O Tempo dos Ciganos - uma semana com os romenos de Lisboa

6.4.15

Maria mora numa parte de Lisboa que poucos lisboetas sabem que existe. Todos os dias, no seu caminho para casa, atravessa a estação de Sete-rios carregada de pesados garrafões de água. Os seus olhos, verdes de um verde profundo, perscrutam cada uma das pessoas à espera do comboio, que a observam, com muito desprezo, um pouco de medo e a mala bem segura. Maria veste uma saia comprida, muito suja, várias camadas de camisolas e umas sandálias de plástico. E apesar da roupa andrajosa, é uma mulher bonita, na casa dos trinta.

Depois, deixa-se o passeio, cruza-se a via rápida, salta-se o rail de protecção, passa-se por baixo de dois viadutos e alcança-nos o cheiro, o inconfundível cheiro, a fogueiras e a pobreza. Então, por um caminho de cabras, através da lama e do lixo, chega-se ao enorme bairro de barracas oculto sob o Eixo Norte-Sul, um lugar a que 200 pessoas chamam casa.

Quando chegamos, os homens rodeiam-nos e fazem perguntas nervosas em romeno. As mulheres gritam, impacientes. As crianças escondem-se. A comunicação é difícil, entre gestos e escombros de língua portuguesa. Querem saber ao que vimos, se somos da polícia ou da Câmara, porque estamos ali… Os ciganos romenos de Lisboa não estão acostumados a visitas simpáticas… Os ânimos serenam quando chega um homem mais velho com um sorriso dourado, que responde pelo nome de Constantin e que parece saído de um filme de Kusturica. Constantin é o Rom Baro, o líder do clã de ciganos. Com a ajuda de Dorin, um adolescente que se distingue entre os romenos pelo talento para as línguas, começa uma visita guiada que duraria uma semana.

Má reputação


Sem água, sem electricidade, sem esgotos. Mais de duzentos cidadãos da União Europeia sobrevivem em Lisboa em condições infra-humanas. Vivem em cerca de 60 barracas toscas de metro e meio de altura, improvisadas com os materiais disponíveis no lixo: paus, plásticos, placas de alumínio. "Não nos dedicarmos muito a construir as casas" explica Dorin "Não vale a pena. É trabalho e tempo para o lixo". De três em três meses, às vezes menos, a Câmara Municipal de Lisboa visita o acampamento acompanhada de polícias e escavadoras. Sem qualquer aviso prévio, destroem todas as barracas, com tudo o que lá estiver dentro. Para a Junta de Freguesia de Campolide e para a Câmara Municipal de Lisboa trata-se de "resolver um problema de salubridade e higiene pública". Para as famílias que aqui vivem, trata-se do direito a ter uma casa. Então, a CML continua a destruir as casas e os romenos continuam a levantá-las do chão.

João Afonso, vereador de Direitos Sociais da CML alega que não há interesse dos romenos em sair desta situação. Os imigrantes desmentem "Qual solução?! Se nos derem uma casa, nós saímos daqui agora! Vamos! Onde está?" responde Bogdan, um mecânico de trinta e seis anos. Questionado sobre que soluções foram propostas, João Afonso responde que "Junto de outros parceiros, como a Santa Casa e o ACM (Alto Comissariado para as Migrações) procurou-se alojar temporariamente estas pessoas, mas elas recusam sempre".

Afinal, quem diz a verdade? A primeira coisa que devemos saber sobre os ciganos romenos é que eles mentem. Tiveram de aprender a mentir para sobreviver a séculos de perseguições, expulsões e genocídios. A primeira resposta às nossas perguntas é quase sempre uma mentira, mas trata-se de um mecanismo de defesa: quando se é cigano romeno é melhor dar sempre a resposta que nos traz menos problemas. "Nós estamos bem!"; "Não, os portugueses não são racistas"; "Nós não somos ciganos"; "Somos católicos". Só depois, ao cabo de alguns dias, quando podem e querem confiar, é que dizem a verdade, feia e cruel, tal como ela é.

