FARC-EP, 50 anos de resistência!

27.5.14

Neste dia, há meio século, um grupo de 46 homens e duas mulheres resistiam a um cerco militar montado pelo governo da oligarquia colombiana. Vagas sucessivas de ataques de um exército formado por milhares de soldados apoiados por carros de combate, bombardeiros da força aérea e forças norte-americanas de elite não conseguem derrotar o punhado de camponeses. Meses antes, a direcção do Partido Comunista Colombiano envia Jacobo Arenas, membro do Comité Central, para apoiar politicamente no terreno a pequena força insurgente. Marquetalia, o nome da povoação que alberga os combatentes, entra para a história da Colômbia. Em San Miguel, cai em combate um dos mais destacados resistentes, Isaias Pardo. Apesar disso, os 48 guerrilheiros não só rompem o cerco como conseguem sob o comando de Manuel Marulanda Vélez transformar o pequeno grupo na mais importante organização guerrilheira da América Latina.

Dois meses depois, os combatentes reúnem-se e proclamam o Programa Agrário. As palavras retumbam como pólvora pelos campos, selvas e montanhas: «Obrigados pelas circunstâncias não nos resta mais do que a via armada revolucionária de luta pelo poder». A estes camponeses armados juntam-se outros que combatem isolados há anos contra a violência estatal e oligarca. Depois do assassinato, em 1948, do candidato presidencial progressista Jorge Eliécer Gaitán, a violência havia explodido e apesar das promessas de paz, quase sempre violadas, por parte dos sucessivos governos, muitos trabalhadores rurais optaram por não entregar as armas. Um ano depois, em 1965, Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, Ciro Trujillo e Jaime Guaracas dirigem mais de 145 guerrilheiros.

Hoje, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) são a maior força popular comunista em armas da América Latina. Combatem um dos mais importantes exércitos do mundo com cerca de meio milhão de soldados e com o apoio directo dos Estados Unidos. O investimento norte-americano na guerra colombiano é superado apenas pelo apoio que Washington oferece a Israel. Para além das tropas oficialistas, as FARC-EP sofrem o acosso militar das forças paramilitares carniceiras financiadas pela oligarquia, pelos cartéis da droga e com ligações ao poder político.

Forjada pelo Pentágono, a grande mentira veiculada pela imprensa é a de que os guerrilheiros comunistas se dedicam à produção e tráfico de cocaína. De facto, as FARC-EP controlam territórios em que os camponeses não têm outra forma de sobreviver senão através do cultivo das folhas de coca e da sua venda. Sucessivamente, os comandantes farianos têm proposto a erradicação da produção e tráfico de droga através de um programa de substituição de cultivos que dignifique o campesinato e lhe dê condições para viver da produção agrícola. É esse um dos temas centrais que está em cima da mesa dos diálogo de paz que estão a decorrer em Havana.

Os povos odeiam a guerra. O cheiro a pólvora e a metralha entranham-se nas narinas e o sangue jorra indiscriminadamente. Foi a violência da oligarquia colombiana que conduziu os trabalhadores à guerra. Depois do assassinato do candidato presidencial Jorge Eliécer Gaitán, operários e camponeses lançaram-se sobre a oligarquia. Depois da repressão militar sobre o campesinato, as guerrilhas ressurgiram para defender a própria vida e exigir uma vida digna. Depois do processo de paz em que milhares de militantes, candidatos e eleitos do partido lançado pelas FARC e pelo PCC foram assassinados, muitos encontraram na selva e nas montanhas a única forma de sobreviver. Tem sido assim desde sempre. Os trabalhadores e o povo colombiano amam a paz mas não têm outra forma de lutar senão através dos canos das suas metralhadoras. A Colômbia impera anualmente nos rankings de sindicalistas e jornalistas assassinados. É também o país com o maior número de deslocados internos do mundo.

Mas ali, entre a folhagem verde da selva, erguem-se verdadeiras cidades. É a fronteira invisível da dignidade. Os guerrilheiros estudam, levantam hospitais nos sítios mais improváveis, erguem nas montanhas as suas emissoras clandestinas de rádio, jogam futebol em campos improvisados e organizam peças de teatro. Acordam todos os dias às quatro da madrugada e adormecem às oito da noite. Sonham com o dia em que cheguem a Bogotá e não esquecem os que ficaram pelo caminho. Mas a sua força não se limita aos campos, selvas e montanhas. Nas cidades colombianas, nos locais de trabalho e nas universidades, apesar do acosso militar e policial, subsistem as Redes Urbanas Antonio Nariño (RUAN) e o Partido Comunista Colombiano Clandestino (PCCC).

Inspirados pelos princípios de Marx e Lénine e pelo exemplo de Simón Bolívar, as FARC-EP mantêm-se fiéis às razões que levaram 48 camponeses a levantarem-se em armas. Sucessivas gerações de mulheres e homens deram o melhor das suas vidas à luta contra a exploração capitalista e contra o imperialismo. Ao contrário do que dizem as agências internacionais de notícias, as FARC são o digno exemplo de uma força que não claudica e que é fiel seguidor das tradições revolucionárias que povos de todo o mundo forjaram para conquistar a sua liberdade. Agarrar em armas para tomar o céu de assalto é, na maioria dos casos, a única opção que sobra. Foi assim na Comuna de Paris, em Petrogrado, na China, em Cuba, no Vietname, na Argélia, na Guiné-Bissau, em Angola, em Moçambique e em tantos outros países do mundo. Não é por acaso que a Constituição da República Portuguesa, obra da revolução de Abril, reconhece aos povos o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.

