cima

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  5. Um colectivo de 30.000 é um cardume.
    Move-se nesta ou naquela direcção por um qualquer fenómeno epidérmico ainda não bem explicado.
    Mas como não se trata propriamente de peixes, lá no palanque estão os camaradas dirigentes, ora apoplécticos, ora sensatos, conformes ao plano.
    Espalhados pela multidão estão os 'peões, bem afinados para lançar as ondas epidérmicas que serão decisões esclarecidas nos jornais do dia seguinte.

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    1. Não passa.

      Eis o fulano em causa reduzido a "isto".A termos em que mostra o seu rancor desmedido :"cardume" (dirá naquele misto de grosseria e pesporrência) e "palanques" e "apopléticos" e "ondas epidérmicas" e a "jornais".Conformes ao plano

      Recolhe-se em silêncio face a Cristas.Cala-se perante a autêntica bofetada na face lustrosa e sebenta perante a verticalidade de quem fez a Reforma Agrária, já contrariado por não poder somar o Amorim ao seu discurso de manipulador néscio. Desaparece como rato a sumir-se presto quando confrontado com as realizações dos trabalhadores agrícolas, realizações económicas, produtivas, desenvolvimentistas, a caminho do futuro, em que os explorados fizeram ouvir a sua voz,. Para trás fica o discurso da "ocupação do vazio", ultrapassado pela realidade e pelos factos, pelo que mais não lhe resta do que este exorcismo fétido e quase desesperado....

      É espantosa a diferença a todos os títulos entre a postura dos entrevistados e a deste "jose", uns a reivindicar o legado de Catarina e de Caravela e de Casquinha, outro a suspirar saudoso pelo carrajola.

      A luta é de classes...pois é.

      De

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    2. "... a terra é um bem limitado, essencial à produção em quantidade e qualidade de alimentos, para dar resposta às necessidades humanas, sendo essa a sua principal função social. Ou seja, da sua utilização depende a vida da humanidade. É, aliás, por isso que temos afirmado que a agricultura tem de sair da Organização Mundial do Comércio, espaço onde tem sido debatida e acertada a estratégia capitalista para a agricultura mundial.A errada utilização dos solos, um pouco por todo o planeta, com a sua sobre-exploração pelo grande agro-negócio, em muitos casos com o esgotamento da sua capacidade produtiva; as significativas alterações climatéricas que tornam cada vez mais incertas as produções; o crescimento de múltiplos consórcios agro-industriais que detêm milhões de hectares de terra, gigantescas produções e até a patente de muitas das sementes geneticamente modificadas e que poderão pôr em causa o equilíbrio de produção no mundo, colocam novamente na ordem do dia a questão da posse e do uso da terra.Posse e uso, não para ter, mostrar e gerar rendimentos, como foi e continua a ser entendida pelos agrários do nosso país e pelos capitalistas agrários em geral, mas para, desenvolvendo a produção agrícola, colocar ao serviço da humanidade.Para se entender melhor, recorremos à expressão de um trabalhador agrícola de Montemor-o-Novo. «Os trabalhadores ribatejanos e alentejanos nunca pensaram na terra para si, nunca foram gananciosos por ter um bocadinho de terra…, a terra é do nosso país». Para responder às exigências de fazer crescer a produção nacional, de defender a soberania alimentar de Portugal, de dar o direito ao nosso povo de produzir o que melhor servir os seus interesses, de alargar o emprego e o desenvolvimento, de afastar a pobreza, o uso e posse desse bem especial, esse bem único que é a terra, deve estar na mão do colectivo, ao serviço do bem comum e disponível para quem a queira trabalhar. Uma reivindicação com futuro"

      João Frazão

      (De)

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  6. Camaradas a escrever com o novo acordo ortográfico isto é inacreditável. Não faz sentido, é tão estúpido enfim.

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  7. Lol

    Por mim será pelas transcrições feitas.

    Abraço

    De

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  8. Houve solidariedade de outros setores (senhores doutores da população, é isso?!) da população e de outras zonas do País?

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  9. Qual direita? Os governos que temos tido não são partidos de direita, quem cria campos de concentração nazi nos hospitais, e nas casas não pode ser considerado de direita, Portugal e outros países que recebem o tão maravilhoso fmi e suas ligações mafiosas e nazifascistas óbviamente que se essas instituições são autênticas fábricas de matar e que o nosso governo é ainda pior, não percebo a razão de se dizer que são de direita. Portugal matadouro dos velhos, dos doentes e já de muitos jovens e da malta da raça negra, alguma vez pode ser considerada de direita?! Oh pá. Assim não.

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    1. «quem cria campos de concentração nazi nos hospitais, e nas casas não pode ser considerado de direita»??????

      Se não pode ser considerado de direita... então, é considerado de esquerda?

      Existem os dois lados da questão: esquerda e direita.

      Nesses dois lados, não há neutros ou terceiras vias. Ou se é de esquerda ou de direita.

      Estes que nos (des)governam são claramente de direita.

      Saúde

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  10. Não há extremos oh Sr. Anónimo?

    Saúde também para si

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    1. Claro que existem extremos, mas as ideias dividem-se entre «esquerda» e «direita».

      É assim, desde 1789 e o início da Convenção.

      Saúde.

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    2. "Não há extremos oh Sr. Anónimo?"

      Os extremos só aparecem quando os cordeirinhos se escapam das mandibulas dos lobos.

      Nesse momento aqueles que alardeiam até à exaustão que não existem. Içam a bandeira dos extremos. De esquerda claro!


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  11. Os inimigos da Reforma Agrária (amigos dos latifundiários absentistas) deviam ter a humildade de reconhecer que nunca os campos destes país produziram tantos cereais sem custos nem encargos para o erário publico como nesse tempo glorioso em que os trabalhadores agrícolas tiveram a liberdade de cultivar os terrenos do Alentejo e Ribatejo.

    Os efetivos pecuários aumentaram. Foi iniciada a modernização da agricultura . Construíram-se milhares de pequenas barragens e açudes para garantir a reserva de água.

    Deu-se inicio a novas culturas, as áreas de regadio e sequeiro foram alargadas.

    Com a criação das Cooperativas foram promovidos centros de apoios sociais e culturais tanto para os trabalhadores como para os filhos, tais como infantários, refeitórios, cantinas para venda de produtos de consumo, em algumas delas foram abertas bibliotecas.

    Mas um dos resultados mais importante da Reforma Agrária foi a inversão do fluxo migratório.

    Se até ali a tendência era da fuga em massa da população dos campos para as cidades, com a Reforma Agrária passou-se o contrário.

    Criou-se emprego, deu-se condições para as populações regressarem às suas origens.

    Esta realidade desmente todas as teorias daqueles que defendem que o abandono dos campos se deve a que as pessoas preferem integrar-se no "progresso" dos grandes meios urbanos.

    A pergunta principal com que devemos confrontar os inimigos da Reforma Agrária é esta. A que preço ficou o sucesso da Reforma Agrária para os contribuintes Portugueses?

    Qual o valor que tem que se pagar hoje em subsidios para produzir um Kg de trigo, de arroz ou um litro de azeite?

    Quantos destes milhares de desempregados que estão sem trabalho não podiam estar a contribuir para produzir bens alimentares que Portugal tanto precisa e tem que importar?

    Portanto a questão da Reforma Agrária é tanto económica quanto moral e politica.


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