Um antro de crimes (contra os Direitos Humanos)


A CML nunca divulgou como procurou realojar esta população, mas a história de João Afonso está mal contada. Contactado para esta reportagem, fonte do ACM informou que não presta apoio a estes imigrantes porque "não são bem imigrantes, são ciganos. Para esse efeito temos o GACI (Gabinete de Apoio às Comunidades Ciganas)." Por sua vez, o GACI também não conseguiu precisar que intervenção leva a cabo debaixo do Eixo Norte-Sul.

Maria está em Portugal há cinco meses. Veio com toda a família e quer ficar até ao fim do ano. Quase todos os ciganos romenos debaixo desta ponte são migrantes sazonais: vêm durante o Inverno, para fugir às temperaturas glaciais da Roménia e regressam na primavera. Porque vêm? "Na Roménia não há trabalho… em Portugal também não, mas há comida!" diz-me, enquanto exibe um saco do lixo cheio de restos. "Na Roménia passamos fome. Se ficares lá morres! Aqui ninguém morre de fome". O cheiro a lixo e a fezes é nauseabundo. Há crianças doentes e mulheres grávidas. E mesmo assim, todos garantem, que não há miséria portuguesa que se compare à vida na Roménia.


Todas as manhãs, estas duzentas pessoas levantam-se com a alvorada e vão fazer o que lhes valer algum dinheiro: as mulheres vão pedir, os homens vão estacionar carros e limpar pára-brisas. Alguns são contratados como ajudantes em feiras por ciganos portugueses. Uma minoria tem mesmo contratos de trabalho normais: são empregados de balcão, trabalhadores das limpezas, carregadores… Outra minoria dedica-se a pequenas burlas e a furtos não violentos. Talvez por isso se diga que este acampamento é um antro de crimes, mas normalmente, quando se diz isto não se está a falar dos crimes contra os Direitos Humanos.

Acompanhamos Cristian, o namorado de Maria, enquanto arruma carros em Belém. Questionado sobre tráfico de droga, armas e seres humanos, é taxativo: "Há quem faça isso, mas não é preciso ser romeno para ser criminoso". Já sobre as supostas redes de exploração da mendicidade, o discurso é outro "É um problema, é verdade… mas olha, eu aqui em Portugal só fui explorado uma vez e foi por um português. Quando cheguei, fui contratado para trabalhar na azeitona, em Beja, durante um mês. Tinham-me prometido duzentos euros. No final, deram-me quinze. O que é que eu podia fazer?" Na Roménia, Cristian também já fez um pouco de tudo: foi agricultor, construtor e electricista, mas diz-me que em Portugal ninguém lhe dá trabalho, "Sou cigano, não falo português e já estou velho." Com efeito, Cristian tem de mostrar o passaporte para que as pessoas acreditem na sua idade: tem apenas 35 anos mas parece ter 50. E Maria, diz-me ele, tem dezanove.

A procura da felicidade


Num acampamento de 200 pessoas, menos de uma dúzia sabe ler, o que torna ainda mais difícil aprender português e integrar-se na sociedade. Apesar de desde 2009 os romenos não precisarem de autorização para trabalhar em Portugal, a situação desta comunidade pouco se alterou. No entanto, há casos de êxito. Adrian, de 24 anos, conseguiu recentemente um trabalho no Jardim Zoológico de Lisboa. "Mudei-me para um quarto a sério, mas ainda venho cá todos os dias… tenho cá família e alguns amigos". Porque escolheu Portugal? Adrian sorri e encolhe os ombros. "O que é que interessa? Nenhuma terra é a nossa terra. Os ciganos romenos não têm terra. Quando é que nos arranjam uma Israel só para nós?" Pergunta a rir. Conta que já passou por Israel, França, Itália e Espanha. "Mas Portugal não é como a França nem como Espanha… aqui a maioria das pessoas não é racista. Há pessoas muito boas".


