No Pineapple Left Behind - os videojogos ao serviço do povo

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Excepções à parte, a chamada "cultura dos videojogos" sempre foi a coutada da direita marginal, um terreno ideologicamente dominado pelo sexismo, o culto da violência, o anti-comunismo e a apologia do imperialismo. À medida que esta indústria conquistou lugares nas bolsas, ultrapassando mesmo a indústria cinematográfica a nível mundial, foi atraindo o interesse e o investimento de magnatas cujas ambições políticas se reflectem nos jogos.

Ao deslocar a experiência cognitiva para a primeira pessoa, os videojogos oferecem uma interacção com a ficção qualitativamente diferente das outras formas de arte: é o espectador que, malgrado coarctado, decide o que fazer, quando o fazer e como o fazer. Esta aparente sensação de agência e livre-arbítrio facilita a identificação do jogador com o seu papel e obriga-o a aceitar a premissa do jogo. Regra geral, essa premissa força o jogador a matar para enriquecer, a professar um individualismo maníaco, a derrubar o governo na Venezuela, a colocar uma bomba no metro de Moscovo ou a assassinar Fidel. Tudo com recurso à ostentação de gráficos cada vez mais realistas e impressionantes. Pelo caminho, fica a qualidade do enredo, a profundidade das personagens e a capacidade de nos surpreender.
O videojogo mais inteligente da esquerda
Há porém excepções. Porventura, a mais rica, cativante e politicamente relevante é o novo videojogo No Pineapple Left Behind, uma produção independente dos autores de Neocolonialism. Neste jogo, um feiticeiro maligno transforma todos os alunos em ananases. O trabalho do jogador é gerir a escola... da perspectiva mais neoliberal possível: Acabar com os sindicatos, encarneirar alunos, despedir professores e segregar as turmas são alguns dos desígnios do jogador.



No Pineapple Left Behind não promete vir a ser só um dos videojogos mais inteligentes da esquerda, aparenta já vir também a ser o mais engraçado.

Apesar de ainda estar em obras, o trabalho artístico já é inspirador e transpira na perfeição a sórdida atmosfera das escolas charter (o projecto foi encabeçado por um ex-professor desiludido).

Como seria de esperar, Pineapple Left Behind não tem o financiamento de nenhum milionário. Ainda bem: só mais uma prova de que merece mesmo o nosso apoio.

5 comentários:

  1. Essa "Excepções à parte, a chamada "cultura dos videojogos" sempre foi a coutada da direita marginal, um terreno ideologicamente dominado pelo sexismo, o culto da violência, o anti-comunismo e a apologia do imperialismo" Tem muito que se lhe diga e revela algum desconhecimento do que é o universo dos video-jogos, universo esse que é bastante mais vasto que os famosos Call of Duty e outros do género que são de facto um culto da violência e do imperialismo.

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  2. "promete vir a ser só um dos videojogos mais inteligentes da esquerda, aparenta já vir também a ser o mais engraçado." Nop.

    Este é que é:
    http://steamcommunity.com/sharedfiles/filedetails/?id=261686744

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  3. "O trabalho do jogador é gerir a escola... da perspectiva mais neoliberal possível: Acabar com os sindicatos, encarneirar alunos, despedir professores e segregar as turmas são alguns dos desígnios do jogador."

    E isto é de esquerda onde?

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  4. Anónimo das 13:32: pensai, comentador que dormis...

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