Outubro

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Era um vez, há muito, muito tempo atrás, um país onde quem ordenava era o povo. Pode parecer impossível, mas nessa terra distante, os teatros eram gratuitos, só se trabalhava sete horas, os estudantes eram pagos para continuar a estudar e quando alguém ficava doente, havia hospitais onde não se pedia dinheiro nem seguros de saúde.

Mas esse mundo desapareceu: os teatros voltaram a ser caros, voltou a trabalhar-se doze horas por dia, os estudantes passaram a ter que se endividar para poder estudar, os hospitais voltaram a ser um privilégio dos ricos e nós, passada a vertigem bárbara dos anos noventa, voltámos a debruçarmo-nos como arqueólogos sobre as ruínas engolidas pela selva do dinheiro, querendo saber tudo sobre esse tempo, como nasceu, como viveu e como morreu.

Ledo e ufano, o novo velho regime dança hoje sobre a campa soviética, mas nervoso, vá se lá saber porquê, tem que revistar os transeuntes, inspeccionar as casas, destapar os balaios e partir as tulhas à procura... à procura de qualquer coisa. Porque passados quase cem anos, renasce entre a juventude uma fascinação pelo país dos sovietes, as suas conquistas, as suas promessas, os seus erros também.

Os jovens comunistas, nascidos muito depois de 74 nesta nova idade das trevas sem estradas, nem luzes nem direitos, olhamos os vestígios ofuscados, como medievos a redescobrir o legado dos romanos. Mas afinal, o que sobrou? O invólucro oco e morto? A casca inofensiva que vida abandonou? Em 2014, sob cem toneladas de anos enterrada, a Revolução de Outubro nunca foi tão perigosa, inspiradora e cortante, porque cortada a árvore e arrancadas as raízes, sobraram as sementes, pequeninas e caladas, aninhadas no coração das mulheres e dos homens que só vivem do seu labor. Desde o trágico fim da década de oitenta que guardámos essa semente, com os cuidados maternais de quem protege um recém-nascido prematuro. E hoje, aqui e ali, já medra um tímido rebentozinho... na Venezuela, na Bolívia, em Cuba e na maré de lutas que vem inundando o nosso mundo.

Não. De Outubro, não guardamos filatelias nem liturgias vãs, mas a brusca valentia de se levantar um povo lacerado pelas injustiças acumuladas de séculos ao relento, de misérias várias e humilhações maiores. De Outubro guardamos as sementes. Guardamos o chouto firme dos cavalos a irromper pelos palácios poeirentos dos senhores. Guardamos as caras dos homens nas fotografias a preto e branco, crispadas de frio, moídas do cansaço antigo e incurável de trabalhar o tempo todo; guardamos os sorrisos embrutecidos pela vida e, mesmo assim, apesar de tudo e malgrado o resto, engalanados da esperança de controlar o destino das suas vidas; de ser seu o fruto que as suas mãos cultivam.

De Outubro lembramos o génio de Lenine, que soube dessoterrar da crosta bruta as galerias naturais de uma raiva mil anos acumulada de geração em geração e de lágrima em lágrima. De Lenine, guardamos a palavras simples e claras, sem arquitecturas esdrúxulas, que não albergam a pretensão de descer aos operários nem subir aos intelectuais. E a sua voz, em que continua a ressoar o eco do trisso vesperal da primavera, fala-nos não do passado mas do presente: de "expandir a democracia milhares de vezes" através da ditadura do proletariado, tornando tudo democrático, incluindo a gestão das empresas, dos bancos, dos campos e da propriedade. Lenine, o chefe de Estado que ia para o trabalho a pé, o génio de cujas mãos medraram 50 milhões de palavras escritas que e todos os dias recebia operários que lhe estendiam mãos grosseiras com o jeito da enxada.

Lenine, o estratega do primeiro Estado operário, viveu, vive e viverá.

As sementes de Outubro, há que lançá-las à terra. A URSS foi o país onde, segundo a UNESCO se viam mais filmes e se liam mais livros. A Revolução de 1917 pôs fim à inflação, à discriminação racial e à pobreza extrema. A esperança média de vida duplicou e a mortalidade infantil caiu 90%. Segundo a UNESCO, nunca uma sociedade tinha elevado tanto o nível de vida da população em tão pouco tempo. Em apenas 20 anos o país dos sovietes atingiu o pleno emprego. Os soviéticos tinham direito a um mês de férias inteiramente pagas. As mulheres tinham direito a 20 meses de licença de maternidade paga por inteiro. A renda da casa representava 2% do orçamento familiar e os serviços básicos 4%. As famílias soviéticas assinavam em média quatro publicações periódicas, o número de visitantes de museus representava metade da população e a frequência de teatros ultrapassava o seu total.

Apuremos os ouvidos para o rumor das ruas: é a idade das trevas que rosna o derradeiro e brutal estertor. É o próximo renascimento da História humana que a agonia do capitalismo anuncia, sob o signo da foice e do martelo e no serôdio estio de Outubro.

41 comentários:

  1. Boa! Excelente o texto!
    Parabéns pelo trabalho e o esforço.

    Hão-de vir agora o «José» e os abutres do costume rondar o teu brilhante texto, mas nada conseguirá demover aqueles que acreditam na verdade e na justiça de Outubro.

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  2. Excelente construção: lúcida, fundamentada, inevitável nas suas conclusões, como inevitável é o desígnio humano de liberdade, de igualdade, de justiça social, que são outras formas de dizer, de erradicação definitiva do Capitalismo.

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  3. Infelizmente, ao lado disso tudo ouve um regime sinistro e totalitário a que alguns dos mais novos de entre os comunistas não receiam fazer o elogio. Será o maior defeito do PCP, partido onde voto, que haja constantemente - residual, mas ruidoso - um núcleo de elogiadores do lado criminoso da URSS, prestes a assustar os que se deixam conquistar pela generosidade das lutas e pelo valor de outras propostas.