De volta ao acampamento, a gritaria anuncia que aconteceu algo. Um adolescente foi acusado de ter roubado comida a uma família, que lhe quis bater. Outras famílias vieram em sua defesa e trocaram-se alguns empurrões. Para acabar com a altercação, alguém atira um pão para o chão. Trôpego e confuso, o rapaz apanha o alimento e engole-o. Explicam-me que se trata de Florin, um rapaz deficiente mental que os pais abandonaram no acampamento há alguns anos. Os outros romenos vão e vêm, mas Florin vai ficando, alimentado pela caridade dos outros mas desamparado, coberto de camadas de fezes e imundície que adivinham a falta de um banho há anos. Quando lhes perguntamos se nunca ninguém do Estado ou da Câmara procurou ajudar Florin, os romenos são unânimes: a única ajuda da CML são bilhetes de ida para a Roménia.

O fantasma de Nicolae Ceaușescu


Aqui todas as noites são passadas à volta da fogueira. Os mais velhos contam histórias sobre outros tempos, sobre como era a vida antes da queda do muro. "Nos anos oitenta, fugíamos da Roménia e éramos heróis! Chamavam-nos exilados políticos e davam-nos casas… Agora, quando fugimos da Roménia, chamam-nos imigrantes ilegais e metem-nos em campos de concentração, como em França" Conta Constantin. "Com Ceaușescu tínhamos pouca liberdade, com o capitalismo temos ainda menos! Olha, quando a PSP vem cá fazer rusgas, sabes como é que é? Entram aqui às três da manhã com caçadeiras… obrigam-nos a sair das barracas como estivermos, viram tudo do avesso, os polícias (homens) revistam as nossas mulheres! E se encontram algum bebé, levam-no com eles… dizem que não podemos ter crianças nestas condições… como se tivéssemos escolha!". E na Roménia? "Pior. Mil vezes".

A situação dos ciganos romenos não é só um problema português nem é de agora. No século XV, Vlad Dracul, que inspirou Drácula e um dos novos heróis nacionais da Roménia, assassinou dezenas de milhares de ciganos, empalando os seus corpos e torturando-os barbaramente. No que é hoje a Roménia, até 1850 os ciganos eram escravos sob propriedade do Estado e apenas durante a II Guerra Mundial, entre 500 000 e 1.5 milhões de ciganos foram exterminados pelo fascismo, um holocausto de que raramente se fala.

No entanto, a maioria dos problemas actuais começou com a queda do muro de Berlim. A execução do líder socialista romeno Nicolae Ceaușescu e da sua mulher, transmitida em directo pela televisão pública, inaugurou a "revolução democrática" que conduziu a Roménia até aos nossos dias e rumo à União Europeia. Nessa altura, os novos governantes acusaram os Ceaușescu de serem ciganos e promoveram o derrube do comunismo como uma luta contra a preguiça dos ciganos.

A Roménia actual é um Estado fundado no racismo. Segundo a ENAR, a Rede Europeia Contra o Racismo, e também de acordo com o Painel Anti-racista da ONU, o racismo na Roménia é transversal a toda a sociedade e afecta especialmente os ciganos, cuja discriminação e segregação geram um ciclo vicioso de pobreza, exclusão e criminalidade.

Do socialismo à barbárie


Segundo os resultados de um inquérito de 2010, 63% dos romenos considera que se vivia melhor no socialismo. Os ciganos foram uma das comunidades mais beneficiadas pelas conquistas sociais desses tempos. Segundo o estudo do investigador Viorel Achim, o socialismo conseguiu sedentarizar os ciganos, massificou a educação e conferiu-lhes posições de poder no Estado e no Partido. Mas segundo os ciganos romenos de Lisboa, esse processo também não foi pacífico "Davam-nos casas, mas nós estávamos habituados a viver em tendas… então usávamos as casas como estábulos e continuávamos a viver cá fora…" Só a partir dos anos 70 é que o socialismo conseguiu integrar a maioria dos ciganos na sociedade romena. Nessa década, o desemprego dos ciganos romenos baixou até aos 30%. Hoje em dia, ultrapassa os 70%. Para os ciganos romenos, a democracia que se seguiu, significou racismo, exclusão e miséria. "Nos anos 90 ficámos com as casas, mas quando privatizaram a electricidade e deixámos de poder pagar, voltaram as fogueiras... Uns anos depois, só as paredes não tinham ardido".



