Património é História. A História não se privatiza.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A cultura e o património devem ser vistos como um elemento que potencia o turismo, o que é muito diferente de dizer que devem ser geridos como as atracções de um parque de diversões.

Os vários Governos, dirigidos pelos partidos de organização e orientação burguesa - PS, PSD e CDS - têm vindo a conceber a política de cultura e património alinhados com a tendência que vai marcando as grandes capitais europeias, ou seja, a da gestão do património e das manifestações culturais como se de meras atracções turísticas se tratassem. Além de ser uma perspectiva redutora do potencial das expressões culturais e do património, é uma política que resulta na mera mercantilização do património. Se o património e os hábitos e tradições se tornam meras atracções, as pessoas tornar-se-ão figurantes.

PETIÇÃO - DGArtes: financiamento 2017

Nas artes performativas temos boas e más notícias. As boas é que finalmente se irão rever os critérios e regulamentos dos concursos aos apoios da DGArtes. As más é que corremos o sério risco de manter um nível de financiamento similar ao de 2016. Querendo potenciar as boas notícias e tentando eliminar, ou pelo menos minorar as más, o CENA e o STE tomaram a iniciativa de lançar uma petição pública com algumas exigências.

A diversidade de agentes do sector que aceitaram ser primeiros subscritores e os que agora têm vindo a assinar, mostram que há uma convergência de preocupações muito grande em torno dos financiamento mas também do combate à precariedade e da valorização social das estruturas de criação artística.

É preciso assinar esta petição, dar-lhe força. Depois é preciso continuar a trabalhar para que as exigências nela contida se vão cumprindo. Mas vamos ao primeiro passo, ler e assinar. Ah, e depois divulgar por todos os meios e mais alguns. Vamos a isso?

Colômbia

sábado, 24 de setembro de 2016

A concretização do acordo de paz entre o estado colombiano e as FARC-EP é um acontecimento de ímpar importância na história da Colômbia, da América Latina e do continente Americano.

Se a paz se concretizar efectivamente, se as palavras escritas em papéis corresponderem à efectiva acção das partes, o conflito colombiano - que teve início em meados dos anos 60 - poderá reorientar-se para formas de luta não armada, o que de forma alguma significará a rendição popular perante o narco-Estado colombiano, assente sobre três pilares fundamentais: as oligarquias pós-feudais, em parte ligadas ao narcotráfico; os grupos armados paramilitares, responsáveis pela perseguição, tortura e execução de milhares de militantes de partidos de esquerda e estruturas sindicais e de camponeses; a fortíssima ligação ao imperialismo norte-americano, que encontra nas elites colombianas um dos mais fiéis aliados na região.

Opinião: A demagogia de Câncio

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Em primeiro lugar, #foraTemer, em segundo lugar, há muito que, pela minha sanidade mental (e pela dos que me rodeiam) que também eu deixei de ler muitas das opiniões que grassam na imprensa nacional. Isto porque prezo demasiado o estudo, o conhecimento, o debate e incomoda-me que se tratem assuntos que são de especial relevância para a nossa vida do alto da burra.

A classe de João Miguel Tavares

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Decidi há uns tempos, por uma questão higiene mental, deixar de ler algumas pessoas. Não é porque discorde deles. Tenho, felizmente, muitos amigos e autores de quem discordo mas que não deixo de ler. É mesmo porque é uma perda de tempo ler imbecilidades e, ainda mais, discordar delas. O desobrigador arquitecto Saraiva, João Lemos Esteves, Alberto Gonçalves e  João Miguel Tavares estão entre os eleitos que optei por não acompanhar, nem para ter o prazer de discordar deles. Mas, como sempre, a excepção que confirma a regra aconteceu hoje, porque me saltou à vista uma declaração do interveniente do Governo sombra, da TSF, e prolixo autor de obras como "A crise explicada às crianças de esquerda" e "A crise explicada às crianças de direita".

Para que não haja dúvidas, este texto é sobre o Pedro Passos Coelho ter sido desobrigado pelo arquitecto Saraiva

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Um arquitecto Saraiva que é jornalista, que escreve livros e que escreve crónicas sobre pêlos, elevadores e outros elementos do seu dia-a-dia cosmopolita. Um ex-primeiro ministro e ora líder da oposição Pedro Passos Coelho que é político, que é quase africano e que prevê a chegada do diabo à Terra para breve. Um livro badalhoco chamado "Eu e os Políticos", escrito pelo arquitecto Saraiva, e uma apresentação de livro aceite pelo PPC, que entretanto foi desobrigada e que entretanto até já nem se vai realizar por motivos de segurança. Uma editora chamada Gradiva que ainda deve estar a pensar porque raio é que editou este livro. Seja liberal se lhes compro mais algum...

Pois é. O PPC aceitou apresentar o livro do Saraiva sem ler o que ele tinha escrito. Ele escreveu o que costuma escrever. Palermice, irrelevância e linhas de ressabiamento por não ser Niemeyer ou Saramago. Mas nem percamos mais tempo com a dita obra que não merece mais publicidade. Centremo-nos no Pedro. O Passos Coelho.