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  4. Já cá estou, chegado de uma consulta de um hospital SNS – 7,75 euros porque não sou suficientemente pobre – deparo-me com este hino à mentira e à escravatura!
    «os teatros eram gratuitos...se viam mais filmes e se liam mais livros.» - E fica por dizer que eram os livros e os filmes e o teatro pós-censura? Um pequeno erro?
    Temos a lavandaria ‘soviética’a trabalhar...
    O resto é conversa de escravo que não se quer forro porque o dono lhe promete casa mesa e roupa lavada...

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  5. Sem dúvida, que os abutres já começaram a atacar o texto. Faz sempre falta ouvir o pobre e remendado «José» que vem aqui dizer aquilo que gasta em hospitais para depois atacar a saúde livre e gratuita para todos. É verdadeiramente uma obra de ficção este José.
    Pior, é o comentário sinistro e fascista das 12:44. Será algum admirador de Kaúlza de Arriaga e Alpoim Calvão? Só um «reaça» tão obscuro poderia apontar com o dedo «nazi» para o lado criminoso da URSS.

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  6. Caro José,

    Não é verdade que o texto contenha mentiras. No máximo, poderá acusá-lo de omitir a existência de censura. Essa seria uma longa discussão: algum Estado dispensa totalmente a censura? Que critérios devem justificá-la e até que ponto?

    Relativamente às referências a "escravos", não fazem qualquer sentido.

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  7. Porque razão tenho eu que frequentar um hospital público - público, razão de todas as distorções da economia de mercado que nos salva - com a excelência e quantidade de serviços privados de saúde que por aí há?

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  8. Ao meu homónimo anónimo das 13 de Outubro de 2014 às 13:02 digo que fascista é a puta que te pariu, e tão fascista como tu, o Kaulza, o Alpoim Calvão e todos aqueles que dentro do PCP onde voto insistem em ufanos pôr paninhos quentes nos crimes da URSS. Além de tão fascistas quanto os outros (e no caso do meu homónimo também filhos da puta), são ainda por cima burros pois sujam de trampa e sangue um partido que pelos homens, mulheres, história e património o não merece.

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  9. O José quer liberdade para escravizar o próximo. Não, num país socialista essa liberdade nunca lhe será concedida.

    Sobre a censura há um mundo para escrever. Sempre se praticou a censura. Hoje pratica-se a censura no nosso país. A questão é saber qual das classes é que a pratica.

    Curiosamente, nem de propósito, estive ainda há dias a rever a revogação de licença da Hispantv em Espanha e da PressTV no Reino Unido, sendo este um exemplo directo e de fácil apreensão. Mas a censura é hoje muito mais subtil, e por isso mais eficiente. Normalmente são os Estados mais fracos, os que têm de revogar licenças e fechar jornais. Aliás, muitas vezes a censura aparece para responder à vitalidade e à polarização política.

    É óbvio que para um Estado impor a sua linha, tem que promover determinadas ideias e marginalizar outras. Este terreno de jogo que as democracias burguesas permitem aos seus súbditos, apenas confirma a desigualdade estrutural, portanto não são necessárias ferramentas adicionais de censura.Os trabalhadores não têm jornais de alta extração nem canais de televisão. Nós escrevemos umas coisas na internet. Nós não fazemos opinião de massas. E no dia em que começássemos a fazer comichão, não tenha dúvidas de que acabava logo a brincadeira.

    Em suma, e até para confirmar a ideia do José, com o devido enquadramento. É óbvio que quando as classes trabalhadoras tomarem o poder vão censurar. Vão ocupar os meios de informação da burguesia e alterar as linhas editoriais. As ideias liberais e pró-capitalistas serão desta forma marginalizadas, e se necessário perseguidas. A censura muda de campo, o medo muda de campo.

    Cumprimentos

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  10. O Anónimo das 17:38 perdeu o debate, porque perdeu o nível. Quando se perde o nível, perde-se a razão e parte-se para os insultos.

    Repito, em relação ao anónimo (agora das 17:38), a sua consciência fraca tem enorme influência fascista que, por sua vez, é anti-comunista.

    Use a camisa castanha e faça o hino ao seu fascismo vergonhoso e corrupto.

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  11. Argala, muito bem!
    È assim que eu gosto de ver um comuna - directo, imperativo, a dizer ao que vem.
    Vem a oprimir em nome de 'amanhãs que cantam'.
    Ora como é hoje que eu quero cantar e o amanhã dos comunas é seguramente o meu silêncio...caso vamos neste nosso fado.

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  12. Cale-se, ó seu José, JgMenos e «A Chispa» acumulado.
    Tenha vergonha em ser um sujeito duplo que aqui escreve uma coisa e no seu blog «A Chispa» escreve o oposto.
    Você é um nítido nulo, com um problema na sua consciência que ultrapassa o foro psiquiátrico.
    É «Dr. Jekyll» no Manifesto e «Mr. Hide» na sua «Chispa» de trazer por casa.

    O que o indigna não são os comunistas, mas o facto de ninguém o ler na «Chispa».

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  13. Vamos à besta que escreveu o seguinte comentário:

    «Infelizmente, ao lado disso tudo ouve um regime sinistro e totalitário a que alguns dos mais novos de entre os comunistas não receiam fazer o elogio. Será o maior defeito do PCP, partido onde voto, que haja constantemente - residual, mas ruidoso - um núcleo de elogiadores do lado criminoso da URSS, prestes a assustar os que se deixam conquistar pela generosidade das lutas e pelo valor de outras propostas.»

    «regime sinistro e totalitário»?

    Não é assim como lhe chamam os fascistas? Não é assim como vinha escrito em qualquer panfleto alemão, antes e durante a segunda guerra mundial?

    Convém acrescentar que até mesmo alguns esquerdistas conseguem igualar os panfletos nazis, nas suas condenações à revolução de Outubro.