Os exemplos abundam. Em 1993, em resposta a um assassinato às mãos de um cigano, uma turba de romenos incendiou 13 casas, linchou três ciganos e forçou todos os 130 habitantes de uma aldeia a fugir. Em 1999, um diplomata romeno perguntava em Estrasburgo: "Sabem para que servem 32 ciganos?" E, para gáudio e risota geral, respondia: "Para fazer sabonetes em formato 8X4". Em 2001, o Presidente da Câmara de Caiova, a maior cidade do sudeste da Roménia, declarou que "os ciganos fedorentos deviam ser exterminados". No mesmo ano o chefe das forças armadas romenas, Mircea Chelaru, participou na inauguração de um monumento ao líder nazi-fascista Antonescu, responsável pelo genocídio de dezenas de milhares de judeus e ciganos durante a II Guerra Mundial. Em 2011, Cătălin Cherecheș, o Presidente da Câmara de Baia Mare, uma cidade com 250 000 habitantes, mandou construir um muro de três metros de altura para separar os ciganos do resto da população e "manter a ordem e a disciplina". Um pouco por toda a Roménia, várias cidades têm proibido o estilo de música cigano conhecido como Manele.

Primeiro, vieram buscar os ciganos


Em Portugal, a situação dos ciganos romenos é possível porque não inspira muita indignação. Quando, em 2014, um incêndio de origem criminosa consumiu uma grande parte das barracas sob o Eixo Norte-Sul, as caixas de comentários dos principais jornais online encheram-se de contentamento, sadismo e violência. Porque, para muitos portugueses que se indignam com o holocausto, os ciganos romenos são menos humanos, do que judeus e portugueses.


À volta da fogueira, sob as grandes estradas de Lisboa, come-se restos e discute-se como correu o dia. Dois jovens copiam às dezenas cartazes onde, num português quebradiço, se pode ler: "Ajude-me. Sou doente cardíaco, tenho 5 filhos para alimentar". No chão, três crianças jantam agora, directamente de um saco do lixo. Aqui mora uma miséria profunda e antiga, que envergonha. Depois, à medida que a noite avança, um homem toca violino e dezenas de pessoas cantam, em surpreendente afinação, uma música de Gabi Lunca, a "avó do Manele". E Maria, com os olhos mais verdes e o corpo mais leve, dança sob a estrada, tornando Lisboa um pouco mais bonita.



*Fotografias da Década de Inclusão dos Roma.


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  1. Anónimo6/4/15

    Se os gajos da pide e da câmara pudessem punham os romenos numa câmara de gás. Ainda não tiveram coragem de os fuzilar a todos porque dava muito nas vistas e ai era uma porra teriam muita gente contra, assim fazem estes sucessivos atentados, ninguém liga pois já é normal e pronto os romenos contínuam a ser tratados como os comunistas no tempo do botas cardadas, e a câmara e a pide batem palmas bebem champanhe e riem-se de serem tão fascistas como os da união nacional. Com a autêntica cumplicidade dos demais cidadãos lisboetas e outros que por lá moram...

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  2. Anónimo6/4/15

    As fotografias têm dono e algumas histórias que aqui colocas também.

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  3. Anónimo6/4/15

    Obrigado pelo belíssimo texto/reportagem, comeste foi alguns cs e ps.

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  4. Obrigado, Pedro... vou corrigir!

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  5. Em relação ao comentário do Anónimo: as fotografias têm direitos de republicação. As histórias que aqui conto são minhas e de quem as viveu.

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  6. Anónimo6/4/15

    De nada camarada.

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  7. Anónimo6/4/15

    A esquerda-caviar preocupada com os direitos humanos. ahahah que peguem neles e recambiem-nos para a Coreia da Norte. Diz que se está muito bem.

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    1. Anónimo7/4/15

      E tu vai para a Arábia Saudita acompanhado da tua mulher, não te esqueças de levar um bom presunto.