Que vivam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia!
Con Bolívar, con Manuel, con el pueblo al poder!


Sobre o 50º aniversário das FARC-EP:

Vídeo da intervenção de Timoshenko, comandante do Estado-Maior Central das FARC-EP

Breve cronologia das FARC-EP (1948-2003)

9 de Abril de 1948. O líder popular Jorge Eliécer Gaitán é assassinado, iniciando um período de violência em todo o país. Fontes indicam que o assassinato fora preparado pela oligarquia nacional e pela CIA.
1949. Surgimento do Movimento de Autodefesa Armada Comunista (MAAC) no município de Chaparral (Tolima), como resposta à repressão e perseguição política do regime. Fascistas e chauvinistas semeavam a morte no país.
1950. Assume a presidência da Colômbia o mais sanguinário governo da história, o representante do fascismo Laureano Gómez.
1950. É realizada a aliança entre os destacamentos comunistas e os liberais de Gerardo Loaiza.
1952. O Governo interino de Roberto Urdaneta envia tropas governamentais para “pacificar” a planície oriental e o sul de Tolíma.
1953. Golpe militar do sanguinário Rojas Pinilla.
1955. Agressão a Villarricca. Ao longo da resistência são fundados os Comandos de Guayabero e El Pato. Porém, antes já funcionavam os Comandos de Riochiquito, Simbula e Marquetália dirigidos por Jacobo Prías e Manuel Marulanda.
1957. Cai a ditadura de Rojas e assume o governo uma junta militar com o objectivo de levar adiante o programa da Frente Nacional que impunha o sistema paritário Liberal-Conservador. Em Dezembro, cessa a luta armada, porém, sem a entrega das Armas. Fundado o Movimento Agrário de Marquetália.
1958. Com a presidência de Alberto Lleras Camargo deixa de funcionar a Frente Nacional.
11 de janeiro 1960. Jacobo Prías (Charro Negro), chefe do Movimento Agrário Comunista cai assassinado por ordens do regime. Manuel Marulanda assume a resistência armada.
1962. Governo de Guillermo Leon Valencia. Fracassa a primeira ofensiva do exército colombiano contra o movimento camponês de Marquetália.
26 de setembro de 1963. Tropas do batalhão Caycedo massacram 16 camponeses em Natagaima (Tolima); como resposta ao massacre surge a organização guerrilheira que leva o simbólico nome de 26 de setembro.
11 de abril de 1964Jacobo Arenas e Hernando González Acosta são enviados a Marquetália pelo Partido Comunista para ajudar na resistência.
27 de maio de 1964. Primeiro combate em La Suiza. Essa data é o marco de fundação das FARC. Com os bombardeamentos em que participam aviões norte-americanos, os combates prolongam-se várias semanas. Há muitas baixas inimigas. Isaias Pardo morre combatendo em San Miguel. 
20 de julho de 1964. Em assembleia, os combatentes proclamam o Programa Agrário dos Guerrilheiros: “... obrigados pelas circunstâncias, resta-nos apenas a via armada revolucionária de luta pelo poder”.
17 de março de 1965. Fusão guerrilheira em Inzá (Cauca) aumentado o movimento para 145 unidades.
Final de 1965. Organizada a Primeira Conferência do Bloco Sul em Rio Riquito, com a presença de 100 combatentes: “A conferência considera de extraordinária importância a iniciativa de unificar as forças guerrilheiras dentro de blocos geográficos determinados”.
23 de setembro de 1965. Cai combatendo em Riochiquito, Hernando González Acosta, estudante da Universidade Livre e membro da Juventude Comunista. O X Congresso do Partido Comunista, expressa: “A guerra de guerrilhas é uma das formas mais elevadas de luta das massas...”. A instalação desse programa do Partido esteve a cargo do membro do Partido, Jacobo Arenas.
Final de 1966. É realiza em El Pato a Segunda Conferência do Bloco Sul, na qual se torna conferencia constitutiva das FARC, com a participação de 250 combatentes. É definido um plano de crescimento e organização nas massas. É afirmado que o processo revolucionário no país seria um processo longo para a tomada do governo, com a classe operaria e o povo trabalhador. Se nomeou o Estado Maior, elegendo Marulanda como Comandante Supremo e Ciro Trujillo como segundo no comando. É aprovado o estatuto de regulamento do regime disciplinar e as normas do comando.
1966-1968. A organização passa por uma profunda crise. Cai Ciro Trujillo. O movimento perde cerca de 70% da força acumulada no processo de luta.
1968. Terceira Conferência das FARC. Nela, procuram-se soluções para a crise.