    «um núcleo de elogiadores do lado criminoso da URSS»

    É verdadeiramente lamentável escrever isto, sem investigar a história e sem a esclarecer, como também é lamentável dizer que se vota no PCP e escrever este tipo de coisas, mais perceptíveis em partidos como o PP, PSD, PS e até mesmo o BE.

    Dizer que se vota no PCP e escrever estas tremendas banalidades é ser contraditório.

    Só um ser contraditório que não percebeu de nada e que só leu a propaganda do capitalismo sobre a URSS faz afirmações banais desta natureza.

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  14. «...afirmações banais desta natureza»
    A banalidade deriva do facto de não serem novidade para ninguém, por serem bem conhecidas e documentadas; e se seguramente houve milhões de soviéticos que viveram em paz e razoávelmente, fizeram-no debaixo de um regime político totalitário e criminoso.
    Os comunistas que penaram debaixo do salazarismo´, montaram a ficção de que todos os portugueses estavam esmagados, vilipendiados, bla´. blá..
    Espantosamente na União Soviética, onde tantos comunistas foram esmagados e vilipendiados, insistem em branquear crimes e perversões as mais aberrantes e intoleráveis.

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  15. "Não. De Outubro, não guardamos filatelias nem liturgias vãs, mas a brusca valentia de se levantar um povo lacerado pelas injustiças acumuladas de séculos ao relento, de misérias várias e humilhações maiores. De Outubro guardamos as sementes. "

    Veja-se agora o espectáculo que nos é oferecido por esta sociedade acanalhada , em que o capital é dono e senhor.

    Veja-se a miséria, o desemprego, a fome, o direito à saúde e à educação postos em causa, o homem como lobo do homem, a exploração desenfreada.

    Veja-se ainda o discurso ofcioso e oficial do poder dminante.Veja-se o que tem para oferecer.Veja-se espantosamente a burguesia dominante a afinar as vozes e a zurrar alto e bom som contra os que trabalham , contra os funcionários públicos, contra os jovens , contra as mlheres, contra os pensionistas, contra os reformados.Os urros de ódio perante quem os contesta, os berros histéricos conra os sindicalistas.Veja-se o que têm para oferecer, dias de férias roubados, ordenados pihados, pensões saqueadas.

    Enquanto cantam hossanas à emigração e papagueiam a canção das zonas de conforto.

    Já não têm voz para defender a canalha que nos governa? Alguns ainda se agarram como velhas amantes frustradas à política criminosa de crato, tentando branquear o cheiro fétido escondido atrás de tempos verbais.Outros ainda se enternecem como os discursos da ministra da justiça, ou com as idas em submarino do portas em colóquio mafioso com cristas, a dama dos senhorios e com albuquerque, a dama dos swaps..Outros ainda ocultam as vezes em que levantavam a mão em honra do banqueiro predilecto,..

    "Apuremos os ouvidos para o rumor das ruas: é a idade das trevas que rosna o derradeiro e brutal estertor. É o próximo renascimento da História humana que a agonia do capitalismo anuncia, sob o signo da foice e do martelo e no serôdio estio de Outubro"

    Pois é. "As sementes de Outubro, há que lançá-las à terra"

    .De

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  16. Excelente abordagem da verdade e da realidade daquilo que foi esse grande país dos Sovietes.

    É pena e lamentável ao mesmo tempo, que não haja quem se interesse abordar este assunto com mais profundidade e o divulgue mais vezes.

    Porque se a verdade nalgum sentido da vida alguma vez pode ter dono neste aspeto é propriedade legitima e absoluta dos comunistas.

    Faltou dizer que incumbia às empresas fornecer habitação aos trabalhadores, que o ensino era totalmente gratuito em todos os níveis. Que eram os trabalhadores que decidiam a organização das empresas, escolhiam os dirigentes e os seus representantes.

    Que quando havia falta de mão de obra em certos setores requisitavam-se trabalhadores onde os havia disponíveis.
    Era interessante aqui em Portugal ou em qualquer país capitalista, engenheiros, empregados de escritório, estudantes e outros profissionais que levam a vida a coçar o traseiro sentados no conforto dos gabinetes terem que ir fazer a colheita de produtos agrícolas ou realizar outra tarefa fora da sua área?

    Há uma verdade insofismável que incomoda muito os inimigos do Socialismo. Nunca na história da humanidade se conseguiram progressos tão rápidos e profundos num tão curto espaço de tempo como no país dos Sovietes. Que não restem duvidas por muito que falseiem a história têm que carregar com o peso da verdade.

    A Rússia Czarista em 1917 era um país atrasado entre 50 e 100 anos em relação aos países mais desenvolvidos, habitado por analfabetos e camponeses ainda submetidos às regras do feudalismo, a industria era praticamente inexistente. O pouco que existia foi devastado por uma aterradora guerra civil (imposta do exterior) que durou cerca de quatro anos, um grande numero dos quadros mais valiosos morreram durante esse conflito. Depois de terminada a guerra civil os contra revolucionários nunca deixaram de conspirar contra a jovem revolução. Além do bloqueio económico montado por os países capitalistas.


    Mas mesmos nesses terríveis condições a União Soviética governada por os comunistas conseguiu em pouco mais de duas décadas não só alcançar como ultrapassar a maioria dos países capitalistas.

    E mais; tudo isto conseguido com seus próprios recursos. A União Soviética nunca teve Colonias para rapinar as riquezas de outros povos e ainda menos multinacionais a escravizar trabalhadores em qualquer parte do mundo.