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  8. Anónimo6/4/15

    Oh coisa linda das saias do cavernoso salazar. E que tal ires apanhar gambozinos, é que enquanto vais e vens podemos estar aqui mais um bocadinho sem ler mais bojardas miseráveis de um ser fascista como tu. O Obama ia gostar de receber um gajo como apto para defender os ideais fascistas e alistares-te no exército...

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  9. Anónimo6/4/15

    lol salazar, fascista, Obama...só faltava mesmo uma referência ao estado assassino de Israel para ser a resposta tipo do che guevara de teclado. Pena é eu gostar tanto de fascistas como de comunas sebosos. Mesma merda, cheiro diferente. Vou guardar esta página nos meus favoritos na secção comédia. Diverte-me palhaço

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  10. Anónimo6/4/15

    Michael Berenbaum afirma que as estimativas de acadêmicos sérios situam-se entre 90 mil e 220 mil ciganos mortos em toda a Europa pelos nazis. Cerca de 25 mil na Roménia. O sectarismo é uma doença tramada...

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    1. Anónimo7/4/15

      Antes de responder ao comentário inqualificável do anónimo das 16 e 15 registe-se esta afirmação espantosa:
      " o sectarismo é uma coisa tramada"

      A que propósito o apresentar o número de vítimas do holocausto que varia inevitavelmente com as fontes resulta num acto sectário?

      Doença tramada ( doutro teor) é o que parece resultar de tal tipo de comentário. Sectarismo face às vítimas ( os ciganos) ou cumplicidade com os carrascos ( os nazis?).Os "académicos sérios" são geralmente usados por alguns como falsas virgens para ver se passa.

      Percebe-se que o holocausto cigano incomode alguns.De facto e infelizmente os ciganos não entraram originalmente no museu do holocausto nos estados unidos.

      Segundo Richard Overy (The Penguin Historical Atlas of the Third Reich)
      teriam morrido 222 300 ciganos , dos quais 36 000 na Roménia

      Para Ania Cavalcante as estimativas do total de vítimas ciganas do regime nazi, assassinadas nas câmaras de gás, em fuzilamentos em massa e nos guetos, giram em torno de 200 mil a 500 mil.Teria,sido exterminada mais de metade da população cigana

      Segundo Hancock, Ian. In: Dan Stone. The Historiography of the Holocaust. New York, NY: Palgrave-Macmillan, 2004. 383–396 p.teriam perecido entre 500 000 a 1 500 000 ciganos

      The 1997 figure reported by Sybil Milton, then senior historian at the US
      Holocaust Memorial Research Institute in Washington, put the number of
      Romani lives lost by 1945 at ‘between a half and one and a half million’.37 Significantly,
      the same figure appeared in a November 2001 report issued by the
      International Organization for Migration (the IOM), a body designated to locate
      and compensate surviving Romani Holocaust victims. The brief states that ‘Recent
      research indicates that up to 1.5 million Roma perished during the Nazi era’

      Portanto afirmações sobre o sectarismo são manifestamente desajustadas. E também manifestamente elucidativas sobre o que se pretende com tais credos.

      Mas relembre-se a pergunta de Eric Hobsbawm, em “Era dos Extremos — O Breve Século 20 (1914-1991)”: “Seria menor o horror do Holocausto se os historiadores concluíssem que exterminou não 6 milhões (estimativa original por cima, e quase certamente exagerada), mas 5 ou mesmo 4 milhões?” (página 51)

      Há aqui algo, nesta referência ao sectarismo, que cheira mal.
      Mesmo muito

      De

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  11. A verdadeira esquerda é isto mesmio, alimenta-se de emoções.
    Venham ciganos da Roménia, líbios, sírios e eritreus.
    Venham a este canto da Europa onde há grandes corações que que se abrem para vós.
    Corações não grandes que quase levam a pensar que substituem a boca.
    Mas aí, engano fatal, boca não lhes falta, e por isso cabe ao mundo pagar para que mantenham coração e boca na grandeza apropriada.
    Oh! mundo cruel, que não compreendes a grandeza do povo de esquerda!