1970. No início do ano teve lugar a Quarta Conferência, em que foram criadas as condições para voltar a Cordilheira Central. É consolidada definitivamente a ideia de Frentes Guerrilheiras. As comissões saem e a partir daí constroem novas frentes.
1974. Quinta Conferência das FARC. Referindo-se a crise interna, Marulanda disse: “Agora sim, calculo que temos a resposta para essa terrível enfermidade que quase nos aniquilou a todos”. É proposta a ampliação da Força Guerrilheira para se converter num Exercito Revolucionário.
1978. Sexta Conferencia. Se planeia como indispensável capacitar comandantes e crescer em homens, armas, finanças, escolas de Frentes e uma Escola de Estado Maior e Secretariado. O periódico Resistencia passa a sair regularmente.
1980. As FARC libertam a região de Guayabero do “Plano Cisne 3” e culminou na captura de 22 militares e a recuperação de todo o seu armamento.
4-14 de maio de 1982. Em Guayabero é realizada a Sétima Conferência. É formulado o novo plano estratégico da organização insurgente, e que a partir de então seria acrescentado a designação de “Exército do Povo”, passando a se chamar FARC-EP. O plano recebeu o nome de Campanha Bolivariana por uma Nova Colômbia.
Novembro de 1982. É aprovada a Lei Geral de Amnistia.
6 a 20 de outubro d 1983. Plano Ampliado do Estado Maior Central (EMC), que analisa o desenvolvimento da gestão das Frentes de Combate da organização. O plano é em seguida aprovado com unanimidade.
28 de março de 1984. Pacto de trégua bilateral entre as FARC e o governo de Belisario Betencourt. As FARC, com outras forças de esquerda, lançam o partido União Patriótica.
1984-1986. Auge do extermínio das forças da União Patriótica. As FARC saem da legalidade. A União Patriótica conseguiu eleger, no pleito de 1986, 14 congressistas, 18 deputados, 335 conselheiros e um grande número de vereadores. O regime fomenta um plano de extermínio contra a UP e aquilou mais de 4.000 dos seus dirigentes e militantes. O Estado aumenta a guerra suja e a trégua é rompida. Em Cañas região de Ubará, o exercito assassinou 22 guerrilheiros das FARC, violando o acordo de trégua.
10 a 17 de maio de 1989. Plano do Estado Maior Central. As FARC preparam a criação das Uniões solidárias e de núcleos bolivarianos para continuar com êxito as tarefas da Campanha Bolivariana por uma Nova Colômbia.
10 de agosto de 1990. Morre Jacobo Arenas por razões naturais. Em 9 de dezembro, é desencadeado um ataque à Casa Verde, ao Secretariado das FARC, como parte da Operação Centauro II, comandada por César Garcia e comandos militares. O ataque é repelido contundentemente pelas FARC. Neste dia, também foi eleita a Assembleia Constituinte.
1991. Em respostas à agressão, as FARC empreendem a campanha “Comandante Jacobo Arenas, compriremos!”, no qual obriga o regime a negociar a paz. O novo processo de paz principia em Caracas e prossegue até março de 92, em Tlaxaca, México. Em outubro, o governo rompe os diálogos.  
11 de abril de 1993. Reajuste do Plano Estratégico. É proposta a proposta da plataforma por um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional.
1994. Campanha militar na despedida do governo de Galvina, em repudio às suas políticas neoliberais lesa-pátria contra o povo.
30 de agosto de 1996. Nova campanha militar das FARC contra a guerra suja e o Terrorismo de Estado e em solidariedade com os milhares de camponeses que protestavam no sul do país por melhorias sociais. Durante essa campanha, as FARC tomam a base de Delicias. Capturados mais de 70 militares, os quais são entregues a Cruz Vermelha em Cartagena Del Chairá.
Novembro de 1997. As FARC avançam no processo de criação do Partido Comunista Colombiano Clandestino (PCCC).
1998. Neste ano a organização inferiu ao exercito oficial e às organizações paramilitares sucessivas derrotas, como em El Billar, Miraflores, Tamborales, Mitú, Juradó, La Llorona, Yarumaí, entre outras, cansando centenas de baixas e prisioneiros.  
Janeiro de 1999. Começa um novo processo de diálogos pela paz com o governo de Andrés Pastranas, no qual desmilitarizam um amplo território do tamanho da Suíça para o trabalho das FARC. Nas audiências publicas há ampla participação de sectores da população. São denunciadas as consequências da política neoliberal, do Plano Colômbia e da ALCA.
29 de fevereiro de 2002. o governo rompe os acordos de paz com a “Operação Thanatos”.
7 de setembro de 2003. À frente de suas funções de Integrante do Secretariado das FARC, falece nas montanhas da Colômbia o camarada Efraín Guzman, com 67 anos.