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  17. "No plano internacional, tal como escreve A.Badiou, os Estados socialistas provocaram suficiente medo aos Estados imperialistas para “os obrigar, tanto externa como internamente, a cautelas cuja falta tanto sentimos hoje” Evidência cada dia mais clara: a simples existência desse campo de enfrentamento, isso a que um presidente norte-americano não teve vergonha de chamar “império do mal”, impediu durante mais de 70 anos o “mundo livre” de revelar tão abertamente como o faz hoje as suas verdadeiras normas: guerras, miséria, desemprego em massa, prostituição, tráfico de droga e armas, empobrecimento absoluto e lobotomização generalizada das grandes massas, etc. O domínio absoluto do capitalismo vem trazendo grandes sofrimentos a centenas de milhões de pessoas, tanto no interior como no exterior dos países ex-socialistas. Como nos parecem distantes aquelas incríveis declarações dos anos 91-92, segundo as quais o desaparecimento da União Soviética constituía uma oportunidade para os revolucionários do mundo inteiro! Uma hipoteca menos para os “puros”, aquelas almas nobres que, ao fim e ao cabo, tinham desejado a revolução mas… sem prejudicar nem ofender ninguém, o progresso social mas sem essa União Soviética, sempre demasiado “branda” ou demasiado “dura” aos seus olhos altaneiros, para todos aqueles que clamavam e ainda hoje clamam por uma revolução… sem revolução".
    ...
    "O direito a um trabalho fixo, a jornada de 7 horas, ou mesmo 6 horas (instaurada em 1956), assim como a semana de 5 dias, o direito a ensino gratuito, aos cuidados sanitários e à protecção social, a alugueres de baixo custo, a reforma fixada aos 55 anos para as mulheres e aos 60 para os homens, tudo isto resulta da revolução de Outubro. O regime que saiu de Outubro de 1917 estabeleceu além disso os fundamentos da abolição da discriminação e opressão das mulheres. Aliviou-as de numerosas responsabilidades familiares, criando um sistema gratuito de serviços sociais geridos pelo Estado. Desde o primeiro momento da sua criação, tentou fazer recuar preconceitos, alguns milenares. O poder soviético soube gerir o seu imenso território praticando uma espécie de “internacionalismo interno” como nunca o fez nenhuma outra potência com as suas colónias, levantar um sistema internacional através dos primeiros planos quinquenais de antes da guerra e, quando era o caso, reformar-se. São outros tantos factores que testemunham avanços muito espectaculares em relação com a antiga Rússia.
    ***
    Podemos dizer que a questão do balanço do período histórico iniciado com a Revolução Soviética e com a chegada de Lenine ao poder continua a estar manifestamente em aberto. Podemos dizer que regressará em breve uma reabilitação mais que parcial de Outubro de 1917, e do “socialismo real” com a renovação das lutas e a restauração da esperança."

    Jean Salem

    (De)

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  18. (Nem todos os portugueses de facto estavam esmagados e vilipendiados. Os donos de Portugal eram servidos pela matilha do regime.Um futuro presidente da república punha aos 27 anos como observaçoes na ficha da pide, a delação típicamente caracterísitca do que viria a ser no futuro...).

    Jose contou há dias uma história paradigmática.Ei-la na íntegra:
    "Numa consultoria numa empresa flamenga, tive necessidade de propôr uma reunião pós-laboral de uma meia-hora. O chefe da equipa envolvida reagiu com o pior dos humores.
    No fim da reunião deu-me boleia, ofereceu-me uma cerveja no caminho e conversou descontraídamente.
    Perguntei-lhe: se não tinhas pressa porquê aquela reacção? 'Para mim tempo extra é sinal de ineficiência, e isso irrita-me!'
    Que diferença para direitos e garantias.... "

    Esta estória define-o, a sua forma de pensar, um certo lambe-botismo a meias com a cumplicidade um pouco repugnante, a sua subserviência constrangedora face a quem detém o poder, o seu desprezo boçal pelos "direitos e garantias"

    Mas se a trago aqui é com um objectivo concreto:
    A "eficiência" escondida atrás do porfiar contínuo de Jose/JgMenos o que esconde?
    A banalidade deriva do facto de não ser novidade para ninguém.Jose está preocupado.
    O seu discurso repetido mostra que está até muito preocupado. Ele,logo ele, que detesta a "ineficiência" , que aprendeu que tal é desperdício de tempo, não quer nem perder tempo nem ser ineficiente.

    Por isso o esforço danado para asfixiar as sementes que nasceram da Reolução de Outubro. Por isso a sua insistência em branquear crimes e perversões as mais aberrantes e intoleráveis,nomeando-as como os gestos automáticos de quem espera assim obter as eficiencias exigidas pelo seu outrora companheiro de bebida

    Por isso a insistência (preocupada,repetida,repisada).Ocultando e manipulando os tais crimes inenarráveis e as mais perversas perversões do Capital e dos seus sequazes.
    Tudo em nome da "eficiencia" dos que lutam do outro lado da barricada.

    Mas o que sobra e esta impotência para negar as conquistas trazidas pela revolução de Outubro.Que começam a surgir como faróis nestes tempos sombrios de trevas e de misérias

    "As sementes de Outubro? Há que lançá-las à terra"

    De

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  19. "Anónimo disse...
    Infelizmente, ao lado disso tudo ouve um regime sinistro e totalitário a que alguns dos mais novos de entre os comunistas não receiam fazer o elogio. Será o maior defeito do PCP, partido onde voto, que haja constantemente - residual, mas ruidoso - um núcleo de elogiadores do lado criminoso da URSS, prestes a assustar os que se deixam conquistar pela generosidade das lutas e pelo valor de outras propostas.
    13 de Outubro de 2014 às 12:44"




    O Caro anónimo que escreveu esta trampolina importa-se de esclarecer-me qual era o lado sinistro do regime Soviético?

    Não sou apreciador de filmes de terror , mas quando são bem documentados e com argumentos convincentes não me recuso assistir, embora depois fique com dificuldade em adormecer.

    Aquilo por lá até podia ter sido um inferno em chamas (como insinua) mas quando lá cheguei nem as cinzas consegui ver.