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    1. Anónimo7/4/15

      O incómodo perante este tipo de textos faz acorrer sempre os "joses"desta vida , num desesperado esforço destes para circunscrever aqueles, para os limitar e para os caluniar.

      Porque a batalha ideológica também passa por aqui. E jose faz o que pode sem qualquer escrúpulos e sem qualquer pejo.

      Há pouco gritava em prol dos agiotas e dos credores.

      Agora adivinha-se o racismo, um racismo abjecto e miserável
      Que passa pela tentativa de apagar o denunciado neste texto ( subscrevo o que o Pedro Marques diz a tal propósito).Mas que vai mais longe no seu esforço para "esconder" que o que se passa na Síria, na Líbia, na Eritreia é função directa do imperialismo e dos seus jogos de.
      Assim também se manipula.´
      É a voz também do populismo que mal esconde a via para o fascismo

      De

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  12. Esta situação faz parte da pirâmide social criada por o sistema dominante, para haver riqueza excessiva acumulada no topo por uma minoria restrita , existe falta de acesso a todo o tipo de recursos à maioria da população que compõe a base.

    Usem-se os argumentos mais astutos e descabidos que se queira para justificar este tipo de chaga social, mas no entanto todos nós temos o dever de assumir que esta situação é inadmissível nos dias de hoje.

    Porque nunca na história da humanidade se produziram tantos bens e tão baixo custo como atualmente, mas a uma parte das pessoas é-lhes negado o acesso a esses bens.

    Não é promovendo e praticando caridade e distribuindo esmolas que se resolve o problema da exclusão e da miséria, há por aí algumas instituições que se dedicam a fazer disto uma prática no entanto nunca conseguiram resolveram o problema. Simplesmente aliviam a agonia das vitimas por uns momentos.

    Só a justiça social tem mostrado que é a forma mais eficaz para atenuar esta calamidade que nos devia envergonhar a todos.

    Primeiro que tudo deviam ser as crianças alvo da atenção por parte da sociedade.

    O grande poeta António Aleixo dizia que era o "produto do meio onde foi criado" estas crianças se não forem libertadas deste sufoco, seguem as pisadas dos pais.

    Estou um pouco a par da degradação social na Roménia, participo num blog Romeno em língua Castelhana.

    Foi esta a "libertação" que o capitalismo levou ao povo Romeno e aos outros países do Leste.



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  13. É este o blogue que fiz referencia no comentário anterior. " Un Vallekano en Rumania "

    http://imbratisare.blogspot.pt/

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  14. Andei a pesquisar neste blogue acabei por encontrar esta "valiosa obra de joalharia" produzida por o capitalismo na Roménia.


    http://imbratisare.blogspot.pt/2014/12/25-anos-de-rapina-capitalista-un.html

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  15. O capitalismo! Que coisa mais abjecta!
    Se põe os ciganos a trabalhar é escravidão, se o expulso para a Roménia é xenofobismo, se lhe tira os filhos é inumano, se lhes dá de comer é caritativo.
    Nada como deixá-los deambular pela cidade, construindo-lhes uma casa para morar, água luz e RSI.
    Que falta faz o Ceaucescu, o grande protector da ciganada!

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    1. Meu caro.

      Deixe-se de arengas porque não foi nada disso que escrevi.

      Prefere o forno crematório à responsabilidade social ?

      " O capitalismo! Que coisa mais abjecta!"

      Sim; o capitalismo além deste "atributo" que lhe reconhece tem muitas outras qualidades nefastas.

      É criminoso, saqueia as riquezas de outros povos, deixa um rasto de miséria e desolação por onde quer que passa, cria atraso e subdesenvolvimento, provoca guerras, não respeita a natureza.

      A sua ignorância e xenofobia hitleriana impede-o de pensar com racionalidade.

      Porque se não tivesse a mente tolhida com esses preconceitos rácicos sabia que não é integrando à força qualquer comunidade ou criando guetos que se resolvem os problemas sociais e se a isso se juntar a distribuição de esmolas só serve para agravar ainda mais o problema.