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  1. Falece-me a simpatia pelas FARC...cheira-me a droga!

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  2. Anónimo28/5/14

    "Agarrar em armas para tomar o céu de assalto é, na maioria dos casos, a única opção que sobra. Foi assim na Comuna de Paris, em Petrogrado, na China, em Cuba, no Vietname, na Argélia, na Guiné-Bissau, em Angola, em Moçambique e em tantos outros países do mundo. Não é por acaso que a Constituição da República Portuguesa, obra da revolução de Abril, reconhece aos povos o direito à insurreição contra todas as formas de opressão".

    Outro excelente texto do Bruno.
    (Que faz estremecer os apaniguados drogados do pentágono, latindo as suas ordens quais caninos obedientes e fiéis.Fenecem com o seu próprio cheiro. Ainda bem)

    De

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  3. Nem uma palavra sobre os raptos de reféns, por vezes durante longo tempo?

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  4. El Engaño de Juan Manuel Santos a los Colombianos con un "Referendum para la Paz" y el fraude de Rafael Correa a los Ecuatorianos con un Referendum para volverse dictador vitalicio. Historia de los fraudes con Referendums : Mussolini, Hitler, Franco, Pinochet, etc ...

    Primeros Grandes Maestros de la Dictadura mediante Referendums fueron Napoleón Bonaparte y su sobrino Louis-Napoleón Bonaparte.

    El Gran Napoleón hizo ratificar una constitución para el Consulado, haciéndose en ella Primer Cónsul de por Vida ( vitalicio ). Este referendo se celebró el 10 de Mayo de 1802. 99.76% de los votantes lo aprobaron. El 49.45% se abstuvo. Esta dictadura trajo grandes guerras, muerte y destrucción para la juventud de Francia.

    El Príncipe Louis-Napoleón Bonaparte ( sobrino de Napoleón Bonaparte ) siendo presidente de Fancia utilizó el Referndo para volverse dictador y emperador como Napoleón III.

    Después de dar un golpe de Estado el 2 de Diciembre de 1851, el Presidente Louis-Napoleón, disolvió la Asamblea Nacional de Francia, y usó un referendum para declarse gobernante por 10 años más y finalmente emperador de Francia. Esta dictadura terminó con la Guerra Franco-Prusiana de 1871, nuevamente gran destrucción y muerte para los jóvenes Franceses.

    Benito Mussolini utilizó varios referendos en los años 192X para embobar a los Italianos y convertirse en dictador.

    Varios Referendos de Hitler :

    Hitler es nombrado Canciller del Reich por Hindenburg en Enero de 1933. Veamos como usa Hitler el Referendum para engañar a los incautos :

    Un referendum para salirse de la Liga de las Naciones se celebró en Alemania el 12 de Noviembre de 1933.

    Un referendo para fusionar los cargos de Canciller y Presidente del Reich Alemán se celebró el 19 de Agosto de 1934, después de que Hitler fuera Canciller por un año y medio, y después de 17 días de la muerte del Presidente Paul von Hindenburg. Hitler tomó los títulos de Führer y Reichskanzler ( Canciller del Reich ).

    Hitler organizó otro referendo el 29 de Marzo de 1936, con una sola pregunta a los Alemanes : Que si aprobaban el hecho cumplido de la ocupación militar del Rhineland por Alemania. En este Referendo hubo intimidación masiva.

    Stalin en Europa del Este, Franco y Pinochet fueron grandes maestros del Referendum Engañoso para validar sus dictaduras.

    Juan Manuel Santos escribirá su "Referendo para la Paz" en un lenguaje engañoso y fraudalento para ocultar que es un dispositivo para dar Impunidad Total y Amnistía Total a los NARCOS TERRORISTAS FARC y meter en el gobierno a estos secuestradores, asesinos, genocidas, pone bombas y sembradores de minas quiebrapatas.


    Soy Vicente Duque

    y trabajo el blog TIRANIAS.COM

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  5. Anónimo28/5/14

    É porreiro ler o comentário de pessoas, como João Vasconcelos-Costa que olham para as FARC (muito provavelmente) como grupo terrorista, em vez de libertador da Colômbia. Se o tempo voltasse atrás uns 54 anos, em território cubano (e se existisse a internet) era provável ler o mesmo comentário de João Vasconcelos-Costa, «nem uma palavra sobre os raptos de reféns pelas tropas de Fidel?»

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  6. Nunca li que a guerrilha de Fidel tivesse raptado e mantido como reféns durante longo tempo pessoas inocentes. O comentário do anónimo não desmente que as FARC o tenham feito. Queira-se ou não, isto chama-se terrorismo, coisa que foi muito discutida pelos teóricos da nossa família. Porque, se não sabe, eu situo-me no terreno ideológico deste blogue, com actividade política desde os anos 60, embora sem filiação partidária desde há 35 anos.

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  7. Anónimo29/5/14

    O problema é esse e possivelmente o não acompanhamento deste problema que não só afecta a Colômbia, como também o Mundo. Se as FARC vencerem, termina o negócio de narcotráfico entre a oligarquia corrupta deste país e os EUA (principal responsável pelo que está a passar na Colômbia). Caso não houvesse FARC, podiamos bem esperar por uma revolução. É pena que discuta aspectos a que chama de terrorismo nas FARC e esqueça as torturas que os paramilitares colombianos impõe aos prisioneiros das FARC, como também aos comunistas daquele país. Por alguma razão, o exército da oligarquia corrupta da Colômbia é formada por militares israelitas.

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  8. A retaliação já é um procedimento político correcto e ganhador de apoio popular? Eu sou de um tempo em que o PCP tinha extremo cuidado em não fazer vítimas inocentes, nomeadamente nas acções da ARA. Pelos vistos, há uma geração de jovens comunistas que voltou ao passado mais duvidoso do movimento comunista

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  9. Bom texto Bruno.

    Quando terminei de ler o texto e comecei a ler os comentários do João Vasconcelos-Costa, achei que os podia sobrevoar e deixar umas achegas sobre o aniversário das FARC-EP. Mas não posso. Não posso por causa disto:

    1."Queira-se ou não, isto chama-se terrorismo, coisa que foi muito discutida pelos teóricos da nossa família. Porque, se não sabe, eu situo-me no t erreno ideológico deste blogue, com actividade política desde os anos 60"

    De que família teórica é vossemecê afinal?

    2. Defina "vítima inocente" e diga-me quem são as "vítimas inocentes" que estão nas prisões das FARC-EP.

    Meu caro, até o direito internacional burguês define com alguma precisão o que são Prisioneiros de Guerra (POW). Vá ler as Convenções de Genebra.