    Vi um país de gente culta, ordeira, solidária, não existia distinção de raças, credos, estratos sociais, tratavam-se todos com respeito fosse qual fosse o estatuto de cada um .

    Por onde quer que passei também não ghettos nem bairros residenciais de luxo para privilegiados.

    Mais; nem vi sequer cemitérios para brancos ou para os outros "pretos quero eu dizer". Como diz que vota no PCP "agradecemos a sua contribuição" devia incomodar-se mais com aquilo que foi a segregação racial e o apartheid que privava dezenas de milhões de seres humanos dos direitos sociais mais elementares, situação vergonhosa que perdurou até há bem pouco tempo (na prática ainda não foi extinta).




    Também não tive nem tenho conhecimento até hoje do extermínio ou perseguição a qualquer povo ou etnia, porque na União Soviética tinham todos os mesmos direitos. Sabia?


    Mas se o caro anónimo tem conhecimento de algo tenebroso e sinistro praticado por os Soviéticos que eu desconheça fico grato que faça o esforço de me elucidar.

    Obrigado.

    Cin Gori


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  20. "Espantosamente na União Soviética, onde tantos comunistas foram esmagados e vilipendiados, insistem em branquear crimes e perversões as mais aberrantes e intoleráveis."

    Não tenha compaixão dos comunistas, eles sabem encontrar a salvação mesmo sem as prédicas dos seus inimigos de classe.

    Quanto a ufanar-se com argumentação descabida de provas fabricadas em imaginários sórdidos e miseráveis com o sentido de subverter a verdade é arma de quem não dispõe de meios convincentes para provar aquilo que diz. Esse é o apanágio dos rufias, dos medíocres e dos desenraizados sociais (existem em todas as camadas).

    Porque qualquer pessoa honesta que pretenda que os outros a levem a sério prova com factos e documentos aquilo que afirma.

    Já alardear de forma leviana e destrambelhada questões que denota nitidamente não conhecer arrisca-se a ser interpretado como um reles pantomineiro, alguém eivado de teimosia que insiste em imiscuir-se em assuntos que não sabe.

    E quando é assim diz-se que faz; figura de ridículo, miserável de garoto.


    Não basta repudiar e odiar algo tem que se saber porque se faz. Porque propalar ódio verrinoso contra a União Soviética dizendo que era um inferno em chamas não chega. Tem que se dizer qual o combustível que usavam para aquecer esse tal inferno.


    Quanto ao resto são fabulações e falsificações da história com o objetivo único de branquear aquilo que foi o nazi/fascismo.

    Aliás; as maiores " vitimas" dos comunistas. E a dor dos seus inimigos reside aí mesmo.

    Mas a cobardia impede-os de revelar a verdade. Odeiam os comunistas unicamente porque foram capazes de derrotar o nazi/fascismo.


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  21. Excelente prestação de «Cin Gori» e «De».
    É aquilo que eu chamo do assalto da cavalaria vermelha contra as brigadas «SS» do «José» e desse «anónimo das 12:44»

    Este «José», um cretino, um nojento, que no seu blog «A Chispa» defende o comunismo e aqui vem atacá-lo da maneira mais escabrosa possível.
    Este José é um corrupto, um doente mental, uma tristeza absoluta.
    Está a precisar de voltar ao mesmo hospital público e pagar os 7,75 euros de entrada, mas para a urgência do médico da cabeça. O seu caso é mesmo grave.

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  22. Não tenho agora tempo de ler tão entusiásticas participações, mas sempre quero deixar uma semente.
    Os comunistas são gente de amanhar terra e de sementeira. A seguir, ainda que da colheita só sobrem cardos, sempre falam da luta do amanho e do delírio da semteira.
    Agricultam ideias e destroem culturas.
    Assim Outubro, assim Abril...se pudessem!

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  23. Assim como escreve na «Chispa», seu doente mental.
    Assim como delira e afirma na «Chispa».
    Haverá coisa mais aberrante e doente que este «José»?

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  24. Os insuspeitos Gorbatchev e Ieltsin nomearam uma comissão para analisar os arquivos soviéticos-Pcus,Kgb e Governo-comissão essa que incluia alguns historiadores estrangeiros,nomeadamente um norte-americano.
    Os resultados foram publicados em livro em meados de 90.Como os números aí apresentados nada tinham a ver com os milhões e milhões de mortos "à Robert Conquest",o livro parece que sumiu ou quase!..
    Se o amigo José e o"camarada" votante no PCP tiverem tempo disponível,poderiam tentar descobrir o famigerado livro aqui pra gente...

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  25. Boa, Zé Manel Silva, isso eles não fazem, por falta de tempo e paciência. No entanto, se sair um livro na FNAC sobre os crimes da União Soviética lá vão eles a correr.

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  26. Zé Manel Silva, a qualidade é que domina a agenda e não a quantidade.
    Se medir a repressão salazarista pelo número de injustiçados, o caso fica insignificante.
    No caso da URSS a medida é sempre proporcionalmente significativa, ainda que lhe tire as deportações étnicas, a fome derivada das exportações de trigo e outras iniciativas progressistas.

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  27. Patético Cin Gori,
    Bem precisas de usar dos habituais exocismos "Odeiam os comunistas unicamente porque foram capazes de derrotar o nazi/fascismo" para que a evidencia não te entre por esse bestunto adentro!.
    Se vier a ter paciência talvez te dê algumas notícias suplementares.

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  28. Num exercício expedito de cumplicidade a que se associa o devido processo de desculpabilização, jose tenta comparar o incomparável

    Primeiro erro:
    Propaganda ao fascismo bem como ao nazismo estão proibidos. Infelizmente para jose o mesmo não se passa com a doutrina marxista-leninista.

    Para que o bestunto (estou a usar o vocabulário do JgMenos) do jose não se encolha de forma irreversível, tornamos claro que estamos a falar dum critério "qualificativo" (!)