      Os Ciganos têm todo o direito de continuar a ser Ciganos ninguém tem o direito de lhes tirar as suas crenças os seus hábitos os seus costumes e a sua cultura, tal como qualquer outra etnia ou comunidade.

      Como escrevi no comentário anterior "que a cegueira de vossa excelência não conseguiu ver" os filhos dos Ciganos têm que ter direito à educação e ao ensino.

      Mas a si preocupa-o mais os "míseros" milhões que o Estado gasta anualmente em apoios sociais que os milhares de milhões enterrados na banca que serviram para cobrir os roubos dos seus muito idolatrados capitalistas.

      O valor dos impostos dos Portugueses enterrados na banca serviam para pagar 300 anos (escrevi trezentos) de apoios do RSI ao valor atual.

      O que o país gasta anualmente em guerras forâneas que em nada nos dizem respeito, dá ´para pagar dois anos de RSI.

      E porque razão tanta imbecilidade por o Estado matar a fome a uma criança.

      Essa arengada só justifica que é um hipócrita um monstro insociável que nem aos direitos das crianças tem respeito.

      Quanto a Ceaucescu leia o linke que deixei aí atrás e depois responda-me. Certo !

      Não se atreva e tergiversar como é o seu costume, porque ainda temos umas contas atrasadas ajustar acerca dos GULAG.

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  16. «Os Ciganos têm todo o direito de continuar a ser Ciganos ninguém tem o direito de lhes tirar as suas crenças os seus hábitos os seus costumes e a sua cultura, tal como qualquer outra etnia ou comunidade.»
    Deixemos o resto da arenga e tomemos este magnífico parágrafo como exemplo do princípio invocado: a responsabilidade social.
    Ora se isso significa «cada um como cada qual e Deus por todos» regredimos uns milénios e óbviamente não é esse o sentido.
    Também pode significar que é tempo de relançar «a missionação dos incréus e chamá-los ao povo de Deus», regrediríamos uns séculos e óbviamente não é esse o sentido.

    Sobra assim a cretinice esquerdalha que diz que os meus impostos haverão de suportar toda a cretinice bem-pensante!

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    1. Deixe-se de parolices, ganhe trambelho para ser capaz de responder às questões com que é confrontado.

      Não se assuste que não regride nada , porque ainda vive no tempo em que os homens grunhiam.

      Portanto encafuar balúrdios em bancos falidos para cobrir a roubalheira dos seus queridos amiguinhos burgueses já é progredir ?

      Quer mais cretinice que pretender impor a sua esperteza vivaça aos outros?




      Leu o mergulho que a Roménia deu com o retorno do capitalismo ?

      «cada um como cada qual e Deus por todos»

      O ditado popular diz " cada um como cada qual e cada qual é como a grande P.... que o pariu".

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    2. Anónimo10/4/15

      Cretinice?

      Sejamos frontais:

      Para este tipo há o direito de lhes tirar ( aos ciganos) as suas crenças os seus hábitos os seus costumes e a sua cultura, tal como qualquer outra etnia ou comunidade.»

      Para este tipo há o direito de os prender,julgar, queimar pelo facto de reivindicarem o direito à sua cultura, às suas crenças, aos seus costumes, tudo coisas que os primitivos cristãos já reivindicavam há séculos.

      Sejamos objectivos:

      Isto que jose defende era exactamente o que os nazis defendiam face a outras raças e a outros povos


      (O termo "ciganada" é o elo de ligação que jose apresenta com o Ku-KLus-Klan)

      Os outros nicks usados por jose ( como o de Jgmenos) são apenas os usados quando ele se presta a missionação dos incréus e à submissão ao capital, naquele seu género de pregador de classe, cobarde e sem escrúpulos.

      De

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    3. Calma Carapeto, o tema é reponsabilidade social.
      Falemos da responsabilidade social dos ciganos.
      Reduz-se, na pieguice esquerdalha, à responsabilidade adentro da sociedade cigana; a sociedade envolvente só tem que se adaptar e viabilizar que assim possa permanecer intocada em costumes, casando os pais miúdos em tempo de ir à escola e outros direitos inalianáveis da sua condição cultural.
      Bem, talvez não...dirá o já missionário Carapeto!
      E por aí fora nesse cínico modo de debitar mantras progressistas à menor oportunidade na segura irresponsabilidade de quem pratica um culto transcendental.
      Nada de novo!