    Respondendo agora ao primeiro comentário. As FARC-EP cobram imposto aos compradores da folha da coca. Esse imposto é o gramaje. As FARC-EP não a cultivam, mas também não a destroem (não fariam mais nada.. ). E sim, essas folhas de coca destinam-se maioritariamente à produção de cocaína, como é óbvio.

    E desta vez convém que o primeiro comentadeiro vá também ler o que diz o direito internacional burguês em relação à taxação em tempo de guerra. Mais, leia até o NOSSO direito burguês, nomeadamente a nossa Lei Geral Tributária no seu art. 10.º (Tributação de rendimentos ou actos ilícitos). Eu cito: "O carácter ilícito da obtenção de rendimentos ou da aquisição, titularidade ou transmissão dos bens não obsta à sua tributação quando esses actos preencham os pressupostos das normas de incidência aplicáveis."

    Posto isto, qual é exactamente o problema?

    Ver aqui posições de quem se diz da família teórica do blogue que chegam a ser mais atrasadas que o próprio direito internacional e nacional da classe dominante, é obviamente preocupante e impede que o debate avance.

    Um abraço e vivam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo !!!

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  10. Anónimo29/5/14

    Pelos comentários de João Vasconcelos-Costa, as FARC devem deixar de retaliar e sempre que fizerem prisioneiros do lado dos paramilitares, em vez de uns bons pontapés, devem lhes dar "festinhas" e caramelos. É melhor assim. A retaliação contra o inimigo é coisa muito feia. O comunista tem por obrigação tratar os carrascos com bombons e outros aconchegos.

    Por mais injustiças que existam contra os comunistas colombianos, (alguns exilados em Espanha) e por mais torturas e mortes que existam contra as FARC a ideia é criticar as FARC por qualquer ponto que seja, neste caso, "o rapto de reféns". Só este ponto, justifica para pessoas como o Sr. João Vasconcelos-Costa que abandonemos a causa das FARC e que ponhamos uma etiqueta a dizer "terrorismo" por cima deste movimento de guerrilha.
    Por último, posso dizer que o imperialismo norte-americano (que mata e destrói na América do Sul), agradece às posições politicamente correctas de pessoas como o Sr. João Vasconcelos-Costa.

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  11. E se lessem alguma coisa sobre as diferenças entre Marx e Bakunine?
    Está-me a preocupar começar a ver que a nova geração comunista é mais sectária e ortodoxa do que a minha geração, nos tempos da recusa do estalinismo. E não me digam que Estaline não é para aqui chamado.

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  12. Diogo30/5/14

    Revoluções sem sangue?!
    Claro que Estaline é para aqui chamado, nem que seja para o entender João V-Costa.

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  13. "E se lessem alguma coisa sobre as diferenças entre Marx e Bakunine?"

    Quer aventurar-se um pouco mais?

    "a nova geração comunista é mais sectária e ortodoxa do que a minha geração"

    Que a nova geração de comunistas o oiçam, e comecem a enterrar de uma vez por todas as teses liquidacionistas do XX Congresso. As tais dos "tempos da recusa do estalinismo". As tais teses capitulacionistas que fizeram com que parte do movimento comunista esquecesse coisas tão básicas como:

    "Os comunistas rejeitam dissimular as suas perspectivas e propósitos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar."

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  14. Anónimo30/5/14

    O João Vasconcelos-Costa pertence ao comunismo revisionista. É que chamar sectário e ortodoxo a quem gosta de Estáline é muito rico. O João Vasconcelos-Costa devia saber que grande parte da sua geração apreciava Estáline, devido à grande vitória soviética frente ao nazismo. Isto foi antes da implosão da União Soviética, como também antes das campanhas mentirosas e pagas com muito dinheiro para denegrir o comunismo.
    Nós não somos sectários. Gostamos é de ser esclarecidos em relação à história e por favor não me venhas com as tretas do revisionismo que acusam Estáline de ser um assassino, senão o melhor será tirar uma assinatura no partido do Rui Tavares.

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  15. "Cuba's Fidel Castro censures Colombia's FARC for hostage-taking"
    http://www.laht.com/article.asp?ArticleId=320309&CategoryId=14510

    http://no-moleskine.blogspot.pt/2014/05/neoestalinistas.html

    E com isto me vou, que não tenho pachorra para revolucionários imberbes que não fazem ideia do que era pensar em termos marxistas-leninistas quando eu e os meus camaradas lutávamos na clandestinidade. Ao menos, haja respeito.

    E como termino o meu post, "Jerónimo de Sousa, diga a esses meninos que estão a fazer mal ao partido…"

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  16. Meu caro,

    Creio que as ideias ficaram claras.

    O meu medo, que se concretizou, era que vossemecê se dissesse da família teórica do marxismo-leninismo, coisa que é absolutamente impensável face ao que acaba de escrever.

    Você é um revisionista, um reformista. Pior que ser reformista, não vem a jogo, repete mentiras que já foram refutadas aqui, ameaça dar lições sobre as discussões da I Internacional, e ainda ameaça ir fazer queixinhas ao Jerónimo, cheio de preocupações eleiçoeiras. Não sai da latrina em 16 comentários.