    Porque por mais que doa a jose as coisas não podem correr ao ritmo da demagogia boçal e apressada ( em passo de ganso?) do jose,atrapalhado e em polvorosa pela demonstração clara e serena que Outubro foi um avanço de gigante para os explorados sobre a terra

    ( que diabo, jose tem que mostrar mais eficiência ou o seu amigo não se encharca mais em cerveja com ele)

    O que é isso de fascismo?Porque motivo é completamente antagónica do comunismo e porque motivo as asneiras qualitativas do jose caem na ribanceira da propaganda goebbeliana?

    "Fascismo é uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reaccionários, mais chauvinistas, mais imperialistas do capital financeiro... O fascismo não é nem o governo para além das classes nem o governo da pequena burguesia ou do lumpen proletariado sobre o capital financeiro. Fascismo é o governo do próprio capital financeiro. É um massacre organizado da classe trabalhadora e da parte revolucionária do campesinato e da intelligentsia. O fascismo na sua política externa é a espécie mais brutal de chauvinismo, a qual cultiva o ódio zoológico contra outros povos"(Dimitrov)

    Sorry jose mas ainda não é desta que o branqueamento dos seus camaradas ideológicos passa impune

    De

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  29. Segundo erro:
    O silêncio sintomático de JgMenos/ jose quanto ao repto lançado pelo Zé Manel Silva.
    Objectivo e directo.Como um murro no estômago.
    O que faz jose?

    Cala-se. E foge.Foge para as "limpezas étnicas" e para "a fome derivada das exportações de trigo!"

    Tudo também já aqui debatido e bastamente discutido. Jose insiste no tema desta forma nebulosa,porque o tem obrigatoriamente que o fazer.

    Quanto à substância concreta, nikles

    E porque jose tem que armar a tenda que costuma arrumar nestes casos?
    Porque tem que apagar estes dados do subconsciente (ou do consciente) das pessoas:

    "pode parecer impossível, mas nessa terra distante, os teatros eram gratuitos, só se trabalhava sete horas, os estudantes eram pagos para continuar a estudar e quando alguém ficava doente, havia hospitais onde não se pedia dinheiro nem seguros de saúde....A URSS foi o país onde, segundo a UNESCO se viam mais filmes e se liam mais livros. A Revolução de 1917 pôs fim à inflação, à discriminação racial e à pobreza extrema. A esperança média de vida duplicou e a mortalidade infantil caiu 90%. Segundo a UNESCO, nunca uma sociedade tinha elevado tanto o nível de vida da população em tão pouco tempo. Em apenas 20 anos o país dos sovietes atingiu o pleno emprego. Os soviéticos tinham direito a um mês de férias inteiramente pagas. As mulheres tinham direito a 20 meses de licença de maternidade paga por inteiro. A renda da casa representava 2% do orçamento familiar e os serviços básicos 4%. As famílias soviéticas assinavam em média quatro publicações periódicas, o número de visitantes de museus representava metade da população e a frequência de teatros ultrapassava o seu total."

    Repare-se que isto deixa qualquer adepto do Capital à beira dum ataque de nervos.Já falei aqui sobre o que "eles" nos têm para oferecer.
    Abissal diferença que desnorteia qualquer cidadão minimamente honesto.

    Há todavia um pequeno pormenor que quero ressaltar e que já aqui foi focado

    É que era impossível na Europa Ocidental ao tempo da existência da URSS ouvir-se a narrativa neoliberal tão hoje em voga
    Pelo medo que o outro campo impunha.

    Escutam?
    "quem quer saúde pague-a"
    " há que limitar os salários , há que os saquear, há que retroactivamente roubar pensões para que as coisas funcionem"
    and so on que se torna fastidioso---

    eis o motivo da vera inquietação do jose.

    Mas há mais

    De

    .

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  30. Terceira deriva de jose.
    Foca o que a ideologia dominante lhe exige que foque. "Esquece" o que se passa à sua volta, bem dentro do seu território ideológico.
    E não estou agora a falar naquele sítio paradisíaco que jose defende com unhas e dentes e onde a pide exercia o seu "trabalho" tutelar.

    Falo das “democracias ocidentais”, que não passaram de “democracia para o povo dos senhores”, da qual a maioria fica apartada, por vezes sem dar conta de que todos os cidadãos são iguais, só que uns são mais iguais que a minoria…"

    Alguns dados e factos dolorosamente concretos:

    "Andrew Jackson era o presidente do Estados Unidos no momento em que Tocqueville fez a viagem que levou à publicação da “Democracia na América”. É verdade que este presidente liquida em grande parte a discriminação censitária dos direitos políticos. Mas, paralelamente, encontramo-nos com um proprietário de escravos que, igualmente, ordena a deportação dos Peles Vermelhas (os cherokees). Foram homens, mulheres, velhos, crianças: um quarto morreu durante a viagem. Deveríamos considerar que Jackson é um democrata? Os autores da Declaração da Independência e da Constituição de 1787 são igualmente proprietários de escravos, logo, durante trinta e dois dos primeiros trinta e seis anos de existência dos Estados Unidos, a função de presidente é ocupada por proprietários de escravos, muitas vezes implicados na expropriação e deportação dos Peles Vermelhas."

    "É mais adequado falar de Herrenvolk democracy, ou seja, de democracia que vale somente para o “povo dos senhores”. Quando este regime acabou nos Estados Unidos? Com o fim da Guerra de Secessão e a abolição da escravatura que se seguiu? Na realidade, um dos capítulos mais trágicos da história dos afro-americanos foi escrito entre o fim do século XIX e princípios do século XX. O linchamento era um horrível espectáculo de massa. Quero citar aqui um historiador americano:

    “As notícias de linchamento eram publicadas nas folhas locais e vagões suplementares eram acrescentados aos comboios para [transportar] os espectadores, por vez milhares, vindos de localidades situadas a quilómetros de distância. Para assistir ao linchamento, as crianças das escolas podiam ter um dia de liberdade. O espectáculo podia incluir a castração, o esfolamento, a assadura, o enforcamento, os tiros. As recordações para os compradores podiam incluir os dedos das mãos e dos pés, os ossos e mesmo os órgãos genitais da vítimas, assim como cartões postais ilustrados do acontecimento”.