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    4. Anónimo10/4/15

      Calma.?
      Pieguice?
      Esquerdalha?
      O tema é "reponsabilidade" social? Ou o direito dos povos à sua dignidade, tendo como contraponto o racismo abjecto dos que se descaem de forma cínica, a debitar mantras na segura prática da sua missão de classe.

      O rosto visível que espreita e que de quando em quando se emboneca para ver se passa

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  17. Anónimo10/4/15

    Quanto aos impostos.

    Um acanalhado personagem que defende a fuga aos impostos de tubarões como soares dos santos e ricardo salgado perde toda a legitimidade para falar em "meus impostos" com aquele ar de proxeneta disfarçado de virgem púdica, populista e fascistóide.

    O que sobra é o asco à manobra e ao personagem.

    De

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  18. Só um pequeno trecho da História..."""....Dessa mesma época já datam os primeiros registros de perseguições contra os ciganos. Em 1471, leis contra eles foram aprovadas na Suíça. Na península Ibérica, a chamada Reconquista Cristã, em 1492, significou não apenas a expulsão de árabes e judeus, mas de ciganos também. No século 16, os ciganos também foram expulsos da França, durante o reinado de Luís XII, e da Inglaterra, pelo rei Henrique VIII. Mais tarde, Elizabeth I fez pior: durante seu reinado, entre 1558 e 1603, uma lei tornava ilegal ser um cigano. Isso quer dizer que a pessoa era condenada à morte simplesmente por ser filha de pais ciganos. “Eles se tornaram os últimos bodes expiatórios dos males sociais da sociedade do período Tudor”, afirma Thomas Acton, professor de Estudos Romani da Universidade de Greenwich, Inglaterra.
    A perseguição nos Bálcãs foi ainda mais aguda. A partir do século 13, os ciganos foram vistos como estrangeiros que não eram bem-vindos. Acabaram escravizados. A libertação ocorreu apenas em 1864. Na Romênia não foi diferente: os ciganos foram feitos escravos lá até o século 19. Em 1445, o príncipe Vlad Dracul, da Valáquia (antiga província da Romênia), escravizou em seu país cerca de 12 mil pessoas da Bulgária. Essa gente, de acordo com registros da época, “parecia egípcia”. Vlad Dracul, apenas a título de curiosidade, é pai do príncipe que ficou conhecido pela alcunha de Drácula.
    A partir do século 16, países como Suíça, Holanda e Dinamarca, passaram a promover o que ficou conhecido como “caçada aos ciganos”. Ela funcionava mais ou menos como uma caçada a raposas mesmo, quase um esporte. Não era preciso o sujeito ter cometido crime algum para ser aprisionado ou morto como um animal. Recompensas e honras eram prestadas aos que participavam das caçadas. Na Dinamarca, por exemplo, uma grande caçada foi marcada para o dia 11 de novembro de 1835. O resultado foram 260 homens, mulheres e crianças presos ou mortos................Com o fim do conflito, muitos deles imigraram para os Estados Unidos – que, atualmente, é o país com o maior número de ciganos no mundo, cerca de 1 milhão. A última lei contra os ciganos no país, que impedia a entrada deles no estado de Nova Jersey, só foi eliminada na década de 90. Os que ficaram na Europa, no entanto, continuaram a ser sistematicamente perseguidos por diferentes governos. Na Bulgária, a língua e a música ciganas foram proibidas. Na antiga Tchecoslováquia e na Noruega, políticas oficiais promoveram campanhas de esterilização de mulheres ciganas. Até 1972, o governo suíço tomava crianças ciganas de seus pais para serem criadas por famílias não-ciganas.
    A maioria deles, 8 milhões, ainda vive na Europa...

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  19. ciganos/roma
    destinos diferentes,a mesma sorte,,,,

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