    A verdade dura é esta: o problema das FARC-EP não é a "droga" nem os "raptos" (sic). Isso são desculpas. O problema das FARC-EP é o exemplo que dão. O exemplo de combatividade revolucionária faz corar estes gestores eleiçoeiros e instuticionalóides. E isso é obviamente imperdoável.

    "Nos últimos tempos, venho a ver sinais de uma nova vaga esquerdista e de um revolucionarismo primário e romântico, de cartilha."

    O reformismo precisa deste cinismo, senão não se aguenta nas canetas. Espero de facto que a tal juventude comunista romântica consiga expurgar as suas ideias, e expulsar pessoas como você de qualquer cargo de responsabilidade, que em mais de 50 anos só trouxeram desgraça ao movimento operário e a vitória dos nossos inimigos de classe.

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  17. Anónimo31/5/14

    Por mais equívocos que cometa o senhor João Vasconcelos-Costa, não consigo perceber como é que pode ainda afirmar disparates como:

    «E com isto me vou, que não tenho pachorra para revolucionários imberbes que não fazem ideia do que era pensar em termos marxistas-leninistas quando eu e os meus camaradas lutávamos na clandestinidade. Ao menos, haja respeito.»

    Respeito por idiotas? Não, obrigado.

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  18. Anónimo31/5/14

    O " não sai da latrina" é um termo que não qualifica o debate nem o dignifica.
    Os cargos de responsabilidade e outras tretas sobre a desgraça trazida ao movimento operário devem sair da cabeça duma Raquel Varela ou dum apaniguado tipo parecido assim como o ex-revolucionário Argala.
    A discussão deve continuar mas deve sair da latrina para onde argala quer empurrar o debate

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  19. Anónimo31/5/14

    Os pequeno-burgueses armados em revolucionarios não trouxeram assim tanta desgraça ao movimento operário. Calaram-se assim que a URSS caiu e viram chegar os tempos de mel pelos quais ansiavam.
    Entretanto um amigo reolucionario desses tempos o Cohn-Bendit do maio de 68 , que depois saltou para os verdes,eurodeputado dos Verdes durante 20 anos, apoia Junker e argumenta que a eleição deste permitirá fazer evoluir a democracia na União Europeia.
    Um verdadeiro revolucionário este Bendit.Aqui há 50 anos.Tal qual Barroso.Aqui há 40 anos

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  20. "Os cargos de responsabilidade e outras tretas sobre a desgraça trazida ao movimento operário devem sair da cabeça duma Raquel Varela"

    Não é preciso insultar. Pode ir a debate sem insultar.

    "Calaram-se assim que a URSS caiu"

    Não teria sequer existido URSS se não tivesse havido actividade revolucionária, isto é, abertamente insurreccional e militar. Tivesse Lenine um décimo das suas ilusões reformistas, e já teria corrido mal.

    O meu caro não gosta do caminho para onde eu estou a empurrar a discussão, porque sabe que vai de encontro às teses dos caminhos pacíficos para o socialmo. E sabe também que os reformistas não têm nenhum exemplo histórico para defender essas teses. E também sabe que o que leva algumas andorinhas a hostilizar as FARC-EP não é a "droga" nem os "raptos", mas sim as teses que precisamente quero derrotar.

    O que estamos a discutir não é apenas se as FARC-EP devem ou não ser apoiadas (e claro que devem). Mas por extensão, também estamos a discutir porque não apoiamos a Guerra Popular na Índia e Filipinas, ou os processos de luta armada no Paraguai e no Peru. Se já não houver coca nem presos, qual vai ser a desculpa?!

    Se para si isso é a latrina, então bem vindo.

    Para mim a latrina é convocar o Daniel Cold-Bandit, o Durão e a Raquel Varela para tentar caricaturar as posições justas ?!? Qual foi exactamente a actividade revolucionária do Durão?! Roubar sofás da faculdade?!

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  21. Anónimo1/6/14

    Argala está a exorbitar.
    A latrina de facto não é o melhor sítio para debater.
    Ponto final parágrafo

    De

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  22. Anónimo1/6/14

    O resto é apenas pretexto para argala fazer algumas das suas piruetas habituais

    Não vou agora sequer falar nem varela e na admiração babosa do argala sobre esta historiadora e do seu livro com que revisita a história.

    Nem vou agora comentar os revolucionários de pacotilha sejam eles barroso ou conh-bendit ou outro qualquer que seja . A classe está por aí bem representada

    Lembro-me isso sim dum post ( dos muitos) que este mesmo argala dedicou a Álvaro Cunhal no alto do seu revolucionarismo característico da "classe"

    Por exemplo esta:
    "O homem que montou as traves-mestras, que fez a escola do partido. Cunhal é o pai de uma estratégia que amarrou a classe operária à democracia burguesa, concebeu a aliança com a burguesia liberal por trás dessa expressão aclassista das “liberdades democráticas”, o terreno que ia dar a vitória aos trabalhadores

    Há mais mas fedem tanto como esta e francamente aqui não é propriamente o terreno para desenterrar a porcaria feita por algum pessoal da classe

    De forma que se abandonem as latrinas pelo respeito de quem escreve e de quem lê

    Falemos antes da Colômbia e das FARC

    De

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  23. Previsível.

    Depois dos anátemas dos radicais pequeno-burgueses, do aventureirismo, do Durão Barroso e da Raquel Varela.. sobra muito pouco. É melhor mesmo saltar fora.