    "Outro historiador americano (George M. Fredrickson) observa que “os esforços para manter a “pureza da raça” no Sul dos Estados Unidos antecipam certos aspectos da perseguição lançada pelo regime nazi contra os judeus nos anos 1930″. Nos Estados Unidos, o Estado racial sobreviverá algum tempo após o afundamento do Terceiro Reich: em 1952, uma trintena de estados da União ainda proibiam o casamento e as relações sexuais inter-raciais, por vezes consideradas como delitos graves."

    "Em Dezembro de 1952, o ministro americano da Justiça envia uma carta eloquente ao Tribunal Supremo que está em vias de discutir a questão da integração nas escolas públicas: “a discriminação racial leva água ao moinho da propaganda comunista” que se difunde entre os afro-americanos (assim como entre todos os povos submetido à dominação colonial e racista). No século XX, o movimento comunista foi o grande adversário do colonialismo, da “democracia para o povo dos senhores” e do Estado racial."

    (excertos de Domenico Losurdo)

    De

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  31. "Em 1930, um ideólogo do nazismo de primeiro plano, como Alfred Rosenberg, exprime sua admiração pela América da white supremacy, este “esplêndido país do futuro” que teve o mérito de formular a feliz “nova ideia de um Estado racial”, ideia que era pois questão de também por em prática “com a força da juventude” na Alemanha. Hitler também se reclama explicitamente do modelo americano: na Europa Oriental, os índios a submeter são os eslavos que é preciso dizimar a fim de permitir a germanização do território e aqueles que serão poupados serão destinados a trabalhar como os escravos negros ao serviço da raça dos senhores (os judeus, ao contrário, são assimilados aos bolcheviques, tanto uns como outros devendo ser eliminados enquanto ideólogos e instigadores da revolta das “raças inferiores”). Naturalmente, é preciso manter em mente a distinção entre democracia (ainda que limitada somente à raça dos senhores) e ditadura. E contudo… Retornemos aos Estados Unidos nos anos que antecedem a Guerra de Secessão. Tocqueville observa a dureza das penas infligidas àqueles que ensinavam os escravos a ler e escrever. Naturalmente, a proibição visava excluir a raça dos servos de toda forma de instrução. E em caso de violação desta regra, os proprietários brancos eram os primeiros a serem atingidos."

    "Além disso, as regras proibiam a miscigenação, as relações sexuais e os casamentos inter-raciais. Ou, mais uma vez, visando tornar hereditária e invariável a condição dos escravos, estas regras acabavam por trazer um grave atentados à liberdade dos proprietários. Por outras palavras, o regime da “democracia para o povo dos senhores” limitava profundamente a liberdade dos proprietários de escravos, confirmando a grande fórmula de Marx e Engels segundo a qual um povo que oprime outro não poderia ser livre."

    "Pode-se pensar do que acontecia quando os escravos se rebelavam ou quando os proprietários temiam serem privados da sua “propriedade” de um modo ou de outro. As testemunhas da época relatam: “o serviço militar [das patrulhas brancas] é assegurado noite e dia, Richmond parece uma cidade sitiada […] Os negros […] não se arriscam a comunicarem entre si por medo de serem punidos”. Os abolicionistas brancos também eram afectados porque eram considerados como traidores da raça branca e por isso eram assimilados aos negros. Vamos dar, mais uma vez, a palavra às testemunhas da época: aqueles que criticam a instituição da escravatura “não ousam sequer intercambiar opiniões com aqueles que pensam como eles por medo de serem traídos”. Todos são constrangidos pelo terror a “não abrirem as bocas, a abafar suas próprias dúvidas e a enterrar suas próprias reticência”. Como se vê, a dominação terrorista que os proprietários de escravos exerciam sobre os negros acabava por atingir duramente os membros e as fracções da classe dominante. Em condições de crise aguda, a “democracia para o povo dos senhores” pode facilmente transformar-se numa ditadura para o povo dos senhores. Entre o Estado racial nos EUA e o Estado racial na Alemanha, há elementos de continuidade e de descontinuidade."

    (todos estes excertos são de Domenico Losurdo)

    Daí também a necessidade imperiosa de demonizar os que ousam lutar contra este "estado de coisas". Misturam-se os dados e manipulam-se os factos.

    Que diacho.Houve um país nascido duma revolução em Outubro onde se assistiu ao direito a um trabalho fixo, a jornada de 7 horas, ou mesmo 6 horas (instaurada em 1956), assim como a semana de 5 dias, ao direito a ensino gratuito, aos cuidados sanitários e à protecção social, a alugueres de baixo custo, à reforma fixada aos 55 anos para as mulheres e aos 60 para os homens"

    Isto é subversão pura.

    De

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  32. DE, muito me impressiona o que diz o Dimitrov e os demais propagandistas do totalitarismo marxista.leninista.
    Fico arrasado só de pensar no peso do capitalismo financeiro internacional sobre os planos de fomento salazarentos e aterrado com o ódio contra os povos de África exercido pelos fascistas portugueses.
    Fico em definitivo em estado de delirante deslumbramento com a obra do comunismo no mundo, de Katyn ao Gulag, de Budapeste a Praga, de Outubro a Abril, da luta de libertação dos povos oprimidos ao tráfico guineense e à plutocracia ahgolana.
    É a prática política dos comunistas o claro espelho das sias luminosas ideias, é a sua fúria destrutiva o natural contrapomto da sua bonomia congénita, seu inenarrável amor pela humanidade, sua apostólica vontade de espalhar a palavra da salvação.
    E é neste luminoso estado de espírito que me retiro para sonhar com os amanhãs balbuciantes.