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  24. Anónimo1/6/14

    Dum texto de Pavel Blanco Cabrera:

    "Cumprem-se 50 anos de luta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo. Não há força política semelhante que tenha enfrentado o que a insurreição fariana enfrentou, como sejam as mudanças de época, a alteração da correlação de forças internacional, e a confrontação não só com a oligarquia colombiana, mas também directamente com o imperialismo e com todo o seu aparelho bélico e comunicacional, assim como com a incompreensão de algumas forças da esquerda.

    Em 1964, seis anos após a entrada vitoriosa do Movimento 28 de Julho em Havana, o Continente encontrava-se em ebulição porque a táctica de guerra de guerrilhas atraía milhares ao combate revolucionário e com optimismo vislumbrava-se a possibilidade de mudanças profundas e radicais em todos os países da Nossa América. No entanto as FARC-EP, embora contemporâneas de tal onda tinham outra origem, outra táctica e outra composição social, que determina que prossigam na luta e na forma de luta abandonada por outros, que embora no seu tempo a tivessem absolutizado se unem sem decoro às novas políticas."
    (Cont)

    De

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  25. Anónimo1/6/14

    "As FARC-EP têm a sua origem na realidade colombiana, nas contradições sócio-classistas que a exploração engendrará, a concentração da riqueza e da terra na minoria burguesa, que para manter os seus privilégios recorre à violência aberta, ao terrorismo de estado contra o povo, ao dia a dia do crime político, à posição definitiva da oligarquia para exercer o domínio. O assassinato de Gaitán e o Bogotazo, a violência da classe dominante originaram as guerrilhas liberais, que politicamente mostravam os seus limites, e levaram Manuel Marulanda e os seus compatriotas a ligar-se ao Partido Comunista Colombiano, a assumir a ideologia marxista-leninista e a fazer um trabalho de organização política e militar sempre vinculado aos camponeses, aos trabalhadores, ao conjunto do povo trabalhador. Nessa altura O PCC, aceitando a linha da combinação de todas as formas de luta, apoiou plenamente os camponeses em armas e destacou quadros excepcionais da JUGO e do Partido, entre eles um homem extraordinário, um proletário, de grandes dotes intelectuais e organizativos, Jacobo Arenas, que juntamente com o Comandante Manuel Marulanda forjaria várias gerações de verdadeiros comunistas, que fariam de um primeiro núcleo focalizado numa região um poderoso exército do povo que se estendeu a todo o território colombiano, e com um perfil que chama a atenção, de partido comunista, de vida orgânica onde já se notam elementos da nova sociedade, nas relações sociais, culturais, na camaradagem, nas relações homem-mulher e homem-natureza."
    (cont)

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  26. "Não vou agora sequer falar nem varela e na admiração babosa do argala sobre esta historiadora e do seu livro com que revisita a história"

    Não vai, mas vai. Esse não é o tópico do post. A menos que seja para desconversar, o que já não estranho.

    Você não quer discutir as ideias de Cunhal, que provavelmente nem conhece porque não leu a sua obra, nem o livro da Raquel (que seguramente também não leu). Você quer trazer a discussão sobre Cunhal para um post sobre as FARC-EP para desconversar. Para precisamente não se discutir nem uma coisa, nem outra. É outra forma de saltar fora. Gosto mais da primeira.

    E sim, considero as ideias de Cunhal reformistas. E posso justificá-lo sem recorrer ao Durão Barroso.

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  27. Anónimo1/6/14

    "Objectivamente, a onda guerrilheira dos anos 60 tinha como base a juventude radicalizada e estudantil, mas o certo é que as FARC contavam nos seus primeiros anos com camponeses, homens e mulheres, trabalhadores do campo, e embora a onda guerrilheira, seguindo as teses negativas de Debray criticasse o papel do partido revolucionário e tentasse prescindir dele, os guerrilheiros marquelianos aferravam-se à vida orgânica e reconheciam a sua vanguarda no partido comunista. Enquanto a onda da guerrilha absolutizava a luta armada e qualificava como reformista quem não os seguisse, as FARC-EP enfatizavam que na política revolucionária era necessário combinar todas as formas de luta.

    Na contagem que o Comandante Ernesto Guevara fazia das organizações revolucionárias, na Colômbia indicava a dirigida por Manuel Marulanda, porque as suas causas eram justas, as suas bandeiras expressavam os interesses populares e porque existiam coincidências muito fortes. O Che foi consequente e morreu agindo como pensava na Bolívia, em Outubro de 1967. Mas muitos seguidores das teses de Debray abjuraram das suas absolutizações e assim, com o passar do tempo, desqualificaram a luta armada e o direito do povo a exercê-la.

    Na classificação política, quando o vento soprava a favor dos povos, pelo papel do campo socialista e da URSS, pela descolonização, pela força do movimento operário, pela vitória vietnamita, era normal que junto da URNG, o FMLN, o FSLN, o ELN e a grande diversidade de forças revolucionárias em armas se situassem as FARC-EP. Mas quando a contra-revolução se impôs, até levar ao derrube da construção socialista na União Soviética e outros países, dando lugar a um retrocesso da luta de classes, as condições desfavoráveis, na verdade, levaram boa parte desses processos de guerrilha a negociações que acabaram na desmobilização militar. Embora tenha havido casos de transfugismo não podemos atribuir tudo a essa razão. A história está aí com os seus acervos como lições para o presente, e quando a consultamos encontramos discursos derrotistas, viragens na estratégia, que consideraram a participação na democracia burguesa como um passo obrigatório. As FARC-EP, que sempre se bastaram nas suas condições próprias, mantiveram ao alto a bandeira revolucionária transformando-se num símbolo mundial da luta armada pelo socialismo, em condições nada fáceis, muito complexas, semeadas de dificuldades."
    (Cont)

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  28. Anónimo1/6/14

    ( argala...já lhe disse o que tinha a dizer...não tenho agora tempo para pequenos provocadores em busca de palco, com algumas manhas policiescas, bacocas e de burguês pedante e ignorante sobre o que os demais leram ou não.)

    Continuando na Colômbia no texto de Pavel Blanco Cabrera:

    De

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  29. Anónimo1/6/14

    "As FARC-EP resistiram à obscura noite contra-revolucionária e a des-ideologização

    Com necessidade marquetaliana, com firmeza marxista-leninista, com têmpera comunista as FARC-EP, de maneira orgânica, ou seja com a discussão leninista militante e resoluções emanadas do colectivo, continua a luta armada, com uma eficiência cada vez mais revolucionária, com um plano estratégico para a tomada do poder. As forças da reacção e do imperialismo iniciaram uma cruzada para as exterminar.

    O mais importante é que na América Latina, o imperialismo norte-americano envidou os seus esforços para conseguir a derrota militar das FARC-EP, com um investimento milionário do Plano Colômbia e de planos subsequentes de intervenção militar, mesmo directa com a presença de bases norte-americanas na região e com o apoio sem escrúpulos a criminosos como Álvaro Uribe que fez do genocídio o seu estilo pessoal de governo e legalizou a actuação dos mafiosos paramilitares.

    Depois, os centros ideológicos do imperialismo, detentores do controlo absoluto dos meios de comunicação, lançaram com paixão goebeliana uma grotesca campanha de propaganda para semear na opinião pública a suspeita de um vínculo entre o narcotráfico e a revolução, criando o mito da narco-guerrilha, mito fabricado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Além disso e devido à histeria promovida por Bush após o 11 de Setembro de 2001 tentaram meter no mesmo saco o legítimo direito dos povos à luta armada e o terrorismo, inscrevendo assim as FARC-EP nas listas que os Estados Unidos e a União Europeia emitem por essa razão."
    (cont)

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  30. Anónimo1/6/14

    "Mas surgiram mais dificuldades no cenário de solidariedade internacionalista. Por um lado muitos afogaram-se no desespero, milhares de pessoas que encontravam na solidariedade a sua forma de militância desencantaram-se pelo facto do esforço das suas vidas acabar numa relegitimação da democracia burguesa e da aceitação das regras da classe dominante, e como em alguns casos as antigas guerrilhas tornadas governo continuaram a gerir o capitalismo pela mão de algumas políticas assistencialistas. Por outro lado toda a solidariedade com a luta armada foi criminalizada, levada a julgamento e perseguida.

    Somamos a isso a incompreensão, resultado da assimilação do discurso ideológico do imperialismo no sentido de absolutizar a democracia burguesa e condenar tudo o que lhe não pertença, forças políticas que dizem inserir-se na esquerda e que voltam as costas à acção revolucionária fariana, que clamam pela sua desmobilização e que hoje garantem que não há outro caminho senão depor as armas, empenhados com veemência por razões de geoestratégia progressista (a redundância discursiva é também uma das suas características)."

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  31. Anónimo1/6/14

    "Do ponto de vista político, as FRAC-EP baseiam a sua solidez nos princípios comunistas do marxismo-leninismo. Cada guerrilheiro é militante do Partido, cada grupo é uma célula do Partido. Entende-se a luta armada como uma forma que deve ser completada com o trabalho popular, estudantil, do campo. De resto há mais de uma década optou-se por construir um movimento de massas, mas clandestino. Sendo as FARC-PE um partido comunista em armas, a vida de discussão política marcada pelo centralismo democrático dá ao conjunto da organização uma força indestrutível. E há uma coesão com o mundo, porque o mundo está no mesmo terreno da luta, aplicando o princípio leninista de igualdade entre os comunistas.

    Assim a guerrilha fariana deu contribuições aos comunistas e revolucionários do mundo:
    a) a luta pelo poder, ainda que nas condições mais adversas, como bandeira programática para os revolucionários, em período de ebulição e mistura do pós-modernismo e neo-anarquismo.

    b) a reivindicação do direito inalienável dos povos à rebelião armada, o papel da violência revolucionária como elemento insubstituível de transformações profundas e radicais.

    c) o seu papel objectivo na derrota da ALCA, em conjunto com a Venezuela bolivariana e Cuba.

    d) a opção do carácter continental da revolução e a procura permanente da coordenação de forças revolucionárias e anti-imperialistas.

    e) a coerência organizativa para juntar numa só torrente camponeses, trabalhadores, indígenas, estudantes, intelectuais, etc."

    O texto completo aqui:
    http://www.odiario.info/?p=3291

    De

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  32. Anónimo2/6/14

    o autor dos blogs 'companheiro vasco' e '10000 insurrectos' aqui misturado? que saudades!

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  33. Anónimo5/6/14

    Uma excelente entrevista com o comandante Miguel Pascuas

    http://www.odiario.info/b2-img/A50AOSDELACREACINDELASFARCPOR.pdf

    De

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