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  33. A questão não está no estado de espírito do jose.

    A questão repousa em dados objectivos.(Dos quais os neoliberais fogem como diabo da cruz ; por exemplo é insustentáve sustentar a sua visão teológica , mas sempre de classe, da economia )

    Os estados de alma do jose não me interessam para nada. Até soam a contraditório, vindo dum tpo que passa o tempo a papaguear o passos e as "pieguices"que ele diz abominar
    Certo?

    Vejamos:
    Percebe-se que a definição de fascismo incomode jose e que o confrontá~lo com o simples facto de poder ser condenado por levantar o braço como salazar o fazia, o perturbe, em contraponto ao acto do levantar livre do punho . Dimitrov já perturbara hitler, portanto que esperar do comportamento de jose que não o já descrito por Pavlov?
    Daí que o "arrasado" jose ou o seu delírio deslumbrante ou as luminosidades do dito surjam como crises provavelmente da andropausa . Infelizmente nao são argumentos. .Torna-se até "esquisito" e símbolo de algum desnorte essa convocatória dos povos de África e dos portugueses. Já o "tráfico guineense" ou a plutocracia angolana cheire a perturbação mais séria, onde se pode ver que, sob o ponto de vista da qualidade do conhecimento, jose está ao nível dos comentários histéricos de Hilary clinton
    Certo?

    Daí também que finalmente se fique ciente que o jose, que ameaçou "noticias suplementares", fica afinal no balbuciar anódino e paupérimo da guiné e das suas conexões com o tráfico ( fomentadas veja-se bem pelo imperialiso americano) . Que fala em Katyn para marcar o ponto ( já aqui citado n vezes), que fala nos gulags em jeito de malabarista de circo (lembram-se do desafio de Zé Manel Silva?) e ... que,foge., foge apressadamente invocando visões luminosas e estados de espirito. Do dever cumprido?.

    A pergunta ficará mais completa se se inquirir também: e de forma eficiente?

    Mais uam vez vejamos: Jose corrige o tiro quando fez mixórdias com as " diferenças qualitativas" entre o fascismo e a URSS? Nada,,apenas se queixa do seu "arrasamento "

    Diz algo sobre as ditas democracias que brilhavam brilhantemente, onde havia mais iguais do que outros e em que os crimes contra a humanidade se avaliavam também pelo comportamento racista e segregacionista que culminavam em orgias de violencia e de terror? Em pleno século XX? Ja nas sgunda metade o séulo XX?
    Nada.Moita carrasco.

    Finalmente comenta, nega , põe em causa a realidade concreta e palpável, indesmentivel, das conquistas dos trabalhadores na URSS? Contraponto às "promessas" das troikas interna e externa ( mais sugestivas de chantagem e de ameaça do que outra coisa quaquer?)
    Isso seria colocar directamente em causa a própria função do jose.

    Merece assim jose o copo do seu companheiro de copos?

    A resposta, como é óbvio, fica para quem nos lê.

    De

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  34. Este «José» é um atrasado mental.
    Vejam lá se ele vem desmentir que é o autor do blog «A Chispa».
    Este doente escreve o oposto nesse blog de tudo aquilo que vem acusar aqui.
    É um autêntico idiota.

    Não percebo esta maneira de ser numa pessoa normal, mas de um maluco, lá isso percebo e o José não bate bem da cabeça.

    Que imbecil!

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  35. «Se medir a repressão salazarista pelo número de injustiçados, o caso fica insignificante.
    No caso da URSS a medida é sempre proporcionalmente significativa, ainda que lhe tire as deportações étnicas, a fome derivada das exportações de trigo e outras iniciativas progressistas.»

    Comentário de «José» no Manifesto 74

    «Não há que conceder tréguas a este governo fora-da-lei que só irá governar bem quando estiver demitido. Greve geral por tempo e por vezes que forem necessárias se impõe até à sua demissão.»

    Parte do texto pertencente ao mesmo «José» no seu blog «A Chispa».

    A fraude e a loucura em acção.


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  36. Essa 'Chispa' não encontrará outro meio de ser citada?
    Nao há pachorra...

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  37. Sendo neófito neste espaço,algo se destaca de imediato:o José é a vedeta!
    Não gosto de me pronunciar sobre pessoas que não conheço,mas sobre as suas ideias(se as tiverem),aí sim.
    Qualquer manual de psicologia barata nos diz que há pessoas que gostam de ser alvo de atenção,mesmo de forma nada elogiosa.Fica a interrogação...
    Todavia,podemos ver o lado positivo de blogueiros franco-atiradores:estimulam participantes como o De,Cin,etc.a colocar e desenvolver questões,essas sim,muito interessantes.

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  38. Não fuja às suas responsabilidades, seu fraudulento «José».
    O blog é bem seu e desde 2009 que o venho a descobrir, desde "O Cantingueiro", onde você ainda aparecia, a tentar promover a sua "Chispa". Depois, lá se escapou por entre comentários a vários blogs, desde «O Arrastão» até ao «Cinco Dias».
    O seu estilo duplo encontra-se mais apurado, mas ainda não explica esta teimosia de ser fascista nos comentário desta página e comunista no seu blog.
    É um mistério por decifrar.

    Em todo o caso, tudo o que tem escrito aqui é de um anti-comunismo primário medonho e até perverso, ao contrário da sua formosa «Chispa», onde faz precisamente o contrário do que escreve aqui.

    Cá por mim, deve voltar ao hospital de onde veio e pagar a taxa dos 7,75 euros. Procure a secção de neurologia e marque imediatamente uma operação à cabeça.

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  39. Anónima idas 20:18
    Diga-me em que hospital está internada para eu poder evitar clínicos ineficazes.

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  40. Cumprimentos à sua «A Chispa